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História

Nos bastidores do Paulista de 78

História de: Rubens Quintas Ovalle
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/12/2013

Sinopse

Depoimento de Rubens Quintas para o Museu do Santos F. C. em 1999. Rubens conta sobre seu crescimento em Santos, os primeiros contatos com o futebol no time juvenil do Jabaquara F. C. e o primeiro emprego no comércio de materiais de construção do pai. A vivência no bairro do Gonzaga, a entrada e participação no Santos F. C., como sócio, conselheiro e presidente. A passagem pela presidência equilibrando as finanças do clube e conquistando o Campeonato Paulista de 1978 com o time que ficaria conhecido como "Meninos da vila".

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História completa

 

P/1 – Bom dia seu Rubens, vamos iniciar nossa entrevista pedindo que o senhor fale seu nome completo, sua data e local de nascimento. R – Bom dia, nasci em Santos no dia 16 de março de 1933, meu nome completo é Rubens Quintas Ovalle. P/1 – O senhor poderia falar o nome dos seus pais e a origem deles. R – Meus pais Héramo Quintas e Maria Mercedes Quintas. Héramo Quintas nasceu em Santos e Maria Mercedes minha mãe nasceu em Lorença (?). P/1 – Na Espanha? R – Na Espanha. P/1 – E o que eles faziam? Seus pais. R – Meu pai era comerciante de ferragens e ferramentas em Santos e depois deu uma sequência na firma, onde transformou-se a mesma, com o desenvolvimento que houve da construção em Santos, passou ao ramo de materiais de construção e minha mãe era do lar. P/1 – Então vamos falar um pouquinho da sua infância senhor Rubens, o senhor foi criado em que bairro? R – Fui criado no bairro de Vila Matias, juntamente com mais três irmãos meus, criados e nascidos na Vila Matias e posteriormente, passando pela idade aproximadamente de 15 anos, fomos para o bairro do Gonzaga, onde juntamente com mais cinco irmãos que nasceram perfazendo o total de oito. P/1 – E o senhor se lembra da sua infância, o que o senhor fazia, já jogava bola. R – Joguei futebol no Jabaquara, na época era a sensação do juvenil na Baixada Santista onde o treinador era o Arnaldo de Oliveira o popular Papa e que naquela ocasião nós não tínhamos oportunidade dentro do Santos, porque falavam que jogava só filhinho de papai. E os melhores jogadores da posição iam pro Jabaquara, e o Jabaquara com esse treinador Arnaldo de Oliveira era um pesquisador - tá entendendo? - de jogadores que percorria a várzea toda, onde surgiu Gilmar dos Santos Neves, Domingos, médico o Boquinha, Américo Murolo, todos esses aqui jogaram comigo só que eu não era titular. O Jabaquara tinha três times era um cerolo grande de jogadores, onde se tornou tri campeão juvenil de toda Baixada Santista. Posteriormente fui estudar em São Paulo no Arquidiocesano, parei de jogar futebol, quando eu voltei a Santos aí comecei a dirigir a firma, que meu pai foi o idealizador da firma de materiais de construção, que hoje é a H Quintas S/A de materiais de construção. P/1 – E o senhor jogava futebol em que posição? R – Eu era volante. Era eu, Boquinha que é vivo, Verano que é vivo, tem o Américo Murolo que foi depois vendido, aliás, ele foi pra Francana, da Francana foi pro Vicenza da Itália e depois voltou para o Palmeiras. Esse também... Além de ser, estivemos juntos no Jabaquara, fomos praticamente criados juntos no bairro do Gonzaga aqui em Santos. P/1 – E como é que era essa, na época da infância o Santos era muito diferente, ali na Vila Matias? R – Vila Matias era um bairro tradicional de Santos, era residencial, hoje se transformou tudo em comércio, mas era um bairro tranqüilo onde inclusive um administrador que eu levei para o Santos, conheci o Antônio Guilherme de Oliveira na própria Vila Matias, porque ali era um bairro familiar, onde se reunia principalmente no sábado e domingo de noite, parecia uma cidade do interior, pacato, silencio e depois se transformou num comércio e os bairros aqui hoje, a gente nem sabe quais são os bairros residenciais, que virou quase todas casas comerciais. P/1 – E o senhor depois se muda para o Gonzaga. R – Mudei para o Gonzaga. P/1 – E como é que era o Gonzaga nessa época? R – O Gonzaga nessa época, também foi uma época muito difícil, né, ali já tinha muita estrela, isso que eu digo é da roda freqüentava todo sábado e domingo o Gonzaga, já tinha lá uma turminha que não deixava ninguém se aproximar, principalmente a gente que viemos de origem humilde, bairro humilde. Mas com o tempo fomos adquirindo confiança, onde começamos a freqüentar e dali também conhecemos o empresário Cabral Junior, pai do Cabralzinho que foi também treinador do Santos e onde nos encaminhou justamente onde acompanhava a vida artística noturna aqui na cidade de Santos, onde freqüentava muitos até o Samba Dança com um grupo de amigos que hoje já não existe, o Samba Dança e aqueles bailes do Clio do Antlantico que também hoje já não existe mais, inclusive aquelas domingueiras tradicionais no Gonzaga e essa foi a nossa corrida dentro do bairro do Gonzaga. P/1 – O senhor entra como associado do Santos ainda muito jovem. R – Entrei no ano de 1945, colocado pelas mãos do meu pai. P/1 – O seu pai também era um torcedor do Santos. R – Meu pai era, meu pai era ao contrario, meu pai era torcedor do Espanha. Levava-nos às vezes até pra ver o jogo, o Espanha a história era tão pequena, era com musica, para os grandes jogos nos levava aqui pra assistir tinha o morro do Lima, ali atras do campo da Portuguesa onde hoje tem um supermercado, a gente ficava apreciando o jogo lá de cima e meu pai era um ferrenho torcedor do Espanha na ocasião, passou no futuro pós-guerra ao Jabaquara Atlético Clube. P/1 – E o senhor se lembra como se deu essa mudança, como foi o impacto do Jabaquara, da mudança do Jabaquara aqui em Santos. R – Não, aí não acompanhei, foi o Jabaquara além do Espanha... Também resolveu Palestra Itália. Teve outros clubes fora que também se transformaram porque houve muita perseguição, então