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História

O árduo e contínuo processo de se (re) conhecer

História de: Maria Anita Davies Costa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/02/2013

Sinopse

Anita cedeu seu depoimento para o museu em 2011. Vive em uma comunidade de remanescentes quilombolas e narra das histórias que o avô, o qual tem como pai, lhe contava na infância. Fala da vida na comunidade e de como descobriram recentemente que a região se tratava de uma terra onde existiu um quilombo, a partir do que se desenvolveu intenso interesse e intercâmbio com os quilombos vizinhos e no resgate da cultura.

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História completa

 Eu sou Maria Anita Davies Costa. Moro no Retiro da Ex-Colônia Velha, comunidade de remanescentes de quilombos. Sou do dia 01 de janeiro de 75.

 Eu conheci os meus avós, foram os meus pais que não conheci. Já faz trinta e seis anos que faleceram, e sendo assim fui criada por meu avô, que vai fazer um mês que faleceu. Eu fui criada por ele, ele é o pai que tenho. E ele contava muita história, que uma vó dele morava aqui em Cananéia – eu não sei contar direito - mas tinha alguma coisa, o avô dele era escravo e não sei por que ele fugiu daqui, fugiu de canoa por dentro da água e foi parar lá nas colônias. Daí lá ele formou uma barraquinha na cabaceira do rio e formou a família dele. Depois disto ele comprou um sítio mais para cima, onde a gente se criou. Viveu a vida toda ali. E a gente viveu lá durante muito tempo. Faz uns 15 anos que mudamos por causa das dificuldades, mas a gente cresceu lá trabalhando na roça. Por isso que eu não tenho muito estudo, morava num sítio muito distante, e por causa da dificuldade não fui para a escola, frequentei somente da primeira até a quinta série, depois não fui mais. Por causa da dificuldade, e não por falta de vontade. Lá no sítio se plantava arroz, feijão, criava porco, galinha... Vivia da roça, de subsistência mesmo! Às vezes ele me fazia trabalhar fora, mas era só para complementar porque a maior parte da alimentação saía do próprio sítio onde a gente convivia.

Nessa região em que meu avô se estabeleceu, eu não sei se já morava alguém. Eu sei que ele fugiu, se escondeu, e formou a família por lá. Foi subindo para a parte de cima. Subiu mais um pouquinho e parou onde meu avô morava, que eu chamo de meu pai, mas é onde meu avô morava. Porque a gente morou lá, a gente conviveu lá.

Meu avô contava muitas histórias... Contava que o pai dele era um homem muito honesto, muito trabalhador e sincero, que sempre ensinou a levar as coisas assim com honestidade, tudo que for fazer faça com muita honestidade, não fazer nada de qualquer jeito! Meu pai nunca gostou de fazer as coisas de qualquer jeito. Uma coisa ele ensinou para os filhos dele, para mim, para todos nós: “Façam as coisas sérias, não vão levar as coisas nada na brincadeira! Porque ó: se eu vou fazer o serviço na roça, faça direitinho, para não ter que ir lá e corrigir de novo!”. Aí ele contava que o trabalho era pesado. Só que tinha muita fartura nesse tempo. Tinha um lado que era o da pobreza, de falta de alguma coisa, por exemplo: roupa, calçado, mas a alimentação era muito rica! A pessoa não ficava comendo essas coisas de mercado, cheia de agrotóxico, era tudo natural, tudo sem nenhum tipo de contaminação!

Minha avó também... Ela está com 88 anos, vivia lá também, trabalhava na roça, toda a vida foi muito companheira. Nós íamos para roça, ajudávamos a carpir, a colher e a plantar... Não tinha muito de ficar naquela... A gente morava em sítio, não tinha luz, não tinha água encanada, então... E eu às vezes ficava em casa, eu tinha que buscar lenha, lavar roupa no rio, buscar água, fazer comida... Para que quando ela chegasse já estivesse tudo pronto...

A casa era uma casa de pau a pique e terra, chão batido. Aí dividia os cômodos. Não havia fogão a gás. Era fogão à lenha. E não tinha luz elétrica. Mas a vida era muito boa, todo mundo vivia muito feliz! Morávamos em cinco, meu avô, minha avó, meus dois tios e eu. Eu era a mais nova.

A casa ficava na Ex-Colônia, segundo o que ele falou era uma colônia de ingleses. Daí eu não sei se eles chegaram primeiro, ou se os negros chegaram primeiro ou se chegaram depois. Porque eles falam muito: “Ah, aquele lugar, aquela estrada ali foi feita no tempo da escravatura”. Aí perguntava: “Por que na escravatura?”. “Ah, foi feita a braço”... “Ah, não sei quem colocava as pessoas para fazer e ficava sentado lá: vai logo, anda logo, não tem nada que ficar fazendo corpo mole para trabalhar! Tem que: Faça sol, faça chuva, tinha que trabalhar sem parar mesmo”. Então ele ainda pegou um pouquinho desse tempo dos escravos. As pessoas eram muito rígidas no serviço!

