Busca avançada



Criar

História

O bem do mar

História de: João Batista Alves
Autor: Fernanda Peregrina
Publicado em: 21/08/2013

Sinopse

João cresceu em São João da Barra. Ele nos leva a conhecer o vilarejo que começou a partir de quatro famílias, navegamos com ele pelo dia a dia da pesca, de ontem e de hoje com o impacto de novas tecnologias e a proibição da pesca em áreas vizinhas. Infância criativa. Fabricação dos próprios brinquedos. Casa com uma moça de 16 anos quando tinha apenas 20. Teve cinco filhos, dois pescadores. Conhecemos através dele a comunidade dos pescadores, muito unida e cooperativa. Descreve altos e baixos da temporada de pesca com oscilação de preço. Impacto na pesca com a vinda das plataformas de petróleo e dos barcos grandes. O mar invadiu a ilha onde morou. Mudança para o continente. Paixão pelo ofício de pescador. Vida tranquila. Realização. Aposentadoria.

Tags

História completa

P/1 – Senhor João, pra começar, eu gostaria que o senhor falasse seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R – João Batista Alves, nascido em São João da Barra aos 23/06/1943.

 

P/1 – Qual é o nome dos seus pais?

 

R – Jeferson Alves Barreto, Maria Madalena da Conceição.

 

P/1 – E dos seus avós?

 

R – Bom, aí eu não sei.

 

P/1 – Não?

 

R – Não.

 

P/1 – Tudo bem. O que seus pais faziam?

 

R – Pescadores.

 

P/1 – Ambos pescadores?

 

R – Exatamente.

 

P/1 – Tá. E como o senhor poderia descrever os seus pais?

 

R – É muito fácil. Pessoas simples, pessoas batalhadoras, que viveram da pesca a vida toda. Só que era aquele negócio, pessoas educadas não por escola, mas educação pela vida. Comportamento de moradia de ilha, como nós éramos da ilha lá em São João da Barra, e pessoas assim, muito bacanas, pessoas muito boas.

 

P/1 – E como eram os costumes na sua família, na sua casa, no cotidiano?

 

R – Bom, isso aí, o costume é aquele negócio, é o trabalho para a chefe de família, que era a minha mãe, trabalho para os meus irmãos, trabalho para mim também, que eu comecei com sete anos de idade, pescando siri. Então era a nossa vida como uma vidinha pacata numa ilhazinha, mas aquela vida legal. A gente era bem assim... As pessoas conviviam muito bem, era tudo uma amizade só, era um convívio maravilhoso. E tudo era comum dentro daquela localidade, dentro daquela ilha. Então as pessoas trabalhavam, um ajudava o outro. Era coisa de pobre mesmo.

As casas não eram de alvenaria, eram todas de taipa, como se chama, né? De barro batido e por aí afora. Uma vida simples, mas só que era uma vida gostosa, maravilhosa! A gente quando criança começou estudar, mas assim, um pouco precárias as aulas naquela época, as escolas, porque teria que se mover da terra para as ilhas e era um pouquinho difícil. Mas deu pra gente pelo menos aprender o nome, mais alguma coisinha. Era uma vida boa.

 

P/1 – E quantos irmãos o senhor teve? Tem?

 

R – Cinco. Cinco.

 

P/1 – Cinco?

 

R – É.

 

P/1 – E como era o convívio entre os irmãos?

 

R – Isso. Também assim, todo mundo pescador.

 

P/1 – Todos pescadores?

 

R – Todo mundo unido um com o outro. Era uma vida assim, muito ótima, muito boa. E entre um povo que era tudo de família humilde.

 

P/1 – Nessa ilha que o senhor morava tinha muitos parentes?

 

R – Exatamente. Quase todos os parentes. Uma ilha que formou um povoado com quatro famílias. Quatro. E ali todo mundo era parente um do outro. Tem uma história que é de Glória Maria, que o pessoal lá não se casa, e apanha pra morar, e fica a vida toda até morrer. É verdade o que ela um dia documentou, essa Glória Maria da Rede Globo. E na realidade era isso mesmo. E era todo mundo parente, casavam-se primo com primo e por aí. E foi formando, e cresceu, e depois saímos da ilha, porque o mar comeu a ilha e hoje mora-se em Atafona, que é primeiro distrito de São João da Barra, acho que é o primeiro.

 

P/1 – E o senhor falou que a casa era feita de taipa, né?

 

R – Isso. Isso.

 

P/1 – Descreve um pouquinho mais essa casa. Como era?

 

R – Isso tudo era feito com madeira de manguezal. Tirava-se a madeira no mangue, as palhas, que se chamam taboa, que é uma planta aquática, então o telhado era daquelas palhas e a madeira era madeira de mangue. E se fazia uma parte de dentro e a parte de fora junto e jogava o barro ali dentro, ia passando a mão, ajeitando-o, e ele ficava bonitinho, formava as paredes. Depois, se quisesse embolsar, poderia embolsar; se não quisesse, deixava. Deixava.

 

P/1 – E o senhor participou da construção de alguma casa?

 

R – Muita coisa. Muita coisa. O meu irmão era fabricante dessas casas na ilha. A gente participou desde garotinho pequeno.

 

P/1 – E além da pesca, que o senhor falou que o seus pais eram pescadores, como eles conseguiam renda pra comprar as coisas?

 

R – Isso. Isso. Exatamente. O próprio pescado, ele dava pra gente fazer isso. Agora, por quê? Lá nós não pagávamos aluguel de casa, não pagávamos luz, energia, não tinha gás naquela ocasião. Isso tudo fazia com que o pouco dinheiro da pesca que a gente ganhava dava até pra sobrar um pouquinho, porque a gente não tinha esses gastos que a gente tem hoje na cidade grande, ou qualquer cidadezinha, ou aqui mesmo onde a gente tá morando. Quer dizer, o gasto hoje é grande. Por isso, ainda que fosse uma coisa mais difícil, isso se tornava fácil também no dia a dia.

 

P/1 – E quando criança, o que vocês faziam pra se divertir lá?

 

R – Nós éramos fabricantes dos nossos brinquedos. Eu, por exemplo, comecei fazendo carrinho, caminhãozinho de madeira. Depois, quando cresci um pouquinho mais, comecei a fazer mini embarcação, canoas naquela época. E a gente brincava no mar, no rio. E outra coisa, futebol. 

 

P/1 – E a madeira que o senhor fazia esses brinquedos, o senhor tirava de onde?

 

R – Exatamente. Nós tirávamos dessas árvores aquáticas, que eram o mololô e o algodão, eram as duas madeiras que nós usávamos para fazer os nossos artesanatos.

 

P/1 – E alguém ensinou o senhor a fazer?

 

R – Não. A gente mesmo foi aprendendo. O dia a dia foi ensinando a gente e lá foi, até que terminou a gente se tornando o quê hoje? Carpinteiro. Fazendo alguma coisa de carpintaria. De barco. Igual, depois vocês vão entrevistar o meu sobrinho ali, ele vai falar que ele também é profissional, carpinteiro profissional.


P/1 – Quais as primeiras lembranças que o senhor tem do mar, da praia?

