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História

No mundo de "Dôra"

História de: Maria Auxiliadora Rocha (Dôra)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/03/2008

Sinopse

Dôra começa sua entrevista contando sobre sua infância num internato da região de São Gonçalo do Rio Preto e a sua vida em fazenda. Em seguida, nos conta sobre sua passagem pela faculdade de Letras na Universidade Federal de Minas Gerais, sua vida na docência e o retorno para Rio Preto. Adiante, narra o desafio de criar sua própria pousada, em terras de descendentes de Chica da Silva. A partir daqui, descreve as inúmeras atividades e comidas feitas completamente dentro do terreno da pousada: o queijo, leite, fubá, angú, feijoada, etc. Dôra fala sobre sua paixão pela literatura e, por fim, seu sonho de abrir uma livraria.

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História completa

Oh, quando nós, teve uma pessoa, Isabel, que morou a vida toda com a família, e eu gostava de ficar no fogão, sentada na banca do fogão vendo, a gente chamava ela de Bé, cozinhar. Toda vida, minha avó também, eu tinha uma curiosidade de uma coisa. Em frente à minha casa na cidade tinha um rancho de tropa. Um rancho assim, tinha um casarão, seria como uma garagem, e tinha uma cancela. E papai, como tinha casa de comércio, armazém, tinha loja, essas coisas, chegavam aqueles tropeiros de Montes Claros com aquelas mantas de carne de sol e ficava no rancho. Eles tinham uma trempe igual aquela ali perto da lareira, você viu ali? Uma trempe que eles punham fogo embaixo e a panela cozinhando a comida deles. E eu ficava fascinada com aquilo. O rancho era meio escuro e o teto tinha picumã, aquela fuligem de fumaça acumulada. E nós esperávamos a hora de papai ir fazer as compras das mantas de carne. Tinha uma porteira tipo de curral fechando como se fosse uma garagem. Nós não tínhamos coragem de entrar não. A gente tinha medo daquele ambiente, aqueles homens falando alto, aquele negócio. Mas a gente ficava vendo as carnes sendo retalhadas e eu sentia um fascínio por aquilo. Quando eu pude eu comecei a querer cozinhar. Eu lembro que uma vez vieram uns parentes nossos de Belo Horizonte, eu era garota ainda e eu falei com mamãe que eu ia fazer um almoço pra eles. Mamãe deixou. Eu fico impressionada de ver uma pessoa, porque eles fizeram o primário, minha mãe e meu pai, mas eles tinham uma confiança, uma relação com a gente que, desde que a coisa não fosse perigosa pode fazer. Perigo físico, de acontecer alguma coisa. não, era proibido e tal. Mas, entendeu? Então eu acho que foi muito do convívio de ver as pessoas. Essa cena do rancho de tropa, aquela fumaça subindo, aquele cheiro de alho, uma coisa gostosa. Na fazenda mesmo, porque sempre tinha a cozinha dos trabalhadores fora, porque eles almoçavam era o que, nove horas do dia. Eles levantam, tomam um cafezinho e vão. Quando é nove horas tem comida pronta. Quando é meio dia tem merenda, angu doce com queijo, com leite, farinha de milho com leite, umas merendas assim. E quatro horas da tarde é o jantar deles. Aquele cheiro, aquele povo amassando pimenta no canto do prato, comendo mamão verde com angu, com costelinha de porco, aquelas coisas de roça mineira. Eu gostava de ver aquilo e fiquei gostando.

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