A região era toda de pequenos sítios de sitiantes. E o fazendeiro foi comprando pedaço por pedaço. Por causa das dificuldades, alguns abandonaram as casas, e muita coisa ficou para a fazenda... O acesso era difícil, a comunicação, estrada ruim... Muito... Hoje a gente mora numa vizinhança perto, antes a gente morava longe um do outro. Dois, três quilômetros para se chegar de uma casa para a outra. Então, tudo era difícil. E o dia-a-dia era mais com a família mesmo, porque dava mais ou menos uns quatro, cinco quilômetros de caminho, daquelas trilhas para você chegar... Por exemplo: eu saía seis horas pra chegar oito e meia na escola, só pela trilha.

Eu cresci na região, não sei quem foi o primeiro a chegar ali. Quando eu era pequena tinha os meus tios que foram casando e foram ficando ali mesmo. Porque os meus tios, por incrível que pareça, eram todos casados com primos! Não era aquela família bem distante! A minha mãe era casada com primo. Meus outros tios eram casados todos com primos! Que já moravam todos mais próximos por ali também. Eram todos próximos e foi crescendo a família e a origem do sobrenome é o mesmo. Por exemplo: eu tenho Costa, os deles não, já pegava o mesmo sobrenome... Mudava pouca coisa. O Davies era do meu pai, mas o meu avô... A minha avó é irmã do meu avô. A minha avó era irmã do meu avô. Que eram cunhados também. Era tudo uma família! Não mudava muito.

A gente morava num lugar bem distante! Era difícil sair de lá, não saíamos muito de casa. Havia aquela rotina de ficar ali mesmo porque se viesse do sítio para Cananéia teria de vir a pé! E são 24 quilômetros, tinha de sair cedo e voltar tarde! Então a gente vivia mais em casa, saía muito pouco... Quando saíamos era no dia de domingo quando íamos à igreja, mas sem demora. Antes meu pai era católico, neste tempo eu devia ter uns quatro anos, não lembro muito, mas aí eles iam a baile, saíam mais... Depois quando eu era maior já não lembro mais. Ele se tornou evangélico, daí ficava mais em casa: de casa para roça, de roça para casa... Não era que nem hoje: as crianças saem... Nós não saíamos de casa assim: “Ah, vai ficar com o tio lá uma semana” - não ia! Éramos aquelas crianças caseiras, que não saíam. E hoje os meus filhos saem, desde pequenininhos, ficam semanas com os tios, não ligo! E eu não saía. Mudou muito! Quando saí de casa já tinha 16 anos...

A gente descobriu que a Ex- Colônia era um quilombo hoje, agora, há quatro anos. Antes a gente não sabia que era remanescente de quilombo. A gente não tinha essa consciência... “Ai, é negro porque é negro. É a cor da pessoa, a origem da pessoa”. A gente sempre viveu lá, mas nunca teve esse conhecimento, nunca ninguém foi lá e falou: “Ah, vocês têm origem, vocês são...” Aí um dia foi uma pessoa lá, quis nos falar sobre este conhecimento, mas ninguém deu valor... Veio a turma do MOAB (Movimento de Atingidos por Barragem), e do EAACONE (Equipe de Articulação e Assessoria das Comunidades Negras). Eles tentaram fazer uma reunião, as pessoas foram, mas não entenderam nada! Ninguém entendeu nada. E ficou por isso mesmo! Eu lembro que chegou o Carlos Caetano, Carlos do Eldorado e foi falar que os negros... Como é que viviam, o que faziam... Aí cada um contou sua história... Como é que dividia o sítio, pra mostrar a divisão... E ia lá, cortava um pau, plantava uma madeira de lei lá: “Aqui é minha divisa, ali é divisa do meu compadre, ali é divisa do outro compadre...” E ninguém deu valor, ninguém se interessou. E o tempo foi passando, né?! Teve alguém que chegou e mostrou, mas ninguém se interessou!

Na ocasião, o Carlos Caetano queria que as pessoas entendessem que eram remanescentes de quilombo e que tinham direito à terra de volta. Para se reconhecer como remanescentes. Mas as pessoas não aceitavam: “Ah, eu sou preta, mas não sou negra. Eu sou preta, mas não aceito que me chamem de negro, você está me discriminando”. Então foi muito difícil no começo alguns aceitarem...

A gente se reuniu na igreja. E aí cada um contou sua história, fizeram uma rodada, todo mundo se apresentou, todo mundo contou... Só que contou e ficou naquilo, as pessoas acharam que iam marcar outra reunião, mas ninguém voltou, ninguém se interessou... Era da cabeça do povo: “Ah, isso é modo de ganhar dinheiro. Isso aí é querer ganhar dinheiro nas nossas costas." Porque comunidade pequena tem o povo todo desentendido, sabe? Não entendem as coisas. E disso passou um bom tempo!

