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História

O barbeiro poeta

História de: José Ferreira de Carvalho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/03/2010

Sinopse

Conhecido como “poeta da Portuguesa”, José traz um histórico do time de futebol desde a década de 70, quando começou a ser sócio e frequentador assíduo dos jogos. Declamando poesias de sua autoria, revela seu amor pela São Paulo antiga, seu encontro com Ipiranga e Ibirapuera, onde se descobriu poeta. Amante das mulheres, José deixa um recado final aos que estão assistindo sua entrevista: dar o melhor do seu lado artístico e sempre ser gentil nas cantadas. Isso vale tanto para homem quanto para mulher!

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História completa

Quando cheguei em São Paulo numa aventura sem dinheiro/

Mas eu tinha alguns amigos que havia chegado primeiro/

Alguns já estavam bem e outros bem trabalhavam/

Numa luta de bom gosto cada qual sempre disposto/

Uns aos outros sempre ajudavam/

Até parecia que o paraíso mudara pra aqui/

Com folha de parreira pra vergonha cobrir/

Vivia contente com gente decente que se respeitava/

Cidade tão boa da chuva, garoa/

São Paulo eu amava/

 

Gosto do nome, gosto do clima, gosto da Avenida Paulista, gosto da Sé, gosto da Liberdade, gosto da João Mendes, gosto do Ibirapuera, gosto do Museu do Ipiranga, gosto de São Paulo como cidade, como praças, como ruas, como o clima, como o nome!

 

Minha primeira poesia foi no Museu do Ipiranga num sábado à tarde. Lá estava cheio de árvores, cheio de passarinhos, flores, sombra e água fresca. E comecei a escrever o primeiro poema e a partir dali fiquei concentrado na poesia e na música. Hoje eu já estou com mais ou menos 500 músicas e poemas! Lá em Portugal eu não fazia poesia. Tinha ela dentro de mim, mas eu não sabia transpor, ultrapassar, passar de cá pra lá. Já no Brasil, eu ficava muito tempo sozinho, ficava dentro de minha mente. A pessoa que tem inspiração poética não pode ficar muito tempo no meio das pessoas, ela tem que ficar sozinha por horas, tem que sofrer, tem que levar desaforos, injustiças, tem que levar tropeço, tem que ter pedra no caminho. Tem que ter aquilo que eu estou vendo aqui na Vila Madalena: tem subida e descida bem íngreme! Sobe e desce bem na base da montanha russa aqui.

 

Ah, serenata! Eu fui fazer serenata numa cidadezinha perto de Campinas chamada Sousas. Tinha aquelas casinhas de madeira, envernizada, bonita, sabe? Então nós fomos fazer serenata lá e de noite, durante uma hora, duas, três da madrugada fazendo serenata com lua, temperatura de 20, 25 graus de calor à noite. A gente acordava a turma e vinha mulher servindo churrasco, caipirinha, leite, café, tudo isso! Coisa linda, serenata! A gente comprava instrumentos: violão, violino, cavaquinho, bandolim, banjo, pandeiro e fazia serenata!

 

Igual ao passarinho bem-te-vi/

Eu vivo a cantar por aqui no Brasil/

Só para te amar e encantar, encantar/

De alma sadia meu destino é bem querer, bem querer/

E te conquistar e convencer, convencer para te agradar e amar e amar de noite e de dia/

O que vai dizer depois de tudo isso/

Que eu cante aqui e ali/

O que vai fazer com todo este amor/

Que jamais terá fim/

Igual ao passarinho bem-te-vi, bem-te-vi/

Eu vivo a cantar por aqui/

Só pra te agradar e amar e amar/

De alma sadia com toda alegria/

Com toda magia de noite e de dia/

Igual ao passarinho bem-te-vi, bem-te-vi, bem-te-vi, bem-te-vi, bem-te-vi, bem-te-vi/

 

Não é bonitinha? Sou poeta, compositor, ecologista, altruísta e um pouco filósofo também! Lá em Portugal eu tirei diploma de Arte Capilar, corte de cabelo e barba. Vim para o Brasil em 1954, eu tinha 22 anos. Primeiro, trabalhei como ferramenteiro durante um ano e meio, mas eu não gostei e voltei para a profissão. Barbeiro é gíria, a palavra certa é profissional capilar!

 

Eu não sou rico de dinheiro, mas tenho certeza convicta de que eu sou rico de amor, de paz, de poesia, de boa vontade, de filosofia, de filantropia, de ecologia, de Chico Mendes, da Zilda Arns, que morreu lá no Haiti. Se eu errei não foi por querer, não faço mal pra ninguém. Eu sou da ecologia, sou do meio ambiente. Faço poesia, faço música... Sou artista que mantenho a boa aparência da humanidade que Deus criou! Eu sou artista que mantenho o rosto, a face, a cara do homem que Deus criou: simpático, bem arrumadinho, bem visível, bem agradável. Essa é a função da gente!

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