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O Brasil tem que quarentenar

História de: Henrique Pinel Bernardo Vieira Rocha
Autor: Henrique Pinel Bernardo Vieira Rocha
Publicado em: 03/11/2020

Sinopse

Diário de Henrique Pinel Bernardo Vieira Rocha, 21 de agosto de 2020.

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No começo da quarentena, comecei a pensar em como o Brasil encararia o confinamento, e cheguei a uma conclusão: A cultura brasileira é avessa ao coronavirus. Talvez pelo costume do toque, pela proximidade, pela intimidade entre duas pessoas já no primeiro encontro. Talvez, também, porque para esse problema não tem jeitinho. O brasileiro acostumado a inconformar-se diante de um empecilho, sempre busca dar a volta no muro, ou saltá-lo, por maior que ele seja. O nosso "jeitinho brasileiro" constantemente é classificado como indisciplina. Eu discordo, para mim é a prova de que a gente não desiste, a gente inventa, improvisa e cria. Por isso é tão dificil para a gente ficar em casa, obedecer as recomendações; essa algêma parece que não serve na gente brasileira. Mas dessa vez o brasileiro vai precisar ser menos verde e amarelo. Sabe aquele chinês chato da 25 de Março que não abaixa nem um real do preço do "cd"? Ou aquele francês que parece ser antipático? Ou o japonês que não se atrasa nem um minuto para abrir o comércio dele? Então... é neles que a gente tem que se inspirar dessa vez. O chinês não vai te dar um real de desconto porque ele sabe que aquele 1 real faz diferença no final do mês. Não tem concessão. O francês que parece antipático não se abre para o desconhecido, pois sabe dos riscos. O japonês não se atrasa para abrir o comércio dele, porque la na internet ta escrito que a loja abre as 9h, então ele vai abrir as 9h00. Uma disciplina intransigente. No primeiro momento a gente tem que ser esses caras ai, sem concessão, não se abrir para o desconhecido e seguir a risca o que todos os especialistas estão falando. A gente tem que ter medo sim da gripezinha, porque não sabemos de onde ela pode vir e já matou milhares pessoas. Agora... no segundo momento é 100% Brasil. Depois que aceitamos que temos que ficar em casa e nos cuidar, ai a gente tem que dar jeitinho pra tudo que é coisa. Dá jeitinho pra estudar, pra continuar ganhando dinheiro, pra continuar treinando e principalmente pra continuar sorrindo. Aquela leveza e bom humor que a gente tem pra tratar tudo, tem que entrar em jogo. Dentro de casa é amar e brincar com que ta trancado ai dentro contigo. Hoje em dia morar é luxo. Pela primeira vez na história morar é sinônimo de viver, então aproveita esse privilégio de ter um teto em cima a tua cabeça, agradece a Deus e faça teu tempo ai dentro valer a pena. Seja brasileiro dentro dos teus 20, 70, 150 ou 1000 m², porque hoje toda casa é fortaleza, todo quarto é cela e todo armário é cofre.

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