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História

O anúncio de uma conquista

História de: Wilson Barquila
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/02/2021

Sinopse

Formação profissional. Desafios no mercado do varejo. Inovações dos supermercados Pão de Açúcar. Início da carreira no Pão de Açúcar. As conquistas e momentos marcantes dentro da empresa. Os benefícios das maratonas para a saúde.

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História completa

P/1 – Estela Tredice

P/2 – Carla Vidal

R – Wilson Barquila

 

P/1 – Boa tarde. Você poderia fazer a sua apresentação, dizendo o seu nome, a data e o local e nascimento.

 

R – Meu nome é Wilson Roberto Barquila. Nasci em 04 de março de 1952, em São Paulo, capital.

 

P/1 – E o nome dos seus pais?

 

R – Meu pai, Isaías Barquila Martins e minha mãe, Aparecida de Almeida Barquila.

 

P/1 – Fala um pouquinho da sua formação, tanto escolaridade como sua formação profissional.

 

R – Tá. Eu estudei, eu fiz até... Eu completei o curso superior. Eu fiz administração de empresa, me formei, acho que em 1981. Depois fiz alguns outros cursos. Fiz curso de Negociação na Getúlio Vargas, fiz Gestão de Estoque na Getúlio Vargas também. Fiz alguns cursos depois de formado. 

 

P/1 – Por que você acha essa área atraente? O que mais te atrai nessa área?

 

R – Olha, o que mais me atrai nessa área é o varejo. Não estou falando administração de empresa como um todo, mais em cima do cargo que eu tenho dentro da companhia. Eu acho que o varejo me atrai muito, é um negócio muito, muito, muito dinâmico. É uma briga todos os dias, uma guerra todos os dias e não tem uma rotina determinada. Eu acho que é muito dinâmico, isso que me atrai muito.

 

P/1 – Você atua diretamente com o quê? Fornecedores, qual é o seu...

 

R – Com fornecedores... Você vê, eu estou na área comercial. Eu entrei na companhia em 01 de setembro de 1977. Eu entrei como encarregado de setor. Fui trabalhar no Cadastro e Preço, contratado por um diretor que também deu um depoimento para vocês aqui. Quem me contratou naquela época foi o Márcio Milla. Eu trabalhei dois anos no Cadastro e Preço, dois anos, dois anos e meio no Cadastro e Preço e depois eu fui convidado a ir para a área comercial. Fui como assistente de compra na área comercial. Trabalhei em mercearia, centro de compra, comprador. Ficamos 10 anos na mercearia, todas as áreas da mercearia. Em 1990, eu fui convidado pelo Tambasco a ir para área de Perecíveis e estou na área de Perecíveis até hoje. Tem 12 anos, quase 13 anos que eu estou na área de Perecível. Ou seja, estou a 24 anos, mais ou menos, na área comercial e dois que eu tinha no Cadastro. E desde de que eu estou no comercial é negociação, negociação, negociação, atendimento a fornecedor, desenvolvimento de fornecedor, produto.

 

P/1 – E qual a característica de trabalhar com essa área específica de Perecíveis?

 

R – Eu acho que dentro... Em se falando em dinamismo, eu acho que a área de Perecíveis é também muito mais dinâmica do que a área de mercearia porque você trabalha com um mercado extremamente nervoso, principalmente a área que eu trabalho hoje. Eu trabalho com a área de Carnes, toda área de Carnes; carne bovina, suína. Tem uma outra área que é Peixaria também comigo e mais uma que é Padaria e Rotisserie também comigo. E são três áreas muito dinâmicas. Quando você fala de negociação de boi, muitos dias você tem um preço de manhã, você tem um outro na hora do almoço, você tem um outro no final do dia. Quando você fala de frango também é a mesma coisa. Esse mercado ele é muito dinâmico, ele se movimenta muito rápido. Além de se movimentar muito rápido, ele te exige uma série de cuidados a mais. Você está trabalhando com produtos perecíveis, produto que você tem shelf-life muito curto e que você não pode bobear porque ele vence. Então, a operação de negociação é muito rápida. A estocagem é muito rápida também. A gente trabalha com uma cobertura muito baixa e a rotação do produto, tanto no CD quanto na loja também é muito rápido. Então a área é muito dinâmica e muito interessante. Eu gosto disso, isso me atrai muito.

 

P/1 – Fala um pouquinho do Pão de Açúcar desta história da inovação do Pão de Açúcar porque ele lançou no mercado novos tipos de cortes de carne. Você participou desse processo?

