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História de: Izidoro Elias
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/12/2020

Sinopse

Nasceu 1954, em Monte Mor, São Paulo. Zona rural de Monte Mor, pais lavradores. Infância: pescar e nadar no Rio Capivari. Graduou-se em Matemática, na Unicamp. Deu aula de Física depois Matemática, de 1977 a 1985. Entra na Tetra Pak em 1978 como auxiliar de planejamento, depois vai para logística, e retorna para planejamento, como supervisor. Em 1999, começa a trabalhar na unidade de Ponta Grossa como supervisor de produção. Projeto SAP. Supervisor de almoxarifado.

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História completa

P – Bom dia, Izidoro.



R – Bom dia.



P – Para começar, eu queria que você dissesse o seu nome completo, local e data de nascimento.



R – Izidoro Elias; nasci em Monte Mor, em 10 de abril de 1954.



P – E qual é a função que você ocupa hoje na Tetra Pak?



R – Supervisor de almoxarifado…  



P – … E o nome dos seus pais, Izidoro?



R – Meu pai chama-se Onofre Elias e a minha mãe, Elydia Maria Wellendorf Elias. 



P – Eles são originários de Monte Mor?



R – Eles são nascidos e criados em Monte Mor.



P – E qual é a atividade que eles têm?



R – Eles são lavradores.



P – Tanto o seu pai quanto a sua mãe?

 

R – Tanto o meu pai quanto minha mãe.



P – E você nasceu em Monte Mor mesmo?



R – Nasci em Monte Mor.



P – Nessa sua primeira infância, digamos assim, onde você morava? Na cidade?



R – Na verdade, eu morava na zona rural de Monte Mor, em um sítio de propriedade dos meus pais; nesse sítio, eu vivi até eu terminar a faculdade. Ele era distante da cidade, mais ou menos, a uns seis quilômetros, e para estudar, até terminar o ensino médio, eu e meus irmãos - nós somos em quatro irmãos, eu sou o terceiro de quatro irmãos - nós tínhamos que caminhar até Monte Mor para fazer, na época, o que era chamado de grupo escolar e depois o ginásio e o colegial.



P – Então, vocês andavam seis quilômetros para ir e seis para voltar todos os dias?



R – Seis para ir e seis quilômetros para voltar, todos os dias, com chuva, com sol, com poeira. 



P – E seus pais eram lavradores, como você falou; eles plantavam no sítio, é isso?



R – A subsistência nossa vinha da lavoura.



P – Mas eles também plantavam para vender ou era só para subsistência mesmo?



R – Era para vender e para subsistência também; tinha que se ter algum dinheiro, então esse dinheiro vinha da plantação de algodão, plantava-se pimentão também; mais tarde, o meu pai passou a ser hortifrutigranjeiro. Foi sempre uma vida de sítio mesmo.



P – E eles moram em Monte Mor? 



R – Eles moram em Monte Mor.



P – Nesse mesmo sítio?



R – Não, hoje eles moram na cidade; o meu pai está com 80 anos e minha mãe com 77. Hoje, eles estão morando na cidade.



P – E como era a casa em que você passou a sua infância e adolescência?



R – Você quer realmente que eu fale da casa?



P – Conta para nós… 



R – … Eu vim até pensando no seguinte: vocês querem a versão real ou vocês querem a versão romântica?



P – Conta as duas.



R – A versão romântica é que aquilo era muito bonito, era tudo muito gostoso; mas, na realidade, era bem diferente: meus pais eram pobres, morávamos em uma casa que, digamos, não era a melhor do mundo, mas era aquela casa que nós tínhamos. Não era uma casa de alvenaria, era uma casa feita de taipa; não tinha eletricidade, não tinha televisão, não tinha nenhuma facilidade de eletrodomésticos, mas era a vida que nós tínhamos e foi a vida que nós conseguimos, graças a Deus, nós sobrevivemos e estamos todos aí. Os meus irmãos mais velhos fizeram até o grupo escolar, naquela época, o quarto ano de grupo. Eu fui o primeiro que foi um pouco para frente: eu fiz o ginásio, depois o colegial e acabei indo para a faculdade. Meu irmão mais novo também foi para a faculdade, mas era uma vida difícil, porque tínhamos que levantar às cinco e meia da manhã e pegar a estrada; naquele tempo, havia bastante crianças que moravam na zona rural e todos íamos juntos. Então, ia saindo um de um sítio, o outro do outro e juntando todo mundo, fazíamos uma caravana que ia para a cidade estudar. Saíamos ao meio-dia da escola, voltávamos a pé e chegávamos em casa a uma e meia, duas da tarde.



P – E não tinha nenhum tipo de transporte que fizesse isso?



R – Não, não tinha as facilidades que tem hoje, como o auxílio de transporte da prefeitura que existe hoje. Uma coisa bem interessante é que hoje você tem a merenda escolar, mas, naquele tempo, nós tínhamos o que eles chamavam de sopa,  só que você tinha que pagar. Então, quando não se tinha dinheiro para pagar essa sopa, como saíamos às seis horas da manhã e voltávamos às duas da tarde, a minha mãe fez uma sacolinha de pano com cadarço e ela punha comida em uma latinha. Talvez vocês não conheçam, mas era uma latinha de margarina desse tamanho, ainda tem no mercado hoje. Ela fazia uma comidinha, colocávamos aquilo na mão, prendíamos e íamos embora. Na hora do intervalo, que chamava recreio, eu lembro até hoje, eu tenho a cena; o grupo escolar está lá, inclusive é o grupo onde a minha estudou, onde meu pai estudou; ele continua lá, um pouco modificado, mas continua, nós sentávamos debaixo da escada e tínhamos o nosso almoço.



P – Quais são as lembranças mais importantes da sua infância, das brincadeiras? Vocês eram em quatro irmãos, não?



R – Quatro irmãos. Na verdade, das brincadeiras eu lembro-me bastante depois, já com 11, 12 anos. Íamos pescar porque tinha o rio perto, pescávamos muito no Rio Capivari, que não era poluído como é hoje, nadávamos no Rio Capivari, andávamos a cavalo, saíamos para caçar com aquelas atiradeiras, que chamávamos de estilingue, não sei como vocês chamam aqui. Mas a maior parte do tempo, nós trabalhávamos, mesmo quando crianças; tínhamos que auxiliar na lavoura porque era só o meu pai e minha mãe e, de uma forma ou de outra, toda a subsistência tinha que sair. Às vezes, voltávamos da escola e não íamos para casa, voltávamos direto para a plantação, trocávamos de roupa ali mesmo, porque tinha uniforme, e íamos para a labuta na lavoura.



P – Você morou nesse sítio até o final da faculdade?



R – Morei nesse sítio até o fim da faculdade.



P – E nesse tempo todo continuou sem luz, sem água, ou depois foram chegando? 



R – O que aconteceu foi o seguinte: a minha irmã mais velha casou-se aproximadamente em 1976; o meu irmão mais velho casou-se um ano depois e veio morar no sítio. Então, isso eu lembro-me bem, a eletricidade chegou no sítio em 1986.



P – Em 1986?



R – Em 1986. No início, quando éramos crianças, o banho era bacia; depois, foi feito aquele sistema com o balde, com o chuveirinho. Você esquentava a água no fogão a lenha, punha ali e tomava banho até que a água acabasse.



P – Izidoro, você falou que o grupo ficava na cidade, que vocês tinham que andar os seis quilômetros. Como era Monte Mor na sua infância, nessa sua época de criança?



R – Monte Mor era uma cidade muito pequena, eu acredito que tinha uns dez, quinze mil habitantes, não chegava a isso na zona urbana, Monte Mor era uma cidade muito rural. Como eu falei, as crianças moravam todas no sítio. Lógico, tinha o pessoal da cidade, mas em comparação com o que é hoje, que tem 50 mil habitantes, relembrar o que era, onde a cidade iniciava e onde terminava… Quando eu conto isso para os sobrinhos, para os mais novos: “Olha, a cidade terminava aqui!” Eles não acreditam! Hoje, está muito grande, muito espalhada, mas era essencialmente rural, não tinha indústrias. Pessoas que estudavam fora e que iam para a faculdade, eram bem poucas. De vez em quando, você ouvia dizer: “Esse foi para tal lugar!” Mas não era tão fácil como é hoje.



P – E qual era o nome do grupo escolar onde você estudou?



R – Grupo Escolar Coronel Domingos Ferreira.



P – E era o grupo que toda a cidade frequentava?



R – Era o que toda a cidade frequentava; hoje, tem escolas para todo o lado, mas naquele tempo, só para se ter ideia da população da cidade, era o único grupo escolar. E o único colégio, o famoso Massudão, como eles chamam, que é o Colégio Estadual Doutor Elias Massud, foi onde eu fiz o ginásio e onde foi formada a primeira turma de nível colegial, a minha turma foi a primeira turma do colégio.



P – E em qual ano você começou a estudar no colegial?



R – Eu comecei a estudar no colegial em 1969 e terminei em 1971, que foi a primeira turma que se formou; em 1972, eu entrei na Unicamp [Universidade Estadual de Campinas].



P – Você interrompeu os estudos ou foi direto do grupo para o ginásio?



R – Fui direto. E uma coisa interessante é que para sair do grupo escolar e entrar no ginásio, tinha o exame de admissão. Hoje, o básico vai até a oitava série, mas naquele tempo, não, ia até o quarto ano do grupo. Quem quisesse entrar no ginásio, que é da quinta à oitava série atuais, mas naquele tempo, era da primeira à quarta série do ginásio, tinha que fazer o exame de admissão. Quando eu fiz o quarto ano do grupo, eu estudava de manhã e fazia o preparatório para o exame de admissão a tarde, então passava o dia inteiro na cidade: eu saía de manhã de casa e voltava às seis horas, sete horas da noite para o sítio.