 

R – As lembranças são maravilhosas, porque a gente já começou... Exatamente. Banhos. Porque a ilha era aquele conforto entre água salgada em uma parte e água doce da outra, que é onde desemboca o Rio Paraíba do Sul. E lá era bonito mesmo, era bom. Hoje não é mais porque acabou a ilha. O mar tirou a ilha.

 

P/1 – E como foi mudar pra cidade, sair da ilha?

 

R – Exatamente. Aí o governo naquele tempo começou a fazer casas cá na terra firme e começou a passar, deu as casas. Pagávamos uma taxa pequenininha, simbólica, que não era pagamento, não era nada. Mas ganhamos as casas de graça. E aí a gente ficou morando lá.

 

P/1 – Quantos anos o senhor tinha quando mudou?

 

R – Naquela época a gente começou... Quando aconteceu isso, eu já tava assim, com uma faixa de 17 pra 18 anos. Aí foi aonde eu vim embora pra aqui também.

 

P/1 – Entendi.

 

R – Só que eu vim antes, mas depois eu vim de verdade mesmo. Nós aqui trabalhávamos aqui, pescávamos o bagre, que dava muito bagre, e depois nós voltávamos para lá novamente. Até que então eu casei, casei novo, com 20 anos de idade, e vim morar aqui e estou até hoje.

 

P/1 – Senhor João, voltando um pouquinho, como era a pesca na época do seu pai?

 

R – Olha, era pesca muito boa. Com dificuldade de vendas, mas era boa, porque existia naquela época uma prática que hoje não tá existindo mais por aqui, que era a salga do peixe. Então a gente vendia o que tinha de vender sem salgar e a outra quantidade era salgada.

 

P/1 – E quem eram as pessoas que compravam naquela época?

 

R – Eram pessoas que compravam, inclusive, gente até da cidade, como Campos, São João da Barra mesmo e pessoas da localidade, que compravam aquele peixe salgado para levar para as usinas de açúcar, levar para aqueles armazéns, que naquele tempo era o tempo da coisa salgada, porque gelo era difícil.

 

P/1 – E qual era a técnica que usavam pra pesca?

 

R – A técnica? Era rede mesmo. Rede, anzol.

 

P/1 – Rede.

 

R – Eram essas coisas mesmo.

 

P/1 – Quando foi a primeira vez que o senhor foi pescar? O senhor lembra?

 

R – Olha, pra te dizer a verdade, eu comecei tão novinho na pescaria que já não sei nem quando foi. Uma coisa eu posso garantir, que quando eu estava com 15 anos de idade, já era mestre de barco. Isso aí eu não posso negar, porque eu fui para o Rio, quando eu voltei, em 58, eu estava com 15 anos de idade, já comecei a “mestrar” barco.

 

P/1 – E como foi essa mudança?

 

R – Olha, isso foi assim, coisa mesmo de vocação, de entendimento, que a gente conhecia. Aí deixaram a gente fazer isso e a gente começou a fazer, confiaram na gente, que a gente era moleque demais, 15 anos.

 

P/1 – De quem era o barco?

 

R – Era de um primo meu. A gente muito magrelinho, até hoje como sou, mas o camarada confiava, que inclusive tinha até pessoas que falavam para o meu primo: “Adir, como você deixa o João ‘mestrar’ o seu barco, um camarada daquele tamaninho?”. Ele disse: “Olha, tanto eu confio, que o meu filho pesca junto com ele”. Ele tinha um filho da minha idade também e pescava comigo, ele confiava. E a gente tinha prática, conhecia, porque nasceu e criou na pesca, dentro da água, na ilha. E aí foi fácil pra gente. Hoje a gente já tem um entendimento, fizemos curso pela Marinha. Hoje nós somos navegadores, eu, meu sobrinho que vai ser entrevistado aí também. Navegador de levar barco para os lugares, pra longe, entendeu como é? Porque a gente já tem uma noção de tudo, e isso foi fácil pra nós.

 

P/1 – E quando o senhor ia pescar, tinha muito peixe? Pegavam muito peixe?

 

R – Muita coisa. Muito peixe.

 

P/1 – Que tipo de peixe o senhor pescava?

 

R – Qualquer que você pensar aí na vida: bagre, robalo, tainha, cação, carapeba, cavala, sarda, xaréu, qualquer coisa. O que tem no mar era o que a gente tinha pra pegar aí.

 

P/1 – Hoje em dia tá diferente?

 

R – Hoje em dia tá um pouco só diferente, com oscilação. Ou seja, tem época que tá menos, mas tem época que aparece mais uma quantidadezinha. Quer dizer, não é igual antigamente, mas também não está tudo perdido ainda, não. Ainda tá bom ainda, que dá pra gente sobreviver, tirar o sustento e dá pra gente viver.

 

P/1 – Senhor João, o senhor falou que fez cursos, né?

 

R – Isso. Pela Marinha. Pela Marinha. Curso de pesca.

 

P/1 – E como era antigamente pra saber mexer nos barcos? Quem ensinou? Como era esse processo de aprendizagem?

 

R – Por incrível que pareça, a gente foi olhando algumas pessoas fazer alguma coisa e a gente aprendeu. Por exemplo, o meu sobrinho, ele foi para o Rio de Janeiro, ele deve falar isso daqui a pouco, foi pra lá, trabalhou na Carbrasmar, belas construções eles fizeram por lá, depois ele veio pra cá. Aí tava junto com a gente aqui, a gente começou a olhar o trabalhinho dele aí, coisa e tal, também não foi muito difícil a gente aprender fazer alguma coisa. Claro, não igual a ele, mas aprendeu alguma coisa. Não foi muito difícil, porque antes de a gente começar a fazer algum barquinho, alguma coisinha, a gente já fazia algum artesanato. Já tinha assim, uma ideia mais ou menos na cabeça como poderia fazer. A gente não aprendeu com ninguém, não.

 

P/1 – Entendi. E o senhor se lembra de na sua casa fazerem a rede, fazerem a vara pra pescar?

 

R – Ah, muita coisa. Muita coisa. Por exemplo, lá na minha casa a minha mãe era “fazedora” de rede, dava-se o nome “fazedora” de rede. Eu me casei com uma moça que também a mesma coisa, sabe fazer esse tipo de coisa até hoje. Então todo mundo naquela ilha sabia fazer esse tipo de artesanato, era fazer rede. E a gente preparava a rede que a gente queria. Aí o camarada inventava: “Olha, peixe tal, em tal lugar, assim, assim, vamos fazer uma rede pra aquele peixe”. E a gente fazia. Hoje não. Hoje a gente já compra diretamente das fábricas as redes que a gente quer usar. E até que ficou muito bom pra nós, porque uma rede que duraria 15 dias, 20 dias, um mês pra fazer, hoje a gente chega na loja e compra na hora, um minuto. É um minuto.

 

P/1 – E hoje em dia as pessoas não sabem mais fazer rede ou ainda...?

 

R – Olha, sabe sim. Aqueles que aprenderam, que ainda vivem, eles sabem, mas a nossa turminha dos novos não sabe. Nem consertar uma rede eles não sabem, quanto mais fazer, pior ainda.

 

P/1 – E o pessoal que hoje em dia pesca, sabe também como se monta um barco?

 

R – Alguns sabem. Alguns. Alguns. Mas não são todos, não.

 

P/1 – O senhor falou que vai pra mar adentro com as embarcações e tudo, mas quanto tempo o senhor passa fora quando vai pescar?