Há uns quatro, cinco anos, uma pessoa chegou e falou: “Por que você não vai falar com o padre João? Ele pode dar uma força para vocês, pode retomar as terras de vocês. É uma coisa boa vocês se reconhecerem como quilombo!” Aí eu vim, convidei duas primas, um tio, e viemos aqui falar com o padre. “Ah, fala com o padre João, que era o padre da época, que ele vai dar uma força para vocês”. Eu tomei atitude, convidei as pessoas: “Vamos lá?!”. “Então vamos, né?”. E já conheci o Mandira. “Vamos lá!”. Aí viemos aqui e conversamos com ele, que marcou uma reunião lá na minha casa... Daí eu convidei as pessoas, nos reunimos, foram, tiraram fotos... Perguntou o que é que era um quilombo e ninguém sabia explicar o que era! Ninguém conhecia o que é que era um quilombo! Na ocasião eu sabia porque eu já participava dessas reuniões do EAACONE, então eu já escutava muito falar o que era um quilombo... Dos mais velhos ninguém sabia! Daí falou: “Não, é isso mesmo! Como você sabe?”. Eu falei: “Ah, eu participo de várias reuniões, já faz um tempo, de reunião em reunião eu sei de ouvir falar”.

Marcamos uma, marcamos duas... Daí eu falei: “Agora não é minha parte, agora vou passar para irmã Ângela, para advogada, ver se marca uma reunião com o povo, com o pessoal daqui, para ela vir e explicar a vocês como são as coisas”. Marquei uma reunião com a advogada, só que a nossa comunidade estava dividida. Por causa da falta de recurso, de trabalho, as pessoas foram embora para a cidade, abandonaram a cidade e o sítio, foram embora. Então tem muita gente em Jacupiranga, em Cajati. Em cada lugar tem um pouquinho da nossa comunidade! Está um pedacinho! Eu consegui localizar todo mundo, marcar com todo mundo! Teve mais ou menos umas quarenta pessoas na reunião. A advogada veio e explicou tudo direitinho, e marcou a próxima! Reunimos todo mundo de novo, marcou mais uma! Falei: “Agora nós temos que montar uma associação”. Ela foi e explicou tudo direitinho o que é que era uma associação. Foi na primeira e na segunda reunião que ela foi para falar o que era uma associação, e marcou uma terceira e quarta para fazer uma chapa de associação. Daí nós falamos: “Não. Nós queremos montar a associação hoje!”. Ela falou: “Mas vocês estão preparados?”. Falei: “Estamos! Nós já estamos preparados para montar uma associação”. Foi muito rápido, nós nos organizamos muito rápido. Quando ela chegou para falar o que era uma associação nós já estávamos com as pessoas formadas para montá-la: quem era presidente, quem era secretário, quem era tesoureiro, nós já estávamos com tudo pronto! Ela falou: “Vocês já vão fazer?”. Falei: “Vamos!”. Daí dividimos os cargos tudo certinho. Criamos a Associação Retiro Ex-Colônia Velha, dos remanescentes de quilombos Retiro Ex-Colônia Velha. Já estou há quatro na presidência, e já estamos atrasados porque já era para nós termos feito outra reunião para arrumar outro presidente...

Entender que eu era remanescente de quilombo aconteceu depois que eu falei com o padre em nossa primeira reunião. Padre João já faleceu. Eu o conheci desde a minha infância! Ele era muito humilde, ajudava muito, tinha muito esse interesse pelo quadro social, de ir à comunidade, de falar... Ele não tinha isso: “Ah, você é evangélico então eu não vou lá”. Ele não tinha esse tipo de coisa. Ele ia lá, conversava, explicava, ajudava... Ele fazia tudo que podia fazer! Então ele deu essa maior força. Ele encaminhou tudo que nós tínhamos para a advogada, depois ela foi lá falar com a comunidade. Eu lembro que ele falou que era uma coisa que ele sabia há muito tempo, mas que não tinha como mexer. Que era do interesse nosso, então a gente que tinha que correr atrás. Mas como nós o estávamos procurando, então ele ia dar uma força. Isso faz quatro ou cinco anos...