o estatuto da Federação Paulista de Futebol, então houve essa mudança inclusive o Espanha passou a ser Jabaquara e o Palestra para o Palmeiras, mas não sei como foi esse processo porque eu era muito jovem. R – Mas o seu pai era torcedor do Jabaquara... E porque o senhor virou sócio do Santos? P/1 – Eu virei sócio do Santos porque eu acompanhava muito os jogos do Santos, na ausência dele eu corria pra Vila Belmiro e aquela época de Manga, Élvio, Ivan, Artiga e posteriormente eu fiquei amigo dos jogadores. Inclusive o Tite que hoje é considerado o cantor, o atleta cantor, né? O Tite quando chegou a Santos, o primeiro conhecimento que ele teve foi comigo e com Carlos Eduardo Perão de Castro, falecido Perão de Castro da rádio Gazeta, o primeiro amigo que ele teve em Santos foi a minha pessoa, inclusive comecei a fazer apresentação dele pros amigos do Gonzaga que nós parávamos muito ali no Gonzaga, eu, Formiga, Brandãozinho que depois foi vendido pro Mônaco que jogou no Jabaquara, o Cassio Nogueira também, então era uma roda que parava ali na lanchonete e a gente se reunia muito ali e depois posteriormente o próprio Batata quando veio do Bom Sucesso e nós formamos uma turma ali que gostava de seresta, como até hoje eu gosto de seresta, né. Depois também eu casei, casei com uma moça de São Paulo, diga-se de passagem, naquela época era atração da ronda dos bairros e do programa Hélio de Araújo da radio Cultura de São Paulo e do Grêmio Juvenil da televisão Tupi que em 1954 foi inaugurada a própria televisão. Que hoje é minha esposa que é Esmeralda Bolsas, nome de guerra, que naquela época foi a rainha do rádio foi Izaurinha Garcia, ela foi a primeira princesa e a Norma Danui a segunda princesa. Então essa vida toda, essa vida noturna que eu freqüentava e levava além do Tite com o violão, vários artistas vinham do Rio, quando vinham, vinham diretamente tá entendendo, antes da apresentação do show vinham na minha residência, Ciro Monteiro, Elizete Cardoso, Silvio Caldas, Nora Nei, Jorge Goulart e foi daí que começou a fazer uma certa amizade e foi a nossa entrada aqui do nosso conhecimento de toda a Baixada Santista, mas tudo começou que eu gostava de seresta como gosto até hoje.  P/1 – Seu Rubens o senhor se recorda da primeira partida do Santos que o senhor assistiu? R – Primeira partida? Não me recordo, não me recordo. P/1 – Mas teve assim uma partida da infância, uma partida da adolescência que marcou o senhor? R – Não bem que marcou, marcou uma passagem minha, eu fui uns do que indiquei o Meia Volta e o Marciano que trabalhava na Conexões de Ferro Foz do senhor Luiz Foz, um dos Diretores hoje do Grupo Itáu, e ele jogava no Ipiranga, mas tinha um contrato de gaveta, eu indiquei pro Santos Futebol Clube, mas ele quando chegou aí tiveram que deslocar, nunca me esqueço o Antoninho nesse jogo na ponta direita, o Antonio Ferrana e o Walter Marciana acabou com esse jogo e ficou marcado esse jogo na minha lembrança e depois ele foi vendido pro Valença, onde veio a falecer num desastre automobilístico na cidade de Valença, talvez esse jogo ficou marcado, esse aí. Outro que também que ficou, aí isso foi a grande vitória do Santos contra o Taubaté isso em 55, né? Onde eu, Tite e outros mais, nós saímos e fomos comemorar no Parque Balneário e outros jogadores da época. Élvio grande zagueiro também falecido em Niterói, esse também ficou bem marcado porque esse foi um campeonato de 35 no que eu tinha dois anos de idade onde o Santos foi campeão, acho que o único vivo ainda é o Mário Pereira, então esse infelizmente não participei. Então o primeiro campeonato dentro da cidade de Santos que eu participei muito foi em 1955 a vitória do Santos aqui na Vila Belmiro, se não me falha a memória dois a zero. P/1 – E como é que foi a festa? R – A festa foi uma comemoração dentro do Parque Balneário e foi a primeira vez que eu consegui entrar no Parque Balneário, aquilo que eu disse a você que só entrava naquela época filhinho de papai e a gente ficava do lado de fora, tinha aqueles jardins, né, ficava só olhando o pessoal dançar porque tinha boate de inverno, boate de verão, então pra mim foi uma das grandes comemorações, que foi a primeira vez e fiquei até o fim da festa, foi uma festa muito linda. P/1 – E o senhor disse que estudava e trabalhava no estabelecimento comercial do seu pai. Como era a rotina... R – Isso era normal do pessoal da antiga, né? Estudava de manhã e trabalhava de tarde, ou trabalhava de manhã e estudava de tarde. Isso justamente é o que deveriam fazer muitos pais pra não acontecer com essa juventude que não tem o que fazer pra preencher durante... Principalmente quando está fora do colégio, ou então fica pensando só coisas ruins. Os nossos pais, quando eu digo não é o meu, era geral, então fazia alem de criar, educava o filho pra amanhã ser, ter condições de gente, principalmente nesse país. P/1 – E como era o trabalho, o que o senhor fazia? R – No trabalho aprendi muito, eu sou muito franco viu, meu pai começou aí, você pra conhecer o ramo também não é só chegar aqui porque vem com o diploma, você é administrador e toma conta, você tem que conhecer tudo. Então você começa primeiramente, aquilo pra mim parecia um castigo, “começa a varrer a loja aí todinha, tá entendendo, que eu vou começar a te ensinar”, aí eu comecei a varrer e aí levantava aquela poeira, ele dizia: “não é assim não, tem que ser assim” pegava uma latinha fazia vários furos pra espalhar a água justamente pra não levar a poeira pra cima. Depois ele me fez ser empacotador, haja visto que muita pouca gente sabe fazer pacote também, aprendi hoje tem amigos meus que vão viajar de avião, diz: “Rubens, quer fazer esse pacote”, faço isso com tranqüilidade pros amigos e depois me fez fazer cobrança no interior, saía segunda e voltava sexta, né, por esse interior todo afora, era um poeirão danado saía com um Volks, era um carro modelo popular da época e posteriormente quando já tive condições, tá entendendo, passei a comprador e comecei