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História

Não esquece de trazer o doce

História de: Antonio Pereira Garcia
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/02/2014

Sinopse

Identificação.O início da atividade comercial ainda na infância vendendo as frutas do pomar do quintal de sua casa. O começo da comercialização do doce italiano cannoli, produto que se tornou sua fonte de renda. Como se tornou produtor do doce, melhorando a receita inicial com a ajuda de um confeiteiro, e utilizando ingredientes de qualidade. O destaque do doce em feiras e nos campos de várzea da cidade, sobretudo no Clube Juventus. Os fregueses de várias faixas etárias, os vários bairros da cidade e as encomendas que recebe.

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História completa

“Cannoli é uma coisa que nos abençoa muito; é um forte nosso. Comecei nos meados de 1970, quando eu ia trabalhar na Rua Javari. Ali tinha aqueles campeonatos ‘dente de leite’, na época, que passavam no canal 11, TV Gazeta: Peirão de Castro, Eli Coimbra. Ali eu fazia a minha venda: primeiro naquele jogo dos meninos. Só depois é que comecei a explorar a várzea. Andei muito por essa São Paulo de ônibus; pegava os ônibus da época, metrô, trem para me locomover com aqueles tabuleiros. E fiquei famoso com isso. Tanto que eu vou à Mooca, trabalho naqueles campos de terra batida e os caras: ‘É o cannoli, é o cannoli!’ Eu vi que vendia e comecei a frequentar os jogos de vários times: o Guilherme Giorgi, tinha o Rádio, o Têxtil, o Flor, na Vila Formosa, o Americano, União, o Paraguaçu. São campos a que eu vou até hoje, campos que são muito conhecidos na periferia. Sampaio Moreira, ali onde é o Centro Educacional do Tatuapé, vários campos. E eu fui pegando gosto pela várzea. Tem mais segurança, te dá mais liberdade. Outro dia mesmo eu trabalhei lá no campo do Cecília Meireles; Magnólia, lá na Vila Maria. O campo do Lagoinha também, fui lá fazer um jogo da Copa Kaiser. Copa Kaiser é um torneio que tem todos os domingos pela manhã. Tinha quase 4 mil pessoas lá; é um volume de gente que você não imagina. Você vai no campo do Nacional no domingo; lá na Arena Kaiser, em frente ao CT do São Paulo, em frente ao CT do Palmeiras, ali na Barra Funda, ninguém sabe disso, mas chega a juntar 5, 6 mil pessoas todo domingo de manhã. E vendedor tem que ir onde está o movimento, não é? Eu vou para vários campos: Zona Norte, Leste. Trabalho na Copa Negritude, ali na Cohab I em Itaquera. Sou muito conhecido pelos cannoli. A várzea é um ponto de encontro de amigos, pessoas que vão, onde aqueles veteranos de 50 anos têm os torneios Master; eles vão lá, tem aqueles campeonatos, eles se juntam, se reúnem, e já conhecem a gente há muitos anos. E a coisa se tornou tradição. Quando o jogador vai para o campo, a esposa já fala: ‘Olha, não esquece de me trazer o doce.’ E é assim: são mais de 50 anos que eu trabalho na várzea. No leste, no sul; Zona Norte, Zona Oeste. Onde tem um torneio, um festival, onde tem uma copa eu estou ali com os doces.

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