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História

O banco proporciona.

História de: Sonielson Jovino Silva
Autor: Raquel
Publicado em: 09/06/2021

Sinopse

Cursou Química mas fez carreira no Banco do Brasil, começou guardando pastas. Cresceu dentro do banco como gerente, propondo soluções para problemas da comunidade. Casou com a namorada da universidade, teve duas filhas. Escritor de literatura de cordel nas horas vagas. Escreveu cordéis em homenagem aos 200 anos do Banco do Brasil e a mercearia de seu pai.

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História completa

Entrevista de Sonielson Jovino Silva Entrevistado por Luiz Egito e Nadia Lopes Monteiro, 08 de outubro de 2008 Realização Museu da Pessoa Código: BB200_ HV011 Transcrito por Regina Paula de Souza Revisado por Caroline Aparecida de Lima P/1 – Sonielsom, por favor, o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento? R – Meu nome é Sonielson Jovino Silva, eu nasci em 01 de julho de 1961, aqui mesmo, na cidade de Monteiro e logo em seguida fui para Sumé com uma semana de vida, e é da cidade vizinha que eu me considero. P/1 – Qual é o nome do seu pai e da sua mãe? R – Meu pai é Sebastião Jovino da Silva, e a minha mãe é Maria de Lourdes da Silva. P/1 – Você conheceu os seus avós? R – Sim! P/1 – De ambas as partes? R – Não, só da parte de mãe. P/1 – Você lembra o nome deles? R – Lembro! É Antônio Francisco da Silva, e Maria de Fátima da Silva. P/1 – E da outra parte? R – Não, da outra parte eu não lembro. P/1 – Você tem irmãos? R – Tenho uma irmã. P/1 – Como é o nome dela? R – Sonia Maria da Silva. P/1 – Você tem ideia da origem da sua família? Seus pais sempre foram daqui ou seus avós vieram de outro lugar, como que é essa história? R – Os meus avós vieram do interior de Pernambuco. A referência mais distante que eu tenho são dos meus bisavôs, são da região de Caruaru, certamente com alguma origem dos primeiros imigrantes que vieram e entraram no interior do Nordeste. Mas eu não tenho, assim, maiores informações além do meu bisavô. P/1 – O seu pai se dedicava ao quê? R – Era comerciante, tinha uma mercearia na cidade vizinha de Sumé. P/1 – Sumé é perto de Monteiro, como que é? R – Vizinha! São 30 quilômetros. P/1 – E por que você nasceu em Monteiro? R – É porque, na época, Sumé fazia pouco tempo que tinha se separado de Monteiro e ainda não tinha uma infraestrutura de atendimento médico suficiente para os casos mais complicados. Então, esses casos vinham pra Monteiro, onde tinha um hospital, uma maternidade com melhores condições. P/1 – E o negócio a venda do seu pai? R – Meu pai tinha um comércio no centro da cidade, era o ponto de encontro de muitas pessoas que passavam para uma direção ou outra, e sempre passavam lá para conversar. Então, era um local de muitas histórias e anedotas, apesar dele já ter falecido, tem essa memória na cidade, da mercearia dele. P/1 – Como era o nome da mercearia? R – Chamava mercearia do Seu Sebastião Juvino. Naquele tempo não tinha essa preocupação de colocar um nome fantasia, o nome do dono é que servia de referência. P/1 – E o que ela tinha para vender? R – Eram mantimentos, cereais, doces, bebidas e, geralmente atendia o pessoal da zona rural, que vinha na segunda-feira fazer compras e levava mantimentos para durar toda a semana, então, era mais assim. P/1 – Você poderia descrever como era o ambiente, o local? R – No início a mercearia era muito grande, tinha um balcão longo e era muito bem sortida, mas vieram as secas e tal, e vendia muito fiado, e quando eu era pequeno já tinha diminuído muito o movimento de comércio. Mas a outra parte servia para outros tipos de comércio, ambulantes e o pessoal que aguardava as feiras, enfim, o movimento era intenso, mesmo que não fosse para comprar na mercearia. Tinha um salão com violeiros, que durante a segunda-feira vinham cantar na feira e juntava muita gente, era um local bem animado. P/1 – Então, era um ponto de encontro? R – Exato, um ponto de encontro, sem dúvida! P/1 – Tinha movimento a semana inteira? R – Durante a semana o movimento era menor, a mercearia tinha cinco portas, mas durante a semana só abriam três, porque o movimento era pequeno. E, geralmente o meu pai ficava na esquina, e chegavam aquelas pessoas que também tinham tempo disponível e ficavam comentando fatos da cidade, dizendo piadas, e era realmente a referência, dessas histórias. P/1 – E como era essa cidade da sua infância? Como era Sumé? R – Era uma cidade pequena, um ocorrido, um acontecimento durava às vezes, meses de comentários. Não havia essa poluição de informações que tem hoje. Por exemplo, teve uma vez lá que ocorreu um tufão em um açude e isso foi motivo de conversas por dias, semanas inteiras. Outro dia o posto pegou fogo, enfim, eram esses acontecimentos que serviam de alimento nas conversas. O circo que chegava, né? As piadas do palhaço que mesmo depois que o circo ia embora, ficavam as piadas, ficava aquela forma de falar, até chegar outro e trazer outras histórias, então, era isso. A gente brincava de bola no parque, na calçada do mercado, mas tinham os lugares proibidos que a polícia quando vinha tomava a bola, rasgava. Então, tinha toda uma mística em torno disso, era muito bom. P/1 – Que locais proibidos eram esses? R – Na calçada do mercado não podia, mas a gente teimava [risos]. Sempre um policial passava e quando conseguia pegava a bola. Geralmente quem via a polícia primeiro corria com a bola. Mas tudo dentro de um clima de brincadeira, não havia maiores rivalidades, nem intriga. P/1 – E como foi a sua infância nessa cidade, quais eram as brincadeiras que haviam? R – Tinham as brincadeiras de bola de gude, nós apostávamos as próprias bolas, e tinham aqueles que juntavam mais e às vezes vendiam para os outros. Isso era uma brincadeira comum. Tinha também, time de botão, nós fazíamos aqueles campeonatos de time de botão, a exemplo dos campeonatos que chegavam através do rádio. Nós éramos muito ligados ao futebol do Rio de Janeiro, todo mundo tinha um time do Rio. Então, eu era do Flamengo, mas eu era quase solitário, porque as grandes torcidas lá eram para o Botafogo e Fluminense, não sei porquê, né? Então, nós fazíamos os campeonatos de time de botão, colocava os times, tinham os nossos ídolos, e acompanhávamos pelo rádio. Por exemplo tinha um bar, o Bar de João Barros, que era o bar do futebol, era completamente forrado de fotos de times que saíam nas revistas, o teto e as paredes, tanto que ele substituía, tirava aquelas mais antigas e botava as novas. Era o local das discussões. Tinha a resenha de oito e meia da noite, quando terminava a Voz do Brasil e também o programa do Mobral [Movimento Brasileiro de Alfabetização], na época era de oito à oito e meia, e a gente ia lá para discutir, ouvia aquela coisa toda, imaginava as jogadas, porque no rádio você tem aquela ideia, você idealiza aqueles lances todos, não tinha televisão na época, mas eram momentos muito bons. P/1 – Em sua infância, quer dizer, você passou a sua infância no meio de um bioma muito interessante, que é a caatinga, né? R – Isso! P/1 – Como é que você descreve a caatinga, como ela se traduz na sua percepção? R – A caatinga está muito ligada com a resistência. Nós víamos a seca através do pessoal que vinha do sítio à mercearia, eu tive muito contato com isso através deles. Eu trabalhava na mercearia, principalmente em dia de feira, e o pessoal is beber cachaça, as mulheres e as crianças bebiam vinho, era considerada uma bebida mais suave. Então, eles chegavam de manhã, animados e iam para feira, depois traziam os sacos com aquelas mercadorias que só tinha na feira, farinha, rapadura, e deixavam guardados na mercearia, muitos adquiriam produtos lá na mercearia também, e ficava aquele clima de festa até o carro ir embora. E assim eu percebia essa dificuldade, essa resistência, esse sofrimento com a seca. Quando o ano era bom de inverno e quando o ano não era bom de inverno. Quando eu era muito criança, eu não tinha a percepção exata, mas a gente sentia que alguma coisa ia mal, e que repercutia em toda a comunidade. Naquela época, não tinham esses programas governamentais, está? Então, quando vinha um período de estiagem, para o pessoal era muito sofrimento, muitos iam embora, abandonavam as casas. E nos anos bons de inverno, era o contrário, era o pessoal comprando roupa para festa, havia aquela felicidade estampada no rosto. Eu percebia esse diferencial da região que estamos. P/1 – E o ambiente propriamente dito? Assim, os locais, a vegetação, o clima, o solo, como é que isso fica na sua cabeça? R – É, assim, quando a gente ia em alguma viagem era o chão de poeira, né? O carro de boi, que era o transporte que levava muita gente de volta para casa, aquele lamento do carro de boi, gemendo, enfim, eram aquelas viagens longas. Essa é a característica da caatinga, que na época da seca ela perde as folhas e fica cinza e você tem a impressão que acabou tudo, e que ali morreu para sempre. E nas primeiras chuvas, ela nasce de novo, como a Fênix, nasce das cinzas mesmo, e a folhagem verde reaparece, é uma coisa muito marcante. É marcante essa morte e esse renascimento da vegetação todo ano. E isso reflete um pouco na própria experiência de vida das pessoas. P/1 – Quer dizer, na verdade, o ambiente influi na própria determinação da ação pessoal, né? R – É, de esperar chover. E outra coisa é a religiosidade, né? As pessoas tinham muita fé. Tem o marco do Dia de São João, né? Oh, desculpe! De São José, 19 de março, que é assim, o marco da chuva. Se não choveu até esse dia, então, o pessoal começa a achar que realmente o ano vai ser ruim. E nós vimos em estudos, que tem um fundamento científico, né? Porque quando o El Niño está ativo, realmente, o máximo que poderia acontecer é 19 de março, a partir daí, então, é sinal que não vem mais chuva. Então, tinha a figura do experiente. O experiente era um senhor do sítio que tinha muita vivência e as pessoas tomavam conselho com ele. Então, esses camaradas olhavam para o tempo, olhavam sinais na natureza, se tinha relâmpago para o norte, para o sul, se determinada árvore estava com folhagem, se os animais estavam se protegendo ou não. Então, tinham essas pessoas que serviram de meteorologistas para os demais, né? É muito interessante isso aí! P/1 – Você conheceu algum desses sábios? R – Conheci, tinham muitos! E assim, a coisa ia se difundindo, né? Por exemplo, se a lua em determinado dia estava com um círculo amarelo, tinha um significado. Então, eram esses sinais que as pessoas se apegavam para decidir os seus destinos. Se plantava hoje ou se deixava para plantar amanhã, se poderia perder a semente ou não. P/1 – E essas pessoas acertavam essas previsões? R – Olha, eu acredito que deviam acertar. Mas, eu também acho que a fé era tanta que terminava sendo uma questão menor. A vontade de que o inverno fosse bom, o ano, a vontade de que desse tudo certo, eu acho que era maior do que qualquer outra dúvida, eles tinham vontade que tudo desse certo. É como a música, de Luiz Gonzaga, você só ia realmente na última circunstância mesmo. Um exemplo que me veio agora foi o dos anos 1970, que houve uma grande estiagem, e houve invasão, uma tentativa de invasão do mercado. Então, os agricultores se organizaram para invadir o mercado, houve então um acordo com policiais e tal, e realmente os comerciantes doaram mantimentos de primeiros gêneros, de primeiras necessidades, e com essa atitude conseguiram que não houvesse o ataque realmente. Mas isso é outra coisa também marcante daquela época! P/1 – Como é que o