Busca avançada



Criar

História

O BNDES e as privatizações

História de: Licínio Velasco Júnior
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Licínio Velasco Jr. entrou no BNDES em 1975. Nos anos 80, começou a se envolver com o processo de privatização de empresas controladas pelo BNDESPAR e posteriormente com o setor de telecomunicações. Nesta entrevista, realizada em 2002, ele nos conta sua trajetória.   

Tags

História completa

P/1 – Eu vou pedir para o senhor dizer seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R – Meu nome é Licínio Velasco Júnior. Nasci no Rio de Janeiro, moro no Jardim Botânico. Nasci em 28 de março de 1951.

 

P/1 – Eu queria saber quando e como se deu seu ingresso no BNDES.

 

R – Eu entrei no BNDES em 1975. Tinha feito o curso de Engenharia na PUC do Rio de Janeiro, que [se] encerrou em 73. De 73 a 75 eu fiz pós-graduação em Administração na COPPEAD [Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro]. Entrei no banco através da subsidiária Ibrasa [Investimentos Brasileiros S.A.], que existia na época. Depois a Ibrasa, a Embramec [Mecânica Brasileira S.A] e a Fibase [Insumos Básicos S.A.], que eram as três subsidiárias, se tornaram a BNDESPAR [BNDES Participações S.A.] atual. Fui contratado em função do meu mestrado na COPPEAD.

 

P/1 – Você entrou para fazer exatamente que trabalho no banco?

 

R – Especificamente fui contratado quando entrei como analista de empresas, para que a Embrasa analisasse a possibilidade de investimento nessas empresas, de participação acionária.

 

P/1 – No início, quais os projetos que você se lembra de ter participado?

 

R – Eu participei… No início teve muita concentração no setor têxtil. As empresas, de modo geral, de Santa Catarina - a Hering, Artex, Tuller, Schulesser, muita concentração no setor têxtil no início.

 

P/1 – Atualmente, nos últimos anos, quais foram os principais projetos?

 

R – Nos últimos anos eu tive uma concentração muito forte, desde 85, na parte de privatizações - as primeiras privatizações. Eu peguei desde o início, desde as primeiras privatizações do banco, quando o banco, não como programa nacional de desestatização mais amplo depois do governo Collor, mas antes, nas desestatizações de empresas que eram controladas pelo BNDES ainda no governo Sarney. Eu, desde essa época, continuei a trabalhar com privatização até 94, quando pedi licença pra treinamento no banco, pra fazer mestrado em Ciência Política, um mestrado colado com minha experiência de privatização como parte da reforma do estado. Fiz mestrado em 95-96, voltei ao banco em 97, participei da desestatização do setor de telecomunicações. No ano passado eu consegui outra licença para completar o curso, fazer o doutorado na mesma instituição, que é a IUPERJ [Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro], também em Ciência Política, também no eixo de produção de políticas públicas. Nesse caso, em função da minha experiência com a privatização no setor de telecomunicações, dentro de uma pesquisa mais ampla, de produção de políticas públicas no período democrático da Nova República em diante, eu vou ter como caso também a produção legislativa que permitiu a desestatização do setor de telecomunicações.

 

P/1 – Você pode explicar mais detalhadamente qual era a sua função nesse processo de privatização das empresas?

 

R – [Quando] eu entrei eu era técnico, analista de empresas, depois eu exerci vários cargos de gerência, superintendência na BNDESPAR.  No banco, a minha primeira experiência na parte de privatização [foi quando] eu era diretor da BNDESPAR. Foi assim que eu comecei, durante muito tempo, mesmo quando veio o PND [Programa Nacional de Desestatização] - parte do PND foi como diretor do BNDESPAR, exercendo outras atividades além da privatização. Depois eu me concentrei especificamente em privatização, [ocorreu] uma espécie de rearranjo institucional e eu me tornei superintendente do BNDES lidando especificamente com privatizações.

Eu pedi licença numa época quando ainda era superintendente. Resolvi olhar com outros olhos aquilo que eu fazia, não mais exatamente como executor, mas tentando dar um passo atrás e olhar de uma forma mais ampla e pegando um pouco mais de conhecimentos acadêmicos dessa parte de políticas públicas. No fundo era como se eu quisesse pegar a minha vivência, o dia a dia e tentar enxergar aquilo de uma forma mais de cima.