 

R – Para dizer a verdade a você, eu tenho um tipo de trabalho que eu não passo mais do que uma noite ou mais de um dia. Até menos, porque eu não gosto de ficar no meio do mar tanto tempo, não. Sempre gostei de trabalhar em embarcação pequena para trabalhar durante o dia. Saio de madrugada, chego lá, pego as minhas redes e aí volto. Chego aqui despesco as redes, vendo o meu pescado, mais tarde a gente vai lá, coloca ela de novo. Porque nós costumamos aqui... Porque é assim, nós aqui na nossa região temos 32 modalidades de pesca, nessas 32 a gente escolhe aquela que é mais conveniente, que dá menos trabalho, porque tem pescas muito trabalhosas, e outra, muito empate de dinheiro também. E tem outras que dá pra gente sobreviver com um dinheirinho menor de empate. Porque a pesca é assim, a gente tem que renovar sempre. Aquelas redes vão ficando ruins, às vezes uma rede pega numa pedra, a gente perde ela, tem que renovar, botar outra nova, e por aí.

 

P/1 – O senhor falou que tem 35 tipos de pesca?

 

R – Trinta e duas modalidades.

 

P/1 – Trinta e duas modalidades? Conta um pouquinho pelo menos as principais pra gente.

 

R – Bom, as principais que nós usamos aqui é: pescaria de camarão de arrasta, é uma principal; pescaria de caída, que é com a rede boiada pelo meio do mar afora; pescaria de espinhel; pescaria de linha; pescaria de rede de tresmalho, que muita gente chama por aí, ou caiçara. Rio de Janeiro, capaz de você chegar lá, encontrar alguém falando em caiçara. A caiçara e a rede de fundo pra nós aqui é a mesma coisa. Enfim, tem muitas pescarias que caem nas 32 modalidades.

 

P/1 – Entendi.

 

R – É.

 

P/1 – Senhor João, o senhor mudou de São João pra cá.

 

R – Isso.

 

P/1 – Como foi essa mudança?

 

R – Olha, simplesmente porque a gente como pescador, a gente trabalha num lugar, se de repente aqui tá meio fraco de peixe, uma comparação, e nós sabemos que em Cabo Frio é bom de pesca, nós vamos lá fazer uma visita. E nessa visita de repente a gente pode ficar morando lá pra sempre.

 

P/1 – [risos].

 

R – É. Tem isso também. Porque em matéria de pesca, nós já rodamos Bahia... Eu tenho primo que tá 400 quilômetros além do Ceará. Ceará mais 400 quilômetros pra frente. Ele chegou a ir até a Belém. Chegou ir até Belém. Quer dizer, chegou lá, ele não pescou, ele montou um... Porque ele sabia fazer algum barco também, aquele negócio, pescador que sabe fazer as coisas, montou uma fabricazinha de barco, mas não gostou muito, porque lá o negócio é muito diferente, ele até voltou pra Macaé novamente. Mas nós conhecemos isso tudo aí, de norte a sul do nosso Brasil, até onde dá pra gente trabalhar com pesca. E às vezes tem gente que vai, chega lá, gosta e fica lá mesmo. Por exemplo, lá de Atafona, de onde nós somos, nós temos várias pessoas da Bahia, várias pessoas no Espírito Santo, lá para o lado de... Depois de Vitória, Santa Cruz.

 

P/1 – E como é? Os pescadores locais recebem os pescadores que estão chegando?

 

R – Isso. Onde a gente chega, a gente é bem recebido. Nós aqui, quando chega alguém de fora, também é bem recebido. A gente aqui... Pra isso a gente tem uma bela união.

 

P/1 – E como funciona essa união? Como é essa...

 

R – Essa união, a função dela é o seguinte, é ajudar um ao outro, é incentivar em alguma coisa. Vamos supor, a pescaria tá fraca de um jeito, e esse cidadão chega, mas ele conhece outra pescaria, e a gente chega pra ele e falar: “Olha, Fulano, tem essa pescaria assim que funciona, pá e coisa e tal”. A história é a gente ajuda um ao outro.

 

P/1 – E, senhor João, por exemplo, quando os barcos voltam, como é feito com o peixe? Onde ele é vendido? Como é...

 

R – Exatamente. Nós aqui, nós temos as peixarias ou os frigoríficos que compram. E temos aqui, logo aqui em frente a nós aqui, aqui mesmo, é um lugarzinho que a gente faz tipo uma feirinha. Os pescadores chegam ali de manhã e as pessoas vêm comprar, fora do frigorífico ou das peixarias. 

 

P/1 – Entendi.

 

R – E aí a gente vende aqui na praia também na hora, tira da rede e vende na hora.

 

P/1 – E o senhor sabe dizer se esses compradores são moradores locais, restaurantes?

 

R – Isso. Isso. Tem até algum de fora, mas a maioria tudo local mesmo. 

 

P/1 – Tá. E tem diferença na venda na época de temporada?

 

R – Ah, tem. E como tem. 

 

P/1 – É?

 

R – Ah, como tem. Época de temporada, o peixe, por exemplo, ele encarece bem mais do que fora de temporada. Isso não tem jeito, não tem pra onde correr. Porque o povo vem, aí, como diz o ditado, enche as cidadezinhas, os povoados, e aí já viu a demanda, né? Sempre encarece um pouquinho. Dia que camarão nosso aqui já foi até 20 reais o quilo, enquanto o preço dele aí é dez.

 

P/1 – [risos]. E, senhor João, com o dinheiro, como vocês fazem? Vocês vendem todos os peixes, depois distribuem o dinheiro? Como é?

 

R – O negócio é assim, aqui o barco... Você tem um barco, uma comparação, e você me dá ele pra pescar, eu vou pescar com ele, então se a gente fizer mil reais, 500 é seu, 500 é meu. Claro que a gente tira despesa, né? Tira a despesa, o óleo, o combustível que gastou, a gente tira fora. Sobraram mil reais, uma comparação, 500 pra mim, 500 pra você. 

 

P/1 – Entendi.

 

R – Cinquenta por cento pra cada.

 

P/1 – Entendi. E quando vai mais gente? Quantas pessoas costumam ir num barco assim?

 

R – Isso. Aí existem pescarias com duas pessoas, pescaria com três, com quatro. Aí já tem outra coisa, por exemplo, tem uma pescaria que o camarada tira 40% para o barco e outro é para dividir com a tripulação, já é diferente. Já passa a ser aqui na nossa palavra aqui, chama quinhão, cada um ganha um quinhão. Então, é isso aí.

 

P/1 – E o senhor tem barco aqui?

 

R – Nós temos sim. Temos.

 

P/1 – Tá.

 

R – Temos.

 

P/1 – E como funciona... Assim, o senhor já teve algum episódio perigoso no mar? Como que...

 

R – Já sim. Já sim.

 

P/1 – Conta uma história pra gente.

 

R – Já. Um dia, no dia 23 de julho de 1973, a gente passou um belo aperto no mar assim, um barco nosso, eu e um cunhado quase que afundamos, aí não teve como o motor funcionar, a ventania era muito grande, uma tempestade muito grande, e naquele dia, naquela noite a gente não foi socorrido, e no outro dia que a gente foi ser socorrido. Isso foi um dos apertos muito grandes. Tivemos outros mais, inclusive em Atafona. Agora, o perigoso foi esse aqui, mas deu pra gente sobreviver, papai do céu não quis que chegasse a nossa hora ainda. Estamos aí.