a administrar a firma na parte comercial onde também com muita honra recebi dois prêmios, um dos melhores conhecedores de materiais de construção do Estado de São Paulo. Um pela Duratex pelo Diretor Comercial doutor Geraldo Amorim, foi uma festa muito bonita em São Paulo, recebi como um dos melhores conhecedores de materiais de construção, tanto foi como da Deca, como foi da companhia Hanser Industrial conhecida como Tigre. Essa foi a trajetória minha lá no H Quintas até a hora da minha aposentadoria. P/1 – E hoje seus filhos... R – Meus filhos estão dirigindo juntamente com um irmão e um sobrinho. Meu irmão Elmo, o caçula, e meu sobrinho Fernando Antonio. Eles é que dirigem, Fernando Antonio a parte comercial, melhor dizendo a parte de cobrança, meus dois filhos juntamente com meu irmão a parte comercial, é que tão tocando tanto a firma em Santos, quanto a filial no Guarujá. P/1 – Quer dizer, nesse decorrer da sua atividade empresarial o senhor participava da vida do Santos, se torna Conselheiro... R – É o que eu digo pros filhos com o maior conhecimento, tá entendendo, o que a gente consegue é justamente no balcão de uma firma. Então grandes amizades que eu conheci, quer com Juiz, quer com Delegado de Policia foi tudo dentro dos balcões do H Quintas, ali saiu vários empresários hoje com renome em Santos, um dos maiores aí principalmente no ramo de transportadora Muzero saiu da firma H Quintas e é o que eu digo pros meus filhos: “aqui se faz amizade, aqui o freguês sempre tem razão”, aí “você amanhã vai na __________ Simpatia”, essa simpatia surgiu principalmente em 64 juntamente com um grupo de amigos do Banco do Brasil, o falecido Joaquim Luiz Monteiro as reuniões eram na casa dele na Rua Bahia, 60, Pavel Martins, Esmeraldo Tarquino, o atual governador Mário Covas Junior e onde participamos do pleito de 1964, onde fomos derrotados e aí começou a minha participação dentro da história do Santos Futebol Clube só voltando de novo em 1977. P/1 – Então vamos dar esse salto e entrar em 77. R – Em 77 um grupo de quinze conselheiros do Santos, tava já fazendo um movimento aproximadamente uns três meses. E eu estava no meu rancho em Valinhos, é entre Valinhos e Itatiba, eu falo Valinhos mais pra, justamente, os amigos às vezes querem me localizar, mas é na estrada entre Valinhos e Itatiba no quilometro 14. E por volta de fevereiro eles vieram me procurar porque tinham três candidatos, na própria barraca do Acaraí, sempre no Acaraí, tudo surgia no Acaraí, política e do Santos, tudo na barraca do Acaraí. Na barraca do Acaraí tinha Saul, Ricardo Sadá e tinha o Carlos Augusto Corto Real e com esse grupo então me localizaram em Valinhos e me convocaram pra uma reunião no sábado, eu participei dessa reunião no restaurante São Paulo, na Washigton Luis com a Vicente Carvalho, onde estava presente o Carlos Augusto Corte Real, Paulo Roberto Martins, hoje comentarista número um da Rádio Globo de São Paulo e, se não me falha a memória, mais o Eduardo Castilho de Salvador então vereador na ocasião e Lírio do Prefeito do PMDB Oswaldo Justo. E me colocaram a par do movimento que estava e eu disse a eles, tá entendendo, que eu precisava consultar minha família que tinha ficado lá em Valinhos, perante essa comissão que veio ao meu encontro, eu acertei com eles que no prazo de uma semana eu daria a resposta. Tava um burburinho aqui na cidade a imprensa, o Walter Dias da radio Atlântica, que era mais ouvida, foram consultar minha família... Minha família não sabe de nada meus filhos, meus irmãos que de fato eu tava aqui de passagem e voltei pra Valinhos. Então ligaram e eu tive que descer pra Santos que foi um coletivo onde eu firmei posição que ia sair candidato. Saímos candidatos, o Milton Teixeira era candidato na época da situação que era oposição, o Milton Teixeira quando soube da minha candidatura, para surpresa minha de manhã ele sentiu-se mal e foi hospitalizado e dois dias depois tinha saído da Santa Casa de Santos e veio ao meu encontro se ele soubesse que eu tinha sido candidato ele retiraria, mas como ele já tinha firmado posição perante ao Seu Modesto Roma então ele saiu candidato pela situação e eu pela oposição. Então enfrentar a eleição foi na véspera do meu aniversário 15 de março, né, de 78, então foi um movimento que agitou a Vila Belmiro da parte da manhã até as 17:00, parou a Vila Belmiro há muito tempo não houve um numero de associados votando naquela ocasião. Aberto as urnas, quando abriu a primeira urna não tinha mais ninguém da Situação, então no decorrer da apuração deu uma vantagem pra nós na ocasião quase de 90% contra 10%, foi uma vitória que saímos nos braços da torcida quando tivemos um apoio grande da torcida, o Santos naquela época tinha inúmeras torcidas, então foi uma vitória esmagadora tanto a nossa candidatura veio das bases, surgiu das bases, a torcida, o quadro associativo onde fizemos o conselho e também alem da nossa eleição formamos a Diretoria e daí partimos para assumir no dia sete de abril perante o Conselho Deliberativo. P/1 – Qual era a composição da sua Diretoria? R – A composição era: Vice Presidente da Associação, Saulo Eliezer; Vice Presidente Jurídico, Carlos Augusto Corte Leal; Vice Presidente de Esportes Amadores, Armando Bellini; Vice Presidente de Futebol Profissional, José Eli Miranda e Vice de Comunicações, Eduardo Castilho Salvado. Posteriormente houve uma modificação com a saída do Saul Eliezer, entrou Renato Prestes Soares que deu a incumbência nos quatro anos da minha da minha administração como Vice de Finanças. P/1- E como é que o senhor encontrou o Santos? R – Foi difícil, nunca me esqueço que no dia oito pela manhã me apresentaram ao quadro do Santos no vestiário o Santos tava devendo aproximadamente três meses de salário e eu, me apresentaram aos jogadores e depois que eu saí dali acho que um comentou com o outro: “esse é mais um que vem prometer e não vai cumprir o compromisso”, mas cumpri meu compromisso levantamos o numerário para fazer o pagamento do