 

R – Veja bem, isso aí é algo que vou levar para o resto da carreira profissional. Em 1990, logo que eu fui para o Perecível, se trabalhava traseiro de boi com osso, dianteiro de boi com osso, meia carcaça. Era um trabalho que você desossava, manuseava isso tudo na loja, era complicadíssimo. Mercadoria muito perecível, era uma operação. E nós começamos desenvolver um trabalho em cima de carnes já desossada dentro do frigorífico, indo para a loja já desossada, embalada à vácuo, caixa de papelão, como você transporta um outro produto qualquer, desde que refrigerado. Isso foi muito difícil, isso foi trabalhoso. Nós levamos aí mais de três anos, quase quatro anos até colocar em 100% da companhia esse processo novo. Por quê? Porque você tinha resistência dos dois lados. Primeiro, o frigorífico não queria fazer esse tipo de coisa. Tinha uma mentalidade muito atrasada, o negócio dele era vender boi inteiro, meia carcaça e não queria evoluir para uma desossa. Então teve essa briga do lado fornecedor. E por outro lado, você tinha uma resistência muito forte dentro da companhia porque as lojas eram contra. Existia um temor de quem trabalhava no açougue, do açougueiro, do chefe do açougue, que o dia que ele passasse a não desossar mais carne na loja, passasse receber ela quase que pronta, muita gente ia perder o emprego. E a idéia não era essa. Era tirar esse serviço dele porque a gente daria um serviço de melhor qualidade produzido no frigorífico e ele teria um tempo para trabalhar melhor a seção, trabalhar melhor o mix, trabalhar melhor os cortes que ele faz, o embandejamento, os cortes especiais. Aí ele tinha um trabalho especializado, diferenciado e não ficar lá desossando traseiro e dianteiro. Mas até você conseguir imputar isso no fornecedor, desenvolver com cada um deles e desenvolver na loja também foi uma briga de quase quatro anos. Se você pegar hoje ainda você tem grandes redes no Brasil, grandes redes de supermercado que ainda desossam carne na loja. Um trabalho completamente arcaico, desatualizado, que não tem nada a ver. 

 

P/1 – E o Pão de Açúcar pode se dizer que foi inovador?

 

R – Foi pioneiro nesse processo. Hoje você não tinha um frigorífico que te entregasse carne desossada naquela época. Nós tivemos que desenvolver o primeiro, o segundo, o terceiro... Hoje quase que 100% dos frigoríficos nesse país, ou 100% dos frigoríficos já trabalham com carne desossada. Isso ajudou muito o próprio frigorífico. Ele aprendeu a trabalhar, ele desenvolveu tecnologia e hoje eles têm know-how para exportar para qualquer país do mundo em cima desse padrão. 

 

P/1 – E você acha que o cliente Pão de Açúcar ficou mais satisfeito com essa inovação?

 

R – Olha, a percepção é no médio prazo porque ele só vai perceber isso quando ele consegue perceber uma qualidade melhor no produto, que o produto realmente ele passa ter uma melhor qualidade. Ele não desgasta tanto, ele não se deteriora tanto no transporte porque como é que funciona? Uma coisa é você transportar carne com osso sem embalagem nenhuma e aquilo vem batendo no caminhão, vem sujando, pegando bactéria, pegando pó, pegando uma série de coisa. Outra coisa é depois que você abate o boi, entra numa linha de desossa, 100% climatizado, aquilo saiu da linha de desossa, ele é embalado à vácuo, posto em caixa de papelão e vai para a câmara ou para o caminhão que vai entregar na nossa central de distribuição, entendeu? A qualidade do produto, a garantia de qualidade é totalmente diferente. Então o cliente passou a perceber, tanto é que o Pão de Açúcar hoje é percebido. A Companhia Brasileira de Distribuição é percebida por trabalhar uma qualidade muito boa em carnes.

 

P/1 – Isso a nível nacional e...

 

R – A nível nacional porque esse processo, ele começou em São Paulo, nós implantamos em São Paulo e em seguida nós começamos a desenvolver em todas as outras... Em todos outros estados. Então, hoje, nós temos um processo que qualquer frigorífico no país porque depois nós fomos aperfeiçoando. Depois da carne desossada, dois, três anos depois, nós começamos outra briga que era qualificação de fornecedores. Fizemos um contrato com Fundepec, que é o Fundo de Desenvolvimento de Pecuária do estado de São Paulo, um órgão conveniado ao Ministério da Agricultura e que passou ser um prestador de serviços para a companhia. Então, hoje, qualquer... Já naquela época nós começamos com esse programa em 1996, qualquer fornecedor que quisesse vender para o Pão de Açúcar, para a companhia, ele teria que ser inspecionado, auditado pelo Fundepec e também pelo nosso controle de qualidade. E nós damos aí dentro de um frigorífico em torno de 60 itens. Você audita desde transporte de animal, do bem estar do animal, como que é o curral onde ele fica antes de ser abatido, como é o sistema de abate, toda cadeia de frio, serviço de inspeção federal, auditamos tudo. Se ele não tiver uma nota acima de 7, ele não é credenciado para vender para a loja nenhuma em estado nenhum do país. Então esse trabalho nós fazemos em todos, seja em... No Pará, em Redenção no Pará, na divisa com a Bolívia, no Mato Grosso. Tem um frigorífico que quer fornecer carne para qualquer loja nossa ele vai ser auditado. Se não a gente não abre um cadastro para ele.

 

P/1 – Você colocou que os funcionários, no caso, as pessoas que trabalham no açougue, elas tinham essa preocupação e, obviamente, vocês queriam dar uma melhor qualidade de trabalho. Quais ações do seu departamento são voltadas à treinamento, formação, ao bem estar dos funcionários?

 

R – Olha, existe toda uma parte de treinamento que não é ligada tanto a área comercial. A gente passa orientações para os formadores da área de Recursos Humanos. A gente mantém esse pessoal atualizado. Agora o treinamento em si para a área operacional é feito pela parte... Pelo departamento de RH nosso. 

