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História

"Não é qualquer empresa que tem uma escola"

História de: Fernando Rondelis
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/07/2020

Sinopse

Infância. Entrada na Volkswagen. Escola dentro da empresa. Fábrica da Anchieta (SP). Embalagens e peças. Desenvolvimento da Volkswagen através dos anos. Controle de qualidade. Novas tecnologias. Organização e segurança do trabalho. Carros marcantes. Impacto da Volkswagen no Brasil.

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História completa

P/1 - Cláudia Fonseca

P/2 - Beth Quintino

R - Fernando Rondelis



P – Fernando, eu gostaria que você começasse se apresentando. Você poderia falar seu nome, data e local de nascimento?

R – Meu nome é Fernando Rondelis, nasci em Bananal, estado de São Paulo - na divisa do Rio de Janeiro. E tenho 37 anos. Nasci em 1965. 16 de outubro de 1965. Fiz aniversário há pouco tempo. 

P – E qual o nome dos seus pais?

R – Paulo Rondelis e Teresa de Aguiar Rondelis. Minha mãe já é falecida. 

P – E o que é que o seu pai fazia?

R – Meu pai trabalhava em haras. Ele era gerente de haras de cavalo de corrida. Ele veio do ______. Então, nasceu aqui em Santo André, foi para Bananal. Lá ele conheceu minha mãe. Minha infância até os 6 anos de idade foi lá nesse haras. Depois nós viemos, moramos um tempo em Campinas. Uma boa parte eu morei em Sorocaba, depois eu vim para São Paulo.

P – Como é que foi a sua infância no meio dos animais?

R – Olha, eu tinha um cavalo que chamava ele de Tordilho, né, que ele era todo branco. Até andava muito nele, só que uma vez eu caí [e] meu pai me proibiu de andar nesse cavalo. Mas foi assim bem simples, a gente era uma família simples. Não tinha nem televisão em casa - na época, já tinha televisão preto e branco. Eu ia assistir televisão na casa da minha tia. Buscar gelo. A gente não tinha geladeira também, porque não tinha luz. A gente ia buscar gelo na casa da minha tia, que já tinha mais condições. Ficava a dois quilômetros do haras. Mas foi bem simples. Até a primeira, segunda série, eu estudei na escola lá. Eu acho que o prezinho, o primeiro ano, eu não me lembro muito bem. Mas a gente era muito unido. Apesar de ser 12 irmãos, os irmãos mais velhos cuidavam dos mais novos, né? Que, naquela época, um salário mínimo, a gente tinha que, era o mínimo do mínimo. Mas a gente era muito unido e ainda é, até hoje.

P – Depois de lá, vocês mudaram para Campinas. Como é que foi essa mudança?

R – Essa mudança, meu pai, na época, ele trabalhou muitos anos nesse haras. Aí recebeu uma proposta para vir para um outro haras com o Ricardo de Lara Vidigal, que é o dono do Banco Mercantil - até se tornou muito amigo do meu pai. E aí ele convidou a gente para ir para Campinas. De Campinas, eu lembro que nós viemos para Boituva; de Boituva, ficamos em Sorocaba. Até agora, de 80 a 84. Aí, em 84, eu vim para São Paulo com meu primo. Trabalhar com meu primo, aqui na padaria dele - onde eu fiz de tudo. Depois eu fiquei como gerente na parte da tarde, na parte da noite.

P – E você estudava nesses períodos de mudança?