quadro profissional inclusive da parte administrativa, só que também eu voltei a dizer a eles que depois eu ia começar a cobrar. Cobrar eu cobrei porque eu nunca intransigir até com disciplina, tomei as primeira iniciativas administrativas, desliguei todos os ar condicionados e o elevador de serviço, mandei verificar o porque do gasto de 96 milhões de cruzeiros, porque naquela época a inflação era tão grande da água, com conhecimento meu falei com engenheiro da Sabesp, mandou verificar o higrômetro aquilo começou a reduzir, cortei também no almoxarifado, cortei na cozinha, enfim, eliminei cafezinho, motorista de Presidente despensei, tudo aquilo que tinha despesa surpeflua eu comecei a iniciar, a gente tem que fazer a lição de casa, lição de casa assim faço na firma e foi no Santos e foi daí que começou a dar credibilidade e todos procurando o Presidente ou Vice Presidente da Administração só queriam emprestar dinheiro pro Santos e nós, graças a Deus, não pedimos nenhum tostão emprestado pra Banco ou qualquer pessoa, foi daí que surgiu a avalanche da nossa administração. P/1 – Tinha também uma sede do Santos em São Paulo. R – Justamente nessa mesma semana tinha uma sede do Santos na Rua Avanhandava onde tinha dirigentes que se reuniam lá, a diretoria passada e aquilo não trazia nada que se desse valor até então pro Santos, porque o Santos era só subir a serra os dirigentes só pra se reunir na Federação Paulista não precisava daquela sede pra contratar qualquer jogador, quaisquer reuniões porque a sede do Santos era aqui, era pra contratar eu tinha que vim aqui ou pra vender tinha que vim aqui, então fechamos a sede e como eles deviam aluguéis e deviam os móveis devolver, mandei o meu Diretor de Patrimônio Ricardo Chadá entrar em contato com a firma e devolvemos os móveis também e por aí que encerramos a sub sede do Santos na rua Avanhandava em São Paulo. P/1 – E como é que essas mudanças administrativas se refletiram no campo, com os jogadores, o desempenho do time? R – Bom, o desempenho do time foi como eu disse antigamente, começamos a cobrar, como cobramos fomos enfrentar logo no inicio o Corinthians, depois de tomar todas essas medidas e colocar em dia o salário dos jogadores fomos enfrentar o Corinthians e naquele jogo onde o Santos tava vencendo de um a zero no último minuto empatou o jogo um a um. Houve um problema na segunda-feira com vários profissionais da época de uma churrascada que vinham do Guarujá ao atravessarem a balsa eles cometeram cenas desagradaveis a determinados elementos de familia tradicional do Guarujá onde ao tomarmos conhecimento da ocorrência que fizeram no 3º Distrito e como eu era praticamente novo da administração do futebol, não administração comercial eu consultei na ocasião o administrador do Santos, o Raul Jogada, quando ele me reafirmou que os jogadores tinham passado na revisão e isso não deveria ser verdade, insisti com o delegado do 3º Distrito na época o Doutor Caio Machado ele me afirmou que as famílias, tá entendendo, os dois médicos tinham feito a denuncia e o boletim de ocorrência. Então eu convoquei o meu Vice Presidente, na ocasião José Eli Miranda, e o Diretor de Esporte José Ruiz Marina para vir na Vila Belmiro, eu ia relatar a eles o ocorrido e ia fazer uma ocorrência que ia dispensar Ramos Delgado com o Massinha e com a chegada deles eu fiz, e aí teve um fato pitoresco que o Ramos Delgado ao sair assumiu o Mengal, né, e o Mengal por um jogo só na quarta feira ao enfrentar o Operário no Pacaembu, a torcida não aceitou com tudo aquilo que eu quis prevalecer a disciplina, onde dispensando tantos e o treinador afastando jogadores, quebraram os ônibus do Santos, mas fizeram uma baderna, um vandalismo não dá nem pra relatar aqui só os  jornais da época conforme o relato, conforme eu até mostrei pra vocês, foi um negócio que não dá nem pra comentar. Então o Mengal coitado ficou sozinho no banco e correu até os Diretores na época o já falecido Laércio José Miranda, era o Diretor da época e mantivemos aquilo e tava disputando o torneio brasileiro, então enfrentamos o Santa Cruz logo em seguida no domingo, o Santa Cruz tava com um timaço: o Fumanchu, Luiz... Aquele time, acho que tava com 40 jogos invictos, e reconduzimos a garotada e essa garotada que reconduzimos o que aconteceu, sujou, quebrou o tabu do Santa Cruz, fomos enfrentar o Internacional com Falcão, Batista, Caçapava perdemos de um a zero e a torcida entendeu como essa garotada também é normal queria vencer, vencer e lutando e correndo os 90 minutos e foi aí que o negócio disparou. P/1 - E seu Rubens que garotada era essa, que jogadores que foram promovidos... R – Foram promovidos Zé Carlos, Toninho Vieira e Pita no meio do campo, Juari, Rubens Feijão, Claudinho e tavam afastados João Paulo e o Nilton Batata. João Paulo tinha vindo do São Cristovão do Juvenil, naquela época ele devia estar com 18 anos ainda quando veio, então foram reconduzidos João Paulo e Nilton Batata, onde foi formada aquela famosa linha Nilton Batata, Juarez e João Paulo. P/1 – Então quer dizer devido a esse incidente foram promovidos... R – Surgiu e no Campeonato Paulista, ficaram invictos e no Campeonato Paulista, o campeonato mais longo no futebol paulista, começou em 78 e terminou em 79, foram três turnos ida e volta, não terminava nunca e já em 78 tinha o campeonato mundial vocês viram que eu estava enfrentando, não tinha jogo o Santos veio de um campeonato do torneio da morte, foi desclassificado do brasileiro, tudo isso eu administrei que era coisa da diretoria passada por isso quando eu assumi tava esse montante dessas dividas todas. E aí fomos campeões no primeiro turno, fomos campeões no segundo e depois tivemos aquela briga com São Paulo que originou aquela paralisação do campeonato onde o São Paulo achava-se com o direito porque tinha conseguido mais pontos pelo saldo de gols quando não era verdade, ele queria fazer um cômputo geral do primeiro turno, como não era o regulamento, era bem claro, e entramos na