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Nutrindo o Departamento de Alimentação Escolar

História de: Érika Fisher
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/06/2014

Sinopse

Erika Espindola Fischer é uma gaúcha nascida em Porto Alegre no dia 06 de junho de 1966. Passou parte de sua infância no interior de Santa Catarina, e aos seis anos se mudou com a família para a cidade de São Paulo. Após graduar-se em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas, começou a trabalhar na coordenação de oficinas culturais, projeto que até então era elaborado pelo Governo do Estado de São Paulo. No entanto, após casar-se, muda-se para Florianópolis e permanece por lá durante o período de 11 anos. Ao retornar para São Paulo, especializa-se em sustentabilidade e responsabilidade social e começa a atuar profissionalmente nesta área. Há cerca de um ano atrás recebeu o convite do Secretário de Educação da cidade de São Paulo, César Callegari, para assumir o Departamento de Alimentação Escolar do município. É nesse momento que adquire contato com o Programa Nutrir, e inspira-se nele para construir as diretrizes do que se pode chamar de Programa de Educação Alimentar e Nutricional na Rede Municipal de Ensino.

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História completa

P/1 – Por favor, para deixarmos registrado, seu nome completo, data e local de nascimento.

 

R – Erika Espindola Fischer.

 

P/1 – Você nasceu onde e quando?

 

R – Nasci em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, seis de junho de 1966.

 

P/1 – Conta um pouquinho da tua infância, da tua trajetória escolar, como que foi, onde que você estudou.

 

R – Bom, eu nasci em Porto Alegre, mas até os seis anos de idade, eu alternei diversas… diversas não, eu me alternei entre uma cidadezinha de Santa Catarina chamada Armazém e a própria cidade de Porto Alegre. Eu sou a primeira filha de cinco e ai, nessa ocasião, então, era só eu, meu pai e minha mãe, então, vivi muito tempo nessa pequena cidadezinha, que tinha um rio enorme, onde eu brincava, eu era meio filha da cidade toda, não era só do meu pai e da minha mãe. Então, era uma cidade muito sem muros, enfim, conhecia todo mundo, tive uma infância muito saudável. Com seis anos, meu pai foi chamado para um trabalho em São Paulo e a gente… aí, a minha vida começou a mudar radicalmente, eu vim para São Paulo e ali, a família cresceu e eu passei, na verdade, praticamente o resto dali para frente aqui em São Paulo. Estudei sempre em escola publica, fiz Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas. Depois de formada, trabalhei coordenando oficina cultural, que era um projeto do governo do estado de São Paulo, da secretaria de cultura. Depois de um tempo, já casada e com uma filha pequena, me mudei para Florianópolis e acabei me fixando lá por 11 anos. Então, na verdade, quando te falei que eu praticamente o resto da vida passei em São Paulo é uma pequena inverdade, porque tive uma interrupção de 11 anos morando em “Floripa”. E ali, cultivei ostras e montei uma empresa, uma pequena empresa com o meu marido e com a minha irmã, voltada à maricultura. Então, essa empresa depois cresceu, se agregou com outros produtores semelhantes e hoje é uma empresa significativa, uma das maiores desse setor de ostreicultura. Mas quando a filha já estava atingindo a idade de entrar no ensino médio, pois até então, ela estudava na escolinha da vila de pescadores, onde eu morava, e tinha uma vida completamente afastada do centro urbano, afastada da correria, do consumo, mas também, afastada dos centros de pensamento. Então, eu achava que precisava dar a ela uma outra vivencia, com mais possibilidades de formação, dado já estava atingindo a adolescência. Então, regressei para São Paulo. Isso faz sete anos, mais ou menos, seis anos, algo assim. Aí, quando voltei para São Paulo, me especializei na área de sustentabilidade e responsabilidade social, consumo consciente e me engajei, fortemente, nessas causas, e passei a ser militante e profissional desses temas. Então, eu sou consultora do Instituto Akatu para o consumo consciente, da Bolsa de Valores sociais e ambientais, do ISER, que é o Instituto de Estudos de Religião. Tenho uma consultoria própria e atuo em diferentes segmentos, desde projeto social, avaliação de projetos sociais, até monitoramento de projetos de desenvolvimento territorial. Na início da minha trajetória profissional, ainda em faculdade, trabalhei com o desenvolvimento local, mas aí, mais com foco no desenvolvimento municipal e tive contato e fiquei bastante próxima com o Cesar Callegari, que hoje é secretario de Educação. E esse contato se manteve, embora inconstante, pelo sabor das minhas mudanças, sempre foi uma pessoa que sempre confiei muito no trabalho, enfim, desenvolvi alguns projetos junto com ele e reforcei esses laços no meu retorno para São Paulo há seis anos atrás. Desenvolvi alguns trabalhos na área de Educação e fui convidada, há um ano, a assumir o departamento de alimentação escolar, um pouco pela confiança, um pouco pela afinidade da questão política e ideológica que traz o atual governo, e outro tanto, pela minha própria experiência com o desenvolvimento local, e portanto, com o tema da alimentação. No caso, vim muito determinada a trabalhar com a efetivação da Lei 11947, de 2009, que é uma lei de aquisição de produtos oriundos da agricultura familiar, em especial, de assentados da Reforma Agrária. Então, eu tinha um pouco a experiência do lado de lá, e vim trazê-las para o lado de cá do balcão, para os ofertantes. E o departamento de Alimentação Escolar, na época chamado departamento de Merenda Escolar até… quando ingressei em março que ainda tinha esse nome, nunca tinha efetivado esse tipo de compra. E é isso. Principalmente, entre outros motivos, que já citei, que me trouxe a esse posto. Foi o suficiente (risos)?

