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História

O Carnaval é o nosso jeito de fazer revolução

História de: Marcelo Veronez
Autor:
Publicado em: 28/01/2020

Sinopse

Em sua entrevista, Marcelo conta sobre sua infância em Itamarandiba e a mudança brusca de vida para Contagem, em sua adolescência. Versa sobre as dificuldades encontradas ali pelo bullying e a melhoria de vida ao entrar na Fundação de Ensino de Contagem (FUNEC). Em seguida, narra sua mudança para Belo Horizonte, a fim de estudar no Teatro Universitário, lista seus mestres dali e conta sobre seus trabalhos como ator e cantor. Conta a história do Bloco Corte Devassa e de como o Carnaval da cidade foi retomado desde 2009. Finaliza descrevendo seu último show, Não Sou Nenhum Roberto, em cartaz há dez anos.

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História completa

A gente marca o retorno do Carnaval em BH meio que nos últimos dez anos, é a história de 2009 para 2010. Tudo começa com a Praia da Estação. Essa história já foi contada para você? Não? Mais ou menos, não é? Então eu vou ter a felicidade de contar a história da praia. Bom, no momento ali, no final de 2009 o Prefeito da cidade, depois de ter reformado a Praça da Estação, que é o primeiro ponto de Belo Horizonte, que é onde a cidade nasce, onde tem a estação de trem, de onde vinha todo mundo que chegava em Belo Horizonte, ele queria que a praça fosse meio que privatizada. Então ele colocou um decreto, no dia 28 de dezembro, proibindo eventos de qualquer natureza na Praça da Estação. "Evento de qualquer natureza", está escrito no decreto. Como assim proibir evento de qualquer natureza? Então, se você quisesse utilizar, tinha que pedir uma licença na Prefeitura, e essa licença custava dinheiro. A praça tinha acabado de ser reformada, ficou por muito tempo sendo usada como estacionamento no centro da cidade. É uma praça gigante, linda, tem uma fonte no chão, enfim, é uma beleza. Essa história se espalhou muito rapidamente, então já nesse primeiro final de semana do ano seguinte, assim na outra semana, logo depois do decreto baixado, rolou esse movimento de: "Ah, não pode evento? Vamos fazer uma praia. Como é que vamos protestar sobre isso? Como é que vamos dizer que a gente é contra essa maluquice?" Então a gente foi para a Praça da Estação e tomou um sol. Não é evento, nós estamos tomando sol de biquíni, de canga, de sunga, tomando banho na fonte, jogando peteca, vôlei, frescobol… Era uma grande performance. Eu tenho umas fotos dessa praia. Tem uma foto minha com o Guilherme Moraes nessa praia. O Guilherme Moraes é um bailarino, um artista belo-horizontino que foi a figura que trouxe o duelo de Vogue para Belo Horizonte e também meio que para o Brasil, porque era um negócio meio inédito quando ele começou a fazer isso aqui e a coisa foi se espalhando. Então, o Guilherme também é uma figura visionária. Se não me engano, foi ele quem me avisou desse rolê da praia e eu fui: "Claro que eu vou, imagina que eu vou perder a oportunidade de tomar um sol na Praça da Estação, de sunga, com todos os meus amigos?! Nunca, jamais". A história da praia começa aí. Aconteceu essa, depois aconteceu outra na próxima semana, depois aconteceu outra na próxima… Essa primeira praia tinha, sei lá, 40 ou 50 pessoas. Na segunda semana tinha 100. A terceira, não sei o quê… Até a praia ter 2.000, 3.000, 5.000 pessoas esses anos todos. A ocupação da praia vai trazendo, também, a ocupação do Carnaval. Todo mundo que queria fazer alguma coisa no Carnaval, meio que se encontrava na praia para ensaiar lá. Esses blocos desse Carnaval dessa data, nascem ali na Praia da Estação. Tem histórias incríveis da praia. Desligaram a fonte, não deixavam a gente tomar banho na fonte. E a praia é árida. Tem duas árvores lá e o resto é cimento, sol e faz calor, não é? Belo Horizonte, em janeiro, tem um calor do cão: "O que vamos fazer?" "Chama um caminhão-pipa". Chamava o caminhão, ele parava na Avenida dos Andradas e ficava ali 40 minutos jogando água para a gente. Tinha um povo que levava prancha, colocavam as pessoas para surfar no caminhão-pipa. Esse formato de encontro de revolução é o que eu acho mais bonito. Por isso que eu digo: Carnaval é revolucionário. É o nosso jeito de fazer revolução.

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