garoto então, com 11 anos enxergava esses momentos de comoção social na cidade, devia ser um problema seríssimo, né? R – É, a cidade estava envolvida de qualquer forma. Porque, naquela época, a população urbana era muito pequena em relação a rural, né? O inverso de hoje! Então, as pessoas que viviam nessa atividade de prestação de serviço ou o comércio dependiam muito da zona rural, dependiam da agricultura, principalmente, que tudo desse certo. Tem a história do milho e feijão, que são as culturas de subsistência mais plantadas, e aí vinha a injustiça com o produtor, que quando o ano era bom no inverno, ele tinha uma colheita maior, e em consequência, havia uma oferta maior e o preço caía. Então, ele ficava naquela situação, quando ele não tinha uma boa colheita, o preço estava lá em cima e ele não tinha como comprar, e quando era uma colheita boa, ele tinha que vender barato. Aí, tinham aqueles atravessadores que compravam para vender na seca, no período do verão. Havia então toda essa economia da seca, vamos dizer assim. P/1 – E uma economia arraigada no seu próprio ambiente físico, né? R – Isso! E não havia muita comunicação com outros locais de comércio, a coisa era muito decidida localmente, por isso que gerava toda essa tenção, porque se houvesse maior possibilidade de trânsito de mercadoria, por exemplo, as mercadorias industrializadas, que vinham de Campina Grande, as pessoas que tinham caminhões iam comprar mercadoria e traziam para cidade, né? A cidade era ligada por estrada de barro, para Campina Grande, e a viagem durava mais, era quase um dia de viagem. Então, o camarada trazia os mantimentos e repassava para o comércio. Aí, tinham as festas, né? Nas festas é que vinham produtos de fora, novidades que o pessoal trazia, brinquedos, como: as varinhas, os brinquedos de bola de sopro, enfim, uma série de atrativos para as crianças, vamos dizer assim. P/1 – E a sua escola, Sonielson, a sua primeira escola? R – A minha primeira escola foi particular, a gente chamava assim, não foi uma que era a primeira alfabetização. Tinha uma senhora lá, Sebalino, né? P/1 – Como é? R – Sebalino! Ela tinha uma escola, e era conhecida por ser bastante severa, usava palmatória e tal. Mas foi muito bom, eu aprendi as primeiras letras. E, depois, eu fui para a escola pública. P/1 –É tudo em Sumé ainda? R – Tudo em Sumé! O primário... P/1 – Você lembra o nome da escola? R – É Grupo Escolar Desembargador Feitosa Ventura. Então, eu fiz até a quarta série e passei para o colégio que é lá mesmo, em Sumé, já tinha o colégio do segundo grau, aliás, do ginásio! Ginásio, que era da quinta à oitava série. Eu fiz o ginásio lá e fui para Patos, [RISOS]. Porque eu tinha uma irmã que morava lá, e o marido dela trabalhava no Banco do Brasil, foi o meu contato mais próximo com o Banco do Brasil, e o primeiro, né? Então fiz o segundo grau lá. P/1 – Em Patos? R – Isso! P/1 – Como é que foi essa mudança de cidade para um garoto que passou a vida inteira em um lugar só? R – Foi realmente uma descoberta! Em dois sentidos: primeiro, eu descobri que o mundo não terminava na serra de Sumé e depois, eu descobri mundos totalmente diferentes de Sumé. Então, eu não fui naquelas de me deslumbrar com o novo, eu encarei o novo como um diferente, e fiquei de uma certa forma transitando em dois mundos naquele momento, pelo menos só em dois mundos, mas eram dois mundos que eu tinha exata noção que eram totalmente distintos. Em Sumé a gente tinha umas discussões, a questão da política, da vida em si. Em Patos você tem uma vida mais de divertimentos. Então, eu tive essa sensação. Mas foram três anos lá, foram três anos extraordinários. Parodiando Juscelino, foi justamente a descoberta do novo mundo, nessa época eu já estava entrando na adolescência, novos olhares, né? E assim, foi de lá que fui para a universidade de Campina Grande. Terminei o segundo grau e passei no curso de Química Industrial em seguida. Aí, Campina Grande já é um ambiente mais cosmopolita, é uma cidade que monopolizava toda a região, então, não tinha aquelas características nem de Sumé e nem de Patos, já era um mundo, uma sopa, vamos dizer assim, de cultura, de gestos e de tudo mais, então, já foi um negócio mais misturado. P/1 – Explica um pouco melhor essa mistura que Campina Grande apresentava para você, o garoto, o adolescente. R – É, porque Campina é uma cidade que é uma espécie de metrópole para a região, tanto do Cariri como do sertão. E em todas as áreas que você abordar, por exemplo, área médica, lá tem os hospitais, as ambulâncias, a educação, eu estava indo para lá, como tantos outros, né? Comércio, os próprios caminhões, os carros iam de Sumé para lá, e de Patos também. Então, chegando lá tinham colônias, vamos dizer assim, de todas as cidades. Mas só que elas não estavam exatamente, separadas por muros, é uma coisa mais misturada, você pode conviver com pessoas do estado inteiro. Então, foi nesse sentido de que você não tinha uma cultura, assim, campinense para você defender, porque lá era uma mistura. Então, foi isso, um novo olhar, mas um olhar que eu tive sobre a cidade, a cidade maior. P/1 – E você ficou na universidade até quando? R – Eu fiquei até 1984/1985 mais ou menos! Isso, assim, na Urcg [Universidade Regional de Campina Grande], eu fazia Química Industrial, porque nesse período eu comecei a fazer Engenharia e Química em outra universidade de Campina Grande, na federal. E, já, no final do curso, eu me apaixonei por História, e comecei a sair da Engenharia e Química e fui fazer História, que não terminei, né, porque tive que trabalhar com essa carreira do banco. P/1 – De onde é que veio essa sedução pela História? R – Olha, é difícil, você datar, né? Mas eu sempre gostava, mas eu fiz o vestibular gostando de Química também, quando vi Química pela primeira vez, eu achei que era muito legal, e eu gosto também, mas aí, eu comecei a me interessar por política, aquela história do final do círculo militar e a esperança no Brasil de um novo tempo, de uma nova expectativa, e a gente na universidade terminando o curso, então, a universidade era um campo da esperança. E eu comecei a ter leituras e a me interessar por História por ver que na história a gente não pode, digamos assim, conhecer um pouco mais ou desejar um pouco mais para adiante, sem ter um pouco de conhecimento pelo que passou, então, foi mais nisso. Mas até hoje [RISOS]. Até hoje, apesar de não ter terminado o curso, eu não larguei de estudar e de escrever, eu escrevi crônicas para jornal e tudo mais. P/1 – E a sua primeira atividade profissional, qual foi? R – Eu terminei o curso de Engenharia e Química que estava fazendo, aliás, de Química Industrial que estava fazendo o curso de Engenharia Química, né? Então, apareceu uma oportunidade no governo do estado em uma secretaria de recursos minerais, e entrei. Apesar do salário ser baixo, era um salário mínimo praticamente, mas eu quis, porque eu estaria na minha atividade e tal, e ganharia conhecimento. Então, quando eu estava no Cdrm [Centro de Desenvolvimento de Recursos Minerais do Estado], era muito parado porque não tinha os minérios locais e tudo mais, não tinha uma atividade constante. E lá era o contrário da Cagepa [Companhia de Recursos Hídricos de Água e Esgoto], então, a Cagepa estava precisando de técnicos e me perguntaram se eu queria ir para lá e eu fui. Aí, pronto! Na Cagepa eu comecei com tratamento de água e, depois me mandaram para as lagoas de tratamento de esgotos. E lá realmente tinha um convênio com a universidade federal, o pessoal se dava muito, tinha convênio com a Universidade de Leeds na Inglaterra, e tinham aqueles trabalhos de lagoas, de estabilização, o chefe era Doutor, fazia pesquisa, tinha o pessoal que ia muito para a Inglaterra e voltava, para a África do Sul também. Então eu entrei naquele clima, né? E o primeiro passo, foi fazer a especialização. Também nessa época, eu comecei a namorar com a Fábia, que é a minha esposa, que é de Sumé também, ela estava terminando Engenharia Química. Oh, desculpe! Engenharia Civil! E aí, houve essa do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental, ele tanto era aberto para a Engenharia Civil como para a Química, tinham essas duas áreas de conhecimento, então a gente decidiu entrar, entramos e fizemos um ano de estudo, pagamos as disciplinas, e eu, ainda, prestando serviço na Cagepa, né? Foi aí, que apareceu o Banco do Brasil na história. Quer dizer, para mim, porque em Patos, como eu falei, eu morei na casa da minha irmã, que o meu cunhado trabalhava no Banco do Brasil. E o curioso, é que de início, o Banco do Brasil, o nome Banco do Brasil me assustava um pouco, porque eu via o meu cunhado tão agoniado, quando dava diferença ele demorava a chegar em casa. O dia 31 de dezembro é sempre aquela tensão, porque tinha que fechar o balanço para poder ir pra casa e tal, e eu dizia: “Rapaz, eu jamais vou trabalhar nesse negócio” [RISOS]. Mas aí aconteceu que a gente teve alguns aborrecimentos lá na universidade, achei até natural que hajam aquelas pressões de sempre e tal. Mas a gente estava em um momento, meio insatisfeitos, e apareceu o concurso local, em Sumé. O que seria o concurso local? É, foi um concurso feito para preencher vagas em agências que tinham deficiências crônicas de pessoal, então, esse concurso foi feito somente nessas cidades, e aberto só por um dia, porque que o objetivo era justamente atender só pessoas daquela cidade, para depois a pessoa não entrar e sair, né? Então, os nossos familiares ligaram, ligaram para a Fábia, a namorada da época, e disseram: “Olha, tem um concurso aqui do Banco do Brasil, vem ou não vem? ”. Isso eram 11 horas da manhã, e nós tínhamos prova em Campinas, uma prova à noite, e o ônibus demorava umas três horas para chegar aqui. Aí, a gente ficou naquela dúvida: “Vem, não? Vem! Vem, não? Vem! “ “Então, vamos tomar o ônibus. Se acontecer algum problema no ônibus está decidido, né? ”. Então, chegamos! Nós fomos os últimos a nos inscrever, nós não fomos nem em casa, descemos no ponto, fomos para o banco, entramos e fizemos a inscrição, voltamos para o ponto do ônibus, pegamos outro ônibus, fomos para Campinas, e chegamos a tempo de fazer a prova [risos]. Aí, aquela coisa: “Já que fizemos a inscrição, para depois não fazer feio, vamos dar uma olhadinha na matéria, né? ”. Então, eu acredito que por conta, até daquele embalo que nós vínhamos de mestrado, de curso, nos dois passamos no concurso! P/1 – Os dois? R – É. Isso no final de 1987. Aí, em janeiro de 1988 nós tomamos posse. E em Sumé eu passei nove anos. Que realmente foi o tempo que eu mais demorei no banco. P/1 – E como foi o seu primeiro dia de banco, o que aconteceu no seu primeiro dia? R – Eu cheguei lá sem saber o que fazer. Um caos, né? Já tinham ligado desesperados para nós, para que nós fossemos o mais rápido possível, porque estavam precisando de muitos funcionários e tal. Então, quando nós chegamos o pessoal soube logo, já sabiam que nós éramos namorados, eu e Fabia, e aí, por isso, naquele tempo não podia trabalhar no mesmo setor, nem namorados, então ela foi para o de atendimento, talvez por ser mulher e tal, e eu fui para o suporte, que era o setor de operações. Então, no primeiro dia eu cheguei lá e me mandaram arquivar pastas, aquele negócio todo, meio devagar, e você fica naquela ansiedade. Mas depois de pouco tempo, a própria urgência do dia-a-dia faz com que você se envolva rapidamente. P/1 – E o que te pareceu trabalhar no Banco do Brasil? O fato de estar no Banco do Brasil em uma cidade como Sumé, significava alguma coisa