 

P/1 – Foi! Nossa, tem muita coisa aí para contar! Mas, vamos entrar um pouquinho já no Programa Nutrir. Como que você conheceu o programa, como que ele apareceu na tua história?

 

R – Bom, quando fui convidada para assumir o departamento, a primeira coisa que fiz, como acho que qualquer um faria, foi consultar seu site, para saber: bom, o que é que existe? Não só o site, como a internet, as redes sociais, o quê que é esse tal desse departamento de Merenda escolar? Quem são as crianças? Qual o universo atendido? O quê se faz lá? E aí, eu vi toda uma complexidade, uma engrenagem, números gigantescos, porque a cidade de São Paulo tem, talvez, o maior programa de alimentação escolar do Brasil e ouso dizer que talvez, do mundo, em termos de unidade executora individual. Oferecemos quase dois milhões de refeições por dia, todas variadas, balanceadas, conforme a unidade, conforme o perfil da unidade escolar onde a criança está, o tempo em que ela permanece na escola, conforme a idade que ela tem, enfim, isso tudo verificamos à distância, virtualmente. O que me trouxe para cá, como te falei, foi a questão da agricultura familiar, mas foi também, um outro eixo, que era a educação alimentar e nutricional. Pelo o que vi nas fontes secundárias disponíveis, isso era muito pouco trabalhado, e existia no próprio site do departamento um ícone do projeto Nestlé Nutrir, e me interessei por isso e mais algumas dezenas de escolas trabalhando com hortas. Mas enfim, o Nestlé Nutrir me interessou, e falei: ‘bom, existe alguma coisa lá’. O que me chamou a atenção foi que diante do gigantismo da cidade, era muito pouca coisa e só a Nestlé, ali, despontando com algum trabalho. Ou seja, o Nutrir já existia, eu não o trouxe, na verdade, cheguei aqui e fui recepcionada por ele, fui incorporando sua história e fui me apropriando dela enquanto tentava desenhar um programa mais extenso, mais abrangente para a área de Educação Alimentar. Estreitamos laços com eles, fiz inclusive, o setor que trabalhava a interlocução com o Nestlé Nutrir, ele mudou a concepção, e incorporei novas pessoas. Mas enfim, podemos dizer que o Nutrir foi uma fonte de inspiração para construirmos o que hoje chamamos de um programa de Educação Alimentar e Nutricional na Rede Municipal de Ensino. O Nestlé Nutrir sempre, nos nossos encontros, mostrou muita habilidade, principalmente, no trato com a ponta, onde a comida ocorre, que é com a merendeira e a cozinheira escolar. Esse trabalho junto às cozinheiras é uma das áreas que queremos enfatizar, entre outras, dentro desse universo de Educação Alimentar e Nutricional. E me chamou a atenção que o programa da Nestlé já percebia isso e já estava lidando com isso, embora pontualmente, porque a Nestlé elege anualmente diferentes regiões da cidade e dada a vastidão do nosso território, pinça algumas – eu não sei como que é o procedimento metodológico, mas imagino que seja sorteio – e vai percorrendo ano a ano, diferentes áreas da cidade. Vale ressaltar que tem sido grande, o foco na valorização do prato realizado pelas cozinheiras, do produto que elas fazem, ou seja, valoriza-se o trabalho da cozinheira e em consequência, você tem um prato mais saboroso, mais atraente, enfim, isso daí me interessou, porque achei que esse talento, essa expertise do programa podia servir, no mínimo, de inspiração para uma ação mais abrangente e institucional, partindo do próprio departamento.