 

P/1 – E outra pergunta, senhor João, a venda aumenta, mas também aumenta o número de barcos aqui na época de temporada, né?

 

R – Com certeza.

 

P/1 – Como essa...

 

R – Inclusive, quando a temporada está boa, a pescazinha tá boa de camarão, de peixe, e, vamos supor, Macaé não tá... Nossos vizinhos, né? Estamos falando dos nossos vizinhos. Às vezes não tá muito legal a pesca por isso ou por aquilo, eles vêm pra cá, pescam junto com a gente aqui. Aí aumenta sim o número de barco, com certeza.

 

P/1 – É? 

 

R – É. 

 

P/1 – E como nessas horas funciona a Associação de Pescadores?

 

R – A Associação de Pescadores, o objetivo dela é só pra ajudar fazer alguma coisa em prol do pescador, porque nós temos também a Colônia de Cabo Frio, temos uma capatazia aqui pra documentos, para na época do defeso, aí o camarada receber o defeso e não pescar, essas coisas todas. Colônia e Associação são pra ajudar nessa área.

 

P/1 – E como que o senhor participa das duas, da Colônia e da Associação?

 

R – Das duas a gente participa assim, contribuição da parte da gente pagando e ajudando a trabalhar na outra parte, comunitária. Porque existe a parte comunitária, que nós vamos até montar algo pra ajudar pessoas necessitadas, vamos até montar. Só que não montamos ainda porque pegamos agora essa associação que tava parada, mas o objetivo dela é ajudar, e é o que nós queremos.

 

P/1 – Os amigos do senhor também são pescadores?

 

R – Isso.

 

P/1 – Como é quando se reúnem?

 

R – A nossa amizade aqui, pode ser até que tenha pessoas de fora, porque tem, mas os nossos amigos são da turminha da pesca mesmo. É o bate-papo, é o falar mais alto, aquela coisa toda, mas termina tudo por ali mesmo, acabou, acabou, não tem intriga, graças a Deus. A nossa turma aqui é boa demais, graças a Deus!

 

P/1 – E tem alguma festa, alguma confraternização?

 

R – Olha, tem sim. Tem sim. Tem.

 

P/1 – Como é? Quando é?

 

R – Essa festa eles fazem ali em Barra de São João. Vai ser passada pra fazer aqui, mas por enquanto é feita ali. Aí embandeira os barcos, os barcos de pesca, e sai todo mundo numa procissão, aquele negócio todo, aquele festejo, e todo mundo vem pra beira-rio pra olhar, fica bonito, os barcos todos embandeirados, e é bonito, é bonito. Essa nossa brincadeira aqui é essa.

 

P/1 – Tem uma data especial?

 

R – Tem sim. É mês de São João, dia 24, 23 de junho.

 

P/1 – Senhor João, o senhor desenvolve outras atividades além da pesca?

 

R – Olha, por incrível que pareça, não.

 

P/1 – Não?

 

R – O pessoal aqui que é pescador, é pescador mesmo, vive 100% da pesca. Quando a pesca tá ruim, com ressacas de mar, mar bravo, ventanias, é que fica ruim. O pescador só tem aquilo mesmo. É como diz o ditado, ele encolhe um porquinho, mas quando o tempo melhora, ele sai, ele vai à luta e recupera o tempo perdido. Mas é só a pesca mesmo.

 

P/1 – Então dá pra sobreviver bem?

 

R – Dá pra sobreviver. Dá pra sobreviver.

 

P/1 – Senhor João, o senhor chegou a ensinar a sua atividade pra alguém, de ser pescador?

 

R – Olha, pra ser sincero, não.

 

P/1 – Não?

 

R – Não.

 

P/1 – O senhor tem filhos?

 

R – Eu tenho.

 

P/1 – Não ensinou nem para os filhos?

 

R – Não. Eles mesmos iam comigo, não precisava ensinar, não.

 

P/1 – Ah, eles olhavam só.

 

R – Eles mesmos iam comigo, pescavam. Não precisou ensinar nada. Nada mesmo. Iam comigo e hoje meus filhos só tem um que não é pescador, é motorista, mas o resto todo mundo é pescador.

 

P/1 – Quantos filhos são?

 

R – São três.

 

P/1 – São três.

 

R – Eu não ensinei nada, não. Eles iam, olhavam, gostavam de ir ao meu trabalho, sabiam como era. Ensinei nada não, eles mesmos...

 

P/1 – Foram aprendendo por conta.

 

R – Aprendendo por conta deles. Pode crer que foi assim.

 

P/1 – E além dos seus filhos, nesse convívio, alguém mais aprendeu observando o senhor trabalhar?

 

R – Olha, a gente acredita que sim, por quê? Porque a gente pescou com várias pessoas e tinha gente, no caso, que não tinha bom conhecimento com a pesca e porque nós trabalhávamos juntos, aí vão pegando a prática um do outro. Isso aí aconteceu muito quando nós trabalhávamos na nossa ilha, porque nós saíamos com a canoa com seis ou sete pessoas para pescar, pescaria de praia, de lanço, de rede de praia, lançar a rede na praia. Aí esse tipo de pescaria ensina muito a gente. Até as pessoas que não estão envolvidas na pesca aprendem, porque é fácil você aprender. É isso aí.

 

P/1 – E como é um dia a dia de um pescador?

 

R – Ah, muito bom. 

 

P/1 – Mas como... Descreve um pouquinho como é essa rotina.

 

R – Pra descrever o nosso dia a dia, a nossa rotina, dependendo do tipo da pesca que a gente vai fazer, como a gente às vezes pesca à noite, o dia a gente tá desocupado, consertar alguma rede, bater um papo ali embaixo da árvore, e discutir muitos assuntos, comprar, vender, trocar barco, rede. É legal. É legal. E quando a pessoa tá pescando de dia, porque tem pesca de dia e tem à noite, aí o cara de noite vem pra casa cuidar dos filhinhos, da mulher, e pronto, ficar por aí, assistir a uma televisãozinha, se puder, por aí.

 

P/1 – E, senhor João, como o senhor acha, os jovens hoje em dia estão interessados na pesca?

 

R – Olha, pra dizer a verdade, aqui eu já escutei o meu sobrinho falar e eu vou falar as palavras dele. Cidade grande, que as pessoas são obrigadas a estudar e não tem outra coisa, o que acontece? Eles têm que procurar emprego. Aqui é o contrário, eles estão aqui junto com a gente, já vai crescendo, é interessado na pesca. Hoje os jovens aqui da nossa área são muito interessados na pesca. Aqui, Rio das Ostras, Macaé, Atafona, muito. A minha família toda, nasce todo mundo e todo mundo na pesca. Todo mundo. E tem gente que gosta mesmo daquilo que faz. Eu, por exemplo, gostei muito e gosto até hoje. Desde o tempo que eu era garoto que eu me amarrava em pescaria, gostava de verdade. Dediquei-me, cheguei até ir para o Rio na intenção de trabalhar onde meu cunhado trabalhava na  _______  Indústria Aeronáutica, mas chegou lá, não deu certo. Aí chamei a minha mamãezinha, voltamos pra nossa ilha, digo: “Mamãe, agora é pra valer. É pescar até o dia que papai do céu não quiser mais”. E tô aí até hoje.