P – Então, havia o estímulo dos seus pais na questão de estudo com vocês?



R – Sem dúvida nenhuma havia. Não era só o estímulo dos meus pais, era uma questão de honra. Inclusive uma coisa bastante interessante: naquele tempo, tinha uma coisa no grupo escolar que era dar prêmios. Então, o primeiro lugar da classe, que eles faziam pelas notas, pelas provas, tinha um prêmio, que chamavam de prêmio de assiduidade, para quem nunca teve uma falta durante o ano inteiro. Eu e meus irmãos sempre ganhamos.



P – Então, não faltavam nunca!



R – Não: era chuva, era sol, era poeira, como eu falei. Era bem interessante, éramos bastante crianças na mesma estrada, mas as estradas eram outras. Eu vou para o sítio, quando vou para Monte Mor, e lembro-me das coisas que passávamos ali. Tem hora que dá vontade de dar risada, porque era aquela estrada com barrancos altos, hoje elas são feitas em V, para evitar que tenha a erosão e tudo mais, mas naquele tempo, não. Era um barranco reto que, às vezes, o mato chegava quase a fechar no meio da estrada. Não tinha o que chamávamos de pedregulhamento, não tinha tantos carros, eram mais carroças, formavam-se aqueles trilhos das carroças no meio da estrada e, quando chovia, você enfiava, literalmente, até o meio da canela no barro. Mas íamos embora, tínhamos que ir.



P – E não tinha o que segurasse.



R – Não tinha o que segurasse. Eu sempre falo, sobre a facilidade que se tem hoje, como você perguntou, que hoje você tem o transporte escolar e eles não querem ir à escola; naquele tempo, ia-se com sol, chuva ou poeira. Hoje, eu não tenho mais coragem de andar naquela estrada a noite; naquele tempo, o nosso maior medo eram dois: os andarilhos, que tinha muito e hoje não existe mais, não se encontra; e boiadas, porque imagina você estar andando em uma estrada com um barranco assim e você encontra uma boiada de frente… Como é que você escapa? Você tinha que procurar uma encruzilhada, alguma entrada de um sítio, pular porteira, às vezes, era porteira de madeira que você pulava, às vezes, era cerca de arame, aí você tinha que dar um jeito de vazar por baixo ou pelo meio para fugir da boiada. Passamos muitos sufocos!



P – Izidoro, tanto o ginásio quanto o colegial foram no Massud?



R – No Massud, isso.



P – Com quantos anos você terminou o colegial?



R – Terminei o colegial com 17 anos.



P –E aí você já prestou a faculdade? 



R – Já prestei o vestibular e, por uma sorte ou por sei lá, talvez conhecimento, eu acabei entrando já no primeiro vestibular.



P – Que foi na Unicamp?



R – Na Unicamp.



P – E você foi fazer qual curso?



R – Eu fui fazer Matemática.



P – E o que o levou a fazer Matemática?



R – Na verdade, uma conjunção de fatores. Primeiro, não tínhamos aquela facilidade de ter acesso aos cursos, às profissões. Eu saí do sítio, como dizemos na região, um caipira do meio do mato. Eu fui fazer cursinho porque aconteceu um fato na família: o meu avô materno faleceu e recebemos uma herança, com a qual pagamos uma parte do cursinho. Então, eu fazia o terceiro colegial a tarde e fazia o cursinho a noite. Só que eu era jovem, 17 anos, do sítio, que conhecimento que eu tinha da vida lá fora? Isso em 1971. Não tinha nada, conhecimento nenhum: jornal, pouco se lia, revistas, até que se lia, mas nada que se preocupasse com profissão ou coisas do gênero. Naquela época, o vestibular tinha bastante opções, então você fazia cinco, seis opções e acabava pegando uma delas. Eu acabei entrando em Matemática, na Unicamp. Eu coloquei, em primeiro lugar, a USP [Universidade de São Paulo], porque a coqueluche da época era a Escola Politécnica da USP, só que eu não tinha condições de passar e, mesmo que passasse, eu jamais iria vir para São Paulo, ter condições monetárias de fazer alguma coisa em São Paulo. Então, eu acabei entrando em Matemática, na Unicamp.



P – E esse cursinho era em Monte Mor ou em Campinas?



R – Era em Campinas.



P – Você ia para Campinas?



R – Ia para Campinas, para o famoso curso Mack-Poli, que não existe mais, Mack-Poli vinha de Mackenzie Politécnica.



P – Quando você entrou na Unicamp, ela já era uma universidade de renome ou estava no seu início?



R – A Unicamp, que eu me lembre, não sei bem a história da Unicamp, foi fundada aproximadamente em 1966, 1967, por aí, e eu entrei em 1972. Para você ter uma ideia, quando eu fui fazer o vestibular, eu não sabia nem onde era a Unicamp, não tinha a mínima ideia. Eu lembro-me que fui eu, o meu primo que se formou na Unicamp também, o Tobias, que mora em Campinas hoje, e o Marcos, com quem eu perdi o contato totalmente. O Marcos tinha um carro, já dirigia nessa época, uma coisa que, para mim, era impensável. Saímos de Monte Mor e fomos para Campinas, mas eu não tinha a mínima ideia de onde era a Unicamp. E a Unicamp não era o que é hoje, ela está localizada em Barão Geraldo, então quando deixamos a Rodovia Campinas, Barão Geraldo, do lado esquerdo era um condomínio residencial, mas do lado direito era uma plantação de milho. Você entrava na rotatória da Unicamp, que vai para os ciclos básicos; à direita, tinha os ciclos básicos, a Química, a Física, a Matemática e o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas; à esquerda, era a Reitoria, o único restaurante que tinha, a Engenharia e a Biologia. A Medicina eu não me lembro, mas era por ali também. Atrás da Reitoria, onde hoje é o Hospital das Clínicas, era uma plantação de algodão e ali terminava a Unicamp.



P – E nesse período da faculdade, você ainda morava no sítio?



R – Ainda morava no sítio.



P – Mas aí você tinha que andar? Como era?



R – Essa é uma outra história… (Risos). Às vezes, eu andava… Acontece que entre o sítio e a rodovia que liga Monte Mor à Capivari tem o Rio Capivari. O sítio ficava do lado de lá, o rio no meio e a rodovia, onde passava o ônibus, para cá. Então, você tinha que sair do sítio por duas alternativas: ou você ia pela estrada vicinal, como nós chamamos, que era de terra e você ia para a cidade a pé ou à cavalo; ou você atravessava o Rio Capivari e pegava o ônibus, só que não tinha uma ponte. Tinha o que chamamos de pinguela, que é um tronco de madeira, de uma margem a outra, com um corrimão feito também artesanalmente. Então, você passava por cima daquele pau e ia pegar o ônibus, só que, da minha casa no sítio até o asfalto, era mato, não era uma estrada. Era um caminho para você ir a pé, só podia ir a pé! Ali nós passávamos tanto de dia quanto de noite, em uma lanterna, sem fósforo, sem uma vela, sem nada, estávamos tão acostumados a passar ali que, mesmo calçado, quando saíamos fora do trilho, sabíamos que estávamos fora.



P – E foi assim, durante um tempo, o seu caminho?



R – Foi assim durante um bom tempo. Tinha dias que eu saía de casa às seis horas da manhã, pegava o ônibus, ia para Campinas e, de Campinas, para a Unicamp. Voltava às dez e meia, onze horas da noite, porque eu tinha aula o dia inteiro na Unicamp e tinha aula, à noite, no colégio técnico, no centro de Campinas. Então, às vezes, eu tinha aula das oito da manhã às dez da noite.



P – Então era integral o curso?



R – Era integral.



P – Izidoro, fora você trabalhar com a família no sítio, quando você terminou a faculdade, você trabalhou em outra coisa?



R – Não, só estudei.



P – E trabalhou com a família?



R – E trabalhei com a família. Inclusive, eu ouvi ontem: “Traga algumas fotos.”  Mas eu acabei não pegando. Eu tenho uma foto minha que é bem interessante, onde eu estou trabalhando junto com os meus irmãos, sem camisa, de bermuda e chapéu de palha. Eu estava no último ano da Unicamp quando eu tirei esta foto. Quando eu formei-me na Unicamp, em 1976, abriu um curso supletivo. Aliás, já tinha um curso de supletivo na cidade, que era da Prefeitura Municipal, e eu fui convidado pela diretora para dar aula de Física. Eu comecei dando aula de Física e, depois, passei para a minha área, que era Matemática. Eu dei aula de 1977 até 1985, a noite, para aquele curso em que você fazia o ginasial em dois anos e o colegial em um ano e meio.



P – E você dava aula à noite e trabalhava no sítio de dia?



R – No início, em 1977, eu trabalhei com um engenheiro agrônomo que fazia laudos de crédito agrícola, trabalhei um ano com ele, então, em 1977, eu trabalhava no escritório durante o dia e, a noite, eu dava aula. Em 1978, eu saí desse escritório e fui trabalhar com outro engenheiro, que era topógrafo; trabalhei um ano como topógrafo e depois, através desse engenheiro, eu conheci o gerente de planejamento da Tetra Pak e perguntei para ele se tinha alguma coisa para mim na Tetra Pak,  isso em 1978; ela começou em agosto deste ano. Eu acabei entrando na Tetra Pak em dezembro de 1978, através do amigo desse engenheiro com quem eu trabalhava com topografia.