 

P/1 – Sim, mas mediante às ações do seu departamento vão ser geradas...

 

R – Lógico. A medida que vai evoluindo o trabalho nessa área, tanto de açougue, quanto de peixaria e padaria, a gente vai monitorando e vai instruindo o pessoal de treinamento para que isso seja divulgado dentro da companhia e que todos os funcionários têm que passar por processo contínuo praticamente de capacitação, você entendeu?

 

P/2 – Além de toda essa facilidade de como a mercadoria chega ao consumidor, o Pão de Açúcar ele sempre teve uma preocupação também com a embalagem.

 

R – Sim.

 

P/2 – E muitas vezes as ações internas nas lojas os fornecedores tiveram que tomar medidas para embalar seus produtos para que chegassem às lojas já numa situação mais adequada para transporte. O que você pode falar sobre isso?

 

R – Olha, são... Eu divido isso em dois processos; o primeiro foi esse em 1990, quando nós começamos a forçar a carne desossada. Depois em 1996 e aí em 1994, 1996, nós desenvolvemos contrato com Fundepec, passamos auditar, ter um controle muito mais rigoroso em cima de todos os fornecedores. Depois teve um outro processo, que foi o desenvolvimento das carnes de grife. Foi em 1996, 1997 que nós lançamos a carne do Bassi, que nós fomos lançadores dessa carne. A carne do Wessel. Depois veio a carne maturada, que na época era a Sadia que fabricava. Hoje não está mais com a Sadia. Depois, a pouco tempo atrás, veio Montana, todas essas carnes de grife fomos nós que desenvolvemos. Então uma coisa você tinha carne desossada, que é manuseada na loja. Outra coisa você tem a entrada no mercado das carnes de grife. E hoje você opera com a carne que chega a peça embalada à vácuo e a loja ainda manipula, corta, fatia, faz em bife, bandeja, embala e põe para vender no auto serviço. E você já tem a carne de grife. A evolução do processo está nos levando agora, para o próximo ano, nós vamos ter que tomar uma decisão, pelo menos, um cálculo de retorno de investimento, que é cada vez mais nós precisamos tirar o manuseio da loja. Nós temos que tirar o processamento desses alimentos da loja. Deixar a loja mais solta para trabalhar melhor exposição, para fazer um serviço de atendimento diferenciado para o nosso consumidor. Então para isso nós precisamos tirar esse processamento da loja. Isso eu acho que tem duas etapas. Afinal, vai se trazer esse processamento todo para o frigorífico, para o fornecedor, que ele já vai lhe entregar um dia, já vai me entregar a carne cortada em bife, embandejada, do jeito que a gente quer, pronta para... Que um sonho nosso é um dia vender carne em açougue, com se vende lata de óleo de soja. Sem ninguém pôr a mão, simplesmente auto-serviço. Desde 1990 eu já falava: “Meu sonho é que um dia a gente tenha açougue em loja, que não tenha faca e que se venda carne como óleo de soja.” Nós estamos caminhando para esse processo agora. Só que eu acho que nós não vamos conseguir, no primeiro momento, trazer todo esse processamento para dentro do fornecedor, que existe uma resistência por parte deles. Nós vamos partir para uma solução intermediária. Ou seja, criarmos nós um central de processamento, onde eu receba a carne no nosso CD, ponho na central de processamento. Essa central de processamento processa a carne e manda para loja já processada. É uma maneira de eu retirar o trabalho da loja, trazer para uma etapa intermediária, que seria uma central de processamento própria, para num segundo passo, levar esse processamento para o fornecedor. Eu acho que essa é a evolução dos próximos anos nessa área de carnes. Não só na área de carne. Eu sou responsável também por toda parte de padaria e Rotisserie e nós trabalhamos muito na tentativa de buscar um padrão de qualidade, principalmente em pães, pães franceses que a gente não tem. Cada loja faz de um jeito. Nós temos um trabalho, que é um desenvolvimento junto ao fornecedor, mas talvez nós tenhamos também montar uma central de processamento de padaria, uma central de panificação para abastecer as lojas com um produto já acabado, não 100% acabado, mas ele semi-acabado, só para a loja dar o retoque final nele. Então são duas áreas que nós vamos trabalhar nos próximos anos em trazer esse processamento para uma... Retirar da loja.

 

P/1 – E da onde você tira essas referências? Essas inovações como que...

 

R – Você tem que acompanhar mercado, você tem que acompanhar o que acontece no mundo. Isso você já vê na Europa hoje essa parte de panificação porque sempre tem um conceito. As lojas de grande superfície, os hipermercados, trabalham muito com fabricação própria e as lojas de pequena superfície, os supermercados, lojas de conveniência, trabalhar com produto, ou seja, o pão pré-assado e congelado. Ele só dá uma forneada no produto lá. Mas você acompanha Europa, que esse movimento era para as lojas de conveniência, para as lojas pequenas, você já vê esse movimento em direção aos hipermercados, que é a necessidade de retirar o trabalho de manuseio da loja. Você não consegue dar padrão. A partir do momento que você centraliza, você dá um padrão. Você consegue estabelecer um padrão e cumprir. E fora que cada vez mais vai ficar difícil a mão de obra em loja. Agora, isso é uma tendência. Europa trabalha desse jeito, está caminhando fortemente nesse sentido, como está caminhando fortemente também no sentido da centralização do processo da carne.