 

P/1 – Você chegou a ver alguma ação na prática, assim, como que você… chegou a ver algo da prática do programa?

 

R – Não. Não. Eu não cheguei a ver, eu tenho só relatos, de vez em quando, tenho reuniões com o pessoal da Nestlé Nutrir. Aproximamo-nos bastante quando fizemos um evento em conjunto, que foi a primeira ação que fiz. Formamos um grupo de trabalho, que aproximasse o setor, as nutricionistas do departamento de Alimentação Escolar com os pedagogos da Secretaria de Educação, porque o departamento faz parte da Secretaria de Educação, mas está fisicamente afastado, nós estamos no centro da cidade, e a Secretaria de Educação está na Vila Mariana. O departamento, em outras ocasiões, já foi da Secretaria de Abastecimento, depois foi da Secretaria de Planejamento e desde 2009, está sediado na Secretaria de Educação, mas isso com muito pouca efetividade. Ou seja, temos que pertencer à Secretaria de Educação, como um grupo, como uma peça de uma engrenagem redonda. Então, montamos um grupo de trabalho, que se destinava justamente, a desenhar quais os pontos de afinidade entre o trabalho de um e de outro e como poderíamos fazer o alimento transcender o ambiente do refeitório da cozinha, ir para a sala de aula e ainda mais ousado, ir para dentro da casa do aluno. Porque hoje, se sabe que o aluno vem deseducado em termos alimentares. Ele vem de casa com outros padrões, a comida processada predomina no ambiente urbano, e a minha ideia era reensinar famílias a se alimentar adequadamente, inspiradas no que ocorre no ambiente escolar. Então, fizemos um primeiro seminário de abordagem disso, mostrando essa aproximação e a Nestlé foi fundamental, porque nos proporcionou um dia de intensa vivência com diferentes palestrantes, enfocando ângulos distintos da questão alimentar. Nesse seminário, inclusive, a Nestlé lançou um novo ponto no projeto dela, um novo patamar. Foi interessante, foi uma vivência conjunta nossa, mas sinceramente, te digo que nunca consegui aprofundar muito a minha relação pessoal com a Nestlé, porque gerencio um departamento que poderíamos chamar aqui, de o maior restaurante do Brasil. Então, tenho questões e não tenho equipe para boa parte das funções, e acumulo muitas tarefas do ponto de vista estratégico, do ponto de vista contratual, do ponto de vista financeiro. Então, constituímos esse setor que tínhamos te falado antes, e incorporamos ao setor novos profissionais, para que dessem conta, de um diálogo mais afinado com parceiros do perfil do Nestlé Nutrir. Só por isso que ainda não tive fôlego para presenciar in loco uma ação do programa. Mas eu pretendo fazer isso, em algum momento (risos).

