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Novela de Rádio

História de: Ianarema Oliveira
Autor: Ianarema Oliveira
Publicado em: 05/07/2021

Sinopse

Partilhando momentos com minha vó

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História completa

Na minha época de criança não possuíamos televisão, era ainda novidade e coisa para gente muito rica. Na roça, sabíamos sobre o mundo através do rádio. Tínhamos a vida tão repleta de ocupações de crianças, que nem nos atentávamos para essa questão. Mas, vovó possuía um grande rádio, que ficava em cima de uma peça de madeira, que parecia um armário. Uma toalhinha de renda ficava entre o rádio e a peça, não sei se era para enfeitar o móvel ou para o rádio não o arranhar. Todo dia ao cair da tarde, minha vó arrumava-se em uma cadeira que ficava bem em frente à peça e encostava bem o ouvido junto ao rádio para ouvir novelas. Junto, ela trazia nas mãos, um pequeno lenço que segurava entre as mãos e ficava dobrando e desdobrando, enquanto ouvia atenta a narrativa dos personagens. De todos os netos e filhos, eu era a única que me sentava aos seus pés e ficava quietinha, escutando as incríveis histórias das novelas de rádio. Era delicioso imaginar o barulho do trovão e o cavalo batendo os cascos no chão, relinchando assustado, debaixo da tempestade que caía e seu dono sobre ele montado, pedindo a ele calmaria. O vento era tão intenso, que o chegava a sentir sobre minhas costas, naquele cantinho em que eu me sentava no chão. Quando minha vó levava aos olhos o lencinho que o tempo todo retorcia, sabia que a cena era de molhar os olhos e doer o coração, eu ficava com pena de vovó, mais do que, pena da mocinha. Todos os dias eram assim, às vezes eu via um sorriso lindo e largo se abrindo sobre o rosto de minha vó. Sabia eu então, que a protagonista da história havia finalmente se dado bem. Eu passava muitas noites me lembrando das histórias que ouvia no rádio. Na minha época de criança não possuíamos televisão, era ainda novidade e coisa para gente muito rica. Na roça, sabíamos sobre o mundo através do rádio. Tínhamos a vida tão repleta de ocupações de crianças, que nem nos atentávamos para essa questão. Mas, vovó possuía um grande rádio, que ficava em cima de uma peça de madeira, que parecia um armário. Uma toalhinha de renda ficava entre o rádio e a peça, não sei se era para enfeitar o móvel ou para o rádio não o arranhar. Todo dia ao cair da tarde, minha vó arrumava-se em uma cadeira que ficava bem em frente à peça e encostava bem o ouvido junto ao rádio para ouvir novelas. Junto, ela trazia nas mãos, um pequeno lenço que segurava entre as mãos e ficava dobrando e desdobrando, enquanto ouvia atenta a narrativa dos personagens. De todos os netos e filhos, eu era a única que me sentava aos seus pés e ficava quietinha, escutando as incríveis histórias das novelas de rádio. Era delicioso imaginar o barulho do trovão e o cavalo batendo os cascos no chão, relinchando assustado, debaixo da tempestade que caía e seu dono sobre ele montado, pedindo a ele calmaria. O vento era tão intenso, que o chegava a sentir sobre minhas costas, naquele cantinho em que eu me sentava no chão. Quando minha vó levava aos olhos o lencinho que o tempo todo retorcia, sabia que a cena era de molhar os olhos e doer o coração, eu ficava com pena de vovó, mais do que, pena da mocinha. Todos os dias eram assim, às vezes eu via um sorriso lindo e largo se abrindo sobre o rosto de minha vó. Sabia eu então, que a protagonista da história havia finalmente se dado bem. Eu passava muitas noites me lembrando das histórias que ouvia no rádio.

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