 

P/1 – Quais foram os resultados disso?

 

R – Tanto eu gostei que eu fiz o mestrado e retornei para fazer o doutorado. Minha experiência foi muito boa, inclusive a minha tese de mestrado foi sobre os fatores que auxiliaram na implementação das privatizações no Brasil, de 85 até a época em que eu fiz a tese, em 96. Essa tese depois, aqui no BNDES, eu transformei em vários textos do BNDES. Você tem aqueles textos para discussão, então eu peguei a minha tese, praticamente eu desmembrei em textos para discussão. Acho que o número 54 e o 55 estão aqui registrados na minha tese, numa linguagem um pouco menos acadêmica, desse trabalho que eu fiz na IUPERJ. Também teve aquele livro “A Economia brasileira nos anos 90”, [em] que eu também fui chamado para participar com um dos textos. Também em cima dos meus estudos da IUPERJ tem um artigo meu, ou seja, foi possível transformar a minha tese de mestrado em textos para o BNDES, textos de publicação do BNDES.

 

P/1 – Como é o funcionamento do BNDES em função dos funcionários que pedem licença para mestrado? Ele apoia, como você vê isso?

 

R – Eu tenho uma gratidão profunda ao BNDES por me permitir - já não tão jovem, quando fiz o mestrado em Ciência Política eu tinha 45 anos de idade. Estou fazendo o doutorado, comecei o ano passado, com 50 anos de idade. O BNDES me proporcionar, mesmo nessa idade - acho que poucas empresas fazem isso, eu diria até que nenhuma outra - me proporcionar essa oportunidade de eu me reciclar, de continuar a me desenvolver, ainda que obviamente eu vá retornar ao banco. Você tem regras do que tem que preencher junto à área administrativa para que possa ser concedido esse período de licença. É um período de licença com vencimentos, então o pressuposto é que isso vá ser útil para o banco na sua volta.  Independentemente de ser útil ao banco, sei que é um investimento [que o banco] faz aos funcionários, mas de qualquer maneira eu diria que poucas instituições fazem esse tipo de investimento em funcionários com a idade que eu tinha ao fazer o mestrado em Ciência Política. E principalmente agora no doutorado. Eu retornei [o estudos] aos 50 anos, vou retornar do doutorado com 53 anos de idade. Enfim, não são muitas instituições que investem em pessoas já com essa idade, ainda que eu só vá me aposentar com 60 anos. Eu ainda vou ter uns sete anos de banco para poder usar essa experiência acadêmica que estou tendo.

 

P/1 – Pro senhor, o que é o BNDES, emocionalmente?

 

R – O BNDES, emocionalmente, não posso deixar de dizer que é muita coisa na minha vida. Foi o meu primeiro e único emprego. Na verdade, meu investimento fora do BNDES tem sido um investimento na parte acadêmica. Em termos de experiência profissional, foi o banco. O banco é muito rico, é uma empresa muito grande, ou seja, embora tenha sido meu único emprego, eu atuei em diversos setores, atuei em diversas atividades, como se você estivesse numa mesma empresa tendo chance de trabalhar em diversas empresas ligadas a ela. É um pouco falso dizer que o BNDES… Como se o BNDES fosse uma coisa única, é muito rico aqui dentro. Então tive chance, tive oportunidade, algumas vezes por iniciativa própria, mudando de atividade, outras porque fui chamado e achei interessante. A experiência é muito rica, o banco é muito grande, de qualquer maneira eu sou muito grato ao banco. Emocionalmente o meu vínculo é total.

 

P/1 – Pra encerrar, o que o senhor achou de ter participado dessa entrevista e ter contribuído para o Projeto 50 anos de BNDES?

 

R – Eu estava passando meio por acaso. Eu não sabia do projeto, aliás com toda a justificativa porque estou de licença, então faltou um e-mail pra mim, mas hoje, por acaso eu estava aqui pra resolver algumas questões. Cruzei com a Beth São Paulo e a Beth São Paulo falou: “Por gentileza, vai lá.” Eu levei na brincadeira dizendo que fui pego, mas foi com maior prazer [de] ter vindo. Acho certamente importante, ainda que tenha que reconhecer que foi um mero acaso.

 

P/1 – Obrigada.

 

 

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+