 

P/1 – Nessas reuniões, já que você está no macro, e na prática às vezes é difícil mesmo, vermos alguma coisa, mas você consegue perceber a diferença das escolas que participaram do Nestlé Nutrir e das escolas que não participaram?

 

R – Olha, eu não tenho um monitoramento disso, até gostaria de receber um dado mais cientifico, como é que está sendo a aceitação, por exemplo, da alimentação escolar pós intervenção do programa ? Mas não tenho isso e desconheço que a Nestlé tenha oferecido ou esteja fazendo esse monitoramento. Ainda é um pouco… como é que eu vou dizer isso? Informal, um pouco casual a nossa compreensão, intuitiva. E acredito que, pelo menos assim, por depoimentos dos diretores regionais de Educação e pelas pessoas que lidam nas diferentes diretorias, que lidam mais diretamente com a alimentação, me parece que o programa é efetivo sim, ele traz mudanças no comportamento das cozinheiras, principalmente, no sentido de apresentar uma refeição mais atraente. Esse é o aspecto que me chama a atenção, mas estou te falando de uma intuição, eu nunca mergulhei a fundo e não tenho dados para te dizer: “Aconteceu assim, assim, a gente tem mudança já percebida…, com dados mais rigorosos”.

 

P/1 – Não, é a sua percepção mesmo que queremos buscar, claro, não…

 

R – Eu vi muitos vídeos com a Mara Salles, por exemplo, a chefe que teve a intervenção. Eu vi. Inclusive, ela esteve nesse evento que fizemos em conjunto com a Nestlé, deu um depoimento maravilhoso, e eu acho que… eu sinto que as cozinheiras, adotam esse novo perfil. Eu acho que é interessante isso. Essa é a minha intuição.

 

P/1 – Existe uma abertura por parte da Nestlé, nesses diálogos, para trazer a realidade de vocês, e discutir sobre isso?

 

R – Existe, inclusive, este ano, estamos reforçando muito essa parceria, porque a Nestlé… eu já tinha te falado isso, de não saber do monitoramento, eu também não sei dos indicadores, como é que eu vou monitorar se eu não construo indicadores? O que quero ver de diferente na escola? O que quero ver de diferente na alimentação, no comportamento dos alunos, das cozinheiras, dos professores, na ambiência promovida para que essas crianças se alimentem? Isso daí não foi construído. Então, a Nestlé vem com uma proposta, a coloca em prática, junto com esses profissionais, mas assim, se não tivermos a construção dos indicadores, não tenho depois, como monitorar e saber se deu certo, não deu, não tenho como saber as metas e o que eu queria com isso. Isso foi externado por mim e acho que foi pactuado também, e a Nestlé entendeu também que era uma deficiência ainda, porque é um projeto que está sendo construído, acho que com várias mãos. E hoje, ela se propõe a fazer essa construção de indicadores, me parece que tem pessoas profissionais lidando com isso, isso não é fácil, isso eu estava tentando fazer no ambiente interno com… principalmente, com a equipe de nutricionistas supervisoras, essas que vão a campo, que atuam diretamente na cozinha escolar, mas pressupõe outros entendimentos. Então, a própria equipe de campo está com dificuldade, eu acho que agora, essa fase da parceria com o Nestlé Nutrir vai nos permitir uma construção conjunta. A Nestlé também vai precisar de nós para saber como construir esses indicadores, não é uma coisa que você senta numa sala entre quatro paredes e: “Ah, eu sei a resposta. Eu sei construir isso. Eu sei o quê que eu preciso achar lá na ponta”. é o tipo da coisa que você só constrói vivenciando e dialogando muito. Até porque as realidades das cozinhas escolares, das cozinheiras e dos alunos é muito diferente conforme o tipo de unidade. Se você está num centro de educação infantil é uma coisa, é uma carga de trabalho, é uma perfil de aluno, é um perfil de comida. Se você está numa EMEI é outro, que é uma escola municipal de ensino infantil, de educação infantil, se você está numa EMEF é outro, porque as crianças já têm uma idade mais avançada. Enfim, na verdade, parece que a Nestlé só lida com as EMEFs, com ensino fundamental, mas de qualquer forma, as realidades se alternam muito, porque São Paulo é um mundo numa cidade, então, essa construção tem que ser muito dialogada, porque ela é complexa.