 

P/2 – Mas existe resistência por parte do consumidor? Você acha que não.

 

R – Do consumidor não. O consumidor não altera. Sempre existiu. Você já tem lojas hoje que trabalham com 100% de carne auto-serviço. Têm grandes redes que já trabalham sem. Nós ainda optamos por dar um serviço diferenciado, que é um diferencial da bandeira Pão de Açúcar. Você corta a carne do jeito que o cliente quer, limpa do jeito que ele quer. Você trabalha exatamente como ele quer. Agora, essa movimentação para um auto-serviço, ela tem que ser... Não é tão rápida. Ela é lenta, ela é gradativa. Você precisa fazer um trabalho para adquirir a confiança do consumidor. A hora que ele começar levar uma bandeja, duas bandejas, chegar na casa dele, a carne está do jeito que ele quer, limpa como ele quer e que ele não teve que pegar uma fila, esperar para ser atendido num balcão ou coisa parecida. É só ele passar e retirar no auto-serviço, ele começar adquirir confiança no produto, aí ele não volta mais para a área de serviço. Mas é um trabalho demorado.

 

P/1 – Queria agora voltar um pouquinho no seu começo aqui, se você pudesse dar para gente um panorama. Como era o Pão de Açúcar, as relações entre as pessoas, a presença do seu Santos no cotidiano mais ativo? Falasse um pouco desse passado do grupo mesmo. O espaço, as pessoas?

 

R – Olha, o passado, nós estávamos aqui, exatamente nessa mesma área. Não com esse prédio. Eram várias casas, todas interligadas pelo fundo, umas com as outras e o escritório onde eu comecei trabalhar era aqui. A relação era uma relação... Era uma relação muito amistosa, muito amigável. Todo mundo era amigo. Tinha aqui onde é o estacionamento era uma quadra de futebol de salão. A gente jogava futebol de salão quase todos os finais de semana. Existia uma integração muito grande, mas essa integração ela persistiu. Eu acho que ela diminuiu muito, caiu muito quando nós mudamos para Engenheiro Luís Carlos Berrini. Prédio novo, prédio grande, prédio suntuoso. Aí eu acho que começou perder um pouco esse relacionamento mais humilde, mais familiar, mais amistoso, é a impressão que eu tenho. Depois tivemos uma época terrível, finais dos anos 80, onde a companhia passou por uma situação muito ruim. Foi muito complicado para nós todos que trabalhava. Essa situação realmente era muito ruim. Eu acho que por sorte nós tínhamos lá inteligência e a força e a garra do Abílio que assumiu e reverteu essa situação todinha. Isso aí eu acho que é motivo de orgulho. Ele mesmo sempre fala: “É um motivo de orgulho muito forte para ele, que é a reconstrução do Pão de Açúcar.” Eu acho que se não fosse um profissional com a garra, com a capacidade e a inteligência que ele tem, não teria revertido essa situação. E depois uma outra época que foi muito legal, que foi a retomada do crescimento, entendeu? Aí a companhia voltou, saímos daquele prédio, voltamos para cá, voltamos às raízes e a companhia começou novamente... Depois de reestruturada começou crescer novamente, inaugurar lojas, depois de alguns anos com novas aquisições e hoje está aí do tamanho que nós estamos, graças a deus.

 

P/2 – Como que você vê o Pão de Açúcar? A gente pulou, a gente entrou direto, assim...

 

R – Como eu vejo...

 

P/2 – Como que você veio parar no Pão de Açúcar? Como é que foi a sua chegada aqui?

 

R – Num anúncio de jornal. Eu estava desempregado. Antes disso, você vê, eu tenho 51 anos de idade, tenho 26 de Pão de Açúcar. Eu entrei com 24 para 25 anos aqui. Antes disso eu trabalhei de office-boy em banco, trabalhei de caixa em banco, depois comprei um posto de gasolina que não foi tão bem. Eu estava desempregado, procurando emprego e achei no jornal. Estava, por acaso, passando de ônibus aqui na Paulista e vi um anuncio no jornal, precisavam de um encarregado de setor, formação, isso aquilo. Falei: “Vou ver.” Aí eu vim, desci aqui na Brigadeiro, 3126, o escritório era aqui em cima da loja 1 e fui entrevistado pelo Márcio Milla. Aí fiz uma série de testes e fui admitido, mas foi através de um anúncio de jornal. Não conhecia ninguém, não tinha parente em nenhum...

 

P/2 – Teve algum treinamento diferente?