P – Izidoro, como foi essa chegada da Tetra Pak em Monte Mor? Você recorda-se?



R – Monte Mor, como eu disse, era uma cidade pequena, estritamente agrícola, não tinha indústria nenhuma. O terreno onde a Tetra Pak estava sendo construída era próximo à Rodovia Capivari, a famosa SP-101, e era bem retirada da cidade. Inclusive, quando saíamos de Monte Mor, indo para Campinas, olhávamos aquele terreno, que tinha alguma movimentação, mas ninguém sabia do que se tratava, sabia-se que ia sair alguma coisa, mas não se sabia o quê.



P – Não se falava o nome da Tetra Pak?



R – Não. E mesmo que se falasse, ninguém ia saber do que se tratava, ninguém tinha a mínima ideia, isso estava mais ligado, digamos, ao pessoal da cidade. Como eu era do sítio, não tinha muito contato, como ocorria na cidade, você ia para a cidade fazer o necessário e voltava para o sítio. Mesmo quando eu entrei na Tetra Pak, eu não tinha ideia do que era uma embalagem longa vida. Na época, tinha a famosa tetraédrica, a primeira embalagem. Eu sei que tinha no mercado aquilo, mas comprarmos e ver aquilo… Mesmo porque não chegava em Monte Mor, aquilo chegava, talvez, em Campinas, a distribuição era muito mais difícil.



P – Você começou a trabalhar na Tetra Pak em dezembro de 1978, poucos meses depois que ela começou a funcionar, por intermédio desse engenheiro topógrafo, que conhecia alguém lá dentro. Quem era esse contato dele?



R – Foi o meu primeiro gerente, o João. Outro dia, até me perguntaram-me o nome dele e eu não me lembrava; depois, eu consegui lembrar: João Batista Bueno Ferreira.



P – E você foi para que área? 



R – Eu fui para a área de auxiliar de planejamento. Ele era o gerente de planejamento e eu fui para a área de auxiliar de planejamento. Mas ele ficou muito pouco tempo na empresa, logo saiu, trocou-se a gerência. Da área de planejamento, eu passei para a área que hoje chamam de logística, mas que era mais ligada à expedição e armazenagem.



P – E nessa área você ficou quanto tempo?



R – Não me recordo, mas foi muito pouco. O serviço era até bastante interessante; hoje, com computadores, eu recordo-me e começo a dar risada das coisas que fazíamos. O meu serviço era controle de produção, estatísticas, então todas as estatísticas, os códigos de parada de máquinas de produção, de velocidade, eram feitos manualmente. O operador anotava numa folha e eu, no dia seguinte, pegava aquela folha e passava numa planilha para, no final do mês, compilar tudo aquilo e fazer a estatística de produção das máquinas, setup, paradas, quebras, velocidade, produção, tipo de produto, quality size, era tudo anotado à mão.



P – E qual foi a sua primeira impressão da Tetra Pak? Você lembra-se do seu primeiro dia de trabalho como foi?



R – Eu lembro-me do meu primeiro dia de trabalho. Eu cheguei na portaria e perguntei para o seu Marcos, que trabalhou muito tempo na portaria: “Posso entrar?” Ele olhou para mim, deu risada e disse: “Claro que pode! Afinal de contas, agora você é funcionário da Tetra Pak.” (Risos). Disso eu lembro-me perfeitamente.



P – E nesse começo, você já tinha colegas ou conhecidos que trabalhavam na Tetra Pak?



R – A maioria do pessoal, com exceção da gerência, eram todos de Monte Mor, mesmo porque a facilidade de transporte era muito pouca. Então, o pessoal de produção, o pessoal de qualidade, eram todos de Monte Mor; quem era de fora era a gerência, a diretoria, alguns cargos de controladoria, porque Monte Mor não tinha como suprir, não tinha gente formada para isso. Quem era formado na área, não estava em Monte Mor ou trabalhava em banco, que era o que tinha. 



P – Comparada com hoje, a estrutura da fábrica de Monte Mor era muito menor ou é mais ou menos a mesma coisa?



R – Basta olhar as fotos do acompanhamento, em algum lugar, eu sei que essas fotos existem, para ver como a fábrica cresceu. E tem uma foto bastante interessante, aérea, em que na parte de cima, no teto da fábrica, vê-se perfeitamente uma parte mais escura, que é onde está a laminadora 21m ainda hoje é o salão da 21. A fábrica era só ali. Era um salão, não vou saber dizer o tamanho, mas era só aquilo ali, não tinha mais nada; ali era a impressora, a laminadora, uma cortadeira, o depósito de matéria-prima, depósito de papel, polietileno, alumínio, e tinha a casa de tintas, que era ao lado. Olhando a frente da fábrica hoje, a casa de tintas era à direita, onde estão as torres de resfriamento. 



P – E o número de funcionários era muito grande ou também era reduzido?



R – Eu entrei em dezembro e o meu primeiro número foi 72. Eu tenho o crachá até hoje guardado, em algum lugar. 



P – Então, você foi um dos cem primeiros?



R – Um dos cem primeiros. Eu não vou saber dizer quantos funcionários tinha, mas eu acho que não passava muito além disso. A impressão que eu tinha é que primeiro colocou-se, digamos, a parte operacional funcionando: o chão de fábrica, as controladorias, diretorias, a qualidade; depois, partiu-se mais para o lado de controle, planejamento e o controle de produção, que foi a área na qual eu entrei.



P – Quando você entrou para a área de logística, o que mudou na sua função, no seu cotidiano de trabalho?



R – Na área de logística, eu trabalhava com todo o recebimento de matéria-prima e a parte de expedição, carregamento, faturamento, notas fiscais datilografadas. Os cálculos das notas fiscais feitas eram feitos a mão, em calculadoras. Era bem interessante porque era a época de inflação alta, 1980 e alguma coisa, então você tinha que ter uma calculadora com muitos dígitos e tomar cuidado, porque você tinha que transcrever aquilo, fazer um rascunho, tomar cuidado com os impostos, com o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços], que para um estado era 18, para outro era 12; de repente, você errava o ICMS de um e punha no outro. Tinha clientes que tinham desconto, então você tinha que dar o desconto e fazer certo, senão aquilo ia parar na diretoria, ia parar com o nosso amigo Roberto Raven. Não, na época, não era o Roberto Raven, era o Nelson Findeiss, depois é que foi o Roberto Raven. Aliás, uma coisa que eu queria deixar registrado é que, na minha entrevista de admissão na Tetra Pak, foi o Roberto Raven quem fez, talvez vocês não o conheçam, não sei se ouviram falar.



P – Nós conhecemos de nome, não chegamos a conhecer.



R – Ele faleceu há pouco tempo, eu fui entrevistado por ele.



P – E na área de logística, você ficou quanto tempo?



R – Eu fiquei aproximadamente uns dez anos; em 1990, 1991, eu voltei para a área de planejamento.



P – Izidoro, voltando um pouquinho, quando você entrou, quais eram os clientes da Tetra Pak? Você lembra?



R – Eu lembro-me bem da Cooperativa Paulista, que era de Guaratinguetá, inclusive, eu tinha uma embalagem daquela época guardada em uma gaveta, mas por falta de visão histórica, eu joguei fora, mas ficou muito tempo guardada aquela embalagem.



P – Eram poucos clientes ainda?



R – Eu lembro-me da Paulista, da Parmalat, da CCPL, que é a Cooperativa Central dos Produtores de Leite e que, inclusive, ainda hoje está por aí. Um tempo depois, entrou a Quaker; mais tarde, não vou saber precisar assim o tempo, entrou a Elegê, que depois mudou para Vipal e hoje é Eleva. A Parmalat, nessa época, era em Itamonte, que eu nunca tinha ouvido falar, no sul de Minas. Você vai pela Dutra e entra perto de Lorena, sobe a montanha e atravessa a Mantiqueira. É um lugarzinho fantástico, maravilhoso, fui lá diversas vezes. Hoje, não tem mais a Parmalat, mas para passar, assim, o fim de semana é um lugarzinho bem legal, é para esquecer o mundo! Tinha a Batavo, do Paraná; algum tempo depois, a Alimba, que é bem antiga e que depois foi comprada pela Parmalat. A Alimba tinha um símbolo interessante, não tenho certeza, porque eu já não presto tanta atenção nas embalagens, mas a Parmalat tinha uma espécie de flor como símbolo e a Alimba também, mas era uma espécie de flor diferente. No fim, o símbolo da Alimba acabou virando o da Parmalat, foi bem interessante.



P – Você era o número 72, então imagina-se que eram poucos funcionários, a Tetra Pak era pequena. Vocês tinha muito contato entre as áreas? Como funcionava?



R – Conhecia-se todo mundo. Primeiro, porque o pessoal de chão de fábrica era todo de Monte Mor. Eu conhecia muita gente, porque eu dava aula à noite, então eu tinha alunos da Tetra Pak que estudavam comigo à noite. E como comecei no planejamento, na verdade, não era só planejamento, porque você tinha o planejamento, tinha que fazer todo o controle de entrada e saída de matéria-prima, todo o controle de custos, tudo manual. Por isso, eu tinha muito contato com a  controladoria, naquela época, era contabilidade, não era nem controladoria, então eu vivia, digamos, no meio termo. Na fábrica eu tinha contato com os moradores, porque eu pegava as informações deles, tanto no planejamento como na expedição, porque eu tinha que manter a matéria-prima para eles trabalharem e receber o produto acabado; e tinha contato com a controladoria, porque eu tinha que fazer o fechamento de mês. Todo fechamento de mês era um sufoco, porque você tinha pagar as requisições manuais, pegar o preço médio, colocar o preço médio na requisição, multiplicar pela quantidade requisitada, lançar na ordem de produção e compor o custo, tudo manualmente. Depois, você tinha pegar o cardex manual que fazíamos, de entrada e saída, e fazer a conciliação com a razão da contabilidade, da controladoria, para que as contas ficassem sempre certas no final do mês e não tivessem erros de custo, erros de entrada.



