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O Burro do Nicolau

História de: Nicolau Bubna
Autor: Carlos Roberto B. Mariani
Publicado em: 09/07/2013

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Corriam os anos finais da década de 1960 e os primeiros da década de 1970. A carga postal procedente de outros Estados e do exterior chegava a Maringá por meio de trem. Havia uma equipe de servidores que compunham o chamado Ambulante PR/02 que era responsável pela linha São Paulo/Maringá. Estes profissionais trabalhavam durante horas seguidas no interior de um vagão que vinha logo após a locomotiva, chamado vagão-correio. Trabalhavam de forma ininterrupta no percurso processando a carga postal. A cada parada do trem nas diversas cidades dos Estados de São Paulo e Paraná a equipe recebia e desembarcava as malas postais. O fim da linha era Maringá. Na época a cidade contava com apenas uma agência, que era a responsável por receber, tratar e encaminhar os volumes postais a todas as cidades da região Noroeste do Paraná. No final do dia, o processo inverso ocorria: os volumes postais eram recebidos da região e embarcados no mesmo trem com destino a São Paulo. Eram milhares de quilos processados diariamente num ritmo frenético: o trem chegava "por volta" de 14 horas e retornava as 16 horas. Não havia transporte motorizado para o transporte da carga entre a estação ferroviária e a agência local. Toda a movimentação da carga era feita por uma carroça puxada por um burro. Sereno, quadrupede de imponência real, com sua crina que mais parecia um tecido de veludo, olhar brilhante e decidido, trotoar firme como uma marcha de soldados, na verdade de Sereno só tinha o codinome, pois era forte como uma rocha e ágil como som do vento. Seu proprietário, Nicolau, ganhava a vida fazendo fretes com Sereno nas proximidades da ferroviária. O serviço postal era um dos clientes de Nicolau. De tanto fazer o trajeto diversas vezes ao dia, todos os dias, Sereno nem precisava de guia. Assim que "percebia" que a carroça estava cheia de malas postais, tomava o caminho da agência; saia do pátio ferroviário, "pegava" a avenida Duque de Caxias e seguia até a XV de Novembro, onde virava à esquerda com destino à agência. Como o portão da unidade estava sempre aberto, Sereno adentrava o pátio da agência num corredor de uns 20 metros e quando chegava ao seu final, ele próprio fazia as manobras para o início da descarga, tomando de novo o caminho da ferroviária para mais uma viagem, tantas quantas fossem necessárias. Nunca faltou ao serviço e jamais reclamou do excesso de trabalho. Mereceu até uma reportagem num jornal local na época. Grande Sereno. Sem saber, prestou relevantes serviços aos correios e morreu anônima e serenamente. Ah, seu proprietário, o Nicolau, de sobrenome Bubna, mais tarde foi contratado como carteiro, atividade que desenvolveu até se aposentar e hoje mora na cidade, ciente de que Sereno foi um de seus maiores amigos.
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