 

R – Treinamento diferente? Tinha, vários. Trabalhava 24 horas por dia. Isso a gente treinava muito. Naquela época, não tinha uma semana que eu não virasse duas, três noites trabalhando. Tinha muito volume de serviço. Tinha mês que eu chegava ganhar mais de hora extra do que eu ganhava de salário normal. Mas o trabalho era um trabalho mais braçal, totalmente diferente. É até interessante essa parte. Por exemplo, eu trabalhava no Cadastro de Preço. Então nós fazíamos remarcação de preço, alteração de preço, alterações de cadastro para as lojas. Como é que funcionava? Você tinha lá uma linha da Nestlé que estava aumentando o preço. Você sentava, datilografava aquilo tudo, produto tal, preço de tanto para tanto. Rodava aquilo tudo no mimeógrafo. Passava a noite tirando cópia no mimeógrafo. Depois essas cópias você distribuía nas caixinhas do malote. Depois evoluiu um pouco mais. Aí a companhia, eu ainda trabalhava no Cadastro com o Márcio, a companhia comprou uma máquina de Xerox, uma Nashua e aí a gente não tinha mais o mimeógrafo. A gente já tinha evoluído bastante. A gente batia, datilografava as remarcações, tirava xerox e também distribuía no malote. Em dois, três dias a demarcação chegava. Hoje como é que funciona? Qualquer assistente, qualquer auxiliar senta na frente do micro, põe lá o preço de 500 produtos, de tanto para tanto, dá um enter e esse preço está instalado no Brasil inteiro. Antigamente você tinha que tirar as cópias, distribuir três, quatro dias, às vezes uma semana, quando ia para a loja de Belém do Pará, saía daqui. Totalmente diferente. Hoje com um enter você coloca a informação que você quiser em qualquer loja o Brasil, em qualquer estado. Você quer alterar o preço da loja da Frei Serafim lá em Teresina, você senta aqui, em questão de segundo você altera tudo que você quiser. Totalmente diferente. Antigamente o serviço era muito mais braçal, precisava de muito mais gente, muito mais gente trabalhando a noite. E quando uma loja mudava de P, que ela era P1 ia para P2, você tinha que alterar todos os preços da loja. Então, voltando aquele assunto da remarcação que a gente fazia com datilografia e depois com o xerox, você imagina o trabalho que era. Naquela época, as lojas já eram classificadas por política de preço. Você tinha política de M, política de preço P, como tem hoje. Lá naquela época já tinha essa classificação e, às vezes, vocês resolviam mudar, a companhia resolvia mudar a política de preço de uma determinada loja. Então você imagina o que era. Você tinha que alterar preço de todos os produtos, 100% dos produtos daquela loja. Você imagina quantos dias a gente passava aqui, fazendo a remarcação, datilografando, tirando as cópias de todos os itens da loja e mandava para a loja aquele pacote assim de alteração de preço. E aí você imagina o serviço da loja, que também era tudo manual. Ela tinha que sair com aquela remarcação da mão, produto a produto, com a maquininha etiquetar. Retirar etiqueta com o preço antigo e colocar o preço novo em 100% da loja. Hoje você faz isso, assim, em questão de segundos. Você altera aqui, coloca na loja e já altera direto o PDV. Alterou o PDV via código de barra, já está tudo acertado em questão de segundos. Era uma operação que levava, para você fazer alteração e executar a alteração na loja, você levava mais de uma semana para mudar a política de preço de uma loja.

 

P/1 – Além dessa ação, da tecnologia, tem alguma que marcou bastante a você particularmente alguma inovação tecnológica do grupo que se tornou uma referência dentro do setor de varejo?

 

R – Olha, eu acho que tem... Acho que não tecnologia, mas vou te falar de alguns eventos que a companhia teve. Eu acho que a companhia inovou a coisa de oito ou dez anos atrás, quando criou o sacolão de hortifruti. Que o primeiro a sair nessa área de supermercado foi acho que um dos grandes responsáveis por uma grande mudança na imagem na companhia. Esse sacolão funcionou de maneira muito forte, em termos como atrativo de venda durante muitos anos e, é lógico, você lança algo no mercado, depois rapidamente você é copiado, você acaba perdendo esse diferencial, entendeu? Mas eu acho que a evolução da companhia como todo ela... Eu acho que evoluiu muito a partir desde que eu estou nela porque você vê a evolução. Você vê aquele tipo de remarcação, depois você já muda para outro tipo de cópia, vem a parte de informatização. Aí você já começa mudar todo sistema de operação. Aí vem o código de barra, facilitou muito a vida de todo o varejo.

 

P/1 – Teve a questão da compra direto do fornecedor de frutas, legumes e verduras, né?

 

