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História

Nascimento lá na Roça

História de: Ianarema Oliveira
Autor: Ianarema Oliveira
Publicado em: 07/07/2021

Sinopse

Uma visão particular sobre o nascimento da minha irmã caçula, como as crianças entendiam a chegada de um novo membro na família. A fantasia da cegonha.

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História completa

Era um dia de sol quente, tão quente, que atrapalhava até a mente. Todos três, trepados na porteira, o horário, eu não sei, mas sei que era na fazenda Laranjeira. Três irmãozinhos, ansiosos com a chegada da mais nova herdeira. Era um entre e sai de gente e por último, a parteira, que às pressas, alguém foi buscar. No meio da correria, perante tanta agonia, surge risonha a benzedeira. Veio para abençoar. Ajoelhada a rezar, pede à Nossa Senhora, pela mãe, o bebê e a parteira. Lá no céu bem azul, com muitas nuvens iguaizinhas à algodão, voavam muitos pássaros. Andorinhas,Canarinhos, Sabiás, Cardeais, Borboletas e Urubus. Cá embaixo, no chão seco e duro, os três irmãos, avistaram um Tatu. Nem foi um grande acontecimento esse avistamento. Fosse em outros tempos, o pobre não teria paz. Certamente, toda a criançada, correria atrás! A caçula, chacoalhava sem parar, fazendo assim, a porteira balançar. A do meio reclamava e para a pequena então falava: -Fica quieta menina! Desse jeito, não veremos a cegonha chegar. O mais velho cutucou as outras duas e de repente, começou a gritar. Olhem, vejam lá em cima, bem lá no alto, uma Cegonha vem vindo! Silenciaram, e agora estavam todos, sorrindo. Não dava para ver direito, mas o primogênito dizia, que uma trouxinha bem pequenininha, no bico da ave, havia. Fixaram bem os olhos, nas asas abertas da branquinha à voar, mas nada de Cegonha se aproximando. O que ouviram foi, alguém gritando: Nasceu! Nasceu! Foi então, que eles foram assimilando, a danada os enganou direitinho! Colocou lá no alto para lhes roubar a atenção, um outro grande passarinho. Deu a volta por outro lado e como um foguete, veio pelo telhado. Colocou bem de mansinho, o bebê lá no ninho. Frustrados, porém felizes, todos desceram da porteira e na desabalada carreira,correram em direção à sala do entra e sai. Foi ali que agoniado, encontraram o seu pai. Depois de infinitos minutos, uma porta se abriu, saiu de lá de dentro a tida enfermeira, trazendo nos braços bem embrulhadinho, um minúsculo nenenzinho. Foi tanta alegria, dos quatro! Que o pai com o bebê no colo, correu depressa para o quarto. Mamãe estava ali, em sua cama aninhada, com ar de felicidade, mas um evidente traço de estar bem cansada. Depois de todo reboliço e tanta expectativa, tudo voltou ao normal. A vida seguia seu rumo, como antes sempre fora, tranquila e natural. Com os três brincando na varanda. Fazendo bois de barro. Papai voltara ao pasto, ia assim, tangendo o gado. Mamãe, no seu resguardo. Amamentando o bebezinho, bem de mansinho, que não saia do seu lado Quanto à Cegonha, ela nunca era vista, entrava e saía, sem deixar nenhuma pista. As porteiras já estavam acostumadas, vez ou outra, de meninos ficarem apinhadas. Bem já sabiam ,que esse apinhamento, sempre dava em nada. As Cegonhas são espertas, muito espertas! Assim seguia, a rotina da vida de quem nascia na roça.
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