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História

O caçador de queijos!

História de: Thiago da Silva Alves Reis
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/05/2021

Sinopse

Thiago da Silva Alves dos Reis nasceu em 06 de agosto de 1978 na cidade de Ribeirão Preto. Começou a trabalhar desde os 12 anos de idade, tendo o cargo de Guarda Mirim da prefeitura da cidade. Thiago possui experiências em diversas áreas de vendas. Trabalhou como repositor em loja de conveniência, call center, distribuidora farmacêutica, Ambev e na Bunge. Se graduou em Ciências Econômicas e hoje é formado em charcutaria. Sua profissão é conhecida como cheese huntero caçador de queijos e outros produtos artesanais finos. Atualmente possui sua loja física Pedacinho da Canastra e também vende pela internet. Thiago é casado e tem uma filha de 23 anos que está cursando Química. 

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História completa

          Meu nome completo é Thiago da Silva Alves dos Reis. Sou de Ribeirão Preto, e minha data de nascimento é 6 de agosto de 1978. Eu nasci em um dos bairros mais violentos da cidade, que é o Simioni. Meu pai trabalhou 30 anos na Febem, na Fundação Casa. Ele era funcionário estadual, e minha mãe era funcionária da prefeitura, da área de educação. E lá no Simioni, eu tinha minhas amizades: os amigos bons e os amigos ruins. Só que eu comecei a trabalhar muito cedo - com 12 anos eu já era guardinha na Guarda Mirim da prefeitura de Ribeirão Preto - então acho que, por isso, eu não parti para outros lados.

          Aí eu fiz 14 anos e podia ter meu primeiro registro em carteira, porque Guarda Mirim era contrato. O primeiro registro foi num posto de gasolina, numa loja de conveniência. Depois eu tive vários empregos, mas a partir da hora em que eu comecei a me formar, que eu fui para a faculdade, comecei a ter outro molde de vida profissional. Eu sempre fui comercial, desde sempre já tinha aptidão de vendas, e naquele momento passou pela minha cabeça de fazer Economia por causa disso.

          Em 2000, eu entrei pra trabalhar no call center da Atento, que é a empresa que toma conta da Telefonica. Fui da primeira equipe a entrar aqui em Ribeirão Preto, e fiquei por lá dois anos - eu já tinha me casado, com 16 para 17 anos. Dali, eu fui para uma distribuidora farmacêutica e fiquei quase cinco anos e meio. E ali eu comecei a me destacar, pois eu sempre ficava entre os cinco melhores de vendas, de uma equipe de 80. E, além do salário ali dentro, a gente tinha as campanhas dos laboratórios e perfumaria. Foi nesse momento que eu comecei a fazer o meu pé de meia, porque ali a gente ganhava muito dinheiro. Hoje, a minha esposa tem o MBA de Controladoria e Finanças pela USP, tudo em cima desse trabalho aí. 

          Aí eu saí de lá e fui para a Ambev. Virei um vendedor espartano dentro da Ambev. Na Ambev, eu aprendi a me tornar um cara mais técnico, tanto para relatórios, como para ser um vendedor mais agressivo. Aí eu tentei empreitar com varejão, mas eu não tinha muito conhecimento de empreendedorismo ainda. Eu tinha o feeling para vendas, mas não tinha o conhecimento, nem eu e nem minha esposa. A gente montou um varejão, ficou um ano e meio com ele, numa periferia de Ribeirão Preto. Depois foi a Bunge, e mais tarde, LBR Lácteos, que era dona da marca Parmalat; fiquei quase três anos.

          Já o Pedacinho da Canastra, eu montei para minha esposa. Eu comecei a fazer um plano de negócio para ela montar um projeto de algo que a gente não tivesse no interior de São Paulo. Eu tinha apresentado a Serra da Canastra para ela quando eu tinha 20 anos, porque eu ia lá com o meu pai algumas vezes. A gente começou a andar muito na Canastra, de moto, e andamos pelas propriedades de produtores de queijo. Aí ela começou a ter uma outra visão do que é queijo canastra – porque, em Ribeirão Preto, é o queijo canastra falsificado que tem aqui nos mercadões; o pessoal compra queijo da região e fala que é Canastra.

          A gente é conhecido como cheese monger ou cheese hunter, que é caçador de queijos. A gente sabe fazer queijo porque fizemos cursos, e hoje eu tenho mais de 70 tipos de queijos, do Brasil inteiro. Eu trabalho com queijo colonial, de Santa Catarina, queijo coalho e manteiga do Rio Grande do Norte, que vem de avião. Hoje eu tenho uma transportadora parceira, que é a Rodonaves, e trabalho com mais de 30, 40 tipos de charcutaria, que é toda a linha de embutidos.

          O Canastra é só um queijo que existe. Não existe parmesão canastra, não existe queijo capa preta da Canastra. É um tipo de queijo, de três tamanhos diferentes. E o que eu trago para Ribeirão é um canastra legítimo, de produtor artesanal, que tem todo o cuidado das boas práticas de higiene - a gente acompanha todos os laudos.

          Além do Canastra, eu trabalho com Serro, que é a região mais antiga do Brasil de queijos artesanais. Estou trazendo há um ano os parmesões da Mantiqueira – é um sucesso. A gente trabalha com parmesão de leite cru, que é feito em oito municípios da região chamada Terras Altas da Mantiqueira. Eu trago queijos da região da Mantiqueira, Canastra, Cerrado Mineiro, Triângulo Mineiro... eu trago queijo de Monte Carmelo... tem muito queijo! Além disso, eu trabalho com queijo de cabra, búfala, ovelha e vaca. Eu trabalho com mais de 14 tipos de queijo de cabra, que é para um público com um paladar mais afinado para queijos.

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