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História

O caminho de Dulce

História de: Dulcinéa Antônia da Silva
Autor: Marcela Novaes
Publicado em: 04/06/2019

Sinopse

Dulcinea Antonia da Silva, em seu depoimento, conta a sua trajetória de vida até se tornar professora, desde a sua infância na cidade de Cavaleiro, no Pernambuco, até se tornar professora na rede municipal de São Paulo, onde atua hoje. Após o falecimento do pai, Dulce e seu irmão vêm morar em São Paulo. Chegam em um dia de frio e chuva e ficam um tempo vivendo em um cortiço. Depois disso, consegue um emprego em uma casa onde tem, por muitos anos, seus direitos negados e maus tratos de sua patroa, de onde sai sem ter recebido por seu trabalho. Posteriormente vai trabalhar para uma família diferente, onde consegue inclusive conciliar os estudos com o apoio deles. Dulce frequentava a igreja e, na época, tinha o seu círculo social nesse ambiente. Chegou a participar do movimento que luta pelo direito moradia, e hoje é professora, após ter passado por algumas diferentes experiências e em diferentes regiões da cidade de São Paulo. Com muita sabedoria, Dulce vê a sua trajetória de vida como uma série de aprendizados.

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História completa

Sobre ela: Dulcinea Antônia da Silva é professora do ensino fundamental da rede pública municipal de São Paulo. Nascida no Pernambuco, na cidade de Cavaleiro, em 10 de dezembro de 1958, tem uma trajetória de vida muito interessante e de luta até se tornar professora. Dulce, após o falecimento de seu pai, vem, junto com o irmão, morar em São Paulo, cidade que até então não conhecia nada e que ficou marcada pela primeira impressão do frio e da garoa. Aqui trabalhou como empregada doméstica, primeiro em um lar quem segundo ela, era muito difícil, por conta dos maus tratos e negação de direitos trabalhistas por parte de sua então patroa e, depois em um outro lar, em que a convivência era melhor e seus direitos cumpridos, onde conseguiu, inclusive, conciliar os estudos com o apoio dos patrões. Se formou em 1997 no magistério, teve diferentes tipos de atuação como educadora e em duas regiões diferentes da cidade. É professora até hoje. Dulcinea Antônia da Silva, mais conhecida como Dulce, é uma professora muito querida por todos na escola em que também trabalho, EMEF Infante Dom Henrique (futura EMEF Escritoria Carolina Maria de Jesus). Ela tem um jeito sereno, uma risada gostosa e também uma trajetória de vida muito interessante e conhecida por vários professores da escola. No mês de março, foi proposta uma formação do Museu da Pessoa ao grupo docente, em que o objetivo seria escolhermos alguns professores, alunos e funcionários para contarem suas histórias em vídeo, mas durante todo o processo foi possível conhecer um pouco de cada pessoa por meio de pequenas histórias trocadas. Eu sempre ouvia falar que a Dulce tinha uma grande história, pois já haviam comentado sobre isso mais de uma vez comigo, sentia até que eu era a única que não conhecia e, portanto, votei para que ela fosse a escolhida para nos contar, e no dia, me candidatei para ser uma das entrevistadoras, já que ela foi, de fato, uma das mais votadas. Dulce é muito discreta e de cara não se sentiu muito confortável em precisar contar sua história em vídeo para o museu, mas tudo pareceu mudar quando começamos. Nascida em 10 de dezembro de 1958 na cidade de Cavaleiro, em Pernambuco, Dulce vivia entre seus onze irmãos, sua mãe, Antônia Maria, dona de casa, e que eventualmente trabalhava como empregada doméstica, e seu pai, Manuel Antônio, lavrador. Falando de seus pais, Dulce demonstra muito respeito e admiração pelos dois. Sua mãe, ainda viva, não lê, não escreve, mas, segundo ela, tem uma alma enorme. E pelo seu pai, já não mais vivo, ela teve e tem enorme admiração e compreensão que veio só posteriormente. Ela comenta de duas experiências com seu pai que a marcaram muito: uma quando foi com ele à lavoura e o ajudou no trabalho, e outra quando esteve com ele em uma casa de farinha Já vivendo em São Paulo, aproveitando a ida de sua irmã para Pernambuco, Dulce escreveu uma carta para sua mãe, demonstrando a sua compreensão, que veio depois de seu amadurecimento. Essa compreensão posterior veio de um acontecimento de quando ela era ainda bebê, sua mãe a emprestou para sua tia, que havia se casado, porém não tinha filhos e vivia na cidade, e nisso Dulce passou muito tempo indo e voltando, vivenciando duas famílias. Nessa época, ela foi alfabetizada, em uma escolinha que sua tia a havia colocado. A escola era, na verdade uma casa, onde uma pessoa se dedicava à alfabetização de um grupo de crianças. A história de sua alfabetização é também muito bonita, e foi contada por ela durante a formação do Museu da Pessoa. Ela conta que estava com o seu caderno, com as sílabas “BA BE BI BE BU”, embaixo de um pé de macaíba, e foi aí que ela teve um “insight” de que o B junto ao A tinha som de “BA”.

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