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Nunca é igual

História de: Maria Aparecida Macedo
Autor: Ana Paula
Publicado em: 16/06/2021

Sinopse

Maria Aparecida conta como foi viver criada por um familiar e depois em um orfanato. Trabalha em casas de famílias e depois entra na prefeitura de SP onde presta serviço em uma creche, é escritora e compositora.

História completa

Projeto Fundação Banco do Brasil Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Maria Aparecida Macedo Entrevistada por Luana Guarnieri São Paulo, 16 de maio de 2008 Código: DIHV_CB002 Transcrito por Thayane Laranja dos Anjos Revisado por Valdir Canoso Portásio P/1 - Bom dia! Queria que você começasse falando seu nome completo, local e data de nascimento. R - O meu nome completo é Maria Aparecida Macedo. Eu nasci em Minas Gerais, cidade de Itamogi e minha data de nascimento é 25 de março de 1947. P/1 - E agora você poderia me contar um pouquinho qual é sua atividade, com o que você trabalha? R - A minha atividade… Eu trabalho na prefeitura, numa creche, há 28 anos e nas horas vagas eu gosto de escrever histórias e fazer música. P/1 - E agora você poderia contar pra gente quais são os nomes de seus pais e com que eles trabalhavam? R - O nome dos meus pais são Geraldo Davi Macedo, trabalhava na roça, e minha mãe era Maria Rita de Jesus, também trabalhava na roça. P/1 - Agora vamos falar um pouquinho sobre sua infância. Qual foi o bairro que você passou sua infância? R - A minha infância foi… Eu nasci e logo meus pais se separaram e eu fiquei uns anos com minha avó. Depois ela ficou doente, aí nós fomos encaminhados para um orfanato em Jacareí, interior de São Paulo e daí, quando eu tive 9 anos, fui morar com uma família. E nessa família eu fiquei até 16 anos e depois de 16 anos eu continuei trabalhando em outras casas e assim por diante. Foi lutando pela vida. E daí trabalhei em vários lugares e quando eu estava com 35 anos eu entrei na prefeitura e estou até hoje. P/1 - Quais as lembranças que você tem marcante dessa sua juventude? Quando você veio para São Paulo, o que você lembra dessa época? R - O que eu me lembro? Que mais marcou? O que mais marca na gente é não ter a convivência com os pais, a gente vive com pessoas estranhas, mas nunca é igual. P/1 - Fala um pouquinho sobre a creche e esse lugar que você está morando agora. R - Olha, na creche eu dou tudo o que tenho, meu amor às crianças, admiração, amizade entre os amigos, colegas. Eu dei quase minha vida nessa creche junto às crianças. E pelos anos que estou, falta pouco pra eu me aposentar, mas vou deixar boas recordações. P/1 - E como é a comunidade, a região, o bairro onde fica essa creche? R - É um bairro bom, é um bairro assim, bem dizer, calmo. Tem condições fartas, tem o metrô, não dá pra se queixar. P/1 - Qual é o bairro? R - Vila Guilherme. Próximo da Vila Maria. P/1 - E você disse que escreve, né? E você gosta de ler? R - Gosto. Gosto de ler. Escrevi um livro e ainda não publiquei. Faço música e também tô procurando algum conjunto, alguém que se interesse em gravar. P/1 - Que legal. Você faz o que? Vocal, toca? R - Não, eu componho. P/1 - E o que você está lendo atualmente? R - Olha, atualmente eu não estou lendo nada [risos]. Quando tenho oportunidade, leio jornal, revista, o que aparecer na minha frente eu não perco tempo que o estudo e ler faz bem. A pessoa fica instruída, né? P/1 - Sim. E conta para a gente um livro que marcou a sua vida, um que você falou: "Nossa, esse livro…". R - O livro que me marcou… Existem livros bons, escritores bons, mas o livro que me marcou foi o livro da Carolina Maria de Jesus. Foi no ano 1950 quando eu li a história dela e eu não sei também se foi por eu ler a história dela que eu comecei a escrever. Não escrevo a história das pessoas. Eu quando ando na rua vejo algo que me interessa, que me chama atenção e então eu resumo numa história. P/1 - Qual foi a sensação de contar um pouquinho da sua história para a gente? Dessa história da sua vida que você está dividindo com a gente. R - Eu achei gostoso, assim, empolga e acho que é bom a gente se abrir um pouco para as pessoas terem conhecimento de como a gente vive, né? A pessoa fechada não tem um caminho aberto. A gente tem que expandir. P/1 - Então a gente te agradece, Maria Aparecida, por seu depoimento. R - Obrigada. P/1 - E boa sorte. R - Obrigada. ---- FIM DA ENTREVISTA ----
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