justiça, São Paulo entrou, recorreu ganhamos em Brasília e isso teve um fato pitoresco com o governador que tinha assumido na época Paulo Salim Maluf, nos ameaçou se não entrássemos em campo ia cobrar do INPS, essa briga geraria briga com INPS que eu estava já acertando paulatinamente, tava acertando com outros casos trabalhistas e além de causas também jurídicas, o qual acertamos aqui no fórum, aliás até uma agradecimento especial que sempre confiou em nós o Doutor Amauri Ielo e o Doutor José Ricardo Termura onde com o parcelamento cumprimos todos os compromissos da qual assumimos perante a essas autoridades. Mas aí batemos o pé firme o senhor Paulo Salim Maluf, estava na residência do senhor Carlos Caldeira junto com Carlos Perão ligaram com tom ameaçador e eu não atendi o apelo e fiz cumprir o regulamento do qual nós vencemos a liminar em Brasilia, São Paulo teve que entrar em campo no qual saímos vitorioso com o campeonato que terminou em 79, esse campeonato de 78. P/1 – Bem, a gente vai falar um pouco mais sobre esse campeonato, né, mas o senhor tava contanto do inicio dos meninos, então tiveram esse primeiro jogos, né, Inter, Santa Cruz como é que foi o resto do brasileiro? R – O resto do brasileiro nós, como eu tava dizendo, nós fizemos a reformulação dentro do campeonato brasileiro. Nós tava em primeiro lugar na chave do Santos quando eu assumi o Ramos era o treinador e houve esse episódio da balsa eu não podia de maneira alguma transigir naquele momento porque o Santos era conhecido como um time indisciplinado, então eu parti pra essa reformulação era um compromisso que nós tínhamos de campanha que era de fazer um time competitivo, foi o que fizemos demos sorte, porque o time deslanchou, como eu digo, garoto novo perto dos medalhões que saíram conseguiram vencer lógico, haja que muitos foram até vendidos para o interior e aconteceu também um pouco de sorte que nós tivemos da nossa administração o que poderia ser uma falha e hoje poderíamos estar crucificados. P/1 – O técnico dessa equipe. R – Foi Francisco Ferreira Aguiar, o Formiga, o qual nós contratamos porque o Mengal só ficou num jogo do Operário como eu disse do problema que houve da balsa. O Formiga era treinador da Portuguesa Santista e nós fomos buscar que já conhecia o seu trabalho juntamente com o José Eurico Miranda que indicou e o Formiga ficou haja vista que ele fez um excelente campeonato que depois ele foi pra ser treinador na Arábia Saudita. P/1 – Só pra retomar o senhor disse da sua briga com Maluf, era normal essa intervenção de políticos no futebol ou isso era um episódio isolado. R – Não isso poderia ser comum, só que eles encontraram uma barreira que de maneira alguma eu aceitava isso aí, nunca aceitei isso aí. Posteriormente vão surgir outros problemas se me fazer uma pergunta, “mas não aceitei” junto com o Governador Marin, quando foi a eleição dele pra Presidente da Federação Paulista eu votei contra eu não aceitei as pressões que tava do Governador e eu votei o meu voto de protesto tanto que a imprensa até notificou que eu votei no Silvio Luiz, ele tava fantasiado de palhaço, ele e o Flavio Prado então eu votei nos dois e falei na Jovem Pan. Eu não aceitei, foi muita pressão porque o José Maria Marin era Governador e foi eleito, já era normal isso, como é hoje, como era antigamente só que eu não aceitava. Eu fui um homem transparente, por isso fica até hoje lembrado o Quintas, não o Quintas coluna, mas o Quintas vibrante, o Quintas transparente. P/1 – Então apesar do Governador, apesar das pressões do São Paulo, o Santos é o campeão Paulista, como foi essa final? R – Foi uma festa danada em Santos, foi uma festa inclusive eu tenho meu filho na ocasião o Cesar, ele devia ter 15, 16 anos ele tinha feito uma promessa que eu não sabia, se o Santos fosse campeão ele ia atravessar o Morumbi de joelhos. E depois o rapaz da Gazeta Esportiva me deu essa foto que eu mostrei a vocês a pouco, então aquilo foi uma alegria pra mim inclusive a cidade toda em festa e já tinha festa aqui há muito tempo no Gonzaga, descemos em São Paulo a torcida exigiu a presença da gente na Avenida Paulista, mas infelizmente já era muito tarde da hora, os jogadores cansados fomos pra Santos, o carro de bombeiro estava nos esperando na entrada da cidade que deu a volta em toda Santos até encontrar a Vila Belmiro onde tinha uma festa lá programada com chops e tudo, churrasco, onde o pessoal varou até o outro dia, até por volta de 12 horas. P/1 – E o senhor se lembra dos resultados dos jogos na ocasião. R – O resultado foi: o primeiro jogo foi 2 a 1, o segundo jogo perdemos no ultimo minuto Serginho fez o gol 2 a 1 pra eles e o ultimo jogo empatou 0 a 0 com o Guarani, o Guarani com 3 pontos fomos campeões paulista dentro do Morumbi. P/1 – Senhor Rubens e esse titulo foi muito importante, foi o primeiro titulo que o Santos conquista depois da era Pelé. R – Foi. P/1 – E então eu queria que a gente conversasse um pouco, como foi essa epopéia desse campeonato, foi um campeonato muito longo e senhor acompanhava os jogos, o senhor ia no interior também. R - É que a minha Diretoria, verdade seja dita, todos trabalhavam, o José Rubens Marina era gerente de Banco, o Zito sua indústria em Ribeirão Pires a Fiolax, o Saul com firma de café, o Corte na parte jurídica, então não tinha Diretor para acompanhar, a grande verdade era um pessoal humilde, mas tudo além de honesto é de uma transparência da melhor possível para o quadro associativo. E às vezes então eu saía aos sábados ou quando o jogo era domingo, sábado depois do almoço, deixei de fazer o que eu mais gostava, praticava tamboré na praia de Santos, eu tinha que acompanhar a delegação e quando os jogos eram nas quartas-feiras saía depois do almoço, as vezes quando dava com acompanhamento do José Rubens Marino, do José Lírio Miranda, o Zito, né, primeiro o Zito depois o José Rubens Marino. Então acompanhava fiz um relacionamento muito bom com Plantel, teve uma confiança muito boa com tudo que eu assumi com