Eu sempre tive acesso às outras comunidades quilombolas, mas não tinha interesse. Você conhecia, mas não entendia. Aí de repente, de uma conversa ou outra começou... Começou a surgir aquela luz, a brilhar... Aí começamos a correr atrás, a entender realmente o que é que era... Depois que eu conversei com meu vizinho, quando ele passou a contar que nas comunidades tem isso, tem aquilo, as pessoas ajudam por ser remanescente... Por que é que nós não corríamos atrás? Nós tínhamos o mesmo direito que os outros tinham! Fiquei olhando para a comunidade, olhando pelas cores, dos antepassados... E daí meu pai contava dos trabalhos que tinha, a convivência... Através da convivência, o porquê que casava primo com primo, porque é que as pessoas não saiam fora para casar, por exemplo, arrumar uma pessoa que não conheciam... Aí as peças foram se encaixando... “Ah, então...”. Porque fulano casou com primo... “Aí nós trabalhávamos isso, trabalhávamos de mutirão”... Que era uma coisa da cultura dos quilombos! “E por que é que vocês trabalhavam em mutirão?” Eles não sabiam também. Eles trabalhavam o dia todo no mutirão, de noite eles faziam o baile... E era a cultura dos quilombos, só que eles eram, mas não se reconheciam! Até mesmo depois da associação vir com todas as explicações, muitos não aceitavam dizer que eram negros. Até hoje ainda tem aquela rejeição! “Ah, eu sou moreno, mas negro eu não sou!”. Ninguém queria se aceitar. E hoje já está bem mais claro! Hoje todo mundo se aceita! Mas no começo era difícil.

Eu não participei dos mutirões, isso era da minha infância. O mutirão era, por exemplo, convidava o compadre, a comadre... Daí matava o porco, a galinha, juntava aquelas pessoas para fazer uma roça. Aí essa semana já ia lá ao outro compadre: “Ah, hoje nós vamos fazer a roça do compadre”. Juntava as mesmas pessoas, fazia a roça, e de noite fazia o baile... E assim uma pessoa ia ajudando o outro no trabalho... Dava doze pessoas, quantas pessoas tinham... Ia lá, fazia a roça, se fosse para colher, colhia, se fosse para plantar, plantava, trabalhava o dia inteiro no pesado e de noite estava na maior animação para fazer o baile e para comemorar o dia de serviço! E assim eles iam fazendo até terminar o serviço! E tinha a dança, acho que dançava o fandango. O antigo fandango que eles dançavam. De lampião à vela.

Outra coisa que era típica de quilombo era, por exemplo, o fogão à lenha. Geralmente quem mora no sítio tem fogão à lenha. “Ah, vou matar uma galinha caipira, mas eu quero é que cozinhe no fogão à lenha, não quero que cozinhe na panela de pressão. Eu quero ela cozida ali!”.

A população diminuiu bastante da região. Hoje, a maior parte dos quilombos, que eram das famílias, está tudo dentro de uma fazenda! Alguns venderam suas terras, por um valor menor, por qualquer preço... Não vendia no preço justo. A fazenda foi comprando, foi grilando um pedaço... Isso é a história que a gente escuta. E também muitos diziam: “Ah, meus filhos estão crescendo, aqui está dificultoso, eu não quero que meus filhos sofram como eu, vou para a cidade porque dão um serviço melhor, dão estudo melhor para os meus filhos...” E assim foram abandonando, ficaram poucas pessoas na comunidade! Também porque estudava de primeira a quarta e não estudava mais... E a minha família continua lutando! Continua teimando, teimando... “Ficar aqui porque aqui é meu, se eu for para a cidade vai ficar pior!”

Eu tenho amigos vivendo na cidade, alguns estão bem e outros vendem o almoço para comer na janta, e assim vão indo... Porque eles acham que melhorou, mas em outras coisas não melhorou em nada! Quando eles vêm ao sítio eles querem trazer a galinha caipirinha, a verdura, querem trazer tudo... Então... Que nem, eu não gosto de sair do sítio para ir pra cidade... Eu não troco o sítio pela cidade. Eu já morei em Cananéia. Morei dois anos aqui. Depois eu retornei para a casa do meu avô e não saí mais, depois casei... Mas na época eu era solteira e vim para trabalhar de doméstica. Naquele tempo foi bom ter vindo, porque era sozinha, porque não tinha nada. Aqui eu trabalhava, tinha meu dinheiro... Mas era só para mim! Mas hoje eu não venho para a cidade! No sítio eu não pago água, só pago a luz. Eu faço um cálculo, por exemplo: na cidade, se eu quiser a banana, no sítio eu não compro; se eu quiser limão, no sítio eu não compro. A minha despesa é menor, se eu estiver na cidade vou gastar muito mais! E no sítio eu tenho outra qualidade de vida que não teria na cidade. A minha qualidade de vida no sítio é muito boa!  

Onde nós moramos não é reserva e no lugar que estou não tem essa discussão de preservação do meio ambiente, nem tivemos pressão de ambientalistas nem nada. Dentro do núcleo devem ter umas doze famílias. Nos organizamos à nossa maneira, mas não temos mais mutirões, não tem mais nada disso. Isso é coisa do passado, hoje os que estão vivos já não trabalham mais. Os que estão dentro da comunidade são todos empregados em fazendas, então não tem, não existe mais! Foi a cultura que se perdeu! Mas a comunidade está melhorando, por exemplo, eu morava numa casa de pau à pique, sem luz elétrica, hoje a gente mora numa casa de alvenaria com luz elétrica... Tem todo conforto que tem numa casa da cidade... O lugar ainda é de difícil acesso, mas hoje você tem telefone para comunicação. Antes não tinha. O telefone já tem uns quatro anos que a gente conseguiu colocar lá. Não é um telefone fixo, mas é um celular com antena, então todo mundo se comunica a hora que quer, aonde quer.