R – De mudança, essas mudanças que tiveram dificultaram um pouco o meu estudo. Então, até quando eu entrei na Volkswagen, eu tinha quinta série. Aí eu aproveitei que tinha o colégio aqui dentro, o ginásio, tal, eu fiz o ginásio e o colégio aqui dentro. Depois eu ingressei na faculdade. Mas, nesse contratempo, eu fiz o prezinho lá até os 6 anos, me lembro. Depois eu fiz em Campinas, devo ter feito o segundo, terceiro e o quarto ano. Vindo para Boituva - nós ficamos um tempo -, eu andava cinco quilômetros a pé para ir até a escola, que a escola mais próxima era [a] cinco quilômetros, na beira da Castelo Branco. E até ajudava a professora que, às vezes, vinha de ônibus, tinha que carregar merenda na, no latão. A gente que ajudava ela. Ficava esperando ela chegar para levar ela até a escola. Então a gente andava às vezes cinco quilômetros para estudar. Passava no pomar, a gente roubava laranja. Na hora de volta, (risos) a gente voltava com fome a gente – é até pesado falar roubava, mas [era] criança - subia no pé de mangueira. Era tudo conhecido do meu pai na região. Então a gente fala "roubar", é um hábito de falar, mas, na verdade, a gente voltava com fome da escola. A gente subia no pé de mangueira, laranja e vinha chupando até chegar em casa. Em casa, a gente tinha as obrigações: um cuidava da horta, outro cuidava - minha mãe distribuía tarefas para a gente -, um tinha que cuidar, lavar louça do jantar, do almoço. Então a gente era tudo assim. Minha mãe sempre colocava alguma obrigação para a gente fazer, desde os 8 anos de idade a gente sempre teve atividade para fazer.

P – E aí você entrou na Volkswagen...

R – Em 86.

P – E foi estudar logo que você entrou?

R – Logo que eu entrei. Eu não lembro se fiquei 1 ano, porque, na época, eu não era muito informado. Que eu ainda tinha aquele negócio de sítio, né? Eu não tinha muita informação. Apesar que quando eu vim, eu trabalhei com meu primo na padaria, tinha muito contato com o público [e] tal. As tiazinhas conversavam comigo e eu fui me soltando mais. Eu era muito quieto. A gente foi criado no sítio, a gente era muito quieto. Mas esse tempo que eu trabalhei com a padaria do meu primo, aqui, eu tive muito contato com o pessoal, com o público. Fiz muita amizade na região. Tanto que até hoje ainda voto lá. Domingo eu vou votar lá, não mudei meu voto. Porque quando eu ando lá, pareço vereador. “E aí tudo bem? Onde você está?”, “eu estou na Volks”, “Arruma um emprego para mim lá”. O pessoal fala. A Volkswagen tem uma imagem muito boa lá fora. 

P – E como você entrou na Volkswagen?

R – Na Volkswagen, na época que eu trabalhei com o meu primo, em 86, apesar de estar como gerente já, um cargo até bom - que eu já fui balconista, tudo que tinha lá dentro. Até confeiteiro, fazer pão doce, eu fiz na época. Então é tipo assim, eu sempre gosto de estar mexendo. Eu não gosto de estar parado [fazendo] a mesma coisa. Eu sempre gosto de aprender um pouco de tudo. Aqui, na Volks, eu também fiz isso. E aí eu tive pneumonia, fiquei 15 dias doente. Fiquei na casa até da minha irmã - que eu morava com a minha tia, mas aí eu fiquei com a minha irmã em Santo André. E aí o médico falou que se eu voltasse para a padaria de novo, eu estaria podendo ter problemas de pneumonia de novo e até morrer. Eu estava muito mal. Ficava 15 dias tossindo direto. Eu fiquei muito doente, aí fiquei na casa da minha irmã. Nisso, aconteceu que o meu cunhado que era, aqui onde é o posto de gasolina, na ala sete, aonde meu cunhado era mestre de transporte na época. Todo o transporte da Volkswagen era controlado por aqui. Hoje a gente controla na área. Eu também controlo treinamento na minha área, revisão de máquina. Tudo passa por mim lá agora, com o pessoal que trabalha comigo. E aí ele trabalhava aí na época, estava pegando bastante gente lá, na área 21, que era uma área nova de peças. Aí ele falou: “Tem uma vaga lá tal e você precisa vir hoje fazer o exame, já fazer a entrevista”. Aí, no terceiro dia, eu já comecei a trabalhar. Eu comecei como embalador de peças lá. Nem sabia o que era automobilística. O dia que eu cheguei aqui, estava uma serração. Eu falei: “Caramba, eu não estou vendo nem a ala que eu trabalho”, que era uma serração enorme. Hoje melhorou bastante. Chegava a nevar nos carros aqui. Ficava um dedo de gelo em cima dos carros, na época. Aí eu entrei, assim, meio com medo, porque automobilística, eu não conhecia nada de peças. Vim de, quem mexia com haras, com cavalo. Depois, trabalhar numa padaria para entrar no ramo de automobilística é muito diferente. E lá eu percebi que eu aprendi muito.