eles, cumpri, eles tinha até uma garotada que as vezes chegava pra mim: “Ô Presidente, dá um jeitinho aumenta o bichinho” aquele jeito do Pita, do Juarez principalmente porque hoje tá morando aqui em Santos “Juares e Ariel, você primeiramente, vão comer grama” e eles diziam: “o Presidente manda a gente comer grama, depois sobe lá em cima pra vê a questão do relacionamento do aumento de bicho”, então Presidente munheca, eles vão lá na loja e diz pro meu filho: “cadê aquele Presidente munheca”, próprio João Paulo que também reside em Santos, então fez um relacionamento com eles que foi de grande valia pra mim na administração. P/1 – Tem algum fato assim, pitoresco que o senhor lembra do campeonato de 78. R – Pitoresco não, pitoresco não tem, não lembro. Ah, lembro sim de um caso da cronista social de Marília, fomos enfrentar o Marília Atlético Clube em Marília, então eu tava sendo homenageado em quase todos os campos paulistas, né, devido a minha atitude perante, bem lembrado isso aí, primeira reunião que teve dos times na primeira divisão, conselho arbitral, foi uma reunião em Campinas na sede do Guarani e nessa reunião eu tomei uma posição ao lado dos pequenos clubes, tá entendendo, então eu passei a ser o líder do interior, eles me chamavam isso por iniciativa do Rem porque era Presidente do XV de Piracicaba, que eu falei numa reunião: “vamos terminar com esse negócio de time grande, time pequeno e vamos terminar com esse negócio de capital e interior, aqui somos 20 clubes e são os 20 que decidem todo o regulamento e o conselho arbitral”, então eu tomei essa posição e já comecei a ser homenageado, no centro do gramado em Ribeirão Preto, em Jaú, em Piracicaba. Uma vez numa ilha uma senhora veio me procurar e queria que eu autografasse uma camisa num negócio pró-infância e queria que eu participasse da festividade. Puxa, mas eu fiquei assim sem ação, o que falar, procurou o Gaia, veio falar comigo então tudo bem, eu cumpri, foi um negócio e quando eu fui dá, eu participei do lance dessa festa da pró-infância do menor, então foi um sucesso que ela agradeceu o arrecadamento que houve na ocasião que eu não me lembro quanto foi, isso foi um fato muito, teve também um outro fato bem lembrado também foi em Jaú apareceu um Diretor da Deca mandou me chamar, queria falar comigo se eu podia arrumar uma camisa do Santos, mas eu como Presidente quem pediu camisa tinha que pagar, qualquer Diretor tinha que pagar as camisas porque se não pagasse a comissão fiscal ia pro conselho. E eu saí fiquei até chateado nessa ocasião, neguei, podia ter arrumado a camisa, mas depois já era tarde, eu falei: “tem que abrir o saco de roupa, o roupeiro não tá aí”, saí por essa tangente, isso foi um fato pitoresco que vieram na ocasião e eu neguei, neguei com tudo, veja bem, pra ser prejuízo que eu considerava pro Santos eu neguei na ocasião. O carnaval quando eu assumi o Santos Futebol Clube, eu não entendia porque o carnaval dava prejuízo, se o Atlético Santista, o Sírio Libanês o Internacional eles se levantaram com o carnaval, então eu brequei esse negócio de convite, isso foi na história da recuperação que a imprensa toda também publicou na ocasião e vieram na ocasião pedidos dos políticos e eu falei que ia barrar porque inclusive eu numerei e coloquei o preço. E na ocasião desculpe o Athiê, Deus o tenha em bom lugar, porque foi um homem que fez um bem pra cidade a grande maioria devem favor ao Athiê Jorge Cury, eu graças a Deus eu não to nesse circulo que deve favor a ele, mas acontece que eles usavam o nome do Athiê, usavam muito o nome do Atiê e acontece que a Maria secretaria dele veio pedir, eu tinha umas tiradas que todo mundo dava risada e a imprensa ouvia e os funcionários e os jogadores ficavam acreditando que a Maria veio pedir convites pra casamento, a Maria veio pedir 500 convites pra mim, isso que eu não entendi, o carnaval dava prejuízo violento, mas era, haja vista que o carnaval comigo deu cinco milhões de lucro, empatou com o Sírio Libanês, e nem polícia federal veio, eu falei pra ela: “olha, faz o seguinte Maria, vem quarta-feira de cinzas aqui que eu te dou”, acabou os bailes já não ia, então é um fato pitoresco que passa dentro da administração, sempre no carnaval ficou marcado a minha presença lá na porta que não deixava nem mosca. P/1 – O senhor ficava na porta? R – Na porta, ali ficava na porta, ficava lá vendo trabalhar. Ah, mas não passou ninguém, ninguém, não passou, podia dar o convite, mas tinha que deixar o dinheiro na caixa, aquilo não é meu, aquilo é da coletividade. P/1 – E nos jogos do Santos na Vila também ia muita gente pedir pra... R – Pedir pra entrar já não conseguia, porque tinha um sistema comandado pelo senhor Vasco Vieira, na ocasião Diretor, que era subordinado ao Álvaro Bandara e quando tinha qualquer problema de autoridade que eles me chamassem pelo radio e eu procuraria entrar no estádio, porque a pessoa às vezes não sabe quem é quem e eu devido a minha experiência comercial como eu disse a vocês eu fiz um circulo grande de amizades sabia quem era e quem não era. Pra não criar problemas eu cassei todas as permanentes e só dei seis permanentes pra autoridades legais constituída da cidade que estaturiamente tinha direito, então foi tudo cassado. Quando tinha problema de convite, mostrava a carteirinha que era oficial de justiça e me chamavam: “aqui o senhor não vai entrar, tem que vir com uma ordem, porque se o senhor vai fiscalizar não é na tribuna de honra que vai fiscalizar, o senhor como delegado as vezes vem pedir, pode entrar na geral, pra dizer que é um delegado que vai prender um bandido, mas na tribuna de honra não pode ficar”, inclusive eu criei vários casos sempre a autoridade máxima na cidade na ocasião, Paulo Vinhas, sempre me deu cobertura como também no Fórum o oficial de justiça, o Dr. Clineu, me deu cobertura que não era direito o pessoal querer entrar sem pagar. Se vai todo o pessoal com carteirinha ou de Juiz ou de Delegado pra entrar se vier do interior e tiver