O estado e a prefeitura nunca aparecem! Infelizmente não! Não é uma coisa que a gente pode dizer: “A gente tem apoio daquilo, apoio...”. É bem precário. Quando aparece é para pedir voto. E imposto já faz um tempo que a gente não paga. Antigamente vinha um documento do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para pagar, e de um tempo para cá não veio mais. Era um documento das terras.

Nós trocamos uma parte do terreno lá do alto por um terreno mais para baixo porque o lugar que a gente ia era só por trilha, e o lugar que a gente mora agora chega o carro na porta. Antes a gente fazia uma compra e tinha que carregar nas costas. Subir no morro... Então era bem dificultoso!

Nossa organização começou com o convite da EAACONE que trabalha diretamente com quilombos. Depois eu falei com um parente aqui, ele foi convidando o outro, um foi convidando o outro, eles conseguiram um ônibus e vieram para a comunidade. E permanecem até hoje. Tem um ônibus e pessoas de Jacupiranga que são da comunidade. E que é da nossa associação, lá das Colônias Velhas e que participam com a gente. Hoje a disputa já está bem avançada porque a gente conseguiu ajuda da Petrobrás, estamos construindo uma sede própria... A Fundação Cultural Palmares doou oito máquinas industriais de corte e costura para a comunidade, para as mulheres trabalharem na ex-Colônia. E isso foi no primeiro momento! No primeiro ano de associação a gente já ganhou essas máquinas. Elas estão um pouco paradas porque não temos uma sede própria... Então leva para lá, leva para cá... Então não estamos trabalhando dentro do projeto, fizemos algumas peças, tivemos dificuldade para vender, mas nós continuamos tentando... Estamos parados tentando ver se construímos essa sede o mais rápido possível para levar as máquinas para lá num lugar nosso, onde possamos deixar todos os materiais e as máquinas. Porque as máquinas estão na igreja da comunidade, o material está na minha casa, aí eu vou para lá e esqueço: “Ah, hoje eu levei a linha, esqueci a tesoura, ah, tem que ir lá buscar!”. E é um tempo que a gente perde! E temos dificuldades com a falta de professoras para ensinar, a gente fez uma parceria com a prefeitura, dentro do projeto e foi um pouco precário! Aprendemos algumas coisas, mas foi bem precário.

Nossa proposta era fazer alguma coisa para ter uma renda própria para comunidade, principalmente para as mulheres da comunidade porque hoje em dia elas não têm um salário. E todas têm os filhos e querem ajudar o marido, mas não tem muita coisa para se fazer! Daí vai para o bananal carpir: mil pés de banana por sessenta reais? Se mata o mês inteiro para tirar cem reais?! Pensamos então numa geração de renda para as mulheres, dentro da comunidade e que não fosse um negócio tão... Criamos um trabalho coletivo com as mulheres dentro da comunidade. Produzimos algumas peças para vender. Então a peça é do grupo, cada um fez um pouco, não é meu, é do grupo! Assim que a pessoa conseguir vender, você reparte 20% para associação, 20% para o fundo, e o resto divide o lucro entre o grupo de mulheres.

Já os homens não participam disso. Eles trabalham em fazendas. Hoje eles trabalham em fazendas. A gente mora num lugar próprio, mas é muito pouca coisa que produzimos para nós. A gente tem horta, mas nem todo mundo da comunidade tem. Nem todos os associados têm. Eu tenho uma horta comunitária com a minha vizinha. No tempo em que tinha a feirinha a gente vendia e dividia o lucro... Feirinha que acabou por falta de condução.

Todo sábado você acordava às quatro da manhã, preparava as coisas, já deixava tudo preparado na sexta-feira. Tinha um caminhão que passava às cinco da manhã, trazia todo mundo para a feirinha, aqui na Praça do Rocio. Chegávamos aqui e montávamos as barracas, vendíamos os produtos até uma hora, duas horas, e íamos embora. Chegava no final da tarde todo mundo tinha seu dinheirinho. Todo final de semana as pessoas que faziam a feira tinham o seu dinheirinho e já era uma renda a mais que entrava em casa. Aí no próximo sábado vínhamos de novo! E era uma experiência boa. Daí você se animava em plantar verdura! Tudo que você tinha você trazia e vendia! Era cansativo, mas era gostoso! E a condução era da prefeitura. Daí conforme foi mudando, que trocou de prefeito, cortaram! A feirinha existe até hoje, quem tem condução vem até hoje, quem não tem não vem. Mas era uma coisa boa!