P – Izidoro, nós estamos falando do começo da década de 1980?



R – Isso, da década de 1980.



P – Essa década foi uma época, no que diz respeito à economia, enlouquecedora: inflação, mudança de impostos… Fala um pouquinho sobre como isso influenciava o seu trabalho, a sua área e a fábrica como um todo?



R – Eu não me recordo muito dessa parte, mas eu recordo-me bastante que influenciava na vida: você ia no mercado hoje, comprava uma coisa e, amanhã, o preço estava totalmente diferente. E o preço de venda da embalagem, como eu trabalhava na expedição, mudava bastante também. Então, não era aquela coisa como é hoje, que você tem um preço fixo sei lá por quanto tempo, nem tomamos mais conhecimento. Eu gostaria imensamente de encontrar, eu sei que em algum lugar deve estar ou jogaram fora, uma pasta que eu tinha com a lista de preços. Essa pasta ficava só na minha mão, porque era eu quem controlava aquela pasta e colocava todos os preços das embalagens, fazia os cálculos e depois passava para alguém datilografar. E aquilo mudava bastante, você tinha que tomar cuidado, porque havia determinados acordos: “Esse você fatura com o preço atual; esse foi comprado antes e você fatura como preço da lista anterior.” Então, era bastante complicado. Hoje, não, você joga no sistema e não tem trabalho nenhum. Você faz com código de barras, com scanner, aperta um botão e sai lá na frente, mas, naquele tempo, era difícil, principalmente os descontos, porque ninguém conferia o meu serviço. Eu fazia e, se o cliente não gostasse, ele não vinha reclamar para mim, ele não tinha a mínima ideia de quem eu era, ele ia reclamar para a diretoria, para a gerência, para alguém.



P – Você lembra-se da época em que a Tetra Pak passou pela fase de informatização?



R – Lembro-me quando chegou o famoso Data General, que era um computador MV 8000 bastante interessante.



P – Isso em meados da década de 1980?



R – Isso foi em 1984, eu acredito. Aliás, tem uma história interessante do MV 8000 com o HAL 9000.



P – Conte-nos… 



R – … Eu não vou lembrar agora, mas o HAL 9000 é o famoso computador do filme 2001; se você pegar, HAL é uma sequência de letras a frente de IBM, é uma brincadeira com a IBM. O nosso computador era o MV 8000, da Data General, tem um livro muito interessante, que hoje é ultrapassado, mas que eu li: o livro chama-se A Alma da Nova Máquina, que é justamente sobre a construção desse computador da Data General. É muito interessante.



P – E quais foram as áreas inicialmente informatizadas? Você recorda-se?



R – Não me recordo. Apesar de eu ter tido contato com computador na Unicamp, o computador lá e eu aqui, que era de cartão perfurado, isso em 1972, eu olhava para aquilo e não sabia para que servia, não entendia bem para que servia, mesmo porque o sistema que veio, que era chamado OPAS [Operation Administration System], veio da Europa e não foi customizado logo em seguida para o Brasil, com todos os impostos, taxas e tudo mais; ele era mais um sistema de controle de produção. Quando veio o computador, as estatísticas que eu fazia, as ordens de produção, tínhamos um controle manual no caderninho, inclusive está lá em Monte Mor, eu entreguei para alguém; eu tinha ele guardado e entreguei para alguém. Eu abria no caderninho as colunas, anotava o número da ordem de produção, o cliente, a quantidade, a data de entrega, passaram para o sistema informatizado. Então, ele foi mais um sistema de controle de produção, de inserção de ordens de produção, de planejamento em si; nós fazíamos o planejamento de produção no computador, mas ele era bastante manual, era uma brincadeira de dominó: tira esse aqui, põe esse embaixo, aí você pega esse e passa para cá. Você não sabe bem o que vai acontecer na frente, reza para que dê certo. O Gasparotto, que atualmente é o diretor técnico, era o planejador, ele deve lembrar muito bem disso.



P – Izidoro, você ficou até, mais ou menos, a década de 1990 na área de logística. Como foi a tua trajetória a partir daí?



R – Quando eu estava na área de logística, o Gasparotto era o planejador, atualmente ele é o diretor técnico, não vou precisar bem a data, mas em 1990, 1991, apareceu uma vaga em administração de vendas e o Gasparotto foi para lá. Aliás, voltando, comecei errado: saiu o gerente e o Gasparotto foi para a gerência de planejamento; ele trabalhava no planejamento e eu trabalhava na expedição, então ele chamou-me da expedição para trabalhar com planejamento.



P – Você retornou?



R – Voltei, só que como planejador de produção. Aí já estava informatizado, apesar de ser bastante manual era o brinquedinho do dominó. Como tínhamos diversas receitas de produção, nós tínhamos um gráfico onde separávamos os materiais por quality size, por receita de produção, como que iria ser produzido por semanas; então, mensalmente, tínhamos esse controle, em algum lugar também deve existir, gostaria de encontrar um deles de novo, e ali nós íamos pintando com marca texto, um a um: “Essa aqui eu coloquei no planejamento; essa aqui, eu ainda não coloquei…  ” E por aí a fora: “Essa semana vou ter que produzir isso.” E você ia montando o dominó: no computador, você pegava as ordens de produção, que eram colocadas via computador, mas que não se conversavam; então, você pegava e ia colocando, uma atrás da outra, em ordem militar, e tomando cuidado para não produzir coisas com receitas erradas porque, se chegasse na produção alguma coisa que deveria ser de uma sequência e estava em outra, eles iam pegar pois tinham a ordem de produção impressa na mão. Foi uma coisa maravilhosa quando conseguimos imprimir uma ordem de produção com toda a receita, com o quality size, com o papel, com as camadas pela primeira vez no computador. Nossa, foi uma festa!



P – Quando chegou o computador tiveram cursos?



R – Tiveram cursos, mas aí é uma outra coisa: só quem sabia inglês é que se entendia com os suecos que vinham.



P – Foram os suecos?



R – Foram os suecos. E quem sabia inglês… O meu inglês, até hoje, é sofrível, mas naquele tempo, era pior; então, foi bastante difícil. Mas tínhamos vontade e garra para fazer a coisa funcionar, porque não existia aquela coisa: “Isso aqui não é meu serviço, eu não faço!” Tinha que fazer. Reunia-se todo mundo, ia na sala do outro ou ia na máquina: “Cara, o que você precisa fazer? Você precisa de ajuda? Você quer ajuda? Eu te ajudo!” Se fosse preciso carregar bobina nas costas, carregar balde de tinta, o que fosse preciso fazer, todo mundo fazia. Na verdade, o que acontece é que o pessoal que trabalhava na Tetra Pak, eu sempre brinco, eram pedreiros e roceiros, então era uma sociedade diferente, não se tinha as facilidades que se tem hoje, quando quer-se muito e dá-se pouco. O funcionário quer tudo e o retorno que ele dá, ele fala: “Ah, não sou eu, não tenho nada com isso! Deixa!” Isso, às vezes, é complicado. Outra coisa é que éramos muito poucos, então conhecia-se todo mundo, todo mundo tinha amizade fora, na cidade; a sinergia era também interessante, todo mundo estava ali para aprender, porque ninguém sabia nada, ninguém conhecia. Sabia-se o que era a máquina mas, fora aquilo, bem poucos sabiam. O que aconteceu é que esse pessoal que começou ali, acabou aprendendo muita coisa e acabou alçando vôos mais altos; mas, no início, eu diria até 1981, 1982, era uma fábrica composta exclusivamente, digamos, o chão de fábrica, pelo pessoal de Monte Mor. Os supervisores eram de fora, já tinham algum conhecimento de outras empresas, mas o pessoal de fábrica eram os pedreiros e roceiros. 



P – E tinham muitos suecos nessa época?



R – Tinha o Benny; algum tempo depois, veio o Gerrit Olsson, esse tem uma história interessante. Aliás, outro dia falaram: “Conta uma história interessante!” Eu falei que as minhas histórias são impublicáveis, mas essa eu me lembro. Tinha a sala dele e tinha um corredor, que hoje não existe mais, que dava para a produção; tinha a sala que dava para a supervisão, atrás tinha a sala do gerente de qualidade, que era o Gerrit Olsson, e ao lado, era a minha sala. Ele pegou o telefone na sala dele, ligou para a minha sala e eu atendi: “Alô?” Ele falou, eu lembro-me que ele falava um português bem complicado: “Aqui fala Geert! Por que você não fala?” “Aqui fala Izidoro?’” E eu comecei a dar risada (risos). Uma vez, ele ligou, da sala dele, para a minha sala e ninguém atendeu; ele abriu a porta da sala dele, abriu a porta da minha sala e: “Por que vocês não me atendem o telefone?”



P – Era muito próximo!



R – Era muito próximo.



P – Só para entendermos a sua trajetória profissional: com o Gasparotto no planejamento, você retorna para essa área e fica nela quanto tempo?