P – E qual foi a sensação quando você entrou na Volkswagen __________?

R – A sensação um frio na barriga, igual eu estou hoje aqui. (risos) 

P – (risos) 

R – Porque era uma coisa nova. Uma empresa de nome. Falar Volkswagen. “Pô, você vai trabalhar na Volks, né?” Eu ganhava um terço do que eu ia começar a ganhar aqui. Quer dizer, já começou bom por aí, né? E depois, a possibilidade de crescer. Porque na padaria eu já era gerente, mas eu não ia passar disso, a não ser que eu fosse sócio do meu primo lá. Ele também tinha a pretensão de eu ser sócio dele. Ele falou: “Você fica pelo menos uns 3 anos comigo. Você ainda vai ser meu sócio”. Apesar que ele está quase milionário aí hoje. Se eu estivesse lá também. Está muito bem. Está com duas padarias, está muito bem. Até ele fala: “Se você sair da Volks, vai ser meu sócio aqui”, ele fala para mim. E a sensação é de você trabalhar em uma empresa grande, o qual eu fui conhecendo a Volkswagen, pelos benefícios. A escola foi muito importante para mim. Foi uma ótima oportunidade.

P – Logo que você entrou, você entrou na escola?

R – Não, eu acho que depois de um ano que eu fiquei conhecendo. Porque a gente trabalhava lá, eu não conhecia muito a Volkswagen. Eu não sou muito de ficar saindo para ir para médico, essas coisas. Eu sou muito, fico ali envolvido, né? E aí eu fiquei conhecendo a Volkswagen, fiz amizade aqui. Fui até representante de sala. Comecei aqui a ser representante de sala. Fiz parte do diretório acadêmico - nós criamos o centro acadêmico. O José Américo era um professor muito bom que a gente tinha aqui. Fizemos algumas viagens para Ouro Preto na época da escola, com os alunos. Tenho até foto com a professora. Até eu não posso contar, mas eu namorava a professora de matemática que dava aula aqui. Aí eu gostava da de biologia e namorava a de matemática. Nós fomos para Ouro Preto, ficamos 4 dias lá [e] voltamos. Fizemos viagem para conhecer aqui a nascente do Rio Tietê, em Salesópolis. Pela escola, eu participei de duas corridas na Usp contra o cigarro. Eu tirei o melhor tempo, até tiramos foto no pódio. Eles tiraram lá. Colocamos aqui na escola, tudo. Não era nem o Marcos que era o diretor, era outro diretor que tinha, o José Carlos. Então eu sempre gostei de participar. Lá na faculdade, eu sou representante, hoje, da sala também. Vou lá na reitoria, brigo por melhores professores, melhores condições.

P - Mas então, a escola aqui dentro era como se fosse uma escola normal?

R – É uma escola normal. Os professores vêm de fora. Mas o que é que a Volkswagen sede aqui? Só o espaço, as carteiras e a lousa. 

P – Isso ainda existe hoje?

R – Existe ainda hoje. Tanto que eu falo para os meus funcionários lá – na verdade, eu, corrigindo, não tenho funcionário direto, mas eu falo para eles que precisam estudar. Porque hoje a Volkswagen, ela, não é qualquer empresa que tem uma escola