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História

O Carrinho

História de: Ademir Alves
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/12/2012

Sinopse

Identificação. Nascimento e criação em bairros da zona norte de São Paulo. A forte ligação da família com o comércio e a região, pela casa comercial de sua família, a Perfumaria Paraci, localizada no Tucuruvi. A infância passada entre os corredores da loja e o ingresso no negócio após o término do segundo grau. O desenvolvimento de bairros da zona norte, especialmente Santana, Jardim São Paulo e Tucuruvi e a formação do comércio da região. A trajetória da loja desde os anos 60, umas das pioneiras no ramo de perfumaria na zona norte e a sociedade com as irmãs.

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“A perfumaria do meu pai foi a primeira loja que abriu no Tucuruvi. Outro dia mesmo uma cliente falou assim: ‘Puxa, essa loja tem história. Eu vinha com a minha mãe lá do Edu Chaves para fazer compras aqui.’ As pessoas vinham de outros bairros porque não tinha loja de perfumaria como hoje. Tudo era diferente. Quando meu pai montou a perfumaria, não existia embalagem de plástico, os xampus líquidos eram em vidro. Na época dele, então, a grande transformação foi a chegada do plástico. E, da época dele para a minha, tem tido muitas transformações. O número de itens, por exemplo, é dez vezes maior. Na época dele era mais o básico, mas mesmo assim dava para montar uma loja só de artigos de beleza. Eu acho que essa foi a grande ideia: pegar uma seção do supermercado e transformar em loja. As coisas vão mudando e você vai se adaptando.

 

Agora, recentemente, quando surgiu essa história de proibição das sacolinhas, eu fiquei pensando: lá no começo, os produtos eram embrulhados, não eram ensacados. Aquele rolo rosa, lembra? Tirava um pedaço do rolo, aí punha os produtos no meio, fazia o pacotinho, tinha um negócio também de cordão, puxava o cordão, amarrava e a pessoa levava o embrulhinho de papel para casa. Acho que nem durex tinha. Dá impressão de que o durex sempre existiu na nossa vida, mas houve uma época sem durex. Depois passou para os saquinhos de papel. São mudanças, a gente tem que se adaptar.

 

Anos atrás a coisa era basicamente ensinamento de pai para filho: funcionava. Mas aí o mundo mudou e hoje tem um profissional que é de marketing, outro que é de layout, outro não sei o quê. Enfim, um outro que analisa comportamento do consumidor dentro da loja, como a pessoa age, por onde entra, por onde sai. Eu sobrevivi muitos anos com o conhecimento dos meus pais, mas, de uns anos para cá, passei a trabalhar com profissionais especializados. Faz diferença. Eu tive um aumento de 15% no público, mas uma coisa que eu gosto aqui do bairro é que, mesmo com essas mudanças, você ainda mantém um pé no passado. Por exemplo, eu ainda tenho caderneta. Tem uma família lá, são umas seis pessoas e todas estão no caderno. Aí vem um e fala: ‘Vou pagar a minha e vê quanto meu filho está devendo. Vou pagar a dele também.’ Ainda tem uma galerinha que marca. Isso é divertido e faz bem para a gente...

 

Eu comecei a trabalhar quando terminei o segundo grau. Não tinha escolhido uma profissão que me interessasse e parado não podia ficar, então comecei a ajudar na loja. Meu pai ficava no comando e eu no apoio. Tem até uma história interessante sobre isso, porque durante anos nós íamos fazer compras em um atacado, pôr as coisas naquele carrinho e tal. E eu era a pessoa que empurrava o carrinho. Ele ia escolhendo os produtos e eu ia empurrando atrás. Empurrei muito carrinho. Muito. E uma vez, um dia, sem que nenhum de nós percebesse, ele é que estava empurrando o carrinho e eu estava pegando as coisas. Nós trocamos de posição. Eu não sei exatamente quando foi isso; não teve aquela conversa de: ‘Olha, hoje eu vou pegar os produtos e você vai empurrar o carrinho.’ Foi uma coisa natural, mas teve um momento ali que eu parei e pensei: ‘Nossa, que engraçado.’”

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