direito como é que o futebol vai sobreviver, então brequei e não me arrependo, se tivesse que fazer de novo eu faria do mesmo jeito. P/1 – Ainda sobre o campeonato de 78 o senhor se lembra de algum fato relacionado à arbitragem se eles pegaram no pé do Santos. R – Teve um jogo que o Santos foi prejudicado, eu subi a serra justamente com José Rubens Marino e Ricardo Quixadá, eu disse: “hoje eu vou virar a mesa lá na Confederação Paulista de Futebol, eu vou encrencar com o Nabi, eu esperava o pessoal sair ficava até meia noite na Federação Paulista de Futebol, largava os meus afazeres fui em direção sempre de tarde, o Nabi estava na sede, porque ele era líder do governo do Paulo Egidio depois das quatro, cinco horas ele ia pra Federação Paulista de Futebol. E o Faville Neto tinha nos prejudicado, eu disse pro Nabi: “se colocar o Faville Neto no jogo do Santos, o Santos não entra em campo, fica bem clara a nossa posição aqui”, o Nabi não respondeu nem sim nem não, me ouviu, só que o Faville Neto nunca mais atuou no futebol paulista e nem no brasileiro. Quando subimos nunca me esqueço na descida da serra o José Rubens Marino e o Ricardo falou: “e se ele colocar, nós vamos entrar em campo” e graças a Deus não precisou acontecer isso aí, porque nunca mais o Faville Neto atuou. P/1 – E seu Rubens, então... Pois é, 78 já está um pouco contada. R – Setenta e oito que terminou em 79, foi aí... P/1 – O time se torna campeão. R – Deu uma sorte que eu lancei o carnê no dia dois de agosto, o campeonato terminou dia 30 de julho, então o nosso carnê foi um sucesso, o lançamento na Vila Belmiro, até nisso eu dei sorte, já tinha marcado pro dia dois de agosto e foi campeão no dia 30, então foi aquele estouro de vendas, porque os carnês do Santos sempre deram prejuízo que se acompanhou não foi pra frente e o nosso foi uma explosão de prêmios como foi chamado coberto pela mídia toda de São Paulo pelos melhores programas foi fechado, só que a responsabilidade, eu já sou meio calejado nesse negócio de administração, o cidadão que explorou o carnê e pra receber o dinheiro e pra pagar as emissoras de televisão ele tinha que falar comigo, quer dizer era eu que tinha que assinar, não é ele pagar e depois dar o dinheiro pra mim, depois eu tá atras dele, entendeu, como todos os carnês em vez de explodir com prêmios nossos, explodiram, então o nosso foi um sucesso tão grande, tão grande que chegamos ao ponto de um dia fechar o Gonzaga, da Praça da Independência até a Avenida Presidente Wilson para a entrega dos carros, entregamos 50 automóveis, milhares de prêmios e televisões dentro desse carnê que foi o maior sucesso na história do Santos Futebol Clube na nossa administração. P/1 – Pra quem não entende, como é que funciona esse negócio do carnê, esse especificamente? R – Eu não sei como funciona agora nem como funcionava antigamente, eu só sei que o cidadão veio, eles vêm com aquela proposta mirabolante, e eu: “tudo bem, isso aí tá tudo certinho só quem mexe com dinheiro, só com minha assinatura”, inclusive houve uma briga com a sociedade, tá entendendo, os dois sócios brigaram que ele achou que assinou um contrato comigo que não devia ter aceitado, o Santos que ia depender dele, tá entendendo, pra ir buscar a arrecadação do Santos que se não me engano era 20% liquido. Só que ele tinha que ter vindo a mim, para mim pra pagar as emissoras, pra pagar os carros quem pagava isso era o Santos Futebol Clube. Porque como é feito e agora, haja vista que o carnê parou, a verdade que a grande maioria é tudo vigarista viu, tudo vigarista. P/1 – Mas esse carnê deu cinquenta carros. R – Deu cinquenta carros, conforme inclusive é obrigatório pela Receita Federal ter um jornalista de acessor para imprimir 12 números da qual eu tenho aí, eu relatei a vocês, mostrei os 12 números encardenado num livro da história do Santos Futebol Clube. P/1 – E como é que foi o time de futebol em 79. R – Bom, em 79 foi um campeonato rápido de 60 dias aqueles torneios maluco que o Nabi fez, nós fomos numa infelicidade só nos classificamos pra disputar as oitavas de finais, terminou rapidamente o campeonato e partimos para o campeonato de 80, ou melhor dizendo aí teve um fato de 79, dentro dessa história que eu não relatei de Campinas, da carta houve um desastre na volta do Jorge que hoje é motorista do Santos Futebol Clube, era um bueiro que ele atravessou e encapotou a perua da qual eu saí dali e acordei só no hospital, no pronto socorro da Lapa e no dia seguinte eu chegando a Santos estava encerrando praticamente o campeonato Paulista e eu tinha convidado pra ser padrinho e já tinha aceitado do Joãozinho desde 79 em Salvador na Bahia e eu mesmo com a clavícula fraturada e outros amigos não puderam comparecer por motivos particulares eu fui assim mesmo e passei lá três dias maravilhosos em Salvador, esse também foi um fato que aconteceu em 79. Em 80 partimos pro campeonato de 80 onde, juntamente com o campeonato brasileiro, saímos muito bem na primeira fase, tava até liderando o campeonato brasileiro e o campeonato paulista fomos campeões com o Pepe já de treinador do primeiro turno com a condição de já ser finalista do campeonato de 79, que o primeiro turno tinha vencido pelo Santos e o segundo turno pelo São Paulo, então disputou a melhor de três pontos, onde São Paulo levou a vantagem pelos três empates e nos venceu justamente naquele jogo que o Rubens Feijão além de _________ perdeu aquele gol que se ele empata a história seria outra. P/1 – Seu Rubens, eu queria voltar um pouquinho pra 79, porque 78 o time é campeão com os garotos, os meninos da Vila, em 79 o time já não vai tão bem, qual a reação da torcida com essa oscilação do time? R – A torcida sempre acompanhou, acompanhou porque a minha administração era tão transparente que eu contava tudo pra imprensa. Eu ia à reunião da arbitragem em São Paulo, chegava lá o Wanderlei era o primeiro, hoje ainda repórter da Jovem Pan “Rubens fala”, eu falava lá porque tinha uns que gostavam de fazer média, sempre