para você? R – É, significava demais. Na minha cidade! E a gente já tinha um conhecimento praticamente de toda a população. Então, era uma forma da gente perceber que a cidade estava tendo condição de atrair e nos manter lá, eu tinha essa sensação. E foi muito bom! Tinham aqueles inconvenientes, que às vezes o cliente confundia a nossa relação anterior com a profissional. Mas isso aí, a gente aos poucos foi mudando. Mas uma coisa interessante é que eu fui trabalhar no setor de operações, trabalhando com o pessoal da zona rural. A gente fazia operações de crédito naquele tempo, na época do plantio de milho e feijão e algodão, e depois tomate, formava fila de agricultores. Nós tínhamos que trabalhar às vezes até de noite para preparar as cédulas. As cédulas eram preparadas uma por uma não tinha computador! E eu e o meu colega revezávamos, e eu sabia as cláusulas decoradas das cédulas, eu sabia dos pares e as das ímpares. Então, eram em duas máquinas, eu batia uma e ele batia a outra, e a gente: “Oh, vamos bater em tempos iguais, né? ”. Aí, depois, a gente trocava de máquina para não tirar o papel. Então, a gente ia, porque aí só precisaria decorar a metade da cédula e ele a metade, era uma forma de agilizar. Assim, esse contato com o agricultor, com as operações rurais, foi uma coisa que eu trouxe até hoje, é uma coisa interessante. P/1 – E como era essa operação mecanizada? Quer dizer, era uma papelada que rolava e tudo mais? R – É, e a gente tinha o supervisor que ficava na nossa cola e dizia que a gente não poderia errar, se a gente errasse uma letra, tinha que bater de novo. Às vezes, a gente dava um jeitinho lá com a borracha e ninguém percebia, né? Também, não feria em nada o documento [risos]. Mas, assim, havia aquela preocupação de que se o documento tivesse rasuras, no caso de ser questionado, pudesse ser invalidado, então tinha que ser uma coisa com muita qualidade. Então, assim tinha o período do plantio e tinha o período da colheita, que eles vinham pagar, e tinha um fiscal do Cetip [Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados], o colega ficava lá, aí, tinha que ter todos os documentos em dia. O fiscal, o menino do Cetip, do cadastro, como a gente chamava, o comissionado do cadastro, ele tinha um conhecimento das pessoas profundamente, né? [risos]. Ele era o arquivo vivo, colocava em um papel, mas, na verdade, era para os outros, porque ele sabia, ele colocava apelido no camarada, colocava tudo. Então, era, assim, uma atividade que eu gostava, além de que eu tive contato com o sistema de processamento. Que o único sistema automatizado que o banco tinha era o de controlar as operações que era chamado Iscai, eu não sei por que esse nome? P/1 – Iscai? R – É. Então, esse centro existe até hoje, o banco já fez outro, mas ele ainda não ficou totalmente abandonado. Ele era um sistema informatizado que acompanhava a operação rural, você dava o comando de quanto tinha sido o valor da operação, os encargos, o valor de aditivos de cédula e tal. Então, mensalmente o próprio sistema ia calculando, ia ficando lá um extrato daquela operação, que a gente chamava de Sleep. Então, esse Sleep era o extrato da operação. E tinham as operações que o sistema não fazia, a gente tinha que fazer e dar o comando para o sistema, mas toda essa ligação com o sistema de informática, apesar de rudimentar para os dias de hoje, também me atraía muito. E tinham as diferenças que o sistema não batia com a realidade. Tinha um relatório que trazia as duas realidades, porque nesse período, você poderia dar um comando só para um lado e não para o outro, então, gerava uma inconsistência que a gente tinha que resolver. E aí, a gente tinha orgulho que o nosso departamento sempre batia. Que fazia o relatório que trazia essa conciliação dos dois lados. E diziam que tinha agência que passava anos sem bater. Então, a gente tinha essa preocupação de estar tudo certinho. P/1 – Esses dois lados, só para a gente entender melhor, é o controle da operação de um lado, e a outra, era a fiscalização e o relatório que se trouxe dessa fiscalização, é isso? R – Não. Seria a operação em si, o montante de valores real, e o controle paralelo, esse tinha que estar batendo, a realidade com o controle contábil e o controle do sistema. Então, assim, se estivesse com inconsistência, um lado ou outro estava errado, quer dizer, na verdade, quem estava errado era o sistema, porque o real era aquele mesmo. P/1 – E esse seu contato com os agricultores, o que você aprendeu? E o que você viveu, lembra e trouxe desse período aí? R – É, eu já trazia um pouco da mercearia, esse contato. Então, para mim não foi nada diferente. Mas o interessante é que eles são muito humildes, simples, pessoas muito simples, e chegavam, lá, pedindo a nossa ajuda, e tratavam a gente, assim, de uma forma respeitosa, e a gente tentava quebrar o clima, e tentava ajudar e tal. E, assim, fica essa relação, com aquelas pessoas humildes que dependiam da gente. P/2 – Tem algum caso em particular que você se recorde dessa relação com os agricultores? R – Assim, têm vários casos, mas em especial um cômico. Um camarada queria plantar qualquer coisa e ele queria dinheiro do banco, e o gerente brincalhão, disse: “Olha, eu só tenho aqui, recurso para flores e uva”. Ele disse: “Quero, pode botar aí! ”. Então, tinha, assim, casos engraçados às vezes, e outros, assim, mais sérios. P/1 – E o papel do banco nesse processo de incentivo à produção, como é que você avalia isso? Essa capilaridade, essa presença dele nos lugares mais remotos? R – É, o banco realmente era visto naquela época como um instrumento do governo, de apoio sem dúvida nenhuma. Quer dizer, hoje também é visto, mas, naquele tempo, era visto como um incentivo por ele ser do governo, ele era o governo na cidade, né? Tanto é que alguns achavam que tinham parte e tal. E esses recursos eram uma coisa natural, todo ano tinham os produtores que iam atrás da safra e tal. Até que com o passar dos anos, houve um desestímulo a própria agricultura, ela ficou muito difícil por conta das estiagens e tudo mais, e o banco foi tomando outros rumos e foi realmente deixando um pouco esse lado do agricultor, né? P/1 – Então, como é essa visão do Banco do Brasil, da imagem do Banco do Brasil nessas cidades? Para essas atividades em que ele se envolvia junto com os agricultores? R – O banco era visto como o governo na cidade, né? Então, todos os programas de apoio à agricultura, à pecuária eram através do Banco do Brasil, e as pessoas contavam todo ano com isso, vinha o período da safra. Nós tínhamos o calendário agrícola, que tinham os estudos sobre chuva e tudo mais, o pessoal recomendava: “Olha, de tanto a tanto, já pode pegar propostas”. Então, era uma coisa natural, e depois, o banco foi diminuindo. As estiagens foram sucessivas, a própria agricultura caiu, e o banco também, a partir da década de 1980, no final da década de 1980, 1990 começou a se afastar desses setores da agricultura. P/1 – Esses estudos eram produzidos pelo próprio banco? Estudos meteorológicos, de solo etc.? R – Era. Não, tinha uma equipe de Campina Grande, de técnicos que recebiam estudos, faziam o calendário e mandavam para as agências, tá? E a gente também fazia análises e processava. P/1 – Quer dizer, ao financiar uma cultura de algodão e milho, você também estava obrigado a conhecer sobre a cultura de algodão e de milho, sobre o processo de produção? R – Com certeza! A gente tinha os documentos que regiam, não só a cultura, mas o período que devia ser o plantio, até quando poderia ser uma proposta para o plantio, até quando poderiam ser os tratos culturais, e a partir de quando a colheita e como é que poderia receber. Aí, tinha o estudo de preço de mercado, preço mínimo e tudo mais. P/1 – E como você aferia os resultados dessas operações? R – Certo. É quando o fiscal, vinha e dava os laudos, não éramos nós, eram técnicos formados, eles visitavam as fazendas e davam os laudos para a gente. Aí, se houvesse a necessidade de prorrogação, nós chamávamos o pessoal, senão mandava um aviso para eles virem pagar e fazia esse acompanhamento. P/1 – E cobrar, é uma função difícil, né? R – [RISOS]. É, o banco mandava as cartas. Mas o foco era o pessoal. No dia de feira, muitas vezes, o menino do cadastro saía com as fichas, ele já preparava antecipadamente, saía com um monte de correspondência debaixo do braço e ia para o mercado para encontrar com o pessoal. Então, era uma coisa assim, direta, que funcionava assim. E a gente via a preocupação, o produtor tinha muita preocupação em quitar as suas dívidas, porque ele não queria ficar em débito com o Banco do Brasil, que para ele era o governo, né? Então, não havia má vontade da maioria, o que havia era dificuldade mesmo, né, quando ocorria. P/1 – E como a agência de Sumé era avaliada na região pela superintendência? R – É, veja só, a cidade via a agência, o banco, como um benefício, não era visto como uma instituição, assim, que estaria ali para auferir realmente lucro ou retirar riqueza da cidade, era o contrário, era visto como uma oportunidade de trazer recursos e benefícios para a comunidade. E a agência era pequena, primeiro ela foi um posto da agência de Monteiro e depois ganhou autonomia. Era uma agência pequena. Quando nós chegamos estava previsto ter 28 funcionários, só tinham 12, então, entraram cinco de uma vez só, foi para 17, mas, logo depois houve redução do quadro, por conta da informática, da informatização, e foram surgindo os computadores. Então, realmente foi diminuindo a necessidade de funcionários, mas era muita gente, e funcionava como uma repartição, vamos dizer assim. P/1 – E como é que se deu a sua transferência para Monteiro? R – Certo! É uma longa história, né? Primeiro, eu vou falar só, eu lembrei de um caso que não está ligado diretamente à agricultura, mas ao banco em Sumé, e tem, entraram. Como ele foi um concurso regional. R – É, primeiro, um caso lá de Sumé é que praticamente todos que entraram eram pessoas da cidade, então, eram conhecidas, como eu falei. Aí, uma vez surgiu um objetivo nosso, que era captar depósito a prazo, e foi passada a posição para os caixas, que eles deveriam propor aos clientes que iam fazer grandes retiradas, que fizessem uma aplicação, ou aqueles que tivessem dinheiro e tal, porque o banco estava captando. Isso, de uma forma muito rudimentar, né, que o banco estava entrando no mercado com maior agressividade, isso, no começo dos anos 1990. Aí, um colega lá no caixa foi pagar uma ordem a um senhor que estava recebendo dinheiro do sul do país, uma quantia significativa, algo em torno de uns 40, 50 mil reais. E o colega fez o que pediram foi falar: “Oh, senhor, vai tirar esse dinheiro, por que não faz uma aplicação? ”. E o senhor muito educado disse: “Não”. Que aquele dinheiro foi um filho que mandou para ele comprar uma casa: “Que o negócio já está realizado, só falta o pagamento”. Enfim, bem educadamente. Quando o meu colega deu as costas para ele, para ir lá pegar a autorização do supervisor, o cara comentou com um outro: “Esse filho de fulana ‘que ele conhecia o cara’ não era nada na vida, agora é do Banco do Brasil e quer mandar no meu dinheiro” [risos]. Então, essa relação que você tinha com a cidade, tinham esses transtornos, né? Essas coisas são engraçadas. Aí, o outro colega ouviu, e quando ele voltou, ele contou para nós [risos]. Mas para Monteiro, foi o seguinte: eu em Sumé passei nove anos, eu era caixa, e a minha esposa caixa também. Então, nós estávamos até um pouco satisfeitos com a condição, os meus pais de lá e os pais