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História

O Bixiga de antigamente

História de: Alberto Ferreira Brim d'Araújo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 20/07/2020

Sinopse

Alberto conta sobre sua infância no Bixiga. Fala sobre sua paixão por História e por música.Trabalhou no Banco do Brasil por mais de 30 anos. É casado e tem um filho.  

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História completa

Meu nome é Alberto Ferreira Brim D’Araújo. Nasci em São Paulo, no dia dezoito de setembro de 1960. Meu pai era Alberto Brim D’Araújo, minha mãe é Isabel Ferreira D’Araújo. 

Meu pai foi radialista praticamente toda a vida profissional. Começou muito jovem, com dezesseis anos. Minha mãe era doméstica e hoje é dona de casa.

Meu pai era de Salvador, Bahia; minha mãe, de uma cidade do interior de Minas chamada Cabo Verde, mas antes de vir pra São Paulo ela passou a infância em uma cidade chamada São José do Rio Pardo. 

Eu estou com sessenta anos. Tive uma infância que já não existe mais em São Paulo. Mesmo no interior, poucas cidades têm. Era uma família grande, cinco irmãos; a gente era [de] classe média baixa. Mesmo morando num bairro central de São Paulo, era uma infância de brincar na rua. Meus pais trabalhavam muito, então não tinham muito tempo pra ter uma supervisão sobre a nossa vida.  

Durante a semana, não era muito frequente a gente estar todos juntos, porque os pais trabalhavam muito, mas o almoço de domingo eu lembro que era muito especial. O único dia que a gente tomava refrigerante era domingo, na hora do almoço. Era domingo também que tinha o prato mais chique - por exemplo, uma lasanha, um frango assado. Todo mundo junto na mesa.

[Havia] sempre muita música, porque meus tios eram músicos. Sempre foi uma família com muita música no rádio, porque meu pai era radialista. A gente ficava de casa ouvindo meu pai; a gente ouvia rádio pra suprir o pouco de tempo que ele tinha com a gente. O bairro era muito musical, porque o Bixiga é o bairro da escola de samba.

Não passamos necessidades materiais. Tínhamos dificuldades, mas era uma infância muito leve.

A gente mudava muito. Como as dificuldades financeiras eram grandes, o pai buscava uma moradia que fosse mais barata, sempre no mesmo bairro. A primeira casa que eu me lembro - e eu falo sem problema - é o que se chama de cortiço, que era comum no meu bairro. Lá moravam várias famílias que tinham poucas posses. Era uma espécie de vila, com várias casas pequenas. Era muito comum várias pessoas dormirem no mesmo cômodo. Depois a gente foi mudando pra casas um pouco melhores.

A primeira coisa que eu lembro do meu bairro, [que era] muito diferente de hoje, era o calçamento das ruas, que era de paralelepípedo. A gente associou o asfalto com o progresso. [Havia] pouco movimento de carros, por isso que a gente podia brincar na rua. Era um bairro de classe média baixa, [com] muitas crianças. As casas eram pequenas, então a socialização era feita na rua mesmo. As pessoas conversavam na rua, colocavam cadeiras na calçada. A gente brincava até a noite, porque não tinha perigo. A iluminação era bem fraca. 

Eu peguei o início da televisão. Uma casa ou outra tinha televisão. Era muito comum reunir à noite numa sala dez, quinze pessoas pra assistir televisão juntas. Eu me lembro de um seriado chamado Combate, os festivais também.     

Como o bairro era muito silencioso, à noite você ouvia alguma casa cantando Parabéns a você. A gente ia até procurar, mesmo à noite não tinha perigo. Você ia às festas, era impressionante como cabia tanta gente e como o bolo dava pra tanta gente. Festa de aniversário, ganhar bolo de aniversário era muito comum; na época de festa junina, fogueira na rua era muito comum.  

        

 

  

      

       

    

 

   




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