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No curso do mundo

História de: Ane Ramos
Autor: Ane Ramos
Publicado em: 27/09/2019

Sinopse

A passagem do tempo, a mudança de ambientes, os dias de rotina...Tudo guardado, se sobrepondo. E quando se olha, parece que faz muito tempo mas também parece que tudo é recente. ; )

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História completa

Sou filha de nordestinos. Meu pai paraibano, minha mãe potiguar foram se encontrar em Rio Tinto, cidade que cresceu com as famílias dos trabalhadores da Companhia de Tecidos Rio Tinto, nos arredores de João Pessoa. Lá estudaram juntos. Minha mãe morava com as tias pois meus avós não tinham condições de criar todos os filhos. Meu pai veio para São Paulo e trocava cartas com minha mãe que costurava os vestidos de festa das moças da cidade e aprontava seu enxoval até chegar o dia de também vir para o sul. Em São Paulo se casaram.

 

Quando nasci ganhei nome de personagem de romance canadense: Anne Shirley de Green Gables. Só descobri muitos anos depois quando trabalhei com uma moça americana fã da série. Para os meus pais era só o nome de uma menina de Rio Tinto que tinha ficado entre as memórias do nordeste. Cresci na zona oeste de São Paulo. Quando tinha 2 anos levei um tombo com minha tia que tropeçou em um tanque enquanto me carregava durante uma enchente que alcançou nossa casa. Felizmente a família vizinha nos ajudou.

 

Morei no bairro do Rio Pequeno quando a rua ainda não era asfaltada. Foi ali minha infância brincando na rua de pega-pega, esconde-esconde, mãe da rua, casinha. A ida para a escola, o uniforme, as escapadas para tomar sorvete, o primeiro conjunto Adidas, a primeira sessão de cinema, as primeiras idas, sozinha, na venda, na padaria, no açougue, o fusca laranja do meu pai... As brigas de criança com meu irmão, as festas de aniversário com refrigerantes em suporte de desenhos animados enfeitando a mesa. O fim de ano com presente da firma metalúrgica em que meu pai trabalhava, o Natal da Turma da Mônica. E o começo de ano com o cheiro de livro novo para começar as aulas.

 

Na adolescência mudei para a região da Raposo Tavares. Bairro novo, escola nova e rigor no uso do uniforme. Era 1980. Meninas usavam saia azul marinho plissada mesmo nos dias de inverno. Colocava uma calça comprida para voltar para casa e parar na barraca de churros. Um dia a sala parou de cantar o hino do Vandré quando o diretor entrou na sala e observou a todos. Para continuar no ensino médio comecei a disputar um lugar nos poucos ônibus do bairro. Novo ambiente onde, para minha surpresa, se divertiam quando eu falava “banana” e “botão” com sotaque nordestino. Depois veio o cursinho e a descoberta de tudo que eu não aprendera na escola. Veio a faculdade, o primeiro emprego e finalmente a primeira ida para a terra dos meus pais. O caminho de volta e todas as outras viagens revelaram as partes de mim. Transitando, mudando, reinventando me percebo no mundo. Parece que é assim...

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