dela também. Mas aí, começou a reduzir o quadro de funcionários e nós ficamos, a princípio, porque nós éramos dois. Então, eu comecei a me interessar, assim, eu já tinha um envolvimento grande com a agência, porque já faziam nove anos que eu estava lá, muita gente saía e você vai ficando, os mais antigos vão ficando como uma espécie de memória da agência. E teve um período que a agência estava deficitária, e o gerente se aposentou, e eu juntei o pessoal lá e nós fizemos um plano para a recuperação da agência, nós traçamos um plano. Isso de uma forma que nem existia esses planejamentos. Nós fizemos, e quando o superintendente foi lá, nós apresentamos o plano e pedimos que ele não nomeasse o gerente por um prazo de dois meses, 60 dias, que era o período para gente verificar se os ajustes tinham dado certo. Ele gostava de desafios e concordou. E de fato, ocorreu! Dois meses a agência deu lucro, melhorou e tal. Então, com uns três meses foi nomeado outro gerente, mas, eu acho que fiquei de uma certa forma lembrado, então, surgiu uma oportunidade de gerência média. Antes, foi necessária uma pessoa, porque Coremas é uma cidade pequena, era um posto. P/1 – Como é o nome? R – Coremas! Era um posto que só tinham três funcionários. Um estava de férias, e a gerente, ela tinha que fazer um MBA [Master in Business Administration], aí só tinha ficado um. O superintendente ligou para mim e perguntou se eu e a minha esposa, se a gente podia passar uns tempos lá, adidos, enquanto o outro voltava de férias, enfim, porque Sumé estava numa situação, comparativamente confortável. Aí, o gerente concordou, e eu meio a contragosto [RISOS] aceitei. Porque eu nunca tinha saído, estava praticamente parado em Sumé, então, fui, né? Mas aí, pronto! Eu gostei. P/1 – Vocês ficaram quanto tempo em Coremas? R – Eu passei dois meses, e minha esposa passou só um, porque quando o outro colega voltou, e a gente tinha uma menina, a minha primeira filha, era pequena, recém-nascida. Então, voltamos para Sumé, logo depois, surgiu uma oportunidade de gerência média em Campina Grande. O superintendente lembrou de mim, perguntou se eu topava e eu fui. Aí, eu fui para agência nível um, é uma agência que tinha passado por reformas, transformações de reduções de quadro, e uma agência com uma complexidade muito grande. Esse nível um, é justamente, porque era uma agência que mexia com praticamente todas as operações de câmbio, com empresas, indústrias, operações grandes. E eu fui assim mesmo, com a cara e a coragem. No início, eu tomava conta de várias equipes, foi um desafio e tanto! Cheguei meio desacreditado, as pessoas desconfiadas, um camarada do interior, um certo preconceito, mas aos poucos fui conquistando o pessoal, e fui aprendendo com eles, porque eu tinha que aprender com eles [RISOS]. E nós conseguimos reverter. Foi a agência que eu fiz grandes amizades, até hoje e, assim, é uma agência que eu chego lá, e sinto que sou de lá, é como se eu tivesse saído no dia anterior. Em Campina Grande eu fiquei quatro anos e meio, lembrando que quando eu saí de Sumé, já não existia crédito rural, agrícola. Em Campina Grande muito menos. Porque em Campina Grande, é como eu falei, uma agência com outro perfil, então, não tinha crédito rural. Então, em Campina eu continuei a estudar, aí eu voltei ao curso de História, e fiz. Aí, surgiu um programa de novos gestores, que o banco criou, um concurso, passei e fiz o treinamento em Brasília. Eu fiquei na bolsa de novos gestores. Mas, só abrindo um parêntese; em Sumé surgiu o Qualidade Total, cinco esses e tal, eu inseri, eu entrei de cabeça, que eu gosto muito dessas novidades. Então, quando eu cheguei em Campinas surgiu o Plano de Excelência e Competitividade, é o PEC, foi uma espécie de uma gincana entre as agências, cada uma escolhia um processo que queria melhorar, tinha um pé na Qualidade Total. Então, eu entrei também. A nossa equipe, ganhou lá na região, fomos para João Pessoa, disputamos e ficamos em segundo lugar no estado. Enfim, eu fui posteriormente, porque estava na bolsa de gerente, e fui nomeado para São João do Rio do Peixe. P/1 – Do Rio do Peixe? R – É, São João do Rio do Peixe. É uma cidade no extremo da Paraíba, quase divisa com o Ceará e Rio Grande do Norte. Então, foi a minha primeira administração, não é? P/1 – E como era essa agência? R – Quando eu cheguei lá, eu me surpreendi, porque era uma agência no alto sertão e para as pessoas eu era da Paraíba, e eu não sabia, o sertão é muito melhor do que o Cariri em termos de clima. Lá, é mais quente, mas chove mais. E São João do Rio do Peixe, particularmente faz parte de uma bacia do Rio do Peixe, que é um rio que é quase como um oásis, basta dizer, que tem um açude no município vizinho, que é Lagoa do Arroz, então, eles plantam arroz lá, então, realmente a água é uma coisa que até assusta, que naquele local, enfim, o crédito rural lá era intenso, [RISOS]. Então, nunca deixou de haver operações rurais, né? O Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar] já existia e, assim, eu fiquei estarrecido: “Como é que ainda se faz crédito rural aqui? ” Porque o resto da Paraíba, só duas agências tinham crédito rural, e mesmo assim, a outra em menor quantidade, e São João do Rio do Peixe era o forte. Eu disse: “Rapaz, o negócio aqui está fora do passo, né? ”. Aí, eu falei para o pessoal: “E aí, como é que a gente vai fazer? ”. Porque o crédito rural, ele demanda uma mão-de-obra muito grande, e nós estávamos sendo cobrados por outras demandas, não é? Na verdade, o crédito rural estava competindo: primeiro, conosco mesmo, porque nós não estávamos sendo vistos, e depois era uma coisa que tinham as prorrogações, tinha cobrança, gente na agência, além da conta. Agência pequena para outros serviços, então eu disse: “Está ruim! ”. Combinamos lá: “Rapaz, vamos desestimular? ” “Vamos! ”. Mas foi uma infeliz ideia, porque o pessoal lá tinha uma cultura forte, e quando eles perceberam que o gerente não estava falando a língua deles, vieram com toda a carga: “Oh, se não tiver aí, a gente vai fechar a agência, vai botar boi, vaca, trator” “Homem, não faça isso! ” [risos]. Então, terminamos. P/1 – Você mexeu em um vespeiro? R – É, eu disse: “Meu amigo, não dá não! Vamos por outro lado [risos]. Vamos trabalhar aqui o que for e tal, mas não dá para tirar isso aí, não! Que é uma questão cultural”. Agora, assim, a gente deu uma educada, a gente deu uma enxugada, eu disse: “Olha, vamos fazer a coisa, assim, com mais cautela, com mais responsabilidade, né, até com responsabilidade para o produtor. Porque a gente tem sempre que ter uma visão de que se a gente emprestar de forma errada, o primeiro mal que nós estamos fazendo é para o produtor, que ele não vai ter condição de pagar, vai ficar inadimplente, não vai poder fazer outras operações”. Então, a gente tinha essa visão, orientava o pessoal, visitava e então eu voltei ao crédito rural, que era o meu início do banco, antes que o banco como um todo voltasse, né, por uma decisão da comunidade [RISOS]. Mas, assim, São João é uma cidade que como todo sertão, o pessoal é muito receptivo, a gente tem um relacionamento muito bom, excelente. As pessoas são exigentes quando têm que ser exigentes, e conciliatórias quando a gente se depara com dificuldades, eles são compreensivos. Foi, assim, por ser a minha primeira. E os colegas que deram todo o apoio. A gente sempre passa por lá e pára na casa deles, almoça. E quando eu vou na cidade, também a cidade me recebe de braços abertos. Lá nós ajudamos a fundar o Clube dos Diretores e Lojistas, porque a cidade tem uma particularidade, ela fica à 18 quilômetros de Cajazeiras, que é uma cidade grande, com 70 mil habitantes ou mais, e que tem um comércio intenso, o comércio de Cajazeiras, ele é regional, vem gente do Ceará e de todo canto. Então, já existe um know-how do comércio de Cajazeiras muito grande, de promoções, de festas do ano, Semana Santa, aí, tem todo o know-how, né? Então, isso fazia com que ou faz que muitas pessoas de São João vão resolver suas coisas em Cajazeiras pela proximidade, inclusive desenvolveu lá o comércio de taxistas, eles já na minha época tinham em torno de 40 taxistas cadastrados para levar as pessoas de São João para Cajazeiras, cobravam uma passagem barata e o pessoal ia. Então, o pessoal ficava angustiado, principalmente os comerciantes [RISOS]. E procuravam culpar alguém, então, quando o banco tem algum problema nas máquinas e o dinheiro não saía, a culpa era do banco, que o banco não tinha dinheiro e que as pessoas iam fazer as compras em Cajazeiras. Tirava o dinheiro em Cajazeiras e aproveitava fazia as compras lá e tal. E eu vi que não era, o problema era geográfico, e de marketing. Aí, eu reuni com o pessoal na Câmara de Vereadores, alguns vereadores até nos acusavam, a gente ia para o rádio e eu fui para a Câmara dos Vereadores e disse: “Olhe pessoal, o problema é nosso, não é meu e nem de vocês, é nosso. E eu vou sair daqui uns tempos e o problema vai ficar, então, a gente tem que resolver isso”. Então eu fiz as minhas ponderações dentro da minha visão, porque eu estava chegando de fora: “O problema é geográfico, o problema é do marketing do comércio de Cajazeiras”. Eu digo: ”. Vocês têm promoção? Vocês dão brinde nesses eventos, como Natal? Vocês sorteiam bicicleta? O Bacalhau, quanto é que está custando o bacalhau aí? ”. Então, o pessoal percebeu isso, e aí surgiu a ideia de ir mais além, criar um Clube de Diretores e Lojistas. Eu participei da reunião, disse que o banco ia participar, porque ele estava no comércio, mas que era importante que eles levassem a diante. E isso foi feito na minha gestão, foi uma coisa, assim, marcante também. Tem também, a questão que nós fizemos operações para muitas outras coisas, como apicultura, granjas de galinhas, né? Lá, a atividade agrícola e pecuária é muito mais intensa do que aqui no Cariri. P/1 – Quer dizer, mais uma vez é um exemplo de inserção comunitária, essa presença do banco no dia-a-dia da comunidade, interferindo e contribuindo para a resolução dos problemas que vão acontecendo durante o processo, não é isso? R – Exatamente! E também essa história da visão ampla, você não pode chegar de cabeça baixa na agência, ficar preocupado com aquelas rotinas do dia-a-dia, aqueles problemas que existem e que você tem que resolver, obviamente aqueles produtos que você tem que vender também, porque atendem a uma estratégia maior do banco, mas você não pode abaixar a cabeça e não ver ao seu redor, né? P/1 – E daí, lá de Santo Antônio? R – São João do Rio do Peixe! P/1 – De São João do Rio do Peixe nós estamos caminhando para Monteiro? R – É! Bem, a minha situação em São João do Rio do Peixe é simples, ficou marcado, se saiu bem, ficou com uma boa visibilidade na superintendência, inclusive fui visitar vários superintendentes, e fiz a opção por Monteiro, porque ficava vizinho a Sumé, a cidade dos meus pais, dos pais da minha esposa, a minha mãe já está com mais de 80 anos. E Monteiro é uma cidade de porte maior, com desafios maiores. E é importante para você que já superou aqueles níveis de dificuldades, você fica com vontade de ter um nível de dificuldade maior, então, Monteiro é a cidade ideal. Enquanto muitos colegas pleiteavam Campina Grande, João Pessoa, os centros grandes ou então cidades no entorno, que possibilitasse que ele até morasse em Campina Grande ou os filhos estudassem. As minhas filhas ainda eram pequenas e eu disse: “Não, eu vou para Monteiro. É um passo de cada vez, né? ”. Então, eu vim para Monteiro e chegando aqui, eu cheguei praticamente