R – Teve, teve, teve. É porque isso aí como é que funcionava? Você tinha, você tem até hoje uma central de abastecimento que é o Ceagesp e numa determinada época você tinha que 100% comprar do via Ceagesp. E depois nós começamos um trabalho de desenvolver o fornecedor, o próprio produtor ou agricultor e passar comprar direto dele. Nós chegamos a construir um entreposto de compra em Ibiúna, onde a gente tinha uma estrutura pequena, mas a gente dava toda uma assessoria para aqueles pequenos chacareiros, que produziam quase que por encomenda para a companhia. Então nós tínhamos naquela época engenheiro agrônomo que visitava a plantação dele, fazia análise de água, fazia análise de terra. Dava um suporte técnico para eles porque eles não tinham estrutura e tudo que eles produziam a gente comprava, centralizava, como tinha gente que ia entregar... Fornecedor que ia entregar de carroça, outro ia entregar de Brasília, outro de Kombi, outro de Volkswagen, entregava na central. A gente consolidava a carga no caminhão e mandava para cá. Você tinha custo muito bom, você tinha qualidade muito boa, você tinha frescor, você tinha isso tudo. Você tinha que facilitar algumas condições. Você não tinha lá contrato de fornecimento que você paga o fornecedor com 40, 50, 60 dias, nada disso. Você pagava o fornecedor aí com três, quatro dias. Depois foi evoluindo, à medida que eles foram crescendo, foi para uma semana, depois passa 15 dias, até eles se reestruturarem. E foi um trabalho muito interessante. Hoje nós não temos mais essa central. Ela foi desativada a pouco tempo, até porque não faz mais muito sentido porque você já não tem tantos tão pequenos. O pessoal se estruturou de tal maneira, cresceu de tal maneira que hoje eles têm capacidade de colocar carga fechada no nosso CD aqui na Anhanguera. Então perdeu um pouco a função aquele entreposto de Ibiúna, mas no começo, há quase 20 anos atrás, ele foi extremamente importante, tanto para nós, quanto para a região, para todos os produtores daquela região. Hoje você tem aí... Essa área não está comigo, está com o Leonardo Miau, mas ele tem quase que 100% da compra dele já é diretamente do produtor. Quando não do produtor, da parte de importação também, mas ele tem quase que independência total de todo Ceagesp. Mas esse trabalho começou há 20 anos atrás.

 

P/1 – E você lida com o público, com fornecedores bastante curiosos, como pecuaristas, porque diz que já lidou com chacareiros. Enfim, você se lembra de fatos, situações engraçadas, pitorescas, coisas que te marcaram, histórias que você gosta de contar, por serem curiosas, dentro da sua carreira profissional aqui no grupo?

 

R – Olha, é uma relação, eu não digo complicada, mas essa relação de negociação ela é bastante desgastante. Principalmente nessas áreas que você tem grande parte do mercado, tanto de fornecedor, quanto de concorrentes nosso do pequeno varejo, muitos deles trabalhando de maneira não ortodoxa. Muitos deles trabalhando na informalidade, você entendeu? Então é uma relação meio complicada, uma relação meia desgastante e até porque é uma área que o pessoal não se preocupa muito em evoluir, em ter mais tecnologia, ter mais equipamento, coisa e tal. Ele pensa naquela conta que o fazendeiro fazia de antigamente. Ele só vende um boi gordo, se com o dinheiro que ele receber, ele compra dois magros. Ele tem esse tipo de relação ainda, você entendeu? Ele não é uma pessoa estruturada, até porque os grandes fornecedores que entraram nessa área saíram. Nós tivemos aí, há 20 anos atrás, grandes fornecedores, como um Bourdon, como um Frigorífico Kaiowa, como um Anglo, todos eles quebraram porque a partir do momento que você é grande e não consegue trabalhar na informalidade, competir com os pequenos e com os médios é muito complicado. Você tinha uma Sadia, que operava com boi, que parou há 10 anos atrás. Hoje ela é compradora de carne desossada, mas não abate mais bois por causa da informalidade. Então são áreas e essa outra área que eu tenho aqui, de peixe também, se bobear ela é mais complicada nesse aspecto do que é todas as outras carnes. 

 

P/1 – Mas você não se lembra de nada, assim, engraçada?

 

R – Não, não me lembro. 

 

P/1 – Alguma situação com... Que você acha curiosa? Enfim.

 

R – Não sei, mas não estou lembrando.

 

P/2 – Segue um pouco desse cotidiano do trabalho mesmo, o Pão de Açúcar é uma empresa familiar que está passando por uma... Está sempre mudança e agora a mudança é a transição para uma empresa profissional. O que é, de fato, permanente na cultura do Pão de Açúcar, que você dentro desses 20 e poucos anos de companhia, você fala “poxa, isso é da cultura organizacional, é do Pão de Açúcar”? O que você acha que é permanente?

 

R – Olha, eu acho que é permanente a assistência que o Pão de Açúcar dá para os funcionários dele. A preocupação que existe na companhia com aspecto social e o bem estar dos seus funcionários. Eu acho que isso é característica dessa companhia, desde que ela foi criada. Não trabalhei a vida inteira aqui, mas pelo menos desde de 1977 que eu estou, isso é marcante em toda companhia. A preocupação que ela tem com os seus funcionários, com o bem estar, com assistência médica, com assistência educacional, com a parte social de todos os seus funcionários e, automaticamente, isso você multiplica por quatro porque envolve toda a família, eu acho que isso é uma das características muito fortes na companhia.

 

P/2 – O que foi que te marcou mais nessa trajetória, seja no trabalho, da sua área, seja nas mudanças da corporação? O que foi, assim, que você falou “poxa, passei por isso.”

