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História

Não é só trabalho, cultura enraizada

História de: Bruna Poersh da Rosa
Autor:
Publicado em: 21/03/2016

Sinopse

Bruna conta nessa entrevista como foi crescer em uma cidade pequena no interior do Rio Grande do Sul. Por conta de sua agitação, Bruna sempre participava e propunha diversas atividades na escola, como teatro e campeonatos esportivos. Descobriu, através de uma professora, que existia a possibilidade de intercâmbio, de morar fora, por um ano escolar, numa casa de família, em outro país. Bruna foi atrás das informações e do comitê mais próximo e, com ajuda da avó postiça, conseguiu! Primeiro, Bruna e sua família recebeu uma intercambista, depois, fez intercâmbio para os Estados Unidos e conta, nessa entrevista, como foi essa experiência que mudou sua vida. Bruna conta como foi traumática sua readaptação e, depois, como foi a faculdade e o ingresso no mercado de trabalho. Bruna finaliza, emicionada, seu depoimento contando como é trabalhar no AFS, próxima aos voluntários.

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História completa

Eu desde pequenininha, a minha mãe sempre me colocou em curso de inglês, porque ela achava que algum dia aquilo ia ser bom pra mim e foi quando, eu acho que eu tava já com 15,16 anos, que eu tive uma professora que era nova no curso e eu tava sempre falando pra ela: "Ai, como eu queria um dia morar fora". Na verdade, eu tenho até vergonha de dizer, mas eu nunca tinha ouvido falar de intercâmbio, nem sabia o que era isso e aí ela disse: "Ah, eu morei um ano na Bélgica", daí eu: "Como assim? Como é que tu fez isso, né?" E ela: "Ah, eu viajei pelo AFS, em 1996. É uma ONG [Organização não-governamental] que faz intercâmbios pro mundo todo, eu acho que tu deveria tentar" e eu fiquei com aquilo na cabeça. Saí pesquisando tudo sobre o AFS. Na época, eu contatei os voluntários do comitê de Caxias do Sul, que era o mais próximo da minha cidade e foi assim: amor à primeira vista, com o AFS, tudo me encantou. Eu estava conversando com os meus pais, que eu queria muito, muito, fazer e a minha mãe disse: "Olha, quem sabe a gente hospeda uma intercambista aqui em casa antes, pra tu ver como é que ela vai se comportar, pra tu conversar com ela, ver as dificuldades que ela tem, aí você já tem esse aprendizado quanto tu for viajar" e, aí, a gente acabou fazendo isso. A gente hospedou uma intercambista do Canadá, em 2003, na minha casa. Foi uma experiência bem legal, ela não falava português, então eu tive a oportunidade de aprimorar um pouco meu inglês e poder ensinar pra ela outro idioma.

E foi bem legal, a gente mantem contato com ela até hoje, ela é bem querida. Depois que ela foi embora eu comecei a entrar mais em contato com o comitê de Caxias do Sul, comecei a participar de orientações e reuniões. Minha avó “emprestada”, que se chama Dona Ivone, ela dá pra todos os netos dela uma viagem para Disney, quando eles fazem 15 anos. E ela queria dar um pra mim também, daí eu disse que não queria uma viajem, que queria o intercâmbio. Aí, ela acabou pagando meu intercâmbio, foi maravilhoso (risos), deu tudo certo!

Eu fiquei na Pensilvânia, numa cidade chamada Sellersville. O primeiro choque cultural que eu tive, foi quando a minha família hospedeira foi me buscar. Eles colocavam todos os intercambistas num hotel, porque a gente tinha uma orientação quando chegava, e aí, as famílias vinham buscar a gente no final do dia, de domingo. E aí, a minha família foi me buscar. Eles estavam tão bonitinhos com balõeszinhos, com um monte de coisa, aí, eu fui dar um abraço e o meu pai hospedeiro fez uma coisa, tipo assim: "Com licença, tu tá invadindo minha privacidade", aí eu: "Meu Deus, isso vai ser difícil!", eu fui no carro bem quietinha: "Meu Deus, esse povo não gostou de mim". Aí, foi o primeiro choque cultural.

Eles me trataram realmente como filha, não tinha tinha distinção nenhuma entre as meninas e eu, sabe? Presente de natal eles compravam a mesma coisa pra mim e pra elas, me levavam pra passear muito, sempre que eu tava doente a minha mãe cuidava super bem de mim, então, em momento algum eu senti que não era bem quista ali, bem pelo contrário, era bem quista até demais, isso pra mim foi maravilhoso porque eu tive muitos amigos estrangeiros que tavam perto de onde eu tava e que tiveram problemas com família, que a família não os trataram bem, quiseram trocar, e eu nunca tive nenhum problema nesse um ano todo, nunca briguei com nenhum deles, foi tudo mil maravilhas!

Eu trabalhei, antes do AFS, numa outra empresa de tecnologia, na área de comunicação e a empresa começou a ficar mal das pernas, fui olhar anúncios, o primeiro que eu vi foi do AFS, eu disse: "Gente, não acredito que tem vaga no AFS", eu olhava, assim: "Ah, vou mandar meu currículo, vou ver no que vai dá".

Eu já entrei nessa área de desenvolvimento organizacional. No início, eu acho que ajudou muito eu ter feito intercâmbio porque eu já conhecia um pouco a cultura da organização, a dinâmica, essa questão dos comitês, porque pra quem é de fora, é algo bem diferente de compreender como funciona a organização. Como eu já sabia, eu só tinha que aprender as coisas. Já conhecia, já sabia um pouco da cultura, né? E hoje eu trabalho com toda base voluntária: gerenciar a base voluntária, fazer eventos, cadastros dos novos voluntários, ajudar nas questões de gestão de comitê e eu vejo que o fato de eu ter feito intercâmbio me aproxima ainda mais dos voluntários do que se eu não tivesse feito. A gente tem coisas em comum, a gente tem essa cultura AFS enraizada na gente, que sempre digo: "Aqui não é só um trabalho”, a gente acaba se apegando muito às pessoas e à organização, porque a missão é maravilhosa. Quando a gente tá aqui, a gente tem que tá com o coração todo aqui, senão, não adianta.

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