junto com essa metodologia do DRS [Desenvolvimento Regional Sustentável]. P/1 – Como é que foi esse encontro? R – Olha, para ter uma ideia, o DRS foi estruturado em 2003, é para algumas agências dos estados com menor IDH [Índice de Desenvolvimento Humano], né? Que a Paraíba estava inserida. E nesses estados apenas algumas agências tiveram vários critérios: critério de influência na região, de IDH, vários critérios. Então, Monteiro foi escolhida, e eu estava em São João do Rio do Peixe. Então, a primeira coisa que tinha que ser feita era que o administrador fizesse o curso do DRS, então, o administrador daqui na época foi e fez. Quando eu cheguei aqui disseram: “Rapaz, o administrador novo não tem o curso do DRS”. Aí, eu falei: “Então, faz urgente! ”. Aí, só tinha na região norte, e eu fui para uma turma em Santarém. O primeiro contato com o DRS foi me mandar para Santarém, e eu não conhecia a região norte ainda. A primeira coisa quando a gente chega na região norte, primeiro você se assusta, porque o mar é a terra, e a terra é o mar, então, eu nunca tinha visto tanta água na vida, realmente é um choque. Água doce! Mas foi um curso muito bom, a minha instrutora foi a Eliane Mattioli, que depois assumiu vários direcionamentos do DRS. E eu voltei para Monteiro bem-disposto a executar a coisa. P/1 – O que mais te marcou nesse aprendizado, nesse curso em Santarém? E o que o DRS abriu na sua cabeça e que tenha, assim, te marcado mais? R – Olhe, é o que eu falei, o choque da região, né? Você não tem ideia! Eu acho que todo brasileiro deveria ir na região norte, a gente não tem ideia do que é, e das imensidões, a extensão... P/1 – Sim, mas eu digo também a respeito do conteúdo do curso? R – É a diversidade. Nós fizemos o curso em Santarém com toda essa característica e esse peso de visual da região norte. Mas tinha gente de Goiás, Paraíba, Pernambuco, Amapá, Pará, enfim, de vários estados do Brasil com experiências diferentes. Então, o que a gente viu? A gente viu ali a troca de experiências, e a gente viu que o DRS só poderia seguir um caminho, pelo respeito as diferenças, não é? É o entendimento que o diferente existe e sair daquela, do maniqueísmo, do se é melhor ou se é pior, então, entra o olhar do diferente, isso foi o que marcou. E a teoria em si, que é uma coisa muito bonita, é voltada não só para a economia, mas para o social, para o ambiental, que era uma coisa que apesar de eu ter tido um pouco de visão na especialização, era uma coisa que estava chegando, o cultural que permeia tudo, mas assim, essa preocupação ambiental apareceu de uma forma nítida pela primeira vez, porque a economia social, de uma certa forma, estava entrelaçada nesses programas e tudo mais que a gente via, vivenciava na nossa carreira, mas aí surgiu o ambiental, e esse respeito ao cultural, então, isso era o novo no discurso, né? E aqui em Monteiro a gente não teve dúvida de que a cadeia da caprinocultura era a mais organizada. P/1 – Como é que isso foi identificado, como é que você embarcou nesse projeto? R – É o seguinte: começou essa movimentação antes do DRS. Então, a prefeitura e o Sebrae [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas], eles, entre os outros órgãos, universidades, começaram um projeto, porque o Sebrae tem um escritório aqui em Monteiro, então, eles viram que a caprinocultura era uma atividade que vinha se mantendo sobre todas as dificuldades, tudo acabava, menos a caprinocultura. Existe um ditado aqui que diz: “Que quando a cabra ou o bode morre de fome, é porque os donos já morreram”. Porque ele é um animal que se virar sozinho. Então, as pessoas usavam a cabra como uma espécie de poupança, um investimentozinho que ele tinha ali para quando necessitasse, uma doença ou no fim do ano fazer uma roupa nova ou ter um dinheirinho para gastar. Aí, ele pegava uma cabra, ia no mato, tangia uma cabra e vendia, e tinha aquele dinheiro certo. E aquilo não dava muita manutenção, porque ele soltava elas no mato. A cabra também não era usada para leite, né, o leite de cabra não tinha valor comercial, só quem tomava leite de cabra eram aquelas pessoas que não podiam tomar o leite de vaca por conta de questões de alergia ou alguma dificuldade orgânica, aí, tomava leite de cabra. Como é que ele fazia? Ou ele comprava uma cabra ou, então, ele encomendava o leite. “Olhe, eu tenho um compadre, né? ” “Rapaz olhe, o leite de cabra, vê um leitinho de cabra para o meu menino e tal”. E era dado. Então, o leite servia somente para as crias do rebanho. E era muito pouco, porque houve uma modificação genética na cabra para ela se adaptar a esse clima seco, e a cabra digamos assim, essa cabra do chão, ela só dá em torno de meio litro por dia, então, a escala é praticamente inexistente. Mas aí, o Sebrae e a prefeitura se reuniram, isso aqui era uma fazenda da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], esse local que vivia abandonado, então a Embrapa fechou e ficou abandonado. Então fizeram um acordo, a prefeitura adquiriu e fundou a associação, a Emater abriu aqui, e foi se organizando. P/1 – Isso foi quando? R – Em 2000, 2001. Conseguiram recursos do Projeto Cooperar, para fazer a usina do leite. Quando a usina foi finalmente instalada, não houve condição de recolher leite de cabra para testar o equipamento, porque a quantidade era insuficiente, precisou testar com leite de vaca, para você ter uma ideia. A partir daí as dificuldades estavam imensas. Então, quando nós entramos, o DRS começou, tinha essa organização, mas tinham enormes obstáculos, então, a nossa parceria, nós entramos e financiamos cabras de raça. Para você ter uma ideia, a cabra normal valia entre R$50,00 e R$70,00 reais, e a cabra de raça valia em torno de 300 reais, então, nós selecionamos com o apoio de técnicos e tudo mais, e esse foi um ponto que o banco entrou. Mas, através da Fundação Banco do Brasil, nós removemos outros obstáculos como: um caminhão isotérmico para o transporte do leite, que antes era em uma caminhonete com gelo em cima, então, o alcance da distribuição era muito limitado. Esse caminhão isotérmico deu essa capacidade de atingir locais mais distantes. E os programas governamentais, tanto o Fome Zero do Governo Federal, como o Programa Leite da Paraíba do Governo Estadual, que se uniram, e possibilitaram o início e a permanência desse trabalho até que fosse inserido no mercado privado. Que ainda não foi totalmente, estamos a caminho, né? P/1 – Esse aprimoramento genético dos animais, como é que ele se deu? Essa importação de matrizes e de cabras de boa qualidade, foi inseminação? Como se deu isso, e quem pôde contratar esse tipo de operação? R – Olhe, é o seguinte: esse programa, é voltado para a agricultura familiar, para o pequeno produtor. Por quê? Porque ele só é viável se você não tiver grandes despesas. Então, você com a família, e se você próprio reservar algumas horas para cuidar das cabras e tirar o leite, você ganha dinheiro, mas se você for contratar pessoas, não dá! Então, foi por isso que muita gente com dinheiro tentou entrar e depois saiu, só ficaram os pequenos produtores. E aproveitando para não esquecer, uma coisa curiosa é a participação das mulheres nesse processo. Que como a cabra é um animal pequeno, de porte pequeno e relativamente dócil, o contrário da vaca, do gado, que é uma atividade aonde há um predomínio masculino. Então, as mulheres, elas puderam ter uma participação ativa no processo, eu arrisco dizer que quase todos os processos têm a mão de mulher, mas começou com 50 e poucos produtores, passou para 100, 140, e já têm 190. Desses números 15% dos associados são mulheres. Então, isso foi uma mudança, uma melhora na participação do gênero feminino na atividade produtiva. E a aquisição de matrizes de qualidade, mas não fica só nisso, né, teria que reproduzir, então, foram adquiridos bodes e, esses bodes, atuam em rodízio, passa um tempo com um produtor, depois com o outro e tal. Mas isso aí, não funcionava bem, então, a gente idealizou um bode móvel, que seria um equipamento de inseminação artificial. Eles botaram esse apelido de bode móvel, que seriam dois carros, um com equipamento e o outro com o pessoal que vai nas fazendas e fazem inseminação. Então, eles fazem a seleção de sémen, diversificado, porque o problema do bode é que se ele cruzar, se for só um bode, daqui a pouco tem problema genético, então, tem que trocar o bode, e não tem esse problema com o controle de uma inseminação artificial. Então, foi também conseguido com a Fundação Banco do Brasil, e a Emepa [Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba] que é quem controla essa parte. É um órgão do estado. P/1 – O que quer dizer Emepa? R – Empresa de Assistência, Extensão Territorial, alguma coisa assim. P/1 – Da Paraíba? R – É, da Paraíba. P/1 – Qual foi o resultado do ponto de vista da escala de produção, depois de toda essa intervenção? O que é aquele meio litro por animal, o que isso significou depois? R – É, hoje os animais que nós adquirimos, eles têm que estar num patamar de um litro e meio, a dois litros o dia. E a produção do município hoje, gira em torno de dois mil litros dia ou mais, geralmente mais, porque depende também da época do ano. Então, uma época tem mais pasto, e eles comem mais e produzem mais, mas assim, a média é de dois mil litros dia, é uma produção diária. P/1 – Quer dizer, já dá trabalho para a usina? R – É, ela já se mantém bem. É lógico que a capacidade dela é bem maior, né, mas, assim, ela se mantém bem. P/1 – E o que esse renascimento da ovinocaprinocultura significou para Monteiro? R – Olhe, essas cidades do interior do Nordeste, pequenas, e a Paraíba não é exceção, elas se baseiam basicamente na aposentadoria dos beneficiários do INSS [Instituto Nacional do Seguro Social] e do funcionalismo público. Porque, como eu já disse, a agricultura praticamente deixou de existir como atividade realmente econômica nos padrões de escala, e o que é que havia? O comércio girava em torno disso aí, aposentado do INSS, funcionário público. Então, essa estratégia fez com que fosse dado um novo horizonte, os próprios associados podem falar melhor, mas eles, por exemplo a associação, ela tem computadores, todos os associados têm contas, eles recebem através de contas, tem cartão de crédito. Não tem aquela história de ficar esperando o dinheiro da associação, da cooperativa. P/1 – Qual é o nome da associação mesmo? R – É AOCOOP [Associação de Ovinocaprinocultores do Cariri Ocidental da Paraíba]. Assim, eles ganharam crédito no comércio, passaram a ser disputados pelos comerciantes, passaram a ter autoestima. E do ponto de vista, uma coisa que a gente pudesse dizer que percebeu nas visitas, a gente vê que eles compraram moto para transportar o leite, antenas parabólicas. É, houve uma época que uma das exigências do programa do leite, foi que tivesse sala de ordenha, descobriram lá: “Olha, tem que ter sala de ordenha”. Que é o correto, né? E muitos não tinham, então, veio aquela coisa: “Oh, tem que fazer e tal”. Então, nós desenvolvemos uma sala de ordenha barata, que a cabra entra, ficam poucas lá dentro e já saem, mas tudo dentro dos padrões de higiene e tal. E quando nós fomos visitar um produtor, ele dizia com orgulho, que aquela sala de ordenha ele tinha feito com recursos dele, que o que ele produziu deu para ele construir aquela ordenha, ou seja, não foi ninguém que deu a ele, foi o produto, o trabalho dele que conquistou. Então, a gente vê essa autoestima nas pessoas. Fora que muitos desistiram de ir para outros centros como: São Paulo, Rio de Janeiro. Alguns