 

R – Bom, você com todo esse tempo de casa você passa, acaba passando por muitas situações, que são complicadas. Eu vou te contar uma, que não tem muito tempo, que tem coisa de quatro anos atrás. Acompanha que essa história é gozada. A companhia passou por uma reestruturação. Tinha uma empresa de consultoria aqui dentro, que era a Mackenzie e que estava reestruturando. Ia ter um corte muito grande de funcionário de todas as áreas e tudo mais. E ficaram aí um ano e um pouco mais de um ano trabalhando em cima de toda essa mudança da companhia porque era uma mudança estrutural. E aí um belo dia, parece que estava terminado, existia aquela expectativa com todos os funcionários. Quem vai, quem não vai, quem vai, quem não vai, coisa e tal. Aí tinha uma história de que um funcionário chegou de manhã, foi lá tentou acessar, a senha dele não estava liberada, estava demitido. Um outro foi almoçar, na hora do almoço comentaram esse tipo de coisa, ele falou: “Pô, a minha também eu não consegui acessar hoje de manhã.” Parou de almoçar, voltou para o escritório e tinha saído. Aconteceu comigo. Tinha uma reestruturação na área comercial. O diretor nosso era o Machado e um belo dia eu saí de uma reunião, estou chegando lá no escritório, ficava na rua Jundiaí e vem lá a Margareth, que era a secretária... Era secretária acho que do Cristovão, de um outro diretor lá. Margareth veio e falou:  Wilson, você já viu que começou os cortes?” Eu falei: “Não, não estou sabendo de nada. Falei: ”O que aconteceu?” Falou: “Machado marcou às 11:30 com o Naomi e demitiu... “Não, marcou ao 12:00 com o Fábio Pando e demitiu o Fábio Pando.” Falei: “Pô, está assim rápido o negócio.” Falou: “É, e parece que vai mais gente.” “Está bom.” Entrei na minha sala, vem a minha secretária: “Machado marcou com você à 13:30 lá na sala dele.” (risos) Eu falei “estou na rua.” Liguei para casa, falei: “Mulher devo estar sendo demitido, assim, assim, assim.” E subi. Vim lá em cima na sala compartilhada conversar com o Machado. Cheguei, o Machado não estava. A secretária falou: “Wilson, aguarda cinco minutos na recepção que ele já vai chegar.” Sentei lá e estou aguardando. Falei: “Estou demitido.” Abriu a porta do elevador, me sai a Lígia do RH com uma pasta embaixo do braço: “Ah, você já está aí esperando?” Falei: “Pronto, estou mais do que confirmado.” Aí depois o Machado me chamou, sentei para conversar com eles, aí o Machado falou: “Olha, está tendo uma reestruturação... Mas quero que você fique muito tranquilo porque você vai continuar comigo. Eu quero que você escolha a área que você quer trabalhar.” Aquilo para mim foi um alívio porque nessa altura do campeonato eu tinha quase certeza que eu estava na rua, por toda circunstância que foi formada. Um foi às 11:00 foi demitido, às 11:30 foi demitido, à 12:00 foi demitido e eu era 13:30. Falei: “Eu sou o demitido da 13:30.” E graças a deus não aconteceu. 

 

P/1 – E o que mais te orgulha trabalhar aqui?

 

R – Olha, o que mais me orgulha como profissional trabalhar aqui, eu tenho aí algumas... Aquilo que eu te falei no começo. Eu tenho algumas coisas que eu vou levar para mim, como alguns feitos profissionais. Um foi essa revolução no mercado da carne, na época de 1990. Um outro fato que foi muito importante foi há três anos atrás, há cinco anos atrás, quando nós montamos uma proposta de a companhia construir um depósito frigorificado. Fizemos todos os cálculos de ganho, de retorno de investimento. A companhia acreditou no projeto, investiu e acho que foi um dos grandes ganhos da companhia na área de Perecíveis foi a criação do depósito frigorificado, que inaugurou maio, agora fez dois anos, mas o projeto começou há quatro anos atrás. Acho que a companhia teve um ganho excepcional e esse projeto foi desenvolvido em cima de uma proposta nossa. Eu acho que é um fato do qual eu me orgulho muito porque hoje nós temos o melhor sistema de compra de perecíveis que tem nesse país, em função da construção desse CD frigorificado. Então são dois fatos que marcam muito para mim como profissional. E eu tenho um outro orgulho, que é orgulho meu. É porque há muitos anos atrás você tinha muitas pessoas nessa companhia que tinham 10, 15, 20, 30. Hoje, você olhar em algumas áreas, como a área comercial que eu trabalho, que é uma área que tem aí cento e tantas pessoas, você tira três ou quatro com muito tempo de casa. Porque o que acontece? Eu acho que a companhia está correta. Não importa se a pessoa tem 20, 30, 40 ou 50 anos de idade ou se tem 10, 20 ou 30 de companhia. Eu acho que é um critério da companhia, eu acho totalmente correto. Agora, se tem 50 anos de idade, tem 20, 25 de companhia, mas é uma pessoa que fica, continua buscando se atualizar, continua buscando inovação, continua aberto, muito aberto a todo tipo de mudança, eu acho que essa pessoa tem lugar dentro da companhia. Quem parou, quem não tem mente aberta a mudança, quem não quer evoluir e quem não pensa em inovação, quem não quer quebrar paradigmas, quem não quer tentar resolver o impossível, esse realmente não tem mais espaço dentro da companhia. Eu acho que muitos desses que eram antigos e que saíram da companhia foi em função de não ter, de não acompanhar essa evolução. Eu me sinto orgulhoso de... Teve uma época nessa companhia que até você ter muito tempo de casa, o pessoal tinha muita dúvida. Comigo é ao contrário. Eu me sinto muito orgulhoso porque eu sei que muita gente saiu. A companhia trocou, substituiu muita gente porque não evoluiu e eu estou com 26 anos de empresa, não me trocaram ainda. É sinal que eu devo estar acompanhando esse processo.