 

P/1 – Qual o ganho que você vê nessa parceria publico/privado, de uma empresa de tanta referência, e vocês também, com um papel tão importante na Educação do Brasil, afinal, estamos falando de coisas básicas, não é, qual que é o ganho, nesse contexto que estamos falando, de nutrição, de alimento?

 

R – Eu acho que uma visão um pouco mais sistematizada sobre nossa estratégia de ação. Assim, eu estou na verdade – põe entre aspas – “usando” a Nestlé para testar uma intervenção que transcenda a manipulação dos alimentos. Então, acho que o ganho é podermos avançar, principalmente, vou reiterar isso, na construção de indicadores e metas dentro desse universo. Como é que eu posso intervir para que essa alimentação saudável, que oferecemos, seja também uma alimentação atraente, gostosa, saborosa, lúdica, que a alimentação não seja mais vista como um processo, fazer a comida ser um processo enfadonho, cansativo, trabalhoso, não é, acho que se conseguirmos mudar essa ótica em torno do alimento, de quem produz esse alimento, de como é que ele chega ao aluno, você deixa registrado uma… você dá um passo que não tem mais volta, só tendemos a aumentar isso. Agora, a presença da Nestlé facilita a nossa intervenção de uma maneira mais sistematizada, para não fazer só… ainda como… eu sinto, ainda, que é feito de uma forma intuitiva, sem muito caráter cientifico e aí, quero dizer exatamente: construção dos indicadores e colheita e monitoramento dos dados na pós intervenção. Então, quando a Nestlé sair de lá, isso que você me perguntou: “Será que muda?”, eu não sei se muda, eu não… alguém está indo lá ver de uma maneira, alguém de fora está indo ver o que acontece ? Então, acho que quando conseguirmos chegar nesse ponto, de trabalhar de uma maneira mais a longo prazo, dentro de uma linha do tempo, acho que, de fato, consolidaremos as bases para a construção de uma política de intervenção, junto principalmente, às cozinheiras e às formas como elas preparam os pratos.

 

P/1 – Você consegue lançar assim, algumas… alguns pensamentos nesse sentido futuro, por onde vai encaminhar? Eu acho que você já falou um pouquinho disso, para onde pode caminhar essa parceria?

 