filhos de agricultores que tinham ido para lá voltaram, porque aqui estava tendo essas condições. E a gente vê que para o pequeno produtor, para essa mão-de-obra familiar, são R$300,00 a R$ 400,00 reais a mais no final do mês, é um reforço no orçamento, que é bastante bem-vindo, né? P/1 – Eu vou de fazer uma pergunta óbvia, mas eu queria que você refletisse um pouco sobre ela, quer dizer, porque tem tudo a ver com isso que você está nos contando. Como é que você avalia o papel que o Banco do Brasil desempenha nessas comunidades locais com esse tipo de intervenção, o que isso significa? R – Significa que o Banco do Brasil, ele não pode estar como um estranho na comunidade, ele tem que estar ali fazendo parte dela, e vivendo as coisas boas e as dificuldades também, estar procurando soluções conjuntas, dentro daquela óptica do respeito ao diferente. Então, uma das coisas que eu achei interessante no DRS foi, assim, a quebra, um pouco daquela tradição de trazer a coisa pronta dos sábios lá de cima, de baixar os milagres dos santos, né? O cara lá descobre que um produto, como nós tivemos, dezenas de exemplos, nós tivemos o caso da algaroba, que a algaroba foi trazida para o nordeste como sendo a salvação, porque era rica em proteínas, porque não sei o que, porque era bom, porque realmente se adapta bem à seca, porque ela é da África. Só que é uma cultura predadora, quando ela chega acaba com as outras, e hoje está se tirando a algaroba. Então, essas coisas trazidas de fora sem você saber o que vai dar, e querer que as pessoas comprem aquela ideia na marra, nunca dão certo. O DRS, procura ir ao encontro das pessoas para ouvir: “O que você acha? O que você tem? Como é? O que eu posso ajudar você nisso aí? ”. Essa mudança de foco, eu acho que foi, assim, o diferencial do DRS, que me comprou. (troca de fita) P/1 – Você estava relatando os resultados do ponto de vista do desenvolvimento econômico, da criação de renda para os produtores, mas como é que isso reflete na cidade, no comércio da cidade, na vida da cidade, propriamente dito? R – É, houve o chamado círculo virtuoso, que à medida que os produtores tiveram mais recursos, eles passaram a consumir nas comunidades que são deles. Eles não vão consumir em outra cidade, houve o desenvolvimento de casas de materiais para a agricultura, de produtos agrícolas, pecuários, farmácias veterinárias, e os outros também, farmácias comuns, supermercados, postos de gasolina. Então, tudo isso recebeu o impacto disso aí, e próprio banco também se beneficiou com isso. O banco teve um aumento de contas, aumento de operações do Pronaf, operações com os próprios produtores, e também esses ganhos indiretos. É esse círculo virtuoso que faz com que a comunidade se retroalimente e supere os seus desafios. P/1 – Qual é o futuro da ovinocaprinocultura aqui em Monteiro? R – Eu acho que o futuro, o passo final, nós estamos aqui chegando ao final da cadeia, que tem o curtume, agora a instalação dele e quando tiver o elo do couro inserido, que hoje ainda é vendido à atravessadores, e aí, se desenvolva artesanatos. E mesmo a cultura do couro melhor trabalhado ou com algum valor agregado, então, isso fecharia o ciclo. E o importante é que ele seja incorporado definitivamente ao mercado privado para que dependa menos de programas governamentais, e aí, realmente ele ande com as suas próprias pernas definitivamente. P/1 – E existe uma chance objetiva para que isso ocorra? R – Existe, né? Existe. Hoje tem uma incubadora de negócios que o Sebrae organiza, que ele trabalha em duas frentes, tanto procurando tecnologias novas e desenvolvendo os novos produtos. Hoje já tem, é comum o leite in natura, o iogurte, o achocolatado, queijo, licor. Mas, assim, a busca de outros produtos, trabalhar marcas, embalagens, são coisas que quando a gente está aqui no local a gente não têm muita necessidade, mas quando a gente vai se inserir no mercado, vê que é preciso ter uma série de cuidados nesse aspecto. Então, assim, isso já está bem adiantado e como eu disse, já temos produtos vendidos em Campina Grande, João Pessoa, Recife. É entrar para depois ampliar os horizontes. P/1 – Esse cenário que você está descrevendo, especificamente em Monteiro, é uma coisa comum na região, nesse canto da Paraíba? Outras cidades, outras praças têm esse tipo de vocação para a ovinocaprinocultura? R – Têm! É como eu falei, na verdade nessa região, a atividade econômica vamos dizer, era a bovinocultura. Nós temos uma bacia de leite de vaca muito grande, não só de Monteiro, mas de Sumé, da região, dos municípios ao redor. E a caprinocultura era uma cultura acessória, era uma atividade acessória. O morador do sítio, eu não digo nem o fazendeiro, mas o morador, o sitiante, ele só contava as vacas, ele dizia sem nenhum embaraço que tinha quatro vaquinhas, mas não tinha coragem de dizer que tinha 50 cabeças de cabra, porque a cabra era uma atividade malvista, era uma coisa que não dava resultado, era só para preguiçoso e tal, então, tem até um apelido que era o vaqueiro de cabar, era um camarada que não queria nada e tal. Então, a cabra era aquela coisa da resistência. É por isso que eu acho que a cabra é o maior exemplo da resistência, né? Porque ela foi colocada num país estranho, numa região estranha, com um clima altamente desfavorável e o povo ainda com raiva dela! E ela se manteve, ela é realmente a resistência em pessoa. Então, isso favoreceu com o quê? Primeiro: tinha essa tradição do bovino e tinha a atração da cabra, faltava juntar isso em uma atividade que: primeiro, fosse viável sobre todos aqueles aspectos. Sobre o aspecto social que dessa autoestima, que motivasse as pessoas a fazerem aquilo, porque ela estava tendo o retorno e que também respeitasse o ambiente. A cabra, ela não causa maiores danos ao ambiente. A cabra solta ainda pode causar, por quê? Porque ela na busca de alimento, porque ela está coitada, se virando para comer, ela come casca de árvore. Então, se ela começar a comer muito o pé da árvore a árvore morre, mas essa do leite não tem esse problema, porque ela tem que ter um cuidado, um cativeiro, uma alimentação no tempo certo, balanceada e tal. E econômica, porque se a atividade não for econômica ficava naqueles velhos programas que via muito o lado social, mas não chegava à questão econômica, então, quando cessava a ajuda o programa morria. Essa caprinocultura, na verdade, ela já está aqui, o DRS está aqui em Monteiro, mas existe DRS de caprinocultura em Sumé e em outras cidades da vizinhança. E a própria dimensão extrapolou os limites do município. Por exemplo, hoje existe envio de leite para Campina Grande, para outra região, e tem que juntar leite de outras cidades, São Sebastião do Umbuzeiro, São João do Tigre. Isso aí é quando a coisa anda bem termina atraindo. E tem o detalhe da atração, que no início, poucos produtores quiseram entrar, e mesmo assim, muitos depois quiseram sair. Mas quando eles viram que o negócio era para valer, que aqueles produtores que entraram, todo final de mês estava recebendo o seu dinheirinho, eles começaram a procurar à associação. E, assim, uma coisa que nós fizemos lá no banco foi desenvolvemos junto com eles em assembleia e tal, foi fazer um fundo para pagar as operações, um fundo em leite, e a gente criou, aqui a moeda leite, leite de cabra, ou seja, o produtor se ele entregasse 10 litros, – eu estou chutando – se ele entregasse 10 litros, ficaria um litro para pagar a operação do banco. Então, o camarada lá, fazia a planilha: “Oh, ele entregou 10 litros, então, um vai para a operação”. Pagava os nove para ele e um deixava em uma poupança lá no Banco do Brasil, prestava conta e tal. Então, quando chegava o vencimento, o produtor não precisava mais desembolsar recursos, já tinha lá na poupança da associação. E isso foi uma coisa que a gente conseguiu conversando com eles e deu certo, sem problemas. P/1 – Quer dizer, criou-se um vínculo de confiança na relação entre os atores desse processo? R – Exatamente! E, assim, no início o pessoal tinha muita desconfiança, porque eles não tinham intimidade com essa tecnologia, tecnologias novas e tal. E teve uma figura do ADR [Agente de Desenvolvimento Rural], que foi fundamental, que é um técnico formado, ele é uma pessoa da comunidade da zona rural, que mora próximo aos produtores, então, cada ADR fica responsável por no máximo 20 produtores, ele tem uma moto e recebe a instrução, e ele é um camarada que vai verificar se os bichos estão com problemas, se o manuseio está correto, enfim, ele tem as visitas normais e tem as visitas extraordinárias. Existe um controle de qualidade quando o leite chega nas usinas, da densidade, se a densidade está correta, se tem microrganismos, patologia, se tem problemas químicos, todos os testes são feitos antes de misturar no tambor, um só. Aqueles que são recusados, por qualquer motivo, o ADR tem que ir lá e ver qual é o motivo, pode ser problema de saúde do animal. Se for coisa simples, ele mesmo orienta, trata, se for um caso mais complexo, ele manda para o veterinário. Então, ele funciona, na prática, como um médico de saúde da família do animal. E foi uma coisa que também foi idealizada aqui, hoje já se expandiu para o Brasil todo. Então, a Fundação Banco do Brasil é quem paga os salários, e o Sebrae é quem controla, administra. E, assim, ele ganha um salário mínimo, mas, na época eram R$100,00 reais para o custeio do combustível da moto. Foi uma ação realmente imprescindível. P/1 – E esse ADR é sempre alguém da comunidade? R – Alguém da comunidade. Ele é treinado, quando um não está podendo, sai! A gente treina outro, mas sempre alguém da comunidade, que esteja próximo, para diminuir a distância do atendimento P/2 – Ele é voluntário? Como é escolhido esse ADR? R – É, tem o treinamento. Aquelas pessoas que têm uma aptidão maior, a gente vê aquele camarada, geralmente pessoas mais jovens, entre 20 e 30 anos e que disponha de tempo. Então, é feito. Vários itens são abordados, tempo, pré-disposição, capacidade de aprendizagem, vários fatores, a gente escolhe entre os filhos dos produtores. P/1 – Com um quadro tão fascinante, interessante de trabalho, por que você saiu de Monteiro? R – É porque [risos]. Eu vou citar até Paulo Coelho aqui, e dizer que tudo acaba, até as coisas boas, né? No Banco do Brasil a gente tem o rodízio de gerência. Eu já estava há três anos em Monteiro, e já era velho. Três anos já é gerente velho, eu sabia que ia sair, isso aí seria uma questão de tempo, aí surgiu uma oportunidade na auditoria em Recife, que eu fiz uma seleção. Era uma coisa que eu também tenho um certo fascínio pela questão dos controles, um aprendizado em outra área do banco. Surgiu uma oportunidade, eu fiz a seleção, foi muito difícil, passei um dia inteiro de entrevista, o pessoal me revirou pelo avesso [risos]. E eu fui aprovado, eu quis ter essa experiência nova. E, também, a questão de que eu tinha dado essa contribuição ao banco durante19 anos, né, eu estou com 20 anos de banco, então, eu passei 19 anos no interior e minhas filhas cresceram, estavam precisando de um apoio educacional, é, outros olhares também. Eu fiz a análise e realmente me decidi por ir para Recife. Mas certo, sem nenhum sentimento de culpa, porque eu já ia sair de Monteiro mesmo. E também, porque, assim, a coisa estava andando com os seus próprios pés, e eu não me achava, nem me acho, que tenha sido o responsável particularmente por isso aqui. Se eu fiz muito [risos] foi entusiasmar as pessoas a produzir bons encontros, provocar bons encontros entre os parceiros. Às vezes um parceiro