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História

No futuro, aprendemos voar

História de: Vinicius Lelli
Autor: Vinicius Lelli
Publicado em: 15/09/2020

Sinopse

Diário de Vinicius Henrique Gomes Lelli, 31 de agosto de 2020. Jornada, dia 7.

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História completa

Para você do futuro que agora me lê, saiba: Seu presente é meu futuro (estando vivo ou morto), espero que ele tenha chegado bem em suas mãos, para assim cuidar dele igualmente bem e como resultado, os outros e outras que vierem depois, cuidar tão bem quanto um dia cuidou. O futuro é meu presente, quase passado, passou, estranho ter essa sensação de temporalidade, o futuro passa e se duvidar, não percebemos. Hoje presente, passado, logo, menos futuro, passou, viu? "As coisas muito claras me noturnam" disse um dia Manoel a mim e assim, noturnando que fecho os olhos, melhor enxergo e daqui, posso ver novamente os traços do futuro que irei habitar, um mundo no qual quero pertencer, relato aqui a primeira viagem que fiz para o além e agora, voltando, conto um pouco abrindo margem para alguns detalhes vívidos que o poder da imaginação abriu, já logo adianto, não é um futuro onde fabulo novas tecnologias e comunicações com seres dito superiores, apenas um devaneio vivaz de como vi minha vida e consequentemente das pessoas ao meu redor. Contarei em partes essa primeira experiência para depois adicionar um novo rolê imagético, um novo colorido carregado de alucinações. No primeiro rolê disse certa vez que "no meu sonho do amanhã, estarei vivendo uma vida leve e cheia de saúde, com o básico: uma casinha com dois quartos, uma cozinha, uma varanda com a espaço para o plantio, com dois ou três gatos, um cachorro, com a agulha da minha vintage vitrola fritando o LP Alucinação de Bel, enquanto organizo minha biblioteca e claro com minha namorada junto, dividindo os prazeres de uma vida simples e a dois" e que ideava um mundo no qual ler seria a ostentação entre os jovens, onde não teríamos "a ansiedade gerada pelo avanço tecnológico. Onde não se tenha que desejar um dia com 48 horas para dar conta e com o anoitecer, consiga tocar as estrelas com os próprios olhos. Uma humanidade que não precise se reencontrar, mas sim, amar-se independente do lindo colorido que é a raça humana. Imagino um futuro com uma sociedade que não gere medos, mas sim, felicidades." Feito esse relato onírico, quero acrescentar e ascender à massa cinzenta gosmenta e grudenta do nosso cérebro, alguns coloridos para essa tarefa de ilustrar futuros, portanto, meu segundo rolê: Me vi feliz, consciente do motivo pelo qual nasci (hoje ainda não entendo muito bem esse rolê, mas começo a sentir), não sei descrever exatamente o que era, o que fazia, o que me movia com assombrosa energia, estava feliz, o gosto dessa felicidade se fazia presente no corpo da alma, finalmente tinha encontrado meu propósito. Como descrever o rasgo interno dessa coisa que mergulhava em meu ser? Se puder, se já sentiu algo parecido ou igual, imagine-o ou descreva-o agora, é exatamente assim que me senti e que aqui tento traçar contornos do que em mim vivia e me tornava aos poucos, um ser mais vivo e pulsante, era um quente que abraçava a alma e tudo que havia dentro, diria até que não era mais um mero humano, já que voava mesmo estando com os pés no chão. Agora, outro desafio imagético, imagine esse gosto quente que faz cócegas na alma, presente em cada pessoa que encontrar ou já encontrou, imaginou? Esse é o mundo que vi nessa segunda viagem e que termina aqui, infelizmente não consigo continuar a prosa, viver hoje demanda muito da gente, não temos muito tempo para prosas, existe uma paranoia cultural no qual fizeram a gente ter que entender e estudar como aproveitar melhor nosso tempo, gerir o caos que é viver com um mundo que não dorme, com as tecnologias viramos humanos robotizados, onipresentes em todos os lugares e em todos os momentos, dado que uma vida é muito pouco para a tsunami de sonhos que cegam nossos olhos e entopem diariamente nossos ouvidos com o que mercado de trabalho, a mídia, o mercado financeiro prega e dita, mas calma, não confunda, eu sei que é difícil, ganhar dinheiro é muito bom e necessário, pois a moeda de troca sempre existiu, porém viver uma vida internamente infeliz por causa de dinheiro, que não é saudável, isso faz com que dificilmente consigamos tatear nosso propósito de vida, isso é lamentável, mas enfim, você também é uma das pessoas que encontrei (visto que, agora me lê), seja bem-vindo(a) ao meu, ao nosso mundo. E tenho certeza, que igualmente encontrou seu propósito, caso contrário, aguarde, mas procure, aguarde procurando, tenha resiliência, esperança, crença em você, trabalhe duro (também estou), acredite, visto que, o futuro está logo ali, viu?

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