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Nos livros de Ilhabela

História de: Maria Stella França
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Publicado em: 17/08/2016

Sinopse

Maria Stella França conta de sua ascendência familiar, da família do Vale do Paraíba que tem parentesco com Frei Galvão de França. Além disso, conta com orgulho que seu pai, Cornélio Nogueira França, formou-se em Direito e foi o primeiro delegado da cidade onde mora atualmente, Ilhabela (SP). Foi na Ilha que seu pai, conheceu sua mãe mas por seguir a carreira de delegado, mudou-se de cidade algumas vezes, por isso que Maria Stella nasceu em Pirassunga (SP) mas nem todos seus nove irmãos nasceram na mesma cidade. Maria Stella conta como foram os estudos, em São Paulo, até a graduação na faculdade de Biblioteconomia e, inclusive, narra como foram seus empregos. Deles, o que conta com mais detalhes é o de ter ajudado uma de suas irmãs e montar a primeira biblioteca de Ilhabela, cidade de sua mãe e de suas férias desde a infância. Começando com um acervo doado, Maria Stella narra o processo de arrumação dos livros e também sobre as visitas, pesquisas e leituras dos frequentadores.

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História completa

Maria Stella França, nasci em Pirassununga no dia dois de maio de 1930. Meu pai, Cornélio Nogueira França, nasceu em São José dos Campos (SP). Ele veio para cá, depois de se formar em Direito e veio ser o delegado da cidadezinha, primeiro delegado daqui, de Ilhabela. Minha mãe é caiçara, nasceu aqui e depois de alguns anos de casada, ela se mudou para várias cidades na companhia do meu pai, que ele foi indo, trabalhando em várias cidades aqui do Vale do Paraíba, como delegado e depois, eles foram para São Paulo. Eu nasci em uma dessas cidades em que ele foi delegado, eu nasci em Pirassununga. Os meus irmãos nasceram aí pelo Vale do Paraíba, São Luiz do Paraitinga (SP), São José dos Campos (SP), eu fui a penúltima a nascer, porque foi uma família de dez filhos. A minha infância era era deliciosa, porque eu sabia que sempre eu vinha pra cá [Ilhabela], né? Porque eu sempre, desde pequena, as nossas férias eram sempre aqui, né? Meus avós moravam aqui, a gente vinha visitá-los, né? E a gente vinha, naquela época era muito difícil vir, porque não tinha nem estrada tinha, porque eu vinha de lancha. Até uma vez, eu vim de navio para cá. Era o lugar que a gente gostava de ficar. E era quando não tinha a estrada era um caminhozinho, a gente parava para tomar água no meio da estrada, porque tinha uma fontezinha na estrada, que tinha um alemão, tudo isso eu me lembro muito, que servia água pra gente, porque brotava da pedra e era uma estrada terrível também para vir de carro, né? Mesmo depois de casada, eu vinha muito pra cá, né? Vinha, aprendi a esquiar, fazer os meus esportes, as crianças foram crescendo, querendo sempre vir para cá, né, eles não admitiam outro lugar para passar férias, tinha que ser Ilhabela, e amigos, a gente tinha uma casa bem grande aqui, trazia os amiguinhos deles e tudo. Foi sempre assim, Ilhabela sempre na nossa vida, toda. Você conheceu a vila caiçara lá na vila? Aquela casa foi onde os meus pais se casaram, quando os meus pais se casaram, meus avós moravam lá. Era uma espécie de um hotel ou pensão, não sei, eles recebiam hospedes, naquela época, não tinha balsa, não tinha nada, a gente tinha que atravessar de canoa, de lancha. Essas lembranças foram muito marcantes também para mim, minha infância. Quando eu chegava aqui, era sempre um prazer íntimo assim, não sei dizer, vou ver meus avós e vou chegar aqui, tem mar, tem tudo aqui que a gente não tinha em São Paulo, né? A biblioteca [de Ilhabela] não existia, era só um amontoadinho de livros que tinham um lugarzinho na vila com doações, que ela [Iracema, mais conhecida na Ilha como Dedé] pedia. Ela que começou a biblioteca, na realidade, mas ela não sabia o que fazer com aqueles livros, mas ela tinha já um acervozinho e eu fiquei feliz, porque começar uma coisa, assim, do zero, né, é interessante, né? Interessante, porque muito diversificado, as doações vêm de tudo que é lado, todas as pessoas mandam o que não interessam mais, mas geralmente tem aquela pessoa que doou, né? E eu comecei assim, a organizar, o que eu tinha mais na época? Muito romance. A biblioteca, na realidade, começou mesmo, brotou mesmo foi com a doação de uma amiga minha, que se chama Vera, cujo pai morreu e tinha muitos livros, então ela trouxe assim, um carro lotado de livros, foi o impulso que a biblioteca deu foi com esses livros, não foram os primeiros, porque como eu contei, minha irmã já vinha pedindo doações e tudo, né? Mas esses da Vera eram livros muito bons, estavam em ótimos estado, então eu pude começar a biblioteca direitinho. E aí, começaram a pingar muitas doações, acho que quase diariamente vinha alguém doar um livro, dois… e assim, aumentou. Quando eu saí de lá, não sei dizer exatamente, mas tinha uns 25 mil, por aí, Eu considerava a biblioteca um centro cultural, então a gente recebia, fazia alguns eventos culturais, exposições que a Secretaria do Estado da Cultura mandava pra gente fazer e tal. Fazia exposições de quadros... A biblioteca? Ela tem o mesmo nome até hoje, que é Biblioteca Pública Municipal Doutor Renato Lopes Correa e era em homenagem ao marido da minha irmã, que era a pessoa que mais se interessava por cultura aqui na Ilhabela. Eu gostava muito de indicar sempre literatura brasileira, mas tinham coisas muito boas lá. De literatura assim, francesa, inglesa, tinha muita coisa boa e conforme a pessoa que fosse pedir, eu já sabia, mais ou menos, o perfil da pessoa, eu já encaminhava o livro, entendeu? Que isso aí foi uma coisa que fez com que as pessoas frequentassem mesmo a biblioteca, frequentavam muito, muito, mesmo. Tinha dias que eu não tinha mãos para medir, porque estavam assim, amontoados ali, esperando ser encaminhados por mim pro acervo, né? Era um acervo livre, eu fiz questão de ser, a pessoa ia buscar o que quisesse, mas eu também indicava, então, participava… foi um tempo bom. Vinham pessoas de férias, frequentavam e vinham os alunos... Geralmente, eu tinha que ajudar, né, porque se perdiam naquelas coisas todas, aqueles livros de informação e tinham as crianças pequenininhas também, que cresceram lendo livrinhos infantis e que hoje, estão moços, né, e continuaram gostando de ler e tudo.

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