estava mais exaltado, eu tentava acalmar, às vezes irritado até com o banco, e a minha forma de reagir era conciliatória. Então, eu acho que isso aí é uma característica pessoal, e tudo bem, cada um tem um jeito, pode ser que eu tenha contribuído mais do que colega que está aí, mas eu digo, assim, pelo meu jeito de ser., mas o resto não foi eu, foi o Sebrae, foi a Emater, a prefeitura, o Cendov [Centro De Desenvolvimento Da Ovinocaprinocultura], que é uma autarquia da prefeitura, enfim, todos juntos, né, e o Banco do Brasil também. P/1 – Então, é uma confluência de interesses positivos, não é? R – Exatamente, exatamente! P/1 – E qual é a sua rotina de trabalho hoje? R – A minha rotina é o seguinte: a auditoria, ela está focada muito nos processos e nos riscos. Nos riscos que os processos podem causar, então, não está focada mais nessa ou naquela agência, ela vê o processo como um todo. Operação de crédito! Ela vê desde a agência, aliás, desde o cara que faz a norma lá em Brasília, passa pela agência, vai para a superintendência, enfim, aí, a gente: “Essa norma é adequada, ela é legal? Tem algum problema que precisa de ajuste? Tem algum passo que era para se dar e não está sendo? ”. Então, a nossa atuação é muito preventiva, isso, atendendo questões do Banco Central. E é um trabalho, empolgante, porque você faz um trabalho propondo melhorias para as pessoas, melhorias de trabalho. Quando a gente chega em um ambiente, seja agência, ou seja, aonde for, a gente está ali procurando identificar pontos que possam ser melhorados. E muitos deles não dependem da agência, dependem de outros fatores. É um momento de trocar experiências com colegas, de ouvi-los. Muitas vezes, o colega está lá no dia-a-dia com tanto sufoco que ele não tem a quem recorrer, tem que escutar que não dá tempo, então, nós temos essa função de padre, de psicólogo, de escutar o colega, as angústias dele e ver: “Será que eu posso ajudar em alguma coisa? ”. Então, é uma coisa que me empolga também. P/1 – Como é que você avalia, no sentido geral, esse papel que o banco desempenha no desenvolvimento do país? Quer dizer, a presença que ele vem marcando, o que ele vem estimulando, como é que você avalia? Com esses teus anos todos de banco em que você já viu bastante coisa? R – É, eu já vi, e li mais ainda. Porque eu fiz o Cordel sobre os 200 anos do Banco do Brasil e tive que me debruçar em uma literatura um pouco vasta, e vi as várias etapas que o banco passou. Desde um órgão meramente do Império, as crises terríveis, depois meramente mercantilista, depois novamente o governo, depois é associado com o banco da república se juntou novamente, enfim, na guerra a participação do banco na guerra é como agente de desenvolvimento, naquela ideia do desenvolvimentismo na metade do século XX. O banco é aquele instrumento de apoio ao país, eu vejo assim, não se pode, eu acho, falar do Brasil sem falar do Banco do Brasil, em termos de apoio, de implementação de ideias, que tentaram e conseguiram muitas coisas, e que o Brasil conseguisse chegar a esse nível de desenvolvimento, que bem ou mal, mas é um fato. O Banco do Brasil nunca esteve ausente, eu vejo mais uma vez isso, como o Banco do Brasil vai se fazendo presente na rotina e nas dificuldades, assim, que é do jeito que eu falei, que a agência tem que estar presente nas coisas boas e nas dificuldades de onde está localizado. O Banco do Brasil, como um todo, com relação ao país do mesmo jeito, a gente tem que estar em sintonia com essas questões. E o DRS veio preencher, de certa forma essa lacuna que o banco tinha, mas por um tempo, por sua restruturação, por novas exigências, e por novos cenários que aconteceram no mundo todo, teve que se reposicionar, mas aí, o banco disse: “Olha, tem que ter esse olhar social, não tem como pensar o Banco do Brasil sem esse olhar social”. Eu acho que o DRS cumpre esse papel. P/1 – Na verdade, o banco parece que agora tem mais capacidade de dar respostas efetivas às demandas, que não são necessariamente aquelas demandas de negócio apenas, são de desenvolvimento mesmo, né? R – Isso! Com o olhar do negócio inclusive. Porque se uma coisa é boa, mas não gera retorno para o produtor primeiramente, então, não é uma coisa boa. É como a música de Luiz Gonzaga: “Esmola vicia o cidadão ou mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Então, a esmola a gente já deu bastante e não surtiu efeito, é a velha situação bíblica de ensinar a pegar o peixe, a pescar. Eu acredito que o DRS passa por isso, qual é o foco na questão social, na ambiental, que é vamos dizer assim, imprescindível hoje. Não se faz nada hoje sem pensar no ambiente, não se vai financiar uma coisa que vá acabar com o ambiente. Mas, também, pensando no lado econômico, no retorno que vai ter para que aquela coisa vá adiante, para que não seja um dinheiro jogado fora, que quando acabar aquele apoio a atividade também se acabe. P/1 – Em uma palavra, tendo o horizonte da sustentabilidade, né? R – Exatamente! A sustentabilidade, eu acho que é a palavra mais cara das três. Porque o desenvolvimento é uma coisa desejada, é uma coisa que pela própria origem do termo supõe-se uma coisa que esteja envolvida, e a gente ajude a tirar o envolvimento, então, pressupõe uma coisa já existente. Quebra aquela ideia errada do desenvolvimento como: trazer uma fábrica, que ali a comunidade não está envolvida com aquela ideia, tem que ser uma coisa que esteja envolvida com a comunidade, e que a gente desenvolva [risos]. Traga às claras e ajude a funcionar, já a regional pressupõe, puxa aquela coisa da cultura, do respeito, da diversidade. Mas a sustentabilidade é fundamental, que seja utilizada, não somente por nós, por nossa geração, mas pelas gerações futuras, né? P/1 – De onde vem esse seu fascínio pelo Cordel, pela Literatura de Cordel, e como nasceu essa vocação de escrever Cordel? R – Na verdade, quando eu era adolescente eu comecei a escrever minhas poesias de escola. Aquelas coisas que a gente mostra para um colega, para o outro e tal, mas sem nenhuma pretensão. Mas, o Cordel ele tem muita música, é a música, é aquela coisa pontuada, porque o repentista tem aquela pontuação de cifras, de notas. E o meu pai tinha a mercearia, que quando eu era pequeno tinha os repentistas que iam para lá pedir emprestado o salão e tocavam lá, enchia de feirantes, e ficavam dando dinheiro e tal, e estirando aqueles versos e tal, e eu desde pequeno ficava escutando. Eu desconfio que isso, talvez tenha tido alguma interferência, eu não tenho certeza, mas assim, essa questão da métrica na hora que eu estou fazendo, eu acho que pode ter vindo daí, sabe? Mas assim, eu não fazia muita poesia, com essa preocupação, não é? Eram mais umas poesias de adolescente, de paquera, essas coisas todas. Mas sem muita preocupação em levar adiante tal coisa. Mas já a crônica não, desde pequeno os meus professores elogiavam as redações, diziam que eu tinha jeito e tal, e eu comecei a escrever para o jornal de Campina Grande, fazia sobre tudo, sobre cinema, sobre um livro que eu lia, enfim, o que eu quisesse, era tema livre. E quando eu vim para Monteiro, aqui é um celeiro de poetas, tem cantadores, tem o Pinto, que foi um dos maiores repentistas da região, e muitos músicos, tem Flávio José, que é um ex-colega do Banco do Brasil, que é um cantor de renome no Forró. A Banda Magníficos também teve grande repercussão, que é daqui de Monteiro, enfim, aqui no sábado à tarde você sai e vê as garagens são cheias de gente se aventurando com órgão, cantando e tal. Você vai assistir uma missa, o coro, o pessoal que canta lá, é de você sentir vergonha e diz: “Meu Deus do céu, onde é que eu estou metido”. Porque esse pessoal é bom, né? Como a oferta é grande, o pessoal tem como escolher. Vai para o colégio, a menina que canta é um negócio fantástico [risos]. Então, tem todo um ar artístico aqui em Monteiro e aconteceu uma coisa curiosa, quando eu cheguei aqui em Monteiro, eu vim para cidade que está na minha carteira de identidade, mas que eu não conhecia, porque eu sou de Sumé, da cidade vizinha, né? Toda a minha história, toda a minha relação é com Sumé, mas está lá, que eu sou daqui. E aí eu me preocupei em conhecer a cidade, até fiz uma brincadeira no Cordel, eu botei que eu me encontrei em Monteiro como se fosse a Esfinge no deserto, que tivesse dizendo para mim: “Decifra-me o eu te devoro”. Então, eu fiquei preocupado em conhecer um pouco a cidade, o passado que eu não tinha vivido, e eu fui para a biblioteca, aqui tem uma biblioteca boa, peguei os livros de autores de Monteiro, enfim, eu fui dando uma olhada, e me surgiu a ideia: “Eu poderia fazer um Cordel sobre esse meu olhar de chegada, como é que eu vi a cidade, né? ”. Tem uma história interessante aqui, que em 1911, teve um juiz de direito que se rebelou contra o governador do estado e decretou estado de sítio, prendeu o delegado, foi uma confusão! Terminou fugindo para o Juazeiro de Padre Cícero, que o Padre Cícero deu guarita a ele lá. E essa história é muito interessante, e terminou, eu já sabia. Mas aí eu comecei esse Cordel, porque um Cordel normalmente tem umas 30 e poucas estrofes, eu fiz umas 30 e poucas estrofes e levei para um autor de livros daqueles que eu li, que estava aqui em visita, e disse: “Eu vou levar e vou pedir para ele fazer a introdução, porque é uma pessoa daqui e tal, eu vou conversar com ele”. Quando ele leu [risos]. Essas 36 estrofes eu já tinha suado, né? Porque eu mexia, eu me considero, como o Bráulio Tavares diz: “Um repentista”. Eu fico repetindo aquelas rimas para dar certo. Diferente dos repentistas, que é na hora. Aí, o camarada quando leu, devolveu para mim, e disse: “Olha, a rima está boa. Agora, a história está ruim, em Monteiro tem muito mais do que isso”. Aí, foi uma facada, como se diz, porque eu já estava achando que já tinha me livrado daquele encargo, e ele disse: “Não, pode fazer mais! Pode fazer mais, isso aí está pouco”. E, realmente, ele tinha razão. Eu estava muito em cima da história do juiz, e eu procurei ler mais e ampliei, aí, ficou com 70 estrofes, que para mim era um marco que eu jamais iria bater. E fui mostrar para ele, ele gostou e tal, fez a introdução. Ótimo, a gente divulgou aqui na exposição, teve uma repercussão boa, interessante! P/1 – Sim, mas você fez um de 200 estrofes! R – Sim! [risos]. Eu comecei a escrever sobre a mercearia do meu pai, porque eu tinha esse projeto. Na verdade, eu tinha um projeto de escrever um livro sobre alguns personagens de Sumé que não são, assim, é aquilo que eles conversam lá em mesa, que o pessoal comenta em mesa de bar, que diz uma história, que diz outra história, e o pessoal me cobrava: “Rapaz, e o teu pai? Tu não vais falar, não? Que teu pai tem tantas histórias”. Aí, eu fiz em prosa, tanto o do meu pai como o de alguns outros. Mas, tinha aquela história de um camarada, que ele contava muito que foi pagar uma conta de um falecido, que o meu pai não conhecia o forasteiro, ele contava muito essa história. E eu achei que aquilo ali tinha muito a ver com a Literatura de Cordel. Tem um autor paraibano que é considerado um dos primeiros cordelistas a publicar, que é de mil oitocentos e alguma coisa, Leandro, eu me esqueci, é Leandro alguma coisa, é Leandro de Barros! Ele fez um livro, é o Cachorro dos Mortos, que o camarada matou um casal no sítio e o cachorro viu, e o cachorro só sossegou quando revelou a identidade do assassino, tem todo um viés sobrenatural. Aí, eu disse: “Se Leandro de Barros faz, por que eu não posso fazer? ”. [risos]. Aí, eu pensei: “Isso dá um Cordel”. Só que