R – Acho que ela já está caminhando. Ela já existia antes de mim e ela própria foi crescendo, a Nestlé, acho que foi crescendo, ela faz isso, inclusive, em outras cidades. Só que em São Paulo, nesse grande laboratório, o que estou conseguindo proporcionar é uma interlocução mais… como é que eu vou dizer? Até mais formalizada com a Nestlé, as nutricionistas dos departamentos se encontram com regularidade com o pessoal do Nestlé Nutrir, para construir, em conjunto, esse novo cenário que estamos querendo desenhar. Eu não sei o que vai acontecer no futuro, imagino que a Nestlé deve encontrar caminhos também, aprender com os erros, porque quando você começa a monitorar o que fez, você se auto avalia e pode redefinir a parceria. Eu imagino que essa coisa está em franca construção, e eu pretendo continuar porque o que é interessante da Fundação Nestlé, e isso é uma preocupação muito grande minha, do secretário, do prefeito, é que a gente não se vincule com a empresa que nos fornece. Até por questões éticas, eu não poderia fazer isso com a Nestlé, se não tivesse uma fundação referendando essas ações que estamos fazendo. E a Nestlé entende bem isso. Esse programa tem maturidade, ele não lida com os produtos da Nestlé. Eu recebo aqui diversas empresas que querem fazer trabalho de Educação Alimentar e Nutricional, mas fatalmente incorrem nesse pecado que é vincular bem ou mal, para um produto que tem a ver com a marca delas, pode até não ser o produto delas, mas é um produto do universo delas. E a Nestlé, saiu… esse programa, o Nestlé Nutrir, saiu dessa abordagem, em nenhum momento fala dos lácteos, ou de qualquer produto que venha da família Nestlé. Ele está lidando com um programa… ele pretende promover Educação Alimentar a despeito dos produtos que ele… que a empresa mãe é responsável. Então tenho confiança de continuar a parceria, e acho que ela vai se desenhando no decorrer do tempo. Talvez, se você me ligar daqui um ano, eu tenha elementos muito mais sólidos para te passar.

 

P/1 – Acho que… Erica, você já finalizou muito bem, era mais ou menos sobre isso que tínhamos que conversar, acho que é importante esse ultimo comentário, de não vincular, que exemplo que pode ser feito, que é importante, é bom que se consiga perceber isso, não é? E como é um projeto de memória, é bom deixar registradas todas essas informações, quais são as falhas, quais são os ganhos, onde que a gente poderia conversar. Então, essa conversa vai ser muito bem-vinda para o material que produziremos, obrigada por dar um pouquinho do seu tempo para nos contar uma história que é tão importante.

 

R – Está bem, querida! Depois você me diga onde que isso vai constar?

 

P/1 – Então,a priori, faremos um relatório porque o programa, como tem 15 anos, tem um livro lançado especificamente sobre ele, mas assim, falta ainda muita informação. Então, estamos fazendo um trabalho todo de retomar essas informações todas e muita coisa é oral, está na memória das pessoas, não tem mais tanta fonte…

 

R – É isso que eu estou te falando, que eu acho que é a falha, a gente acaba…

 

P/1 – É. Então, mas é um passo, que eles vão perceber, não foi só você que comentou sobre as falhas e onde que podemos mudar. Eu acho que de uma forma ou de outra, eles estão antenados para isso, de que precisa mudar alguma coisa.

 

R – É, eu tenho só um ano nessa parceria, um ano que tive que cuidar de muita coisa, então, infelizmente, não pude dedicar tanta atenção e te responder com mais propriedade sobre tudo o que você me perguntou.

 

P/1 – Mas Erica, é isso mesmo que eu estava pensando, você tem um cargo muito macro, é difícil estar em todos os lugares e saber o especifico de cada um. Eu entendo isso.

 

R – Está bem.

 

P/1 – Então, faremos um relatório com linha do tempo, com esses depoimentos todos. E falando nisso, vou te mandar por email, uma ficha de cadastro, que é uma coisa mais burocrática nossa aqui, para ter um registro seu, não é, contato e tudo mais. São duas cessões de direito, uma para o Museu e outra pra Nestlé, para podermos usar esse seu depoimento. Tudo bem?

 

R – Ok.

 

P/1 – Se quiser fazer algum adendo na cessão, pode fazer um asterisco ali em baixo, mas acho que não teve nada demais que você contou aqui, foi tranquila a nossa conversa, e daí você escaneia e manda para mim de volta.

 

R – Está bem.

 

P/1 – Está joia?

 

R – Está bem.

 

P/1 – Muito obrigada Erica, parabéns, viu?

 

R – Obrigada querida.

 

P/1 – Tchau, tchau.

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