Hoje eu levanto, vou lavar roupa, cuidar da horta... A gente não desanima da horta! A gente está sempre lá cuidando, plantando, com a esperança de um dia a feira voltar e você já ter um produto pronto para você vender na feirinha... Mas voltando, eu tenho que acordar às cinco da manhã, levar minha filha no ponto para pegar o ônibus seis horas, aí eu volto para casa, tomo café, vou para a horta, faço algumas coisas, às vezes vou para o pasto catar esterco, para a horta nunca acabar. E depois eu faço o serviço da casa. Às vezes vou de manhã ou vou à tarde depois do almoço, e sempre vou catar esterco para horta não acabar!

O que sobra da horta a gente come, ou às vezes deixa, só trata, cuida e deixa lá. Se tem bastante você não consegue comer tudo aquilo e fica. Se alguém passar: “Ah, tem isso? Arruma uma para mim?” “Arrumo!” Se não fica lá para... Como diz a minha vizinha: “Para enfeitar o morro”. Porque a gente sabe que não tem mercado, não vende, não tem como você se prevenir... A gente sempre cultiva para não deixar faltar. Já nos acostumamos a ter aquela verdura, então... Nós fazíamos doces de banana também. Como eu fazia feira, fazia também doce de banana para vender. Como acabou a feira, nunca mais fiz o doce também. E eu vendia bem na feira.

Com o nosso movimento crescendo, as famílias que estão fora terão interesse em voltar para a comunidade, para trabalhar em grupo, por exemplo: Fazer plantação, plantar para sobreviver da própria terra! Isso é uma coisa que o grupo quer: “E aí, vai sair a nossa terra? E aí? Tem alguma novidade?” O que está em jogo é a posse da terra. As pessoas perguntam: “E aí, e a nossa terra? Será que não vai dar nada? E aí, em que pé está?” Daí as pessoas ficam ligando e me cobrando: “E aí, viu alguma coisa? Tem alguma novidade?”. Falei: “Não, calma!”. Tem que ter paciência, que as coisas não acontecem da noite para o dia, é um processo bem demorado. Alguns desistiram, alguns desanimam... Desanima aquele, entra o outro com a esperança de que vai acontecer... E assim a gente vai indo... Achamos que as famílias vão voltar com a posse da terra, eles têm interesse: “Ah, eu vou criar isso. Eu vou criar aquilo. Eu vou fazer isso...” Cada um tem a sua ideia planejada já. “Um dia quando eu for dono da terra de novo...” Cada um já sabe o que quer, o que vai fazer, o que pretende fazer...  

E pra mim? Eu quero um pedaço maior perto de onde eu moro porque assim posso plantar mais coisas, produzir mais coisas... Eu estou bem na divisa com a fazenda. Daí eu falo: “Daí eu vou mudar minha cerca mais para lá, posso ficar com um pedaço maior, eu posso plantar isso, posso plantar aquilo, posso criar galinha, posso criar isso, posso criar aquilo...” Então cada um tem a sua ideia formada já. No meu terreno eu tenho de tudo um pouquinho. Tenho criação de galinha, tenho pequenos, muito pouca agro-floresta, mínima coisa... Na agro-floresta você planta de tudo, você planta banana se você quiser, planta juçara,  palmeira real, plantas frutíferas... Tudo uma perto da outra. Aí conforme vai o tempo da florada, umas caem e jogam uma folha, outras botam folha, outras não batem... Então cada um vai dar seu fruto no tempo certo, no tempo dele... Eu tenho, assim, tenho várias coisas todas plantadas. Mas é muito pouco! Então a esperança é um dia conseguir a terra para aumentar a produção.

Hoje não seguimos nenhuma tradição antiga, não tem mais. Antes tinham as danças deles, faziam os bailes... E hoje não tem mais. Meu avô que contava de mutirão, que eles andavam muito longe para fazer baile, para ir ao mutirão! Ele falava: “Vou fazer mutirão para fazer minha roça de arroz esse ano, já tô criando meu porco agora, já estou engordando para quando tiver o mutirão já tá no ponto” E ele chamava, convidava as pessoas para fazer o mutirão, depois para fazer o baile... Tudo planejado!

Eu saí do sítio por uma curiosidade, e depois pensei: “Não quero mais trabalhar, quero voltar para casa” e voltei! E aí casei... Com meu vizinho mesmo, morador do bairro... Quando eu o conheci eu já tava trabalhando aqui, daí eu voltei.  Eu o conheci no sítio onde eu morava! Ele trabalhava em fazenda e foi trabalhar num sítio perto de casa. Daí eu já conheci lá perto de casa, mas eu morava aqui. De repente eu voltei para lá e casei.  E depois vieram os filhos. Tive que fazer pré-natal em Cananéia, aqui na cidade, e depois fui para Pariquera. Se não tiver condução você vai direto para Pariquera. Se você chamar a ambulância você tem que vir para cá, para depois ir para Pariquera... Eu lembro que no dia meu pai chamou um carro e eu fui direto para Pariquera. Do meu primeiro filho eu fui direto. Eu só vim para cá de uma menina só, do terceiro filho eu vim aqui. Do resto eu fui tudo para Pariquera. Fui direto.

