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História

Nossa Senhora dos Alagados

História de: Arnaldo dos Santos Filho
Autor: Coleção Alagados
Publicado em: 31/08/2020

Sinopse

Arnaldo relaciona a força da figura da Nossa Senhora dos Alagados com as mulheres do bairro, e com sua própria experiência de buscar água na fonte e levá-la na cabeça. Relembra também sua infância no bairro, as brincadeiras e o sentimento de segurança e pertencimento à região.

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História completa

A figura de Nossa Senhora dos Alagados ela me representa porque eu já levei lata d'água na cabeça com rodilha... Nós todos aqui passamos por essa experiência. Aqui todo mundo, A gente enchia os tonéis assim. Eu cheguei pequeno.. e rapaz da nossa idade... a gente tinha que pegar água na fonte que era no caso lá no Santa Luzia. Então pra tomar banho eu pegava doze latas, tinha que ir buscar. As mulheres botavam as panelas e a gente (homens) fazia a lata, que cabe mais, se quiser fazia duas... As mulheres já botavam na cabeça uma panela grande com a rodilha... A gente aprendeu com as mulheres... Tinha que encher doze latas... Tomava o banho na fonte e trazia a lata cheia pra guardar. Né, porque Tudo era lavado... Então nós temos essa graça. E na vinda do Papa eu estava no Jardim Cruzeiro. A gente sempre morou aqui, depois que mudou pra lá. Minhas irmãs estavam aqui, as outras já tavam morando aqui, já estavam casadas, moravam aqui. Nós de Alagados, a gente carregou água na cabeça. Quando vejo aquela Nossa Senhora com aquela lata na cabeça, me lembro muito das mulheres daqui carregando a lata d'água na cabeça... Chegava a travar o pescoço por causa do peso... De vir com a lata cheia.. e eram doze latas... Era cansativo. Então tinha que poupar água, Não tinha desperdício de água porque tinha essa dificuldade, tinha que ir buscar longe, tinha que ir lá pra Santa Luzia pra pegar água...Era bem trabalhoso. A gente viveu tudo isso aqui. Eu me lembro muito com a Nossa Senhora... Lembro muito dessa imagem de Nossa Senhora das mulheres aqui de Alagados. Aí depois o Papa veio aqui, batiza né, essa senhora dos Alagados... É uma passagem... Com essas mulheres aqui, dá um sentido. O porquê surgiu aquela... não sei direitinho pra contar a história. Mas dá um sentido esse batismo a essa vivência toda que a gente viveu aqui em Alagados... Povo sofrido de Alagados que passou por tanta experiência... E daí tem Nossa Senhora dos Alagados, que está presente em tudo. Já estava presente desde o começo. Na nossa pequenez, na nossa pobreza aqui... Povo sofrido, esse povo aqui é muita história.. não sei se tem tudo aqui... na Prefeitura deve ter (a história)... tempo de catar lixo, de viver de marisco, de pescar no mangue, então o povo aqui é bem sofrido, sofrido mesmo... Mas antigamente, mesmo morando em cima da ponte, a gente dormia com tudo aberto... Não tinha esse problema. Se você ia numa casa na rua do lado, você passava por essa daqui, por dentro da casa do outro... ia lá na casa da vizinha no fundo, depois você voltava... Antes não usava chave, usava tramela, pegava e cortava um pedaço de madeira... Não tinha esse negócio de robalheira... E o respeito, que era gigante. O respeito com a filha do outro. Ajudava a pegar a sacola de quem vinha da feira - Dona Maria, Dona Joana... “Deixa que a gente leva” Até jovem tinha isso, a educação era essa. Ninguém via passar com peso.. pegava a sacola pra ajudar. Tinha isso, mesmo em cima da ponte. A não ser quando a gente queria abusar.. Tinha essa esperteza de tirar uma tábua da ponte pra trocar e pra pessoa passar e plá! (risos) Aí depois botava a tábua pra passar. Era engraçado, a gente se acabava de dar risada! Era molecagem. Tirava tábua da ponte pra depois pegar ??? Brincava de percula dentro d'água...(...) A gente não tinha espaço pra correr, tinha que ser dentro d'água... Era tudo maré, a gente não tinha terra aqui pra gente brincar. Era interessante, engraçado... Eu brinquei de furar pé, de gude...

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