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História

O AFS está sempre lá em casa

História de: Roberto da Silva Fragale Filho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/03/2016

Sinopse

Roberto conta em sua entrevista um pouco da origem de sua família, como seus pais se conheceram e como se estabeleceram com a família – seus dois filhos –, em Rio Comprido, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Roberto conta como foi o período escolar e como, depois de participar de três processos seletivos, conseguiu a vaga para o intercambio pelo AFS aos Estados Unidos. Depois dessa experiência, Roberto continuou em contato coma família hospedeira e se engajou nos trabalhos voluntários no Comitê Rio. Depois que passou a morar com sua esposa, Cíntia – também AFSer –, as reuniões passaram a ser na sua casa e ele conta como eram esses encontros e as atividades desenvolvidas pelo grupo que estava sempre junto. Depois dessa sua primeira experiência internacional, Roberto foi à Europa para o seu doutorado e pós-doutorado. Roberto finaliza seu depoimento contando como é ser pai e um pouco de suas expectativas para o futuro.

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História completa

O AFS surge pela primeira vez, assim no meu horizonte, numa conversa com o marido de uma prima minha por parte de pai, num desses encontros. Carlinda é 10 anos mais velha que eu e José Itaci que é o marido dela comenta: "Ah, porque você não pensa em fazer um intercâmbio? Tem o AFS". Isso se dá no final de [19]81 e início de [19]82, eu faço, entusiasmado pela ideia ou interessado na ideia, sem consultar meus pais, afinal de contas você está postulando sem saber se vai obter, né? Então, eu faço três processos seletivos, [19]82, 83 e 84 e quando eu faço o processo seletivo de 84 é a minha derradeira chance, porque eu tô no limite da idade. Na época ainda se aceitava com 17 anos e pouco, 17 anos e meses para poder fazer o intercâmbio.

Com o meu retorno [do intercâmbio], o AFS toma dois rumos distintos: um pouco mais pessoal na relação com a família, com a minha família hospedeira, que eu permaneço em contato até hoje, eu vi meu irmão hospedeiro em ciclos de quatro ou cinco anos, a cada quatro ou cinco anos a gente se encontrava. Eu vi meus pais hospedeiros uma vez em 90 e vou voltar a revê-los em 2011, quando eu levo a minha família pra conhecê-los, levo a minha esposa e as minhas duas filhas. São quase como parentes que a gente vê de tempos em tempos. E a outra trajetória que eu diria assim, não de um pessoal no próximo família, mas de um pessoal no engajamento com a instituição. Eu me torno um voluntário bastante ativo, participando do comitê e de todas as gestões do comitê Rio e na Direção Nacional, eu me envolvo como diretor, eu não me lembro mais se a palavras diretor, presidente, coordenador, enfim, como coordenador regional responsável pela região Sudeste, na gestão que vai de [19]88 a 90. Em [19]90, tem a sucessão do Pedro, em que eu permaneço.

Enfim, [a gente] tinha uma convivência social intensa, e nessa convivência social intensa você tinha namoricos, casais que se faziam e se desfaziam, aproximações, histórias que foram feitas. Logo depois que eu voltei, antes mesmo do meu acidente, eu namorei a Diana que era uma irmã de um ex-participante, ela mesma participante, ou seja, você tinha uma sociabilidade que se construía no comitê Rio, que a gente brincava dizendo que tinha o comitê Rio e o comitê festivo do Rio. Esse comitê festivo realmente tinha uma vida intensa enorme. A gente publicou, durante muito tempo, um jornalzinho chamado "Radicaos", que você construía um jogo de palavras que era radicals, com a-o-s, e tinha uma colunista secreta que ninguém sabia quem era, chamada Morgana, então tinha a coluna da Morgana e, o jornal saía de dois em dois meses, o jornal saía com quem ficou com quem, quais são as fofocas do comitê (risos). Você tinha uma coisa de bando mesmo, de grupo, todo mundo querendo conviver o tempo todo e aí, tem momentos muito legais.

A gente jogava algumas vezes, pouco, porque só tinha perna de pau, né? Que aí também, fazendo o trocadilho, era o perna de paos, p-a-o-s, que nem o Radicaos, né? E o “Perna de Paos” era muito ruim, era muito ruim... Eu acho que o único que jogava bola direitinho ali era eu, antes do acidente, porque depois do acidente eu não jogava mais nada. Era muito ruim, era divertido, porque você ia chutar bola e chutava a canela, a gente se divertia, tinham várias coisas: tinha o time de futebol, o jornalzinho, os finais de semana que a gente viajava pra fazer uns finais de semana fora do Rio, tinha a festa de Halloween. A festa de Halloween era um negócio genial, a gente fez durante muitos anos, era o nosso maior evento de arrecadação de fundos. Eu me sentia promoter, organizando aquela festa, tinha venda de ingresso antecipado, prêmio para a melhor fantasia, porque era Halloween fantasiado, né? Prêmio de melhor fantasia, tinha de tudo!

Em setembro de 93, eu me afasto e vou França fazer meu doutorado em Ciência Política, em Montpellier. A mesma coisa, né? Os primeiros meses são muito difíceis de viver no exterior, não ter amigos, não conhecer ninguém, é um ambiente universitário que não era tão acolhedor, porque você não tinha laboratório. Na verdade, cada um tava fazendo seu projeto, tocando a sua vida, não tinha um espaço de reunião, e aí, numa dessas buscas de pesquisa de pesquisa em bibliotecas, eu vou na biblioteca de uma representação do consulado americano em Montpellier e encontro um cartaz do: "Vivre Sans Fontière", que é o AFS Francês. E aí, ligo pra representante do comitê local, me apresento, digo que eu gostaria de participar, de tá envolvido, imaginando que é uma ponte pra fazer amizades e ela me diz: "Vai ter uma reunião aqui amanhã, mas você não vai querer vir porque é uma reunião chata, só dos voluntários, administrativa, pra discutir...", e eu falei: "É exatamente essa que eu quero ir, eu adoro reunião administrativa!" E aí, acabei me tornando voluntário do comitê, um ano depois eu fui eleito para a Diretoria Nacional do AFS francês, do corpo de voluntários e aí, durante um ano a gente trabalhou, a Cíntia acompanhando com o AFS local até 95, quando eu volto Brasil.

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