Busca avançada



Criar

História

Nasci para a música

História de: Ivanil de Paula
Autor:
Publicado em: 22/02/2022

Sinopse

Ivanil nasceu em 1959 na cidade de Presidente Epitácio (SP). Mudou-se com a família para Barra Bonita quando tinha 12 anos. Sonhava ser jogador de futebol e, por força das circunstâncias, acabou trabalhando com música, como mestre de escola de samba e líder do projeto Bateria Nota Dez, para adolescentes. Trabalhou na Marinha,  na construção de barcos de turismo da cidade. Prestou concurso e passou a ser servidor público, na área de documentação da prefeitura. Paralelamente, tem um projeto chamado Bateria Nota Dez, um trabalho social com adolesentes, que aprendem a tocar instrumentos de percussão e se apresentam durante o carnaval de Barra Bonita. Em 2022 completa quarenta anos de casamento.

Tags

História completa

Fui criado dentro de um campo de futebol. Eu ia para a escola e jogava futebol. Meu intuito nunca foi ser um cara da música, era para ser jogador, mas naquele tempo não dava renda, e eu tinha que ajudar minha mãe. Então desisti do futebol e fui trabalhar.

Meu pai era da Marinha, da antiga Bacia do Prata, e minha mãe também, uma das primeiras mulheres a ingressar na Marinha. Acabei no ramo de navegação, na parte de construção de barco, ajudei a construir aqui em Barra Bonita o barco San Rafael, um barco turístico muito bonito, a Arca de Noé, o Recurso Romântico I, II, e o São Diego. 

Depois encerrei minha carreira nessa área, prestei um concurso, entrei na prefeitura de Barra Bonita e estou até hoje na parte de documentação, sou responsável pelo setor de arquivo e aposentadoria dos servidores da prefeitura.

Quando casei eu ainda estava na navegação, então tem uma história muito bonita. Conheci a minha esposa trabalhando. Me encanta a beleza do Tietê. Conheci minha esposa por causa do Tietê. Ela ia visitar a barranca do rio, que é linda, e eu ali no barco trabalhando, a gente batia papo e ali tudo começou, a minha história de quase quarenta anos de casamento. 

Deus me deu um talento musical, eu fui instrutor de fanfarra na escola que estudei (EE Cônego Francisco Ferreira Delgado Júnior), por muitos anos, nunca cobrei um tostão, fiz muitas apresentações, muitos desfiles com eles. Foi uma grande felicidade ver aqueles jovens tocando, aprendendo um instrumento de percussão. 

Daí apareceu a oportunidade de trabalhar com música. O diretor da escola de samba de Barra Bonita, o mestre Rômulo, faleceu, e estavam procurando alguém para pôr no lugar dele e não conseguiam. Falaram: “Tem um menino lá do barco, e ele manja muito de percussão, vamos fazer um teste com ele”. Eu já tinha algumas coisas na cabeça, um sonho de fazer alguma coisa diferente. Falaram: “Você quer ficar no lugar? Você tem esse talento”. Falei assim: “Vamos embora!”. E assim fui para a escola de samba Camisa Amarela, que era da elite aqui da cidade. Entrei e fui fazendo os meus projetos.

Desenvolvo o projeto Bateria Nota Dez, há mais de quarenta anos. Acho que culturalmente é a melhor coisa que tem que ser feita, é levar até o jovem a música e a cultura brasileira, que é o samba. Pelo menos nas horas que estou lá dando ensaio, aquele ser humano, aquele adolescente, não está na rua da cidade aprontando, usando entorpecente, bebendo…

O projeto não é só a bateria, a gente tem muitos afazeres, muita caridade dentro do projeto, e eles correm atrás do que estão precisando. Se sabemos que estão precisando de uma cesta básica, um leite para uma criança, tentamos conseguir doações, fazemos vaquinha, essa é a felicidade da gente. Eu não ganho nada disso em espécie, em dinheiro, mas ganho um monte de felicidade no meu coração de ver pessoas sorrindo e felizes com o trabalho da gente. Isso para mim não tem pagamento. 

Procuramos passar para eles a batida do carnaval do Rio de Janeiro. Então, é uma coisa que dá suingue, samba… de tremer mesmo. Quem gosta de samba, quem gosta de carnaval, quando vê a bateria passar com aquele barulhão, aquela coisa gostosa, principalmente no ouvido, não fica quieto, tem que se mexer. Essa tradição que tem a Bateria Nota Dez de Barra Bonita, quando passa, levanta a avenida, leva mais público que todas as outras. Não é demagogia, as pessoas falam que sem a Bateria Nota Dez o carnaval de Barra Bonita de rua não é a mesma coisa. A região inteira vem para ver a bateria .

Sou muito focado nos ensaios, brinco no intervalo, dou uma tirada de sarro, mas sou perfeccionista. Enquanto não estiver certo, não desisto, a bateria é a alma do carnaval, e é gostoso depois ouvir o povo falando: “Nossa, quando vocês passaram a minha perna tremia com aquele negócio gostoso”. Então, isso é um grande prêmio. 

Sou grato pelo resto da vida. Consegui formar um grupo, uma turma de pessoas amigas que procuram o bem-estar dos outros, isso não tem preço, a gente fica feliz pra caramba. 

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+