 

P/1 – E como é a relação dos pescadores com a comunidade? Como funciona?

 

R – Ah, é muito boa. É muito boa.

 

P/1 – É muito boa?

 

R – E aí isso aí eu não tenho como negar. Graças a Deus eu sempre vejo aí, os barcos chegam, às vezes tô fazendo algum servicinho lá embaixo da árvore, aí eu venho dar uma olhadinha por aqui. Chegam umas pessoas até pra comprar, da comunidade, chegam até pra comprar um peixe, o camarada olha assim, olha pra pessoa, mais ou menos, às vezes nem vende o peixe, dá. Se tem uma quantidade, ele pega uma sacolinha ali, bota quilo e meio, dois quilos de peixe, dá pra aquela pessoa. Até isso. A nossa turma aqui com a comunidade é maravilha pura.

 

P/1 – Senhor João, aqui, especificamente, tem uma relação da água doce com a água salgada, né?

 

R – Com certeza.

 

P/1 – Como é?

 

R – Isso aqui, olha, aqui é assim, a água salgada tá entrando aqui onde nós estamos, tá entrando água salgada aqui, e ela sobe esse rio. Quando chega a certa distância, acima daquele morro que tá lá, aí ela já começa a pegar uma aguazinha doce que vem de lá. Se tiver grande chuveiro, a água doce chega até aqui. E se não tiver grande chuveiro, ela continua salgada o ano inteiro. Ela só chega doce aqui se vier muita chuva lá pra cima dentro do rio. Aí, quer dizer, uma mistura dessa água, existe semanas, luas, que até o peixe favorece pra gente a respeito das águas misturadas. Por exemplo, quando a água tá muito salinidade, que o peixe entre de rio acima, a gente tem que ir longe pegar um robalozinho, uma tainha. Mas quando bate muita chuva, a gente o apanha aqui onde nós estamos. Aqui mesmo, aqui nesta praia aqui. Apanha em qualquer lugar, fica mais fácil. Então a relação da água doce com a salgada aqui é boa pra nós.

 

P/1 – Senhor João, a gente falou que na época de temporada vende mais. Como é a relação do turismo para os pescadores?

 

R – Olha, é muito boa. Primeiro, que eles já chegam aqui, eles já vêm procurar os pescadores, além de procurar peixarias também, porque aqui tem diferentes tipos de peixe. Por exemplo, na época da temporada boa as peixarias compram peixe fora. Por exemplo, como o dourado, que não dá aqui na nossa margem, dá bem longe, e o cherne, o badejo, a garoupa, esses peixes, eles trazem de Cabo Frio, do Rio, de Macaé, que eles pescam lá longe. Entendeu como é? Porque às vezes nós estamos numa localidade, às vezes aquele peixe não dá aqui, mas dá mais pra frente um pouco. Então, quer dizer, as peixarias compram nesses lugares, desses barcos grandes que vêm vender, e chegam, e traz para aqui. Tirante da temporada, aí já eles ficam mais só com o nosso peixinho daqui, que é um peixe menor, é um tipo de pescaria, como se diz, mais fraca. Porque no inverno mesmo com certeza a pescaria dá uma piorada, porque vem as correntes marinhas ao contrário, vem toda. A melhor época pra nós é verão.

 

P/1 – É?

 

R – É.

 

P/1 – Mas aumenta muito o número de barco de turismo assim?

 

R – Ah, não. Não. Não.

 

P/1 – Não?

 

R – Não. Aqui não.

 

P/1 – Aqui não?

 

R – Não.

 

P/1 – Tá.

 

R – Não mesmo.

 

P/1 – Senhor João, ao longo desses tantos anos de pescaria, o senhor percebeu alguma mudança com relação aqui ao meio ambiente, aos peixes, em função da exploração de petróleo aqui na região?

 

R – Olha, por incrível que pareça, tem lugar aqui fora que a gente foi até proibido de pescar. Proibido. Lugar que era lugar bom de pargo, um pouco longe daqui, um pouco, nada difícil não, mas um pouquinho longe daqui. Esses lugares, eu vou falar do meu vizinho Macaé, porque saem aqueles barcos de lá pra pescar e eles estão com muita dificuldade por causa das plataformas, os rebocadores, Marinha, inclusive, não quer que a pessoa se aproxime, e eram aqueles lugares que eram os lugares mais fáceis e mais pertos, que a gente pescava esses peixes melhores. Estão com dificuldade sim.

 

P/1 – E como se deu essa relação de proibição? Como que...

 

R – Exatamente. Isso aí foi o seguinte, foi porque desde que eles botaram as plataformas e aqueles enormes tubos por baixo d’água, e aquelas coisas todas, toda vez que a pessoa chega lá, a gente vai jogar uma âncora, alguma coisa, pode levantar um tubo daquele, pode causar um dano, alguma coisa ruim. Então eles não querem. Tem que ficar bem afastado. E era um dos lugares que eram os melhores lugares pra gente trabalhar.

 

P/1 – E além dessa questão da âncora, como foi? Diminuiu o fluxo de peixe por causa das plataformas?

 

R – Exatamente. Exatamente.

 

P/1 – Diminuiu?

 

R – Diminuiu. Diminuiu porque tirou as posições melhores que se trabalhava. Porque peixe também, a gente tem que saber, ele dá em qualquer lugar, eu to falando de um modo geral. Mas existe, por exemplo, certo tipo de peixe que eles têm a localidade dele adequada pra ele também. É por isso que a gente vai lá, porque nós olhamos, sabemos, olha, tem tal cascalho, pedreiras assim, assim, em tal lugar, que nós temos GPS para levar em cima. Se for, por exemplo, perto da plataforma, não pode.

 

P/1 – Entendi.

 

R – Tem que ir pra outras... As melhores, perdemos muitas por causa disso, com certeza.

 

P/1 – Senhor João, o senhor falou de GPS, tal, como é essa questão da tecnologia hoje em dia?

 

R – Isso aí ajudou muito para esses barcos que pescam lá fora. Nós aqui não. Nós aqui não precisamos disso, não. Pescamos aqui na beira. Mas esse pessoal que pesca lá longe, eles precisam e funciona legal. Inclusive para o pessoal que pesca arrastão de camarão vg, peixes lá fora, porque eles livram de a gente agarrar nas pedreiras, o GPS. Então foi muito bom.

 

P/1 – Senhor João, aqui tem alguma relação de... Tem algumas áreas de reservas aqui próxima?

 

R – Tem.

 

P/1 – Tem?

 

R – Nosso vizinho, Arraial do Cabo, tem.

 

P/1 – Então, como é a relação com essa pesca em área próxima de reserva?

