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História

Neilton Alves Parreira: do varejo de roupas ao ramo esportivo

Sinopse

Apresentação do entrevistado; origens da família. Breve descrição da atividade dos pais. Infância na área rural, na fazenda de Sertãozinho, em Minas Gerais, e as festas de São João. O ingresso na escola e as atividades da fazenda. A morte da mãe, que o fez sair de casa com o irmão, para trabalhar num parque de diversões. Trabalhou também num circo e depois migrou para a construção civil, onde viajou para diversas cidades do pais e se desenvolveu profissionalmente. O casamento e a mudança para Ribeirão Preto. O desejo do conforto do lar e a opção por ingressar no comércio e deixar a construção civil. Começou com confecções e logo após se especializou em esportes, com o foco em artigos para futebol, graças ao filho mais velho que mais tarde se tornou jogador de futebol. As propagandas para promover a loja, que envolviam vitrines, anúncios em rádios e até uniforme oficial do time do Botafogo. As diversas áreas de conhecimento, desde a fazenda, circo, construção civil até as artes cênicas e por fim, o comércio. As crises econômicas ao longo dos anos e a chegada da pandemia, onde se viu obrigado a cortar gastos. Para o futuro pretende descansar ao lado da família, e posteriormente passar o ponto a uma funcionária. 


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História completa

            Sou Neilton  Alves Parreira e nasci em 28 de janeiro de 1950, em Capinópolis, Minas Gerais, Triângulo Mineiro. Meu pai, Antônio Bento Parreira. Minha mãe, Floripidia Alves de Andrade. Meu pai era administrador da Fazenda Sertãozinho. A propriedade era de um amigo dele, e ele administrava, tirava leite, cuidava de tudo. E minha mãe era dona de casa e cuidava dos filhos.

            Eu lembro das festa de São João, a festa junina. Tinha aqueles terços, as mulheres faziam aqueles montes de quitandas, tinha bolos, bolachas, aqueles biscoitões de polvilho… era muito gostoso. Eu lembro bem disso aí. A gente ia pra cidade e participava da festa junina, pois meu pai foi festeiro. A cada ano mudava, mas meu pai era um festeiro que bancava aqueles leilões, aqueles negócios. Marcou muito, foi bom. E as meninininhas bonitas, que a gente ficava de olho, né? (risos).

            Antes eu só pensava na fazenda. Quando foi em fevereiro de 1970, minha mãe faleceu. Aí a gente saiu da fazenda, e meu irmão mais velho ficou sócio de um parque de diversões. Eu fui embora com ele e fiquei no parque um período, e depois fui trabalhar em um circo. Era coadjuvante, aqueles que ajudavam a montar. Lembro do Léo Canhoto e Robertinho, que se apresentavam muito no circo, no auge deles. E aquilo foi me apaixonando pelo mundo, mas vi que não tinha futuro. E aí eu parei e fui trabalhar em construção civil. Isso mudou tudo radicalmente, quando comecei a trabalhar em construtora.

            Comecei a trabalhar no campo, na produção. Depois passei a ser auxiliar de cozinha, cozinheiro, chefe da cozinha. Depois fui pro campo, aprender a trabalhar com máquinas de terraplanagem. Aí passei pra chefia, fiz curso técnico de estradas, e trabalhei em grandes construtoras, tipo a Mendes Junior. Eu fiz, por exemplo, a ligação do Aeroporto de Guarulhos à Via Dutra, a restauração do Aeroporto de Sorocaba, tirei celulose em Aracruz, no Espírito Santo, a duplicação da Via Anhanguera, a implantação da Rodovia dos Bandeirantes. Trabalhei em Poços de Caldas também. Tinha, na época, a Nuclebrás, uma mineração de urânio, e fizemos o platô da mineração. Fiz a terraplanagem da Fiat, em Betim, e depois peguei a chefia maior de outras construtoras. E andando pelo mundo, vim pra Ribeirão, quando duplicamos a Via Anhanguera. Aqui eu comecei a namorar uma moça que era gerente da Pernambucanas. Casei em 4 de abril de 1981 e depois morei em Porto Alegre, Santa Catarina, algumas cidades.

            Mas aí o sonho já era montar uma loja, pois minha esposa tinha esse tal conhecimento de comércio. Eu queria parar, não aguentava mais. Eu parei e voltei pra Ribeirão, em 1987. Montei a loja aqui, mesmo CNPJ, tudo, até hoje. Eu comecei com confecções. Ia a São Paulo, comprava ali na 25 de Março, no Pari; eu comprava também na João Teodoro, na Rua Oriente, no Brás, Conselheiro Belisário; ali era o meu cantinho de compras. E vendia tudo aqui em Ribeirão.

            Mas então meu filho começou com a escola de futebol, no Botafogo. Ele foi pro Botafogo com seis anos. E lá, o pessoal ficava pedindo: “Você tem caneleira? Você tem meião? Ô, você não tem uma bola?” Mas eu não tinha. Só que a escola do Botafogo tinha 400 alunos, e eu vi que tinha que comprar o que eles queriam. Ia pra São Paulo, na esquina da Senador Queiroz com a 25. Comecei a colocar esse material na loja e foi um sucesso, uma explosão de vendas. Aí montei uma loja de esporte.

            Eu era muito conhecido na escola de futebol, era diretor da escola, e os pais queriam produtos esportivos. Passaram a comprar na minha loja, e ela foi crescendo. Aí, ao invés de comprar em São Paulo, os representantes vinham até a loja. Vinha representante da Adidas e outras famosas. Aí comecei a comprar mais, compro direto até hoje. E a loja foi crescendo, aí eu comecei com troféus. Já vendi troféu até pra campeonato estadual, lá pra Rondônia, Roraima e outros lugares.

            Mas antes disso, eu lembro que uma vez eu fui a São Paulo fazer compras, e minha esposa ficou cuidando da loja. Ela disse: “Ó, você compra calça jeans. Trinta calças jeans”. Aí cheguei lá, uma moça pegou uma calça jeans dourada. Dourada. Imagina, douradinha. Parecia ouro. Falou: “Essa calça é lançamento, está vendendo demais.” Falei: “Mas dourada?” E estava com um cartaz grande, escrito “20 por dez”. De 20 reais por dez reais. Trouxe as 30 calças jeans douradas. Cheguei aqui, minha esposa queria me bater. (risos) “Vai vender isso pra quem? Quem vai usar essa calça jeans?” Eu falei: “Ah, a moça falou que é lançamento”.

            Aí eu coloquei lá. Fiz um X: “de 40 por 20”. Tinha pago dez, na época da inflação. Aí coloquei lá, pendurei uma calça jeans dourada. E tinha uma japonesa que estava terminando de fazer Odonto em Marília. O pai dela tinha loja do meu lado. Essa moça chegou e viu aquela calça e disse: “Nossa, eu tô sonhando com uma calça jeans dessa aqui! Tem o meu número aí?” Ela experimentou, pôs a calça, aí falou: “Ficou perfeita! Minhas amigas também querem. Eu vou ligar pra elas e perguntar o número”. Só essa japonesa me ajudou a vender umas dez calças. Levou aquele monte de calças jeans douradas. Depois o resto foi vendendo rapidinho também. Vendeu tudo, e nunca mais comprei calça jeans dourada!

 


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