contavam diferente o que aconteceu lá dentro, eu não, não tinha isso aí, a torcida sempre, haja vista que depois posteriormente sempre me acompanharam e me apoiaram na minha reeleição, sempre foi isso, sempre acompanharam, houve um detalhe até interessante que você falou de 79, no dia do meu aniversário nós estávamos jogando em João Pessoa... A torcida foi, uma caravana de quinze invadiram o vestiário depois do jogo pra cantar os parabéns, lá em João Pessoa quando nós vencemos de três a zero. Então tem essas coisas que sempre me identificaram com a torcida, eu com eles e eles comigo. P/1 – Aí chegamos a 80 novamente tem dois fatos que eu gostaria que o senhor narrasse um pouco pra gente. O primeiro deles o futebol às 18 horas. R – É foi uma iniciativa, várias iniciativas da nossa administração, eu acho que não ocorreu dentro do futebol brasileiro, primeiro, além disso, a publicidade na camisa foi iniciativa da nossa administração, jogo da loteria para a nossa participação conforme os jornais estão aí também foi idealizado por nós, inclusive, foi homologado pelo Presidente João Batista Figueiredo e eu fui o único Presidente que não compareci pra tomar a benção do João Batista Figueiredo eu não fui porque eu não gostava de política, detestava política dentro do futebol, então a manchete diz: “Rubens Quintas não comparece pra homenagem”, isso foi uma das causas que futuramente veio trazer arrecadação, receita para os clubes, a publicidade, e eu infelizmente não tive a oportunidade de pegar um tostão tanto da loteria como da publicidade da camisa e fui idealizador como o Estado de São Paulo publicou na ocasião que nós estávamos fazendo juntamente como o departamento jurídico Carlos Augusto Corte Leal. Você lembrou, porque a pergunta era? P/1 – Futebol 18 horas. R – Futebol 18 horas, a mesma idéia nós apresentamos isso aí pro Nabi principalmente aqui no Santos, no verão o pessoal quer ir pra praia e de noite que ir pro cinema, então trocando idéia com ele apresentamos essa idéia, principalmente o futebol às 18 horas, e foi um sucesso, não sei porque não deram continuidade a isso aí, você vai pra praia e depois se quiser e de noite vê a novela das 8 ou vai pro cinema. Eu como não gostava, gostava da praia, mas novela não é comigo, então ficava nesse horário, saia com pessoal comer pizza, ver seresta como eu gostava. P/1 – Certo... Segundo ponto pra se tocar com relação a 1980, é do jogo Santos e Cosmos. R – Bem lembrado, conseguimos trazer o Cosmos, aquele timaço da época, pra Vila Belmiro e não acreditavam, né? E conseguimos trazer o jogo para Santos, então as televisões na ocasião correram em busca do televisionamento do jogo, mas como a Rede Globo tava fazendo uma campanha contra a cidade de Santos, mostrando as praias imundas, que não tinha nada a ver na ocasião com Santos, era de uma outra praia vizinha, chegou a hora de eu dar uma em cima deles, o que eu fiz, eu tava negociando, negociei o jogo até em prejuízo pro Santos Futebol Clube, eu to declarando isso aqui pela primeira vez, com a Bandeirantes, porque a Globo sempre foi a campeã e paga mais. E eu entreguei o jogo pra Bandeirantes, a Bandeirantes depois negociou o jogo todo para América do Sul, foi uma contribuição minha pelo que eles promoveram de desgaste pra cidade, uma essa, segundo que a torcida reclamava que o Santos não saía no Fantástico os gols, e não saía mesmo, e o Santos com essa bola toda, eu disse: “então chegou o momento de eu dar o troco em cima deles”, onde vários comentaristas esportivos e da cidade inclusive até o Zego, um homem de larga margem, prestou serviço pra cidade, escreveu um comentário que muito me enalteceu, é um quadro que se encontra hoje na minha casa. P/1 – E o senhor se lembra do resultado do jogo, Santos e Cosmos? R – Perdemos por 2 a 1 o Cosmos venceu. O Cosmos era uma seleção mundial. P/1 – Ainda estamos em 80, né, o senhor tem algum fato ainda pra destacar ou mudamos de assunto? R – Assim não dá, a memória não dá, só com aquelas pastas todas ali que vocês ficariam lembrando, mas vocês estão indo na linha certa. P/1 – Então tá, passamos pra 81. Como foi o Santos Futebol Clube em 1981? R – Oitenta e um foi campeonato brasileiro, disputamos, fomos bem no campeonato, mas depois aconteceu alguns insucessos do Santos, principalmente na parte administrativa, aconteceu muita vaidade de um lado porque eu não ia ser candidato porque ia tomar conta da firma comercial, eu não ia ser candidato e tava uma divisão muito grande na parte da nossa administração. E o candidato que ia sair pela Situação, na ultima hora, 24 horas antes ele rompeu o compromisso e eu tive que ir para o sacrifício, foi que eu consegui aglutinar as forças, mas sempre ficou da parte do meu Vice Presidente da administração que diga-se de passagem foi o ano que mais trabalhou na minha administração, o Álvaro Bandarra, falecido hoje, e sempre ficou aquele respingo daquela mágoa, mas infelizmente, tá entendendo, ou melhor dizendo felizmente o time caminhou no campeonato brasileiro, mais ou menos, atingiu as quartas de final, onde perdeu aquele jogo para o Flamengo ou melhor dizendo, nós empatamos com Flamengo no Maracanã e empatamos em São Paulo no último minuto e a vantagem era do Flamengo, aí o Flamengo teve a vantagem de disputar com o Atlético Mineiro que venceu o Atlético Mineiro em 1981 lá no Maracanã, esse foi o grande destaque de 1981 juntamente com campeonato mundial de clubes em Milão, foi disputado entre o Santos, Boca Juniors, o Milan e o Internacionale e o Santos saiu vice campeão, o destaque dessa aí também foi que toda a renda do Santos em dólar foi todo depositado no Banco eu não permitia que nenhum Diretor trouxesse dólar na sua bagagem. Foi demorou pra surgir, porque toda essa responsabilidade é do Presidente e se todos os jogadores que fazem venda no exterior fosse passado pelo Banco Central, como isso aí é uma lei, mas infelizmente ninguém cumpre a lei aqui nesse país...
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