 

R – Primeiro, que pra gente ela não afetou muita coisa, não, porque quase que nós não vamos lá trabalhar. Então, algumas vezes que a gente ia, era por acaso, ou até mais longe do que a reserva. E algumas vezes que se foi, sem saber que tava criada aquela reserva, teve gente que quase que foi preso, de perder seu material de pesca. Mas depois isso mudou, porque a gente já ficou sabendo que aquela área não podia, coisa e tal. Mas para o pescador, a princípio, pelos estudos, eles acham que tá muito bom, mas pra nós não tá bom. Pra nós isso não é vantagem, a reserva. Resec, como eles chamam, a Reserva Extrativista, essas coisas pra nós não ficam legais. Não fica. Pra nós não. A não ser que se um dia eles fizessem isso e colocassem fiscalização, que infelizmente aí eles fazem as leis, colocam em prática as leis para prejudicar somente o pequeno. Eu faço questão de frisar isso: para atrapalhar os pequenos. Os grandes, não digo que não ficam impunes, mas daqui a pouco pagam uma taxa, pagam não sei o quê, daí a pouco tá solto, tá tudo bem, acabou, acabou. Pescador e pessoas de indústrias daí afora. Agora, gente pequena não. A gente sofre. Por exemplo, você tá olhando pra esse rio de São João, se a gente sai por aí e bota uma rede pra pegar um robalo adulto, um robalo adulto que não produz mais, que depois de adulto ele não produz mais, os biólogos sabem disso, eu estudei junto com eles também a esse respeito, e o que acontece? Apanham a rede da gente, o Ibama [Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], se eles  encontrarem. Aí o lado ruim de tudo isso, chega a época da chuva, lá pra dentro daqueles rios, naquelas plantações que tem lá, os fazendeiros, aqueles remédios, carrapaticida, ela entra dentro do rio, mata milhões de alevinos, de tudo, de peixe, camarão, que entram para desovar e tudo quanto é tipo de peixe. E não acontece nada. Estamos com 32 anos nessa luta e ainda não teve uma solução. E nada acontece. Agora, com pequeno, comigo e outros, e outro, que sair, pegar um robalo adulto, meu Deus do céu, se eles virem, bota o cara na cadeia. A gente tem que pescar escondido. E eu friso muito isso, que tá sendo uma entrevista, e eu quero falar mesmo de verdade, coração. A gente aqui tá sendo acuado. Agora, os ricos, eles fazem o que querem e fica por isso mesmo. É terrível.

 

P/1 – Senhor João, teve alguma mudança na pesca com o aumento de barcos assim, maiores, de pescarias mais...

 

R – Olha, teve sim. Teve sim. Muita coisa mesmo, uma mudança muito grande, porque na nossa área aí é muito barco trabalhando, barco de todo tamanho, traineira, que é um tipo de pescaria com cerco, que, por exemplo, a gente com a rede, uma rede aí que nós, vamos supor, pegamos 50 Kg de peixe, uma comparação, eles chegam e pescam dez toneladas, 15, 20, dentro de um minuto. Então aqui na nossa região eles mesmos acabaram com as pescarias deles, desses barcos grandes. Eles mesmos acabaram. E nós continuamos com a nossa redinha, que a rede de espera, ela tá aqui quietinha, passou alguma coisa que deu pra ficar, muito bem. Não deu? Tá tudo certo, o mar é muito grande. E eles vão em cima de onde tá o cardume, pesca tudo de uma vez só e acabou a história. Aí isso aqui nós fomos muito afetados.

 

P/1 – Vocês foram afetados?

 

R – Muita coisa. Muito. Mas não é pouco, não. Eu acho que 90%. Não é pouquinho, não, é muito mesmo. Juntar aquele monte de barco aí, 30, 40, 50 barcos pescando aqui na nossa região, que inclusive é o Mar de São João, é chamado o Mar de São João, é um tesouro pra pescaria, principalmente pra eles, porque a cavalinha vinha até aqui, como apareceu agora um pouquinho aí, a cavalinha e a sardinha, a cavala, a sarda e a corvina. Pra eles era ótimo. Chegar aí e enchia tudo num minuto, um rodo só, um cerco só. Aí apanhar 15, 20, 30, 40, 50 toneladas. Que inclusive o bagre que tava aqui, que dava o bagre macaense nosso aqui com grande quantidade, quem acabou foram eles mesmos, as traineiras de fora. De Santos, de Macaé, de Cabo Frio, tudo quanto é lugar. Do Rio. Era muito. Era muita gente pescando. Eles acabaram com a pescaria deles aqui no mar de São João.

 

P/1 – Senhor João, falando de rede, como o senhor conheceu a sua esposa?

 

R – Opa! Isso aí foi bacana.

 

P/1 – Foi bacana? [risos]

 

R – Foi.

 

P/1 – Conta pra gente.

 

R – A gente, eu tava de um lado... Na nossa ilha tinha um lago, um lago, eu estava de um lado, e quando eu a vi passar do outro lado. Aí eu tava conversando com um primo meu, falei pra ele: “Geraldo, você sabe que eu vou namorar aquela menina que vai passando lá?”. Aí Geraldo: “Ih, namorar um cara feio igual você, rapaz?”. Eu digo: “Ah, não sei, eu to falando, né?”. E exatamente aconteceu. E a gente começou, e a gente se casou. 

 

P/1 – Quantos anos o senhor tinha?

 

R – Eu na época tinha 20 anos.

 

P/1 – E ela?

 

R – Dezesseis.

 

P/1 – [risos].

 

R – E isso assim, olha, eu tava completando 20 anos naquele dia e ela estaria completando 16 no outro dia.

 

P/1 – E essa vez na lagoa foi a primeira vez que o senhor viu a sua esposa?

 

R – Não, a gente se via muitas vezes, que ela morava de um lado, eu morava do outro.

 

P/1 – E as famílias já se conheciam?

 

R – Muita coisa. Muito. Muito. 

 

P/1 – Senhor João, então o senhor casou ainda na... Morando em São João?

 

R – Isso. Lá em Atafona, São João da Barra.

 

P/1 – E o senhor disse que tem três filhos, né?

 

R – São cinco.

 

P/1 – Cinco? Cinco. Desculpa.

 

R – São três filhos homens e duas mulheres.

 

P/1 – Ah, tá.

 

R – É.

 

P/1 – E esses cinco filhos, o senhor já falou que dois são pescadores...

 

R – Isso. Dois são pescadores e um não quis pescar, não porque ele não gostasse, ele pescou várias e várias vezes, e pesca ainda, mas se ele for ao mar, ele quase que bota os bofes pra fora.

 

P/1 – [risos].

 

R – Só isso. Mas ele gosta da pesca. Mas pesca no rio também, porque aí...

 

P/1 – Não balança tanto.

 

R – Não tem balanço.

 

P/1 – E as filhas também trabalham com pesca?

 

R – Não, as filhas, uma é professora e a outra trabalha num hospital aqui de Tamoios.

 

P/1 – Quando eles eram pequenos, eles já falavam de serem pescadores, os meninos?

 

R – Os meninos gostavam, principalmente porque aqui é um lugar que dava... Dava, ainda dá, muito siri, e o trabalho mais fácil para os meninos era pescar siri, como eu comecei também, né? E aí eles gostaram de pescar o siri, depois botar uma redinha, e coisa e tal, e foram gostando, e pronto. Pescavam junto com a gente mesmo todo dia. A gente levava.

 

P/1 – E como era essa rotina com os filhos dessa pesca de levar, eles gostavam? Como era?