para falar meramente do caso em si eu teria que dar um contexto local, e para falar do local, tinha que falar da mercearia, então, eu disse: “Terminei! Eu disse: Rapaz, vai ser tudo aqui, né? ”. A partir daquele fato o Cordel cresceu para trás, para citar como era a mercearia, e também para adiante, depois e tal. Eu não quis exercer nenhum controle de números de estrofes, onde tinha que parar, parou. Porque eu queria narrar uma história, e deu 193 estrofes se não me engano. Foi um esforço grande, eu terminei meio exausto, que às vezes, sai a rima, estrofe, duas, três rápidos, às vezes, eu ficava enganchado numa palavra e não saía. E eu tenho a característica diferente um pouco do Cordel tradicional, porque como o Cordel tradicional é muito feito por repentista, a primeira e a terceira frase fica livre, que é para eles pensarem o que vai fechar, mas como eu não tenho o problema do tempo, todas elas estão com rima. Aí, quando eu terminei o: A Mercearia do Meu Pai, eu pensei: “Nunca mais eu vou fazer um negócio desse. Deus me livre, dá muito trabalho! ”. Aí, veio a história dos 200 anos do Banco do Brasil, eu disse: “Rapaz...” P/1 – E como é que nasceu essa ideia? R – Começou com comunicados internos que o banco, isso em 2007. Que o banco ia fazer muitos eventos em homenagem aos 200 anos e tal. E eu como amante da história, né, que eu gosto de história, fui me inteirar um pouco. Então, eu consegui, os cinco volumes da história do Banco do Brasil, que é de Cláudio Pacheco, e tem Afonso Arinos que participa do primeiro volume. São volumes grandes que eu tinha, mas nunca tinha coragem de enfrentar, eu digo: “Eu vou começar a ler”. Comecei! Aí, eu pensei: “Eu vou fazer um Cordel, né? Eu vou fazer um Cordel”. Porque sim, eu tinha feito um Cordel sobre o DRS, pequeno, com poucas estrofes, que, inclusive foi lido no encontro lá de Quixadá, que o Presidente Lula esteve. Numa feira lá, e eu fui convidado e terminei, me botaram nessa saia justa, que não tinha combinado, chega lá: “Oh, sobe no palanque e recita aí o teu Cordel”. Eu: “Mas não faça um negócio desse, não! ”. Mas já estava feito. Então, eu falava de DRS e de Pronaf também, tinha isso aí. Eu pensei e teve uma boa repercussão, eu disse: “Eu vou fazer a minha homenagem ao banco. O banco está completando 200 anos e eu 20 de banco, ou seja, 10%. [risos]. Essa é à minha maneira de homenagear o banco”. Aí, eu tive a ideia, mas quando eu vi o tamanho da empreitada, eu desisti! Isso foi, mais ou menos, em novembro, dezembro de 2007. Mas, eu ia tirar férias em janeiro, e eu disse: “Não, eu vou pensar só nas minhas férias, né? ”. Aí, quando cheguei nas férias, talvez por conta de estar com tempo livre, eu cometi a loucura de achar que podia ir e comecei! Aí, o início é muito legal, porque tinha aquele efeito visual da história de Dom João VI, do Dom Pedro I, o banco foi embora para Portugal, o banco quebrou, aquelas coisas engraçadas que a televisão mostrou muito, saíram publicações aí de todo jeito comemorando os 200 anos da chegada da família real, que coincide é lógico, com o Banco do Brasil. Então, eu comecei por aí, mas eu não tinha a pretensão de chegar em 200, a minha pretensão era uns 120, eu disse: “Não dá para contar em menos, mas uns 120 está bom”. Aí, fui, e fui e quando eu concluí eu fiz por etapas, porque não dava para marcar tudo de uma vez, então, eu disse: “Não, eu vou falar uma década, duas...”. Então, eu lia aquelas décadas, ia e anotava, e fazia os versos e voltava, então, isso durou, mais ou menos, de janeiro a março, final de março, começo de abril. Ele foi crescendo, e quando eu cheguei no final do último volume, descobri que o último volume era até a década de 50 e faltava desse pulo para cá. Eu fui pesquisar outras fontes, Internet, o próprio Banco do Brasil, biblioteca, encontrei o livro da fundação do Banco do Brasil, que tinha também sobre o Museu da Pessoa. Enfim, vários aspectos eu peguei, coletei e fui separando em épocas, eu disse: “Oh, isso aqui é ‘botava a fitinha lá’ isso aqui é dois mil a não sei quanto. Isso aqui é de 1900 a 1995”. E fui tentando, né? E aí, aconteceu uma coisa curiosa, eu estava no início com receio, a me deu a ideia: “Oh, se passar de 150 eu vou a 200”. Mas o receio no início, era de não chegar aos 200, mas aí, quando eu cheguei a 170, eu estava na década de 70, então, eu tive medo de passar, [risos]. Aí eu fiz o contrário, eu fiz de 200 para trás, eu digo: “Onde emendar, emenda. Aí, emenda, né? Porque tem que sair 200, né? ”. E eu estava também, fui pressionado, porque nós tivemos um encontro nacional de auditores em Brasília, em abril, eu queria levar a novidade, obviamente que o foco da discussão ia ser os 200 anos do banco e tal. Aí, eu corri, os colegas lá da auditoria ajudaram a gente de última hora, ia viajar no outro dia, pegar o avião, e a gente tirando xerox, cortando, fazendo os folhetos, porque nós fizemos tudo manual, só depois é que eu publiquei numa editora, enfim, corremos e levamos. Foi um sucesso, foi um sucesso! O próprio presidente do banco, lá, no palco recebeu um e leu alguns versos, todas as diretoras que estavam presentes procuraram a parte que lhes tocavam, diziam e tal. E a galera aplaudiu, ficou cobrando e eu tive que botar na Internet para atender à demanda, quer dizer, foi um retorno gratificante. Então, eu senti, assim, porque a minha parte, o meu presente foi dado, foi aberto [risos]. P/1 – Você é casado? R – Sou. P/1 – Como se chama a sua esposa? R – Fabia. P/1 – Tem filhos? R – Tenho duas filhas. P/1 – Que idades? R – É Hana e Lara, Hana está com 14, e Lara com 10. P/1 – E o que a sua esposa faz atualmente? R – É funcionária do banco, passou no concurso. Quando a gente estava namorando nós passamos, casamos no banco e continua até hoje. P/1 – Ela também foi para Recife? R – Foi. P/1 – Uma outra pergunta óbvia, mas um pouco provocando uma reflexão sua. O que significa para você trabalhar no banco ou o que significou esse tempo todo, o que representa para tua vida isso? R – Olhe, representa você estar de certa forma inserido na comunidade, significa você ter a oportunidade de conhecer várias culturas do Brasil e vivê-las, vivenciá-las, não é apenas passar, mas vivenciá-las, a oportunidade de crescimento pessoal, por exemplo o intelectual também. Se eu fizer, se der um olhar para mim antes do banco, mesmo eu já tendo deixado a universidade, o banco me deu horizontes, oportunidades, cursos, treinamentos, enfim, o próprio DRS, eu sou educador do DRS, e eu entrei, fui selecionado para ser educador e das primeiras turmas que disseminaram o DRS, eu praticamente viajei todas as regiões do Brasil, do Rio Grande do Sul, Paraná, fui várias vezes, Goiás, o Pará como eu já falei, Bahia, enfim, não fui mais porque o trabalho também não permitia, a gente tinha que fazer a agenda para ajustar, mas foi uma forma de interagir com culturas das mais diferentes. É muito interessante! Em Goiás, por exemplo, a gente viu ali, a miscigenação. Goiás é um estado feito quase por migrantes de outros estados, eu achei isso muito legal, tem gente de Pernambuco, da Bahia, de Tocantins, Mato Grosso, índios, negros, brancos, o pessoal que veio de Minas, grupos religiosos. Então, com essa diversidade você sente um pouco do que é o Brasil, quando você sai um pouco do seu casulo, vamos dizer assim, a gente está muito imersa na nossa cultura, às vezes nós nos pegamos até com algumas, é xenofobias, né, tolas. E quando a gente conhece o outro, o diferente, a gente é bem recebida, e a gente consegue transmitir um pouco da nossa vivência, da nossa cultura, eu acho, isso, troca de experiências, fantástico! P/1 – Você saberia enumerar uma grande lição que toda essa vivência no banco te deixou para o resto da vida? R – Eu acho que a disciplina é muito importante, não a disciplina vista como uma coisa injusta, punitiva, mas a disciplina de você analisar os cenários, de você, acatar certas determinações, você ser contra, mas aceitar a visão do outro, você tentar dialogar, essa questão da dialógica mesmo, né, de você perceber que o objetivo dali é maior que as diferenças internas. Então, isso eu aprendi muito no banco, no dia-a-dia, nas discussões, da gente estar sempre com o olhar diante daqueles problemas do dia-a-dia que os bancos têm e que todas empresas têm, e a própria vida têm, né? P/1 – Sonielson, o que lhe parece o fato do Banco do Brasil estar, também, comemorando os 200 anos, resgatando essa memória dele através desse projeto, o que isso significa para você? R – Significa essa resiliência do banco, também como um ente, um ser vivo. Então, é interessante a gente falar do banco, nós o banco e a comunidade fala do banco, como se fosse um ser vivo. E aí, a gente fala, o funcionário, você fala: ” O Banco do Brasil está completando 200 anos”. Então, enquanto ser vivo, o banco passou por dificuldades imensas e sempre ressurgiu, sempre encontrou saídas. Eu acho que isso é uma grande lição para todos nós, a questão de você, mesmo nos momentos de dificuldades, você encontrar saídas. O banco passou por vários momentos! Teve que implantar tecnologias novas, enfim, antigamente você chegava, ia trocar um cheque e tinha que receber uma senha, ficar esperando várias pessoas. Hoje em dia é tudo simplificado. Então, o banco passou por essas situações e se adaptou, procurou sempre inovar, sem deixar os seus princípios, sem passar por cima dos seus princípios, então, eu acho que esses 200 anos do Banco do Brasil é muito isso, só existem cinco empresas no mundo que chegaram à essa marca, e o Banco do Brasil chegou, por ser o Banco do Brasil de cada momento, não é o banco, assim, único em toda a vida, mas em cada momento, ele foi o banco que a sociedade esperava que ele fosse. Então, eu acho que isso é o que vai garantir a sua sustentabilidade, até quando ele tiver esse foco, de que ele representa aquilo que a população deseja de um banco, ele vai permanecer. P/1 – Tem alguma coisa que você gostaria de ter dito e que a gente não te perguntou? R – Olha, eu creio que é difícil eu me lembrar. Eu acho que nós abordamos muita coisa, né? É, eu acho que é isso. P/1 – E o que você achou de ter participado desse depoimento? R – Olhe, em primeiro lugar: orgulho, né? Orgulho e reconhecimento, é aquela coisa da garrafa do naufrago, que você joga e ela está retornando com o navio atrás. [risos]. Então, não foi em vão, é porque eu sou muito de não esperar retorno, até, para não me decepcionar com as pessoas. Fiz esse Cordel, se as pessoas tiverem gostado, bem! Se não tivessem gostado eu não ia ficar com raiva, e nem ia deixar de fazer outra coisa que eu estava pensando em fazer. O DRS, da mesma forma, por onde eu andei, onde eu ando as pessoas lembram de alguma coisa que eu fiz ou que eu ajudei, enfim, eu acho que a gente tem que fazer as coisas, que ache que devam ser feitas, com simplicidade, e não esperar, o retorno logo, antes, mas quando ele vem, é bem-vindo. Então, o fato de eu estar inserido nesse Museu da Pessoa e, ainda mais, representando a caatinga, da qual eu sou filho, nasci aqui mesmo, é um motivo de orgulho, é um motivo dessa visão do banco, aceitar essa visão do banco da diversidade, estar com o olhar em todos os biomas, em toda geografia humana do país. Eu fiquei muito feliz quando recebi o primeiro contato, e até agora, sem dúvida nenhuma. Eu não mediria esforço para participar. P/1 – A gente agradece bastante a sua conversa, as suas informações, e a sua memória, que foram muito úteis para nós. R – Obrigado! P/1 – Muito obrigado a você.
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