R – Foi uma era meio turbulenta, vamos dizer, porque começaram as mudanças, o mercado começou a reagir; não que antes a Tetra Pak não tivesse subido assustadoramente em produção e vendas, mas em 1991, mais ou menos, quando o Nelson Findeiss entrou como presidente, ela fez uma ascendente. Começaram a entrar pessoas, a abrirem cargos. Eu lembro-me que o Gasparotto foi para a administração de vendas e entrou um outro gerente, que já saiu da empresa, e eu passei para a supervisão de planejamento. Aí já não era mais só eu, eu tive que admitir outras pessoas, pegar outras pessoas para trabalhar comigo. Inclusive, uma história bem interessante é que o meu atual chefe era meu funcionário. É aquela história: “Trate bem o seu funcionário, porque você não sabe quando ele vai ser seu chefe!” Hoje, ele é o meu gerente. Como eu sempre falo, o mérito é dele, porque é uma pessoa competentíssima; se ele ouvir isso, não estou puxando o saco, como eu já falei para ele, porque temos uma convivência desde 1994, 1995, quando ele começou a trabalhar comigo. Depois, eu fui trabalhar com ele e ele acabou sendo o meu gerente. Mas eu fui para a supervisão de planejamento, onde fiquei até 1998; nesse período, com todas as modificações que houve na empresa, começou-se a falar em Ponta Grossa. Nesse tempo, o Alberto Tureikis, que foi o primeiro gerente de Ponta Grossa, já estava na Tetra e eu tinha trabalhado com ele um tempo. É difícil precisar agora como aconteceu, mas eu sei que trabalhei um ano com o Alberto Tureikis como meu gerente, ele era gerente de fábrica e tomava conta do planejamento. Foi quando se começou a falar em Ponta Grossa e, em 31 de março de 1999, Ponta Grossa partiu.



P – E você sabe o porquê da escolha de Ponta Grossa?



R – A cidade?



P – Sim.



R – Não tem nada oficial, mas Ponta Grossa é um lugar estratégico no estado do Paraná: você tem acesso, ao sul, a Curitiba e a São Paulo; tem acesso ao norte do Paraná, a Londrina, a Maringá, e tem acesso também ao sul de São Paulo. Quer dizer, é um ponto estratégico, todas as saídas são fáceis. E também, até onde eu sei, ela foi escolhida por ser uma cidade que tem uma facilidade muito grande em ensino. Ponta Grossa tem uma universidade estadual, que é a famosa UEPG [Universidade Estadual de Ponta Grossa] e tem a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, o antigo Cefet [Centro Federal de Educação Tecnológica], que eram os cursos técnicos de nível médio. Com toda essa mudança das necessidades de mercado e daquele funcionário que você precisa, ela foi escolhida por ter um pessoal formado em nível técnico muito grande e bastante facilidade de estudos, tanto que eu sempre falo: essa é a diferença da Tetra Pak que eu conheci quando eu entrei, que eram pedreiros e roceiros. Esses dias, eu estava conversando com um operador em Ponta Grossa que eu conheço faz muito tempo. Ele tem uma graduação em Geografia, está fazendo outra e fala, se não me engano, três línguas, um pouco pela descendência européia dele. Mas é um cara que se você vê na produção, você não diz nada dele, é quieto; e já fez duas especializações, em áreas que não tem nada a ver uma com a outra. Então, eu comparo o passado, em Monte Mor, com aquilo que vemos hoje, não só em Ponta Grossa; não tenho tanto contato com Monte Mor, mas o nível de graduação do pessoal mudou totalmente, é outra empresa.



P – Qual foi a reação dos funcionários em Monte Mor quando deram a notícia de Ponta Grossa? Como ela ocorreu?



R – Foi assustador, apesar de eu ter feito muitas planilhas de capacidade de produção, eu cuidava das estatísticas, e tinha a velocidade das máquinas, setups, quality sizes, o mix de produção. Ponta Grossa, na verdade, foi construída inicialmente para produzir leite de litro que, digamos, era o carro chefe. Na época, eu não me assustava porque estava com as planilhas na mão, tinha tudo aquilo na mão, eu tinha planilhas das quais me lembro até hoje. Uma delas era a Efeito Ponta Grossa, o nome da planilha era Efeito Ponta Grossa, que era para prever o que iria acontecer com Monte Mor quando Ponta Grossa partisse. E essa planilha rodou com alguém, não sei com quantas pessoas. O fato é que eu a fiz, ela passou para o gerente e foi rodar na diretoria para o Nelson Findeiss, para o Benny, para o Roberto Raven. Eu não me assustava, mas o comentário no chão de fábrica era: “E o nosso emprego? Como é que fica? Vai diminuir o turno? Não vai?” Eu não me lembro se eram quatro turnos, acho que sim, mas tínhamos muita falta de capacidade. O mercado estava subindo assustadoramente e não tinha como produzirmos tudo o que tinha que se produzir. Eu não me assustava porque sabia que talvez houvesse um impacto em seis meses, mas até a fábrica partir e atingir o máximo de produção dela, para ter esse impacto em Monte Mor, sabia que você não parte uma fábrica desse jeito. Você tem uma época de aprendizado, onde os funcionários vão aprender como trabalhar com as máquinas, a começar realmente a produzir com o máximo de capacidade. Tanto que Ponta Grossa começou e, logo em seguida, teve que aumentar a velocidade das máquinas, aumentar turnos, porque não estava vencendo o mercado, não estava conseguindo produzir para vencer o mercado!



P – E quando Ponta Grossa iniciou suas atividades, logo depois você já foi para Ponta Grossa?



R – Ponta Grossa iniciou em 31 de março, com a primeira embalagem produzida para a Batavo, tem uma foto do Benny ou do Alberto, no acervo, ao lado de um rolo impresso. Em junho, o Alberto convidou-me para dar uma mão no planejamento, porque eles estavam aprendendo ainda, o pessoal era novo, apesar de eles terem feito treinamento em Monte Mor. O Alberto pediu-me para dar uma mão no planejamento, que já estava todo informatizado, não era mais manual, era um brinquedinho, um dominó computadorizado, então bem mais interessante. O planejador era o Libório, uma figura interessantíssima. Hoje, ele está nos Estados Unidos, esses dias ele ligou lá, mas não para mim, para um outro cara. Então, eu fui ajudar o Libório a entender-se com o sistema onde fazíamos o planejamento, e também dar uma mão nas estatísticas. Aí entrou o WCM [World Class Manufacturing], os controles modificaram, tinha que ter números confiáveis colocados no sistema, saber o que deveria ser feito, porque era dali que você tirava todos, como sempre, mas ali a coisa começou a ser mais focada nas estatísticas, a ter os dados bem colocados, não ter número zerados para não fazer previsões equivocadas. Eu fui em junho ajudar o Libório e, depois, eu fui em agosto; passei uma semana nessas duas vezes. Quando eu fui para Ponta Grossa pela primeira vez, eu peguei o mapa da Quatro Rodas, peguei o carro e sai. Não sabia nem para que lado era, eu sabia que tinha que descer para o lado de Capivari, Tietê e ir embora para aquele lado. Até Itapetininga, eu conhecia, aliás, até Itapetininga não, até Itapeva, eu conhecia. De Itapeva para baixo, eu não tinha a mínima noção de como se ia.



P – E você foi sozinho?



R – Fui sozinho, de carro sozinho, e cheguei justamente no dia que estava tendo a festa de inauguração.



P – E como foi essa festa?



R – Eu não participei, não conhecia ninguém, não sabia, eu conhecia o pessoal de fábrica. Eu entrei para a recepção e a festa era ao lado; entrando na fábrica, do lado esquerdo, tinha aquelas coisas de lona montadas, mas eu não quis participar porque não conhecia ninguém, não sabia quem eram. Estava o prefeito, o governador, eu não me lembro se o governador é quem estava ou o vice-governador. Eu falei: “Não, não vou nem entrar! Eu vim aqui para trabalhar, não quero nem ver esse negócio!”



P – E nessas duas idas que você fez a Ponta Grossa, você trabalhava em Monte Mor?



R – Trabalhava em Monte Mor.



P – Você continuou em Monte Mor quanto tempo mais até a sua ida definitiva? Como foi esse convite, essa oportunidade?



R – Ponta Grossa começou em março e eu mudei-me para lá em 25 de novembro, que foi a minha ida definitiva, 25 de novembro de 1999.



P – E como foi essa mudança? Foi um convite?



R – O Alberto convidou-me para ir para lá; como ele conhecia o meu trabalho, porque eu já tinha trabalhado com ele um ano aqui em Monte Mor, quando ele foi o meu gerente no planejamento, que ele acumulava funções, e também quando ele foi gerente de produção. Então, eu tinha muito contato com ele devido ao planejamento, as estatísticas, como ele conhecia um pouco do meu trabalho, ele convidou-me para ir para lá.



P – Você foi para a área de planejamento?



R – Na verdade, eu mudei totalmente. Aí foi a virada na minha vida, porque eu fui como supervisor de produção.



P – Bem diferente do que você tinha feito até então.



