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História

Nos bastidores de um empreendimento

História de: Cyntia Bernardes de Sousa Arroyo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/10/2021

Sinopse

Cyntia Bernardes de Souza Arroyo nasceu em Goiânia, no dia 17 de julho de 1983. 

Filha do meio de Valquíria e Pedro, suas lembranças mais longínquas de infância remontam à casa em que moravam e ao quintal no qual brincava com as suas duas irmãs. As férias passava em Planaltina (DF), cidade em que os avós maternos viviam e administravam um bar. Cyntia ficava muito tempo no estabelecimento e lembra com carinho de um quitute em especial, preparado por sua avó: uma rosca de leite condensado, receita de família que ainda até hoje é muito apreciada pelas netas.

O pai costumava levá-la a passeios e explorações na natureza. Cyntia ficava empolgada com estas atividades por serem bem diferentes das brincadeiras rotineiras. O que também a encantava era o mundo jurídico que assistia nos filmes. Desde nova sonhava em, de alguma forma, unir esses dois elementos na sua vida. E conseguiu.

As aventuras com o pai e o fascínio pelo mundo das leis influenciaram suas escolhas. Prestou dois vestibulares: para o Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET (hoje Instituto Federal) e para a Universidade Federal de Goiás. Foi aprovada na CEFET, no curso de Gestão Ambiental. Três anos depois, após a conclusão do curso tecnológico, voltou a prestar vestibular para UFG, onde ingressou e formou-se no curso de Direito.

 

Cyntia ingressou aos 17 anos na CEFET. Gestão ambiental na época era um assunto muito novo e ela, também nova, com apenas 21 anos de idade ao fim do curso, não sabia muito bem por qual caminho seguir com o seu diploma. Decidiu, então, cursar Direito, carreira que a encantava desde a infância e que poderia proporcionar outras oportunidades de trabalho mais convencionais no mercado. Era uma época em que a formação em cursos tradicionais fazia diferença.

E este curso realmente fez diferença na sua vida. Ela saiu de casa para estudar em outra cidade e foi com o diploma em Direito que ela pôde prestar concurso e ingressar em Furnas. 

Um ano após concluir o curso na UFG, decidiu estudar para concursos públicos. Pouco tempo depois, Furnas abriu concurso com vaga na área de Direito para a cidade de Aparecida de Goiânia. Inscreveu-se sem muitas expectativas nem ideia do que iria fazer caso fosse aprovada.

E foi aprovada. Ficou bem classificada no concurso, mas na época havia uma questão com contratação de terceirizados. Como estava dentro do número de vagas e o processo de convocação estava demorando, conseguiu ingressar em Furnas no ano de 2011, por meio de uma ordem judicial.

Cyntia foi designada para trabalhar na área fundiária da empresa. Devido a sua inexperiência, no início enfrentou certa resistência dos companheiros, que já estavam no setor há mais tempo. Contudo, conseguiu se adaptar, evoluiu profissionalmente dentro da empresa e seguiu em frente. 

Aprendeu e participou de processos de negociação, que implica em realizar o cadastro de toda a população impactada pelo empreendimento da empresa, avaliar os terrenos atingidos e as benfeitorias realizadas e determinar o valor de indenização a ser pago.

Hoje, seu setor, que antes respondia à Diretoria de Engenharia, está subordinado à Diretoria de Administração e gerencia todos os imóveis da empresa (os vinculados ao serviço de geração e concessão e os administrativos).

Cyntia é casada e não possui filhos.


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História completa

Um pequeno excerto sobre a história de Cynthia

No meu primeiro ano em FURNAS, a gente estava em obra, na implantação da usina hidrelétrica de Batalha [...] FURNAS me mandou para a cidade de Paracatu para participar do processo de remanejamento dos hipossuficientes, que é a população mais carente, pois são as pessoas que não são as proprietárias dos imóveis, mas que estão no local e precisam ser remanejadas. E eu fui lá para fazer a avaliação da documentação dos imóveis e para relocar essas pessoas. Foi um aprendizado imenso!

 

Eu lembro da casa do bairro feliz, a primeira casa que os meus pais compraram (acho), uma casa grande (acho, novamente). Para a minha noção de criança, era uma casa enorme, tinha um quintal no fundo com um desnível no terreno. Parecia ser um sobrado, mas era uma casa de um andar só, a ilusão de ótica se dava pelo lote no fundo que era mais baixo. No quintal do fundo, teve época que os meus pais até criaram galinhas, também pombinhos e codornas. E a gente brincava bastante! 