 

R – Gostavam sim, porque tinha dia que a gente ia pra ilha, botar a rede na ilha e ficar, às vezes eles curiosos pra ir ,negócio de ilha, eles iam. Quando a gente botava a rede no rio, antes de ter a proibição do Ibama, nós os levamos para lá. E eles andavam dentro daqueles matos, enquanto a gente ia botar rede, a gente armava uma barraquinha lá, levava três, quatro, filhos da gente, filhos dos outros, e eles ficavam naquela brincadeira por lá, andando lá naqueles matos, aquelas coisas todas, era beleza. Era muito bom. E eles foram acostumando nisso. Aí vinha peixe, a gente tirava a rede, coisa e tal, achavam bonito, e gostaram, e ficaram.

 

P/1 – E adulto ainda os seus filhos iam pescar com o senhor?

 

R – Com certeza. Só que quando eles chegaram assim, já com uma faixa de 18 anos, 17, eles já foram trabalhando por conta própria. Aí nós compramos barquinho, demos pra eles, para os dois. E hoje eles têm os barquinhos deles, aí já pescavam pra eles, mas a gente sempre trabalhou junto até certa idade. Depois de 20 anos mesmo, aí por conta dele mesmo direto, até antes, mas depois de 20 mesmo, aí cada um com o seu barco.

 

P/1 – O senhor falou que a sua esposa já não faz mais a rede porque compram na...

 

R – Exato. Mas ela sabe fazer tudo.

 

P/1 – E ela faz hoje em dia alguma coisa relacionada à pesca?

 

R – Não. Ela hoje faz artesanato de concha. Que não deixa de ser coisa do mar, mas ela gosta muito de trabalhar com artesanato. Então é isso que ela faz.

 

P/1 – Senhor João, o senhor falou que já se aposentou, né?

 

R – Já. Já.

 

P/1 – Agora o senhor sai para o mar?

 

R – Não. Não saio porque os meus filhos não querem. Tive um probleminha de saúde também, que eu sofro de um problema de bronquite há 32 anos, o médico também proibiu. Que eu gosto muito de trabalhar sozinho. Aí eles falaram: “Olha, não. Chegou a hora de ‘não’”. Tá bom. Deixe-me obedecer.

 

P/1 – Tá bom. Senhor João, tem alguma história importante, alguma coisa importante na vida do senhor que o senhor gostaria de contar?

 

R – Historia importante? Olha, a história importante mesmo que eu tenho é essa que eu to contando. É do começo da vida da gente, na ilha, na pesca, e o convívio da gente até hoje junto com os parentes da gente, com pessoas. Assim, uma coisa bonita, uma coisa muito legal aqui, principalmente na nossa área. É muito bom. As pessoas vêm para conversar com a gente, bater papo, contar história de pescador, a gente é muito brincalhão, eu sou muito brincalhão, eu, o meu sobrinho aí também é outro. E a vida da gente é assim. Agora assim, uma história, alguma coisa...

 

P/1 – E tem alguma coisa... O senhor quando era criança já imaginava que seria pescador?

 

R – Com certeza. Ah, com certeza, era o que eu mais queria ser.

 

P/1 – E teria alguma coisa que o senhor teria feito diferente?

 

R – O que eu queria fazer diferente, olha só que contraste, o que eu queria fazer diferente era estudar, que não consegui estudar, pra ser o quê? Político.

 

P/1 – Ah, é?

 

R – Eu não conhecia o que era a história do político. E os meus parentes lá gostavam muito de política, e eu achava bonito, eu era garoto, aí eu achava bonito. Só que quando eu cheguei pra aqui, que eu comecei a ajudar alguém na política, aí exatamente eu digo: “Papai do céu, o que é que eu ia me metendo?”. Que troço nojento a política. Somos obrigados a viver com ela, mas é nojenta, é imunda a política, uma coisa terrível. Aproveitar essa entrevista pra falar bastante mal da política. É terrível. E graças a Deus consegui sair fora dela. Quase eu ia me metendo. Quase, faltou pouco. Mas quando eu vi, graças a Deus que um cara falou uma bela mentira pra mim, um vereador, e eu fui falar essa bela mentira pra alguém, foi onde eu me irritei. Eu menti pra uma pessoa mais velha do que eu porque alguém tava mentindo pra mim dentro da política, aí eu tomei nojo. Hoje em dia dou o meu voto, porque dou. De agora pra frente se quiser dar meu voto, dou, se não quiser, não dou. Sou de 1943, a eleição que vem eu voto se eu quiser. Mas vou dar meu voto sim, porque tem os amigos, tem aquelas pessoas que a gente gosta, aquelas pessoas que nos tratam bem. Agora, a política, infelizmente é terrível.

 

P/1 – E tem aqui na política local algum representante da pesca?

 

R – Tem sim. Tem. Tem.

 

P/1 – Tem?

 

R – Tem. Inclusive, esse cidadão não ganhou para vereador, não ganhou, mas o prefeito nosso botou ele pra ficar representando a pesca aqui. Tem sim. Aqui no segundo distrito.

 

P/1 – Senhor João, quais são seus sonhos?

 

R – Olha, eu agora até pra sonhar tá meio difícil.

 

P/1 – [risos].

 

R – Mas o meu sonho mesmo, o meu sonho é só uma coisa, é que todas as pessoas, as famílias da gente, as pessoas que estão em volta, esse é o meu sonho, é ter uma vida normal, uma vida de amizade, uma vida de amor. Sabe por que isso? Porque a gente aprendeu desde criança amar ao próximo. A gente tem aquela vontade que todo mundo fosse igual. A gente sabe que não é assim, mas o meu sonho era esse, que um dia tá todo mundo numa boa, como diz por aí, e sem essas violências, sem essas coisas, que isso que a gente mais detesta. Só. No nosso meio, no meio dos outros aí não, mas no nosso meio, na nossa turma de pescador, realmente está acontecendo isso, está acontecendo esse sonho, porque a nossa turma, graças a Deus, meu pai, é um pessoal bacana. E esse sonho pra mim já tá realizado.

 

P/1 – Senhor João, como foi contar um pouquinho da sua história?

 

R – Aí, beleza. Eu gosto de contar. Eu gosto. Eu, por exemplo, quando chega a época de pessoas que querem fazer matéria em negócio de escola, e as pessoas vêm pra aqui pra querer saber história do Rei São João, como a gente chegou aqui, e aquela coisa toda, e eu conto pra turma aí. Porque na realidade a gente não conhecia isso aqui. Isso aqui veio alguém trazer alguma mudança em Barra de São João, e a pessoa chegou aqui e viu naquela época aquele mato puro, puro mesmo, não tinha nada, mas nada mesmo, mas viu assim, aquela fartura de peixe, de bagre, e aquela pessoa era pescador. E ele agregou daquele negócio, convidou mais dois e vieram, pegaram uma carona de navio, de navio, naquela época os navios entravam na Barra de Atafona, aí os soltaram ali em Búzios, nessa direção, dali eles vieram naquela canoa pra cá. Isso foi em 50. E aí o que acontece? Aí a gente veio pra cá também, a gente era garotinho pequeno, e até que quando chegou a idade, como eu falei, de a gente vir morar aqui. Quando eu vim morar aqui, de verdade, foi em 1962, mas acontece que nós já estávamos aqui há muito mais tempo, mas aí ia e voltava, mas até que chegou a hora que a gente veio de verdade. Então às vezes as pessoas querem saber de alguma coisa, aí a gente conta para o pessoal da escola as historinhas daqui de pescaria, como foi, como tudo começou por aqui conosco. Porque na realidade começou conosco. Quem fez esse bairro Santo Antônio fomos nós, os pescadores. Aí quando teve a invasão em 80, aí o povo entrou e deu no que deu.