Questão da saúde é complicada aqui, se alguém passa mal você liga para cidade e fica o dia inteiro esperando até eles resolverem ir lá buscar. Como já aconteceu com a minha mãe: liguei às oito horas da manhã e foram buscar só duas horas da tarde.

Não temos a presença de ONGs aqui na região, a gente só tem a participação da Rede Cananéia. Temos uma relação muito boa! Eu represento a comunidade dentro da Rede, faço parte do projeto da Petrobrás dentro da Rede também. E a Jú (Juliana da rede Cananéia), vai lá direto, conversar... Vê em que pé que está; a menina ajuda muito! “Ah, vamos fazer preço nisso!” Ela vai lá, conversa, calcula, tudo direitinho. Dentro da Rede a gente tem bastante apoio! Qualquer coisa que a gente precisa é só conversar com a Jú: “Ah, Jú, estamos com uma dificuldade aqui, assim...” Daí ela vai lá, explica, fala, dá uma força!

Nós tivemos problemas com a nossa produção. Não vendeu... Não sei se por causa do preço, mas não conseguimos vender a produção... Nós levamos nossas peças a uma feirinha, as meninas levaram o produto na Rede, mas também não conseguiram... Mas a gente não desanima, mas tínhamos esperança de um dia vender. Eu vendi na minha casa quatro panos. O que eles trouxeram para cá não vendeu. Outro dia a menina foi lá e comprou mais uns quatro, então a gente... Não é aquele lucro imediato, é um negócio demorado, você tem que ter paciência e tem pessoas que não entendem, acham que tem que vender e já receber. “Que eu tô precisando para ontem e não para amanhã”. Então é uma coisa que você tem que saber trabalhar. É como artesanato, você pensa em fazer hoje para receber amanhã. Hoje você tem que ver o tempo dele para você conseguir vender. Naquele momento certo você vai conseguir!

Os mais novos da comunidade já têm interesse de sair, como já saíram várias pessoas. “Na hora em que eu pegar os meus 18 anos, vou embora para Curitiba, vou embora para a cidade, porque eu não quero ficar nesse serviço pesado”. Eu mesma tenho parentes na cidade. Sempre têm alguns, mas não costumo visitá-los.

As minhas viagens foram todas feitas pela Rede. Eu já fui para Botucatu, Bauru, já fui para Curitiba e para Parati. Eles faziam esses intercâmbios, levavam todo mundo. Em cada um que você vai se aprende uma coisa nova. Esses encontros sempre são de muita aprendizagem. Alguma coisa você tem que aprender! Só se você não for com interesse de aprender mesmo!

Nossa maior dificuldade como comunidade foi a pressão. Pressão! Pressão... Pressão com as próprias vizinhanças mesmo... Porque logo que a gente começou a se reunir, nós íamos a Eldorado, a prefeitura cedia um ônibus e a gente ia... E os próprios “olhudos” da comunidade que não faziam parte da Associação, falavam: “É, agora esses pretos andam para baixo e para cima dentro desse ônibus micro, daí quando a gente precisa de um carro não tem!”. Então a gente acha aquilo uma pressão. Por que isso? Por que é que fica falando? Porque essas pessoas que criticaram bastante hoje estão com a gente, várias pessoas criticaram e hoje eles já estão juntos com a gente. E vitórias já tivemos bastante. Porque já conseguimos várias coisas: máquinas, o projeto... Depois de estarmos organizados, estamos construindo a sede... E acho que é uma vitória! Para quem começou do nada e praticamente dentro de quatro anos, já conseguiu tudo isso...

Eu fui para outros quilombos, mas só fui em reunião. Fui a uma no Mandira e uma perto de Eldorado. Mas ir lá, sair da comunidade para visitar outra comunidade, não. Só reunião mesmo. E nesses encontros sempre se aprende alguma coisa! Aprende a como se organizar... Como que faz para se organizar cada vez melhor... Porque na nossa associação a gente tenta ser bem transparente com tudo, não tem aquele: “Ai, eu quero que fulano não saiba disso”. Não, a gente é bem transparente. Tudo que vem para a comunidade é bem transparente. Se você ganha uma doação, seja lá o que for, chegou na reunião: "Ó, a associação ganhou isso! Trabalho de fulano e tal, a gente ganhou isso para associação, está aqui para todo mundo ver, para ninguém...”. Então a gente tenta ser bem transparente.