Também tinha um quintal na frente, o portão de grade, um quintal com garagem, e a gente entrava na casa já pela sala, que tinha dois ambientes, tinha a sala de TV e a sala de jantar, que a gente chamava de copa. Na copa tinha uma mesa grande, para seis pessoas, e na sala de TV se avistava o sofá, uma estante, e, claro, a TV, que era o lugar onde a gente sempre reunia a família. Hoje, cada um tem a sua, mas na época, todo mundo assistia a mesma programação. E a cozinha? Linda, e ela dava para o corredor que ia lá para o quintal dos fundos. A casa tinha três dormitórios, mas geralmente a gente dormia as três num quarto só, havia o quarto dos meus pais e um cômodo que se tornou um tipo de dispensa. Ah! E as janelas dos nossos quartos davam todos para o quintal do fundo, que era bem alto, e a gente via da janela todo o quintal e a imensidão do céu.

Eu acho que eu morei uns 15 anos nessa casa. 

E dessa época, também lembro dos passeios que a gente fazia com o meu pai, ele nos levava para explorar e fazer algumas aventuras na mata.  Era tudo muito diferente, era muito legal e me empolgava. Talvez por isso eu tenha me interessado em seguir pela área ambiental. 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Eu sou advogada da área fundiária de FURNAS e já passei por várias restruturações, a área já passou por diferentes diretorias. Na época em que eu entrei, 2011, nós éramos uma divisão regional, que é o menor nível hierárquico dentro da empresa. Era uma divisão subordinada a um departamento no Rio de Janeiro, o departamento de patrimônio imobiliário, que por sua vez era subordinado a uma superintendência de implantação de projetos, que respondia à diretoria de engenharia, que era subordinada a diretoria executiva. Era a base da pirâmide mesmo, uma área operacional. Hoje, a área fundiária foi para Diretoria de Administração.

A área fundiária, inicialmente, trabalhava com as questões de liberação de áreas para implantação de empreendimentos, por exemplo, para liberar a construção de uma usina ou de uma linha de transmissão. A gente fazia toda a parte de cadastro da população que seria atingida pelo empreendimento, fazia a avaliação das benfeitorias, da quantidade de terras que seriam atingidas, isso, para realizar as desapropriações, liberar os empreendimentos e para poder pagar a indenização às pessoas envolvidas. O meu trabalho, especificamente, era verificar essa questão da indenização dos atingidos pelos empreendimentos de FURNAS. 

Hoje, como a gente está dentro da Diretoria de Administração, além dessa questão de liberação fundiária para novos empreendimentos, a gente faz a gestão de todos os imóveis da empresa, não só os imóveis que estão vinculados a concessão dos serviços de geração e transmissão, quanto também os imóveis administrativos, como prédios, escritórios, vilas residenciais. Sejam eles vinculados a algum empreendimento, ou não.

Basicamente, como funciona? 

As terras onde se encontram as subestações, as usinas, elas eram propriedades particulares, de terceiros, que em função de um estudo de utilização daquelas áreas, a gente pediu uma declaração de utilidade pública. Em cima desse decreto de utilidade pública, FURNAS pôde entrar com uma ação de desapropriação dos imóveis. A desapropriação é obrigatória, a pessoa pode discutir valores, mas ela não pode questionar a desapropriação se aquele terreno vai utilizado para uma utilidade pública. 

É feito um grande estudo, analisado caso a caso, lembrando que existe uma metodologia de avaliação, na verdade, existe uma área da engenharia que se chama engenharia da avaliação, então, tem o engenheiro civil para a área urbana e o engenheiro agrônomo para realizar a avaliação de áreas rurais. Também há uma tabela de valores, ou seja, existe toda uma metodologia técnica para valorar os patrimônios em questão, tanto as terras quanto as benfeitorias, desde uma casa até uma plantação, um pé de alface, tudo é calculado para a indenização. 

E a gente apresenta esse valor para a pessoa, para o atingido, se ele concordar, a gente faz o pagamento da indenização à vista, em dinheiro, se ele não concordar, o caso vai para ação judicial e o dinheiro fica depositado em juízo até que seja definido o valor da indenização. 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

No meu primeiro ano em FURNAS, a gente estava em obra, na implantação da usina hidrelétrica de Batalha, que fica na divisa entre Goiás e Minas Gerais. FURNAS me mandou para a cidade de Paracatu para participar do processo de remanejamento dos hipossuficientes, que é a população mais carente, pois são as pessoas que não são as proprietárias dos imóveis, mas que estão no local e precisam ser remanejadas. E eu fui lá para fazer a avaliação da documentação dos imóveis e para relocar essas pessoas. Foi um aprendizado imenso! 

Embora meu trabalho fosse mais burocrático, o de analisar a documentação, eu também fui a campo, cheguei a conhecer o canteiro de obras e fui à casa de algumas pessoas. Eu me lembro da casa do primeiro proprietário que eu visitei, fui com um colega mais experiente. Uma experiência interessante, a gente chegou e já tinha que descer do carro e abrir uma porteira, nisso, já vimos um cachorro, e daí não sabíamos se podia entrar ou não. Mas fomos bem recebidos pela esposa do proprietário, tinha até um lanchinho para a gente. Essa foi a minha primeira visita por FURNAS, meu primeiro trabalho de campo.


 

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