 

P/1 – O senhor pode até contar um pouquinho sobre isso. Como era antigamente, como é hoje em dia? O que continua igual, o que mudou?

 

R – Olha, muita coisa. Muita coisa. Mudou e não mudou pouco, não. Primeiro, a gente aqui pra ir a um médico, ele tinha que ir a Macaé, ele tinha que ir a 40 quilômetros, 42 quilômetros de Cabo Frio. Agora, cadê a condução pra levar? Que só tinha uma linha aí, que era macaense naquela época. Só. Hoje em dia não. Hoje em dia nós temos postinho aqui, lá na frente temos hospital, temos UPA, temos tudo, tudo mesmo. Armazém, aquela época não tinha quase onde a gente comprar. Pra gente vender as coisas, alguém levava a Macaé. Mas também era aquele tempo que eu falei, tempo da salga, se salgava também. A mudança foi muito grande, muito grande mesmo, 200%, sem exagero. Muito grande. E agora melhorou. Tudo agora melhorou. Quer dizer, melhorou no bom sentido, ficou mais fácil tudo, né? Difícil e mais fácil.

 

P/1 – E tem alguma coisa que continua igual?

 

R – Bom, não tem, não.

 

P/1 – Não?

 

R – Ah, não tem, não. Não tem, não. Não tem, não. Que continua igual não tem, não. Ah, modificou tudo, tudo por tudo. O convívio da gente, de certo modo, os estudos, que pessoas foram além daquilo que a gente imaginava, que a gente sabia. E aí já viu como é, né? Aí muda tudo mesmo. Tecnologia foi chegando, aí foi mudando mesmo, não teve jeito, teve que mudar.

 

P/1 – Senhor João, obrigada pela sua entrevista.

 

R – Nada. 

 

P/1 – Obrigada por contar a sua história.

 

R – É isso aí. Tá bom, gente. Olha, o dia que precisar de mais alguma coisa, quem sabe a gente ainda pode puxar. O pessoal da Somar quis saber como começou a pesca aqui, como era. Linhazinha de varejo. Aquele pessoal ali, eles queriam saber da história dos quilombolas dali da Rasa. Aí eu contei, mas só que tinha uma menina aqui, que nós estávamos num estudo de antropologia, aí eu disse pra ela, digo... Ai meu Deus, esqueci o nome da moça. Rogéria? Não. Falei pra ela, digo: “Olha, você pode chegar ali na Rasa que você vai saber de mais coisa disso que eu to falando aqui pra você”. Mas ela tomou nota de tudo: quando começou, o pessoal o que fazia, como era a pesca. Aquela época a gente chegou a linha de varejo, e jogava ali na praia ali pra pegar aqueles bagres, aquilo tudo, o povo aí de dentro, mata, era uma mata pura, aquele povo tudo escurinho, o pessoal tudo escurinho, aí encontravam aí, vinham aqui, aí a gente dava aqueles peixes a eles. Os que trabalhavam na roça, aí traziam aqueles cavalos cheios de laranjas, tal de cargueiro, botava um jacá de um lado, outro de outra, e a gente trocava com eles com peixe salgado, peixe fresco, era um negócio interessante. Naquela época não tinha ninguém, só algumas pessoas lá em Araçá e essas pessoas aqui em _______________. Aí expliquei tudo pra menina, a menina ficou maravilhada. Ela disse: “Olha, senhor João, nunca ia saber de um negócio desses”. Eu digo: “Mas nós vivemos esse tempo aqui. A gente era moleque, era garoto”. Agora não, agora mudou tudo. Agora o pessoal lá de dentro da roça lá tá com tecnologia lá dentro também, coisas grandes lá dentro também. E nós aqui continuamos no nosso trabalho, claro, com melhoria, né? A gente trabalhava aqui com reminho, um barquinho com reminho. Agora todo mundo motorizado, motores bons, barcos bons, é tudo diferente. Mudou tudo. É aquilo que eu falei pra você, a mudança foi 200%.

 

P/1 – Agora eu fiquei um pouco curiosa, senhor João, como era essa relação com esses quilombolas aqui e os pescadores?

 

R – Ah, isso aí era bom. Nós achamos que nós somos pessoas simples e então eles lá ainda achavam que eles eram mais simples do que nós, porque a gente aqui ainda vivia mais perto de uma cidade e eles mais longe. E o trabalhinho deles lá, a produção de uma laranja, de uma abóbora, de um aipim, mandioca, né? Falar assim, o nome geral. E eles tiravam e vinham vender pra gente aqui. Mas era um pessoal simples, mas um pessoal bom, então isso é muito importante pra uma relação, para uma amizade. E era o que acontecia. Eles faziam lá e traziam pra cá, e a gente naquele intercâmbio com eles. Era muito bom.

 

P/1 – Ah, então vocês faziam o intercâmbio de mercadorias?

 

R – Isso, de mercadoria. Aí eles traziam aquelas coisas boas deles lá e levavam assim, o nosso pescado. Inclusive, tinham uns que levavam pra vender lá também com pessoas que não tinha condições de vir, aí levava e vendia por lá mesmo. E a gente: “Não, aqui, o senhor leva isso aí, ganha lá o seu dinheirinho”. E era muito boa a relação com eles.

 

P/1 – E o senhor sabe me dizer se eles também quando vinham pra cá, pra essa região, vendiam mercadorias deles?

 

R – Vendiam também. Inclusive, naquela ocasião que nós estávamos aqui, tinha um armazém aqui do lado dessa estrada nova ali, que a ponte velha era essa, e ali tinha um armazém que exatamente comprava a mercadoria desses homens que traziam pra vender aqui na Barra de São João na época. Aqui era tudo matagal, não tinha casa, não tinha nada, só tinha uns pescadores aqui na beira do rio e Barra de São João ali. Aí aquele intercâmbio também. Aí vendia umas coisas, comprava outras. Mas tudo na base do cargueiro, o cavalo. A condução era essa. Então a gente conviveu muito com eles aqui, desse jeito. E um detalhe, até hoje também. Mesmo com toda tecnologia, mas de vez em quando tem uns que trazem aí alguma coisa pra gente, é trocar os negócios, é limão, é laranja, são outras coisas, ainda tem alguns que fazem isso pra gente ainda. E a gente continua fazendo, não tem esse negócio, não. O peixe a gente pesca, é aquilo que eu já te falei, quando a pesca tá pior, a gente dá de graça, quer pegar pra fazer um dinheirinho pra fazer a manutenção do barco, rede. Mas quando tá melhor, a gente também os ajuda, muita gente, a gente a gente dá muito peixe aqui. Acho que é um lugarzinho que... Não, eu acho que o pescador por aí afora, todo mundo faz isso, não é só aqui, não. Graças a Deus, essa turma nossa pra mim está de parabéns, porque eles fazem isso com todo mundo. É isso aí.

 

P/1 – Obrigada, senhor João.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+