Busca avançada



Criar

História

Ninguém cai duas vezes de avião

História de: Cristiano de Freitas Fernandes
Autor:
Publicado em: 31/05/2022

Sinopse

Neto e filho de militar da aeronáutica, Dr. Cristiano conta como sua infância foi marcada pelas mudanças de cidade da família, por conta do trabalho do pai. Mudanças essas que resultou em um acidente aéreo, traumático, mas sem vitimas fatais. Sua adolescência foi marcada por conflitos ideológicos com o pai que era carinhoso, mas autoritário. Seu âmago crítico e contestador o fez perceber que as armas eram a discussão, a crítica, fazendo optar pelo direito e não a carreira militar como o pai e o avô. Cristiano advoga desde 1996 atuando na área de Direito Empresarial e Tributário.


Tags

História completa

Cristiano de Freitas Fernandes, eu nasci no Rio de Janeiro em 14 de fevereiro de 1973. A minha mãe é do Rio de Janeiro, filha de militar da aeronáutica e o meu pai é do Ceará, da cidade de São Benedito. Meu avô era um homem bastante elegante, muito simpático, era engenheiro da força aérea, ele servia na base aérea de Santa Cruz, foi onde eu nasci, porque o meu pai também é militar da Aeronáutica. Eu tenho uma irmã mais nova, que é a Juliana.

O meu pai pescava camarão com o meu avô, no Rio de Janeiro, eles se conheceram na força aérea. Meu avô queria que o meu pai conhecesse a minha tia Ivonete, que era a mais velha das duas filhas, a Ivonete e a Isabel, a Isabel minha mãe. E aí armou um almoço na casa deles e o meu pai acabou se apaixonando por uma menina de 14 anos, que hoje é minha mãe. Meu pai acho que já tinha 25 anos. E eu nasci quando a minha mãe tinha 16 anos. Eles foram inicialmente morar na base aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro e depois meu pai foi transferido para Natal. Eu lembro bem de Natal, porque em Natal, quando eu completei  5 anos, nós tivemos um acidente de avião, nós voltamos do Rio de Janeiro para Natal, num avião Bandeirantes, com mais ou menos 15, 16 pessoas e houve uma falha do copiloto que trazia o avião, batemos na laje de uma fábrica, o avião perdeu as 2 asas, depois ele capotou, só não esmagou todo mundo, porque a cauda do avião foi amortecida em 2 coqueiros que nasceram em V. Foi uma experiência bem amarga e que meu deixou um pouco traumatizado em relação avião, mas hoje em dia eu não tenho mais nenhum preocupação, porque ninguém cai 2 vezes de avião. Minha mãe estava com 4 meses de gravidez, éramos meu pai, minha avó, a minha mãe e eu, eu sai pela janela do avião, porque uma das sobreviventes pegou uma pedra e foi quebrando as janelas. Apesar do avião ter ficado bastante destruído, ninguém morreu no acidente, algumas pessoas ficaram bastante feridas, mas ninguém morreu. Eu e minha mãe, não nos machucamos, só minha vó que teve um corte profundo na perna e o meu pai que se machucou muito.

Nós moramos 5 anos em Natal, depois moramos 2 anos em Santa Maria, no  Rio Grande do Sul e de lá fomos para o Rio de Janeiro, onde nós ficamos até 1988, quando meu pai foi transferido para a base aérea de Anápolis, aqui perto de Brasília. Lá nós ficamos 2 anos e depois disso viemos todos para Brasília, depois eles voltaram para o Rio e eu fiquei. 

Toda vez que eu me mudava de uma cidade para outra, eu tinha bastante dificuldade de esquecer os amigos que eu convivia e criar novos laços de amizade, isso é um dano muito significativo.

Eu sempre fui um pouco rebelde em relação a algumas posições do meu pai, o que fatalmente complicou a relação minha com ele na adolescência. Meu âmago é crítico e contestador, então eu sempre gostei de pensar por mim mesmo  e não só por influência alheia, mesmo sendo dos meus pais. Durante muito tempo, até perto da adolescência eu queria ser piloto, ir para a aeronáutica, seguir os passos dele, mas depois eu fui vendo que a minha arma era a discussão, a crítica, e depois eu fui ver que a minha arma era o código, a lei, a constituição, o código civil, o código do consumidor, os códigos todos. E aí eu percebi que realmente não era a minha praia ser uma pessoa que não pudesse contestar ordens absurdas, ou ordens incontestáveis, que é muito carregado isso no militarismo, você tem que cumprir a ordem sem contestar.

Eu tinha 17 anos, fiz o meu 3º ano do segundo grau aqui em Brasília e depois eu passei na faculdade de Direito do CUB e aqui eu fiquei. Foram 5 anos de faculdade, depois eu fiz uma pós-graduação em processo civil e depois uma outra pós-graduação em Direito Tributário. E aí a gente vem atuando nessa área aí de Direito Empresarial e Tributário ao longo desses anos. Eu sempre gostei muito dessa questão da produtividade, de auxiliar quem produz, de resolver problemas de quem efetivamente presta serviço, vende mercadoria. A gente atua no Brasil todo, mas principalmente em Brasília.


Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+