Hoje eu tenho a mente bem mais aberta do que antes. Você enxerga as coisas de um jeito, e conforme você vai andando junto com o grupo, você vai vendo que as coisas não são exatamente como as pessoas te ensinaram, como você aprendeu no passado. Você aprende a conviver com os outros. Aquele passado: “Isso é seu e você não pode pegar”. Você aprende a conviver com o grupo. Que muitas pessoas não sabem. A convivência em grupo é bem diferente de você conviver em família! Você tem que saber como que é uma convivência com o grupo e tem pessoas que não sabem, dentro da comunidade tem pessoas que não sabem conviver com o grupo. Eles não entendem até hoje o que é a convivência com o grupo! Então sempre tem aqueles conflitos por causa de não entender o que é isto!

E esse é um dos temas que a gente conversa com a comunidade, eu tento passar sempre como é uma convivência. “Esse copo é meu e você não pode pegar porque ele é meu.” “Não, ele é nosso! Ele não é meu, ele é nosso! Se ela quiser ela pode vir aqui e pegar porque ele é nosso e não é meu!” Então eu tento passar esse tipo de coisa: “O que tem no grupo não é meu, é nosso!” E as pessoas têm muito aquele ego de dizer: “Ah, esse é meu!”. Eu falo: “Não é 'meu', é nosso” “Ah, fulano conseguiu isso pra ele.” “Não, eu consegui para o grupo.” Eu nunca tento me apresentar em nenhuma parte que eu vou como eu pessoa, mas como grupo, como o todo do grupo.

E eu espero que o grupo cresça! Cresça e tenha um trabalho próprio, com a própria comunidade, dentro da comunidade, para os nossos filhos ficarem juntos com a gente, para não terem que sair para ir mundo afora. Para ficar na convivência com a própria comunidade, que tenha trabalho, para desenvolver na própria comunidade. Para as mulheres terem também um salário e não ficar naquela dependência!  Eu converso isso com os meus filhos, eu tenho um de catorze, doze, dez e sete anos. Eles já estão com aquela ideia: “Quando eu tiver de maior eu vou para Blumenau, aqui para Blumenau... Se não aqui para São Paulo, para algum lugar, com meu primo... Não vou ficar aqui não... Ah, não nasci para isso... Ah, será que minha mão não está com calo?” Sabe que não pode ir com a mão calejada para escola? Então eles já estão naquela fase...  “Ah, porque aqui não tem nada para fazer, se eu tivesse na cidade eu podia fazer um biquinho e eu comprava isso, comprava aquilo...” Daí eles ficam querendo me cobrar: “Ah, eu quero isso, eu quero aquilo.” E eu “Quando puder eu compro. Ah, agora não tenho dinheiro para comprar, quando puder a mãe compra.” Mas eles acham que se estivessem na cidade poderiam fazer alguma coisa e ter o próprio dinheiro deles.

Eu não acho uma boa ideia mudar para a cidade grande porque como eles estão no sítio, estão mais próximos de mim, não saíram de casa, os colegas são todos da vizinhança e eu conheço um por um, são todos da mesma idade. Então eu não tenho que me preocupar com esse tipo de coisa, com o mau envolvimento deles, porque eu conheço todo mundo. E se eles estivessem na cidade eu já ia ficar um pouco preocupada. Com quem eles estariam andando, o que estariam fazendo... No sítio é tranquilo, eles podem sair, ficar fora o dia todo que eu sei onde estão, o que estão fazendo, eu não tenho muita preocupação. Mas eles já sonham em terminar o estudo e cair fora porque não tem o que fazer...

 Eu acho que foi bom o encontro, a conversa... Espero que dê um bom resultado... Que a gente venha a se encontrar de novo... Venha a ver tudo o que aconteceu lá na frente, né? Espero que na próxima dê para ser na comunidade, conversar com todo mundo, conhecer a comunidade... Ver em que pé que tá o nosso movimento.

A vida ela é muito boa, ela é muito feliz, eu tinha meu pai com 91 anos, era uma pessoa que dava todo o apoio, todo o suporte, pessoa que nunca me deixou faltar nada! A gente vivia ali, agora faz um mês que ele faleceu, então tem horas em que desanimo. Hoje desanimo por causa disso, mas tem que pensar lá na frente porque eu tenho meus filhos que dependem de mim, eu tenho que tocar a vida para frente e saber que a vida é assim mesmo, que uns vão e outros ficam e que não é fácil, eu tenho que dar as condições para os meus filhos estudarem, para não serem quem eu sou hoje, apesar de eu não ser arrependida de quem sou. Eu sou feliz do jeito que eu sou. Não me arrependo por não ter estudado, gosto da vida que eu levo e espero que eles aprendam também, não achem que o mundo lá fora vai ser melhor do que aqui. De conviver no sítio. Que eles aprendam com o avô, com o bisavô que já foi, aprendam com a gente que está aí, com os vizinhos, com os colegas, a achar que a vida no campo é uma vida boa, uma vida saudável, que a vida lá fora ela é bem diferente da vida que a gente leva aqui.

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