 

P/1 – O que você achou de falar um pouquinho sobre essa sua história, de ter participado assim?  

 

R – Olha, eu gosto muito. Eu gosto muito porque.. Sabe, você tem 26 anos de companhia. Eu passo, sei lá eu, a maior parte do tempo da minha vida eu passo aqui. Muito pouco em casa, muito pouco com os filhos. Você entra aqui 7:00, 7:00 e pouco e acaba saindo 19:00, 20:00 da noite. Até você chegar em casa, você fica muito... Então a tua vida passa ser aqui dentro e você se apega demais com tanto tempo, com tantos amigos, com tanta amizade que você tem aqui dentro, que quantas e quantas vezes você... Eu estou fora daqui, estou, me pego falando de Pão de Açúcar. Às vezes a mulher fala: “Mas pára de falar do Pão de Açúcar, pára de pensar no Pão de Açúcar.” Então isso tudo é muito interessante para mim, sabe? É muita história, é muita lembrança, muita recordação e não só no passado. E muito interessante também o que a gente tem pela frente, o que vai evoluir, o que vai mudar, o que vai inovar. Eu acho que tem um milhão de planos aí para a companhia continuar crescendo e evoluindo. Então eu gosto muito de falar disso. Se deixar eu falo o dia inteiro.

 

P/1 – Só uma curiosidade, você corre também?

 

R – Corro. 

 

P/1 – Quantas maratonas?           

 

R – E vou te falar uma outra coisa, que é outra parte interessante. Veja bem, a gente fala desse negócio de corrida. Eu em 1990, final dos anos 1980, 1990, época que a companhia também estava ruim... Eu tinha 20 e poucos quilos a mais do que eu tenho hoje. Pesava quase 100 quilos. Cheguei a pesar 98 quilos. Por algumas vezes eu fui internado com problema de pressão alta, mas que não era pressãozinha não. Chegou bater 21 por 16, de eu ficar internado três, quatro dias. Eu tinha medição de triglicérides, que é um limite de 200, meu triglicérides batia 1200. Chegou a 1400. Eu tomava remédio e ele baixava para 600, três vezes acima do limite. O colesterol também era alterado. Eu tinha um problema de gota, em função de ácido úrico, que uma vez a cada 15 dias eu tinha uma crise que tinha que tomar corticóide para cortar. Aí eu comecei correr há seis anos atrás. Comecei andar porque eu fiquei 20 e poucos anos sem fazer nada. Comecei andar, andar, andar. E depois comecei correr e depois de um ano que eu estava correndo eu fui fazer um check-up. Meu triglicérides deu 155. Falei: “Está errado. Ele nunca veio abaixo de 600 com remédio.” Eu saí no dia seguinte, eu fui no Fleury. Eu tinha feito esse check-up no Oswaldo Cruz. No dia seguinte eu fui no Fleury, fiz outro exame. Ele deu 155. E de lá para cá, eu perdi os 20 quilos, perdi 10 numa etapa, perdi 10 na outra. Agora eu estou mantendo 77, 78 quilos. Estou correndo menos do que deveria correr. Eu corro sábado 10 quilômetros, domingo 10 quilômetros e mais uma vez na semana. Eu precisaria colocar mais uma vez na semana para ela ter pelo menos quatro vezes na semana. Mas de lá para cá, eu não ganhei mais peso, nunca mais eu tive uma crise de ácido úrico, nunca mais o colesterol subiu e o triglicérides mantém sempre abaixo de 150. Comendo tudo que eu como, não faço regime, não como exageradamente, mas eu como de tudo. Eu como feijoada, eu como massa, eu como de tudo e consigo manter esses níveis, em função da corrida. O Abílio fala questão de correr, todo mundo fala questão de correr, praticar esporte dentro dessa companhia e tem toda razão porque eu sou um exemplo vivo desse negócio. Se eu não tivesse partido para essa, talvez eu não tivesse vivo com os níveis que eu tinha de hipertensão. E isso é fácil de comprovar. O ambulatório aqui da companhia, antigamente era ali, que eles têm todo fichário lá e no meu próprio check up você vê a evolução todinha desses últimos anos que eu comecei a correr. Funciona mesmo.

 

P/1 – Parabéns.

 

P/2 – Pelo visto vocês têm sempre uma segunda opção aqui, né?

 

R – É.

 

P/2 Podem montar uma grande consultoria de saúde.

 

R – Também. Bom, eu corro, a minha mulher corre. Minha mulher corre todos os dias. Agora eu tenho duas filhas gêmeas e tenho um filho mais velho. O mais velho e uma delas não, mas uma das gêmeas já começou correr também. Já correu maratona de revezamento do Pão de Açúcar. Pessoal gosta.

 

P/1 – Super obrigada.

 

P/2 – Obrigada.

 

R – Obrigado a vocês.

 

[Fim da Entrevista]

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