R – Totalmente diferente, apesar de que eu conhecia a produção. Eu fui como supervisor de produção, inclusive trabalhando em turnos, coisa que eu nunca tinha feito na vida. Eu trabalhei, por aproximadamente um ano, em quatro turnos. Então, você trabalhava dentro da escala: você trabalhava das sete às quinze durante alguns dias e aí, uma folga; você passava das quinze às vinte e três; aí você passava das vinte e três às sete; quer dizer, foi uma experiência totalmente nova. Tive mais contato com o pessoal de chão da fábrica e mais contato com a máquina em si, porque o planejamento não tinha grandes segredos, os controles, eu conhecia todos. O que eu aprendi bastante ali foi o contato com máquina, com operador de máquina. Eu tinha, digamos, o conhecimento teórico, mas quem sabe operar a máquina não sou eu! Durante mais ou menos um ano, eu fiquei como supervisor de produção, fazendo turnos; depois, eles tiraram esse turno dos supervisores. Eles passaram os supervisores para a área administrativa, fazendo só o administrativo. Houve uma mudança também de posições: como a fábrica era nova e estava crescendo, houve uma realocação de pessoas e eu passei para a supervisão da área de cortadeira, doctor e movimentação. Eu estava na produção, mas focado na área de cortadeira e doctor; fiquei mais um ano, 2002 inteirinho, focado nessa área. Em 2003, veio o Projeto SAP: em novembro de 2002, o Valmir, que é o meu gerente - é bom que ele saiba que até hoje eu tenho restos de férias para tirar do SAP, porque eu estava de férias, ligou-me perguntando se eu tinha interesse em participar do Projeto SAP voltado para área de expedição, que era a área que eu conhecia. Porque em Ponta Grossa tinha o Oswaldo, mas ele foi para a área de matéria-prima no SAP e eles precisavam de alguém para a expedição. Eu acabei entrando no Projeto SAP, voltando àquilo que eu sabia fazer no início da Tetra Pak.



P – Falando um pouquinho do início, como foi para você mudar toda a sua vida, saindo da Tetra Pak de Monte Mor e indo para a Tetra Pak de Ponta Grossa? Como foi essa mudança, não só a mudança em si, mas a mudança de funções?



R – Mudanças de funções não me assustam, apesar de eu ter algumas histórias impublicáveis, mas eu sempre falo que eu sou muito operacional. Devido a minha formação em Matemática, eu sou muito lógico e prático, então não me de funções onde vou precisar ficar sentado numa cadeira olhando para um computador o dia inteiro que eu fico louco. Dê-me funções onde eu esteja no chão de fábrica, no meio do pessoal de expedição, no meio dos motoristas de caminhão. Às vezes, lá em Ponta Grossa, até hoje eu dou palpite na expedição, eu acabei mudando de função de novo. Mas eu gosto de ver a coisa funcionando, o meu forte são os números. Então, para mim, os números têm que fazer sentido, se não fizerem sentido, eu vou ter que descobrir porque é que ele não faz sentido e onde está o erro, eu sou muito lógico. Então, saí da expedição para o planejamento, em Monte Mor, das estatísticas e números da expedição para o planejamento, que era o joguinho de dominó; do planejamento para o planejamento no proplanner, que era o dominó que o sistema fazia, quer dizer, era bonito de fazer. Dali eu saí para a produção em Ponta Grossa, números, de novo, e muitas pessoas, porque foi quando eu peguei 48 funcionários. Quer dizer, foi um baque, eu não estava acostumado com isso, estava acostumado a trabalhar com dois ou três, estava acostumado a brigar com todo mundo, mas eu tinha dois ou três funcionários. Então, entra também toda a modificação que houve na empresa, nos controles que antigamente não se tinha. Antigamente, você botava o cara lá e: “Você tem que operar a máquina, tirar a bobina do outro lado e pronto!” Começa-se então a falar em construir o funcionário, em dar treinamento e fazer os controles que hoje temos. Nesse ponto foi bem complicado, porque eu comecei a trabalhar mais com pessoas, mas no caso de função, não me assusta. No caso de mudança de cidade, para mim foi uma coisa totalmente nova: eu vivi 45 anos em Monte Mor, dos quais 22 vivi no sítio, mesmo depois que eu estava na Tetra Pak, eu não deixava de ir para o sítio também. Então, eu saí de uma cidade com, na época, 40, 50 mil habitantes e fui para uma cidade com 300 mil habitantes! Só que Ponta Grossa é uma cidade bastante interessante. Ela mudou muito nos oito anos que eu estou lá, mudou demais, mas ela é uma cidade grande com bastante visão interiorana, das famílias que mandam. Quando você chega em algum lugar, a pergunta é: “De que família você é?”  Tem aqueles nomes famosos! Hoje, não, hoje, diminuiu muito. Na época em que eu fui para lá, meu cheque é de Monte Mor; você ia fazer uma compra no comércio e a primeira pergunta que eu fazia era: “Aceita cheque de fora?”  Você tinha que perguntar porque não aceitavam, mesmo a minha conta sendo de 30 anos no Bradesco. Mas, para eles, não dizia nada… 



P – … E você é casado?



R – Fui, mas esse é um assunto que eu gostaria de não entrar, porque estamos em processo de separação. Então, eu gostaria de não entrar nesse, se possível!



P – Não, tudo bem. Você falou que muita coisa mudou em Ponta Grossa nesses oito anos, e na Tetra Pak, nesse seu tempo de casa? Quais são as principais mudanças, em todos os sentidos, operacional, de máquina?



R – A primeira mudança na Tetra Pak, como eu falei, é que a fábrica era um salão onde as máquinas e a matéria-prima ficavam juntas; logo depois, eles construíram o armazém de matéria-prima e a expedição, ao lado. Olhando Monte Mor hoje, de frente, do lado esquerdo, metade daquilo, uma parte daquilo foi construído logo depois: eles fizeram um adendo naquele barracão. Depois, eles construíram o outro, onde trabalha a Rosivana hoje; onde foi a fábrica de máquinas, eu acho que hoje deve estar a laminadora 24 e as VTVs; depois, veio o departamento técnico, o restaurante, mudou tanto que não dá para colocar em palavras o que mudou em 29 anos. Foram muitas mudanças! Em matéria de máquinas, a Tetra Pak começou com uma impressora Schiavi, que era flexográfica; uma laminadora, que é a atual 21 e que tinha uma matriz só, então o material passava duas vezes para laminar. Tinha que por ele, laminar, passar o alumínio e depois trazer de volta e passar de novo, eu não me lembro da sequência, mas eu sei que eram passadas duas vezes na mesma máquina; e tinha a cortadeira. O que eu me lembro bastante é que o desbobinador da laminadora era uma festa, porque rodava, sei lá, a 300 por minuto. Então, tinha um rolo rodando e outro rolo que o operador tinha que preparar para emendar naquele rolo que estava rodando! Aquilo era manual, então ele punha um rolo em cima, preparava o outro, girava a torre, tudo manualmente. Tinha uma posição que ele marcava no rolo, onde ele tinha apertar um botão para bater a faca naquela exata posição para emendar, cortar o rolo de cima e sair o rolo que estava entrando. Quando o operador errava a batida da lâmina, o supervisor ficava possesso, porque você tinha que parar, ajustar tudo, passar o papel na máquina de novo. Hoje, em Ponta Grossa, essa emenda é feita parada; quer dizer, tem um rolo rodando, mas o cara prepara o rolo que vai entrar na máquina e tem um sistema de festum, que é um buffer de papel. Hoje, não sai mais; naquele tempo, saia direto na máquina, hoje, dá a volta por trás da máquina, vai no festum e faz um  buffer bem grande de papel quando vai emendar, emenda e o buffer fecha; o rolo parte e começa a abrir de novo para preparar o buffer para a próxima emenda. Quando se conta isso para os operadores hoje, o que víamos naquela época, é uma coisa que chama muito a atenção. Sem contar velocidade de máquina. Em Ponta Grossa, uma laminadora roda a 650 metros por minuto; as impressoras, rodam a 450; o tipo de impressão, que era flexográfico, hoje mudou para FotoProcess, aliás, eu não sei nem se é essa a palavra correta que eles usam. Quando veio a off set, foi uma coisa totalmente diferente, um processo totalmente diferente. Estávamos acostumados com flexografia e entrou uma máquina off set, o planejamento mudou todo. Tínhamos um vincador só para off set e um para flexo; então, você tinha que tomar cuidado quando planejava, se o vincador estava em flexo, que era em estéreo as placas, ou em off set, onde elas são retas. Você tinha que tirar todas as placas do vincador e passar para o off set, por ela ser reta, nisso eram oito, dez horas. Então você tinha que planejar de sair da flexo para passar para a off set e vice-versa. Hoje, não existe mais isso, como não existem mais as off set. Depois de um tempo, veio uma cortadeira, a famosa 52, que está em Ponta Grossa um pedaço dela, canibalizaram-na e mandaram para Ponta Grossa, para fazer uma rebobinadeira. Vieram algumas VTVs, as atuais impressoras, eu lembro-me quando veio a VTV 13 de Monte Mor. Eu não vi a nova ainda, que deve ser a VTV 16 ou coisa assim, que estão montando lá. Não sei como é que está, mas você comparar a VTV 13 com a VTV 14, que veio depois, é como comparar um Monza 86, aquele antigo, com um Vectra. Mas, naquele tempo, você falava: “Nossa, como é lindo!” Hoje, você olha aquilo e fala: “Nossa, que coisa horrorosa! E pensar que eu dirigia esse negócio!”



P – E nesses anos todos, Izidoro, qual teria sido o seu maior desafio na Tetra Pak?



R – Eu acho que na Tetra Pak falar em desafios é complicado, porque a cada dia você tem um desafio; eu diria que a parte mais desafiadora que eu tive dentro da Tetra Pak foi justamente antes da partida de Ponta Grossa, porque nós tínhamos falta de capacidade em Monte Mor, embora trabalhássemos em quatro turnos, e tínhamos que produzir, tínhamos que atender aos clientes. Foi uma época difícil. Teve um tempo, nessa época, que eu fiquei sem gerente no planejamento, então fiquei quase um ano como supervisor e tomando conta dessa área de planejamento, eu era o responsável por manter a fábrica funcionando! Eu tinha que manter a fábrica funcionando, não só no planejamento, mas em matéria-prima, porque eu já tomava conta do planejamento e da matéria-prima e faltava capacidade. Chegava sexta-feira, três horas da tarde, o Gasparotto já estava na administração de vendas e era mais fácil falar, como a gente diz, com o Papa, do que com falar com ele, porque era justamente a época em que o mercado estava subindo. Tinha dia que eu queria falar com ele: “Gasparotto, pelo amor de Deus, me ajuda! Eu preciso produzir, mas eu não sei produzir! Diga-me o que produzir!” Às vezes, quando podia ele vinha ajudar-me a produzir: “Essa e essa não precisa!” Tinha vezes que, às três horas da tarde de uma sexta-feira, quem disse que o Gasparotto aparecia? Ia lá eu com o Valmir: “Minha mãe mandou eu escolher… Pá, pá, pá... Você! 70% desse, mais 50 desse…  ” Pelo feeling. Mas foi uma época gostosa onde eu aprendi muito! Um ex-diretor, que não está mais na Tetra Pak, uma vez falou para mim: “Cara, nunca faltou embalagem para ninguém!” Mesmo com falta de capacidade, todos os problemas, nunca faltou embalagem para ninguém. Foi uma época gostosa em que eu conhecia todo mundo na fábrica. A partir de 1995, 1996, aquilo começou a crescer tanto que fomos perdendo um pouco o contato com o pessoal. Você tinha que cuidar mais da sua área e deixar a outra área fazer o que eles tinham que fazer.



P – Izidoro, para fecharmos a questão da sua trajetória: você foi para a área de produção e ficou até 2002, na época do SAP. Você participou da implantação do SAP na área de… 



R – … De Expedição.



P – Foi até quando essa experiência?



R – Essa experiência começou em novembro de 2002, quando tivemos o primeiro workshop em Monte Mor, com os suecos, para expor o que era o sistema. Nós ouvíamos falar de SAP, mas não tínhamos ideia de como a coisa ia funcionar; em novembro, dezembro, festas e tudo mais, ficou um pouco conturbado. Em janeiro, eu e mais três pessoas de Ponta Grossa, os chamados usuários, seríamos os responsáveis por levantar os possíveis problemas que poderiam acontecer, customizar o sistema para o Brasil, aprender como ele funciona e fazer as perguntas: “Lá funciona assim, dessa forma; não pode ser assim… ” Na verdade, nós não mudamos o sistema, nós o customizamos de acordo com as leis brasileiras. Eles escolheram algumas pessoas na fábrica, com o conhecimento da área, que são chamados de super usuários, que eram os responsáveis por aprender e passar o conhecimento para os end users, que é o pessoal do chão de fábrica ou o pessoal que seria usuário do sistema. Em janeiro, viemos de novo para Indaiatuba: eu, o Oswaldo, a Gabriela e o André Guirden. Ficamos morando em Indaiatuba e morando em Monte Mor, foi montado um escritório do ISP - eles chamavam o projeto todo de ISP Program, e juntaram todo mundo em uma sala enorme. Nós passamos de  janeiro, fazendo inclusive imersões em inglês, porque íamos ter que ir para a Suécia passar um tempo em treinamento. Até o início do funcionamento, que foi em seis de outubro de 2003. Então, nós ficamos de janeiro até o início de outubro, não me lembro se foi seis ou nove, acho que foi seis de outubro de 2003, quando literalmente puxamos o fio de todos os sistemas ligados que tínhamos. Tínhamos um monte de sistemas que controlavam a fábrica e alguns deles não se conversavam, imagine o medo que estávamos! Puxamos literalmente o fio, ligamos o SAP e dissemos: “Vai ter que funcionar!”



P – E funcionou?



R – Funcionou e, na época, foi um benchmark mundial de implantação, devido ao tamanho do projeto. Eles nunca tinham trabalhado com um projeto tão grande, com tantos end users. A fábrica de Monte Mor era muito grande, tinha Ponta Grossa e muita coisa envolvida no projeto; antes, nós falávamos para um sueco “nota fiscal” e eles tremiam, eles não sabiam o que era nota fiscal, lá não existe.



P – Foi implantado, deu certo e você continuou vinculado ao programa?



R – Não, eu saí. Na verdade, a função do super usuário é aprender o sistema, passar para os end users e depois, qualquer problema que o end user tivesse, você era responsável por resolver aquele problema ou ter os caminhos para resolver aquele problema. Eu fiquei um tempo mais, porque depois da implantação do sistema tinha aquilo que eles chamavam de hyper care, que é você acompanhar o sistema para ver se ele está funcionando e procurar possíveis bugs para consertar. Teve uma época em que tive que acompanhar o sistema junto com o end user, era função minha acompanhar, apesar de não estar na expedição, eu tinha que acompanhá-los para ver se tinha algum problema para ajudar a resolver. Eu fiquei nisso até dezembro, foi outubro, novembro e dezembro que ficamos acompanhando isso de perto. Eu voltei para a área de produção, mas para uma área que estava começando, que era treinamento. Foi proposta a implantação de books, de máquinas, problemas onde estavam os maiores defeitos, é um pouco de filosofia WCM e fiquei algum tempo nisso. Nesse meio tempo, o Gasparotto foi para a diretoria de supply chain, com o SAP, também veio uma nova diretoria, que era a diretoria de supply chain. O Grácio, era o responsável pela área de logística, foi montada toda a área de logística, dentro da diretoria de supply chain, englobando a área de logística. Como eu tinha o conhecimento da expedição da época, o conhecimento de toda a área de matéria-prima e o conhecimento do SAP, o Grácio convidou-me para voltar para logística. Eu voltei porque é a área que eu sempre gostei, é onde você está no meio do burburinho vendo, como eu sempre falo, embalagens saírem em cima do caminhão. Eu fiquei de março de 2004 até novembro de 2006.



P – E nessa data?



R – Nessa data houve a implantação de um novo módulo do SAP, porque o SAP funciona com módulos, você não precisa implantá-lo inteiro, você implanta em módulos. Houve a implantação do módulo PM, que é o que faz o controle de manutenção e o controle da área que eles chamam de Cosp, que é Converting Spare Parts, que é o almoxarifado de peças sobressalentes de fábrica. Acontece que esse almoxarifado estava abaixo da manutenção. A manutenção comprava peças, pegava, colocava na máquina e dava baixa. Quer dizer, é uma coisa esquisita porque eu pego a peça, não dou baixa, o inventário fica errado, o meu custo fica errado. Nessa época, com a implantação do módulo PM, eles mudaram: resolveram tirar o almoxarifado de baixo da manutenção e passar para a área de Cosp. Então, o Grácio resolveu convidar-me para a área de almoxarifado, que eu já conhecia, mas de longe: “Oi, almoxarifado. Você está aí? Adoro você, mas não quero.” Acabei voltando para a área. Lógico que comparar o almoxarifado, em 1980, com o almoxarifado de 2007 é outro mundo, principalmente com o computador controlando tudo. Hoje o cara vem, retira uma peça, faz uma reserva. Você dá baixa no sistema, pega o scanner, escaneia um código de barras e acabou. Imagina, em 1980, você pegar o parafusinho, contar o parafusinho…  Era outro mundo!



P – E desde 2006…   



R – … Desde novembro de 2006, eu estou na mesma função.



P – Izidoro, eu queria que você falasse um pouquinho sobre a questão ambiental na Tetra Pak: existe uma preocupação muito grande da empresa com a questão da reciclagem na própria fábrica, com a questão do aproveitamento máximo de toda a sua força nesse sentido?



R – A questão ambiental é muito interessante, porque o mundo mudou. Eu lembro-me que, quando a Tetra Pak veio, não existia essa preocupação ambiental, os resíduos eram vendidos para os sucateiros e esses sucateiros repassavam para terceiros, sem nenhum controle. Era muito comum você ver sucatas de embalagem e folhas sendo usadas para os mais diversos fins. E no início de 1990, com a entrada do atual diretor de meio-ambiente, o Fernando Von Zuben, a coisa começou a tomar um caminho diferente, começou a preocupação em destinar as perdas: passou-se a não tirar mais nada da fábrica que não fosse picotado, para evitar que façam mau uso daquilo. Toda a atual reciclagem, que foi implantado através de parcerias com as recicladoras; e, uma coisa que me chamou muito a atenção, foi a tecnologia à plasma, que foi feita em conjunto entre a Tetra Pak, a Klabin, a Unicamp,  eu estudei Matemática na Unicamp, o meu irmão estudou Física e eu tenho um parente que é doutor em Física, justamente em plasma! Quando começou esse processo na Unicamp, ele não sabia exatamente do que se tratava. Um dia, eu perguntei para ele: “Você ouviu de alguma coisa assim?” Ele falou: “Eu ouvi, sim, ouvi nos laboratórios.” Hoje, ele não está mais na Unicamp, está no INPE [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais]. Então, eu comecei a entrar em detalhes com ele, como é que a coisa funcionava, o que era o plasma. Apesar de eu ter lido bastante a respeito, você não tem aquela visão científica da coisa. Ela é uma tecnologia de ponta, resultado de um estudo feito no Brasil, não há comentários que se possa fazer a respeito, o resultado está aí.



P – Izidoro, você poderia falar um pouquinho dos valores da Tetra Pak?



R – Isso é uma coisa bastante interessante. Eu não vou lembrar os valores todos de cabeça, mas parceria com clientes e fornecedores é uma coisa que está lá e eu acho que isso dispensa comentários, nos meus 29 anos de empresa, é aquela coisa: o cliente está na ponta da linha esperando alguma coisa e você tem que suprir o que ele está querendo. Quando eu trabalhava na área de expedição, eu tinha a preocupação em atendê-lo o mais rápido possível; quando eu estava no planejamento, tinha a preocupação de não deixar faltar nada. Às vezes, não dependia de mim, mas tinha que ser feito. Então, eu acho que essa é uma das coisas que dispensa comentários. Mas o que mais me chama a atenção nos valores da Tetra Pak é o primeiro deles, que é liberdade com responsabilidade; o resto dos valores eu não vou saber dizer, mas sei do que se trata, não vou conseguir expressar-me em palavras. Liberdade com responsabilidade eu acho que extrapola da fábrica e é uma coisa difícil da pessoa entender: é difícil você entender que você pode pegar aquele valor, que você usa dentro da empresa, e levá-lo isso para fora da empresa, seja na sua família, seja na sua escola, seja na universidade, na política, no trânsito. Esse é um dos valores que mais me chama a atenção. Inclusive, eu sempre falo que eu me pauto por duas coisas: a lei e o procedimento. Então, quando sai alguma coisa, a primeira coisa que eu pergunto é: “Qual é a lei e qual é o procedimento?” E você junta a isso a liberdade com responsabilidade. Se você conhece a lei, conhece o procedimento, tem a liberdade e tem a responsabilidade; eu acho que, com isso, você resolve qualquer problema.



P – Izidoro, como você vê a importância da Tetra Pak na história da indústria brasileira?



R – Eu acho que a Tetra Pak é pioneira em muitas coisas, pelo menos a história que conhecemos, em aceitar desafios, sempre querer produzir o melhor e ter uma visão de futuro,  isso é o mais importante. Eu nunca imaginava, quando entrei na Tetra Pak, em 1978, que ela fosse tornar-se no Brasil. No mundo, ela já era, a potência que é e os desafios que enfrentaria para tornar-se o que é hoje. A visão que o europeu, que os estrangeiros têm, é que aqui é um país de mulatas e de índios. De repente, a Tetra Pak vem pequena, desenvolve o papel com a parceria da Klabin, desenvolve o alumínio com parceria com a Alcoa, desenvolve tintas, desenvolve todo o sistema de controle da fábrica. Aceitar desafios, acho que não tem preço. E acreditar nas pessoas, o que temos hoje de expatriados! É difícil de contar nos dedos o que temos e eu acho isso muito importante. Uma coisa que me chama muito a atenção, voltando um pouco, é essa visão de meio ambiente: a preocupação com o meio ambiente que se tem hoje; a preocupação em se deixar claro para a população o que é a Tetra Pak, como ela funciona, como ela trata o meio ambiente, de encampar problemas que não são problemas. Às vezes, eles são criados e sabemos que são difíceis, mas não impossíveis. Então, encampar problemas como aquele caso que teve no Paraná , que depois eu deixei de acompanhar porque saiu dos jornais e não acompanhamos mais, todo aquele problema com a Secretaria do Meio Ambiente do Paraná. Uma outra coisa que me chama muito a atenção e que eu prezo muito é a questão de segurança, aquela visão de que o capital humano é muito mais importante do que uma máquina ou uma outra coisa. O desenvolvimento que se teve em máquinas e a modificação da segurança, do início da fábrica até hoje, é uma coisa que, para mim, não tem comparação. E acabamos pegando esses valores, essa segurança, e levando isso para a vida particular, então é bem interessante. O meu irmão mais velho trabalha na Tetra Pak e, um dia, a minha cunhada falou para mim: “Já não chega o seu irmão, que é um cri-cri com segurança, e você também é!” Incorporamos isso. Você vê aquelas coisas na fábrica, você presta atenção em determinadas coisas que não estava acostumado a ver. Como eu sempre falo, dar palpite na casa dos outros é uma beleza: eu adoro quando eu vou fazer um safety tour de turno numa área que não é a minha, porque eu acho 500 problemas. Isso é bem interessante!



P – Izidoro, como você sabe, a Tetra Pak comemora 50 anos de Brasil. O que você conhece, o que você ressaltaria desta história, dessa trajetória da empresa no Brasil?



R – Em que sentido?



P – No sentido de momentos marcantes, de marcos que você conhece da empresa e que acha importante para a história dela.



R – São muitos marcos. Em 29 anos é difícil de falar, são muitos marcos. Como eu falei, a implantação da off set foi um. Não me lembro se antes ou depois disso, teve a mudança para as VTVs, a implantação das VTVs, que foi um marco bastante interessante. Outro marco foi quando colocaram as duas extrusoras, aliás, uma extrusora com duas matrizes, na laminadora 21. Esse foi o primeiro grande update de máquina, vamos dizer, porque ela só tinha uma matriz e, de repente, colocaram uma máquina nova: “Nossa, como é que vai colocar esse negócio aí?” E, depois, ver aquilo funcionando… Isso falando em fábrica. Falando em desenvolvimento de máquinas de envase, eu não sou a melhor pessoa para dizer, mas quem estava acostumado com aquilo que chamávamos de TBA/3… Hoje não vou saber dizer o nome, eu ouvi outro dia lá no “Você sabia?”, mas não era a minha área, então ele fica um pouco esquecido, mas o desenvolvimento das máquinas de envase é sem comentários, realmente sem comentários. Eu acho que isso são marcos que têm que ser levados em consideração, sem dúvida nenhuma. E toda a parte de ampliações que foram feitas em Monte Mor, upgrades em Ponta Grossa, que pegou uma laminadora antiga e o pessoal que vem de fora não acredita que aquela laminadora, que era da Alemanha, hoje roda a 650 metros por minuto. Não existe no mundo, até onde eu sei,  uma laminadora que rode nessa velocidade; e ela não é uma máquina nova, é uma máquina que foi trazida da Alemanha, foi montada ali, reformada, arrumada e está lá! É justamente esse o desafio: pegar e fazer acontecer e saber que vai dar certo.



P – Izidoro, pegando ainda a questão dos 50 anos: em comemoração a isso, a Tetra Pak está desenvolvendo o projeto Memória 50 anos Tetra Pak. Eu queria que você falasse, na sua opinião, qual a importância desse projeto?



R – Uma coisa que eu não comentei e que faz parte da minha história pessoal é que, em 2004, eu voltei para a universidade e fui fazer História.



P – Você foi fazer História?



R – Eu parei agora com esses problemas pessoais que aconteceram, na metade do quarto ano. Mas isso faz você ver: com a minha formação lógica em Matemática, eu pego uma formação de Humanas! Isso faz você ver o mundo de uma forma diferente. Eu aprendi, nesses três anos de curso, justamente as maneiras de você escrever a história, os documentos históricos. Eu acho que a felicidade desses 50 anos é uma coisa que realmente tem que ser escrita, tem que ser gravada, tem que ser fotografada, tem que se fazer a história dos 50 anos de todas as formas possíveis porque isso é a história, isso faz parte da história da Tetra Pak! Acho que nada mais certo do que realmente manter esse arquivo vivo!



P – O lema da Tetra Pak é “Protege o que é bom”, o que é bom para você, Izidoro?



R – O que é bom para mim? Agora você pegou pesado… 



P – … Em todos os sentidos.



R – Eu vou citar Fernando Pessoa: “Bom é o lugar, o suor e as danças, mas o melhor do mundo são as crianças!”



P – Que bonito! Izidoro, nós estamos chegando no final da entrevista; eu queria saber se tem algum assunto que nós não tenhamos abordado, mas que você acha interessante de deixar registrado.



R – Não, eu acho que até falei demais, falei mais do que devia!



P – Imagina, foi ótimo!



P – Você gostaria de deixar um recado, uma mensagem para a Tetra Pak e para os seus colegas, em comemoração a esses 50 anos?



R – O que eu gostaria de deixar para eles é que daqui a 50 anos, faça-se novamente o que está sendo feito hoje. A Tetra Pak, daqui a 50 anos, tenho certeza que vai estar produzindo a melhor embalagem do mundo, como faz agora.



P – Para finalizar, eu gostaria que você dissesse o que achou de dar o seu depoimento para o projeto.



R – Eu fiquei muito feliz quando fui convidado e até peço desculpas pela primeira vez que eu não pude comparecer, porque estávamos com um monte de coisa lá, era a Auditoria do SGI, uma porção de coisas. Como eu já falei, eu acho que a história oral não é uma coisa que você pode simplesmente esquecer, isso faz parte da história de vida da pessoa, da empresa. Quer dizer, cada um tem a sua história, não importa que seja a história particular dele, mas é história. Acho que eu tinha muito a agregar nesses 50 anos de Tetra Pak com os meus 29 anos de empresa, então eu fiquei muito contente quando fui convidado para participar desse depoimento.



P – Izidoro, em nome da Tetra Pak e do Museu da Pessoa, nós agradecemos sua pessoa, seu tempo, seu depoimento e a sua vinda até São Paulo para ajudar o projeto. Muito obrigado!



R – Eu é que tenho que agradecer.



P – Obrigada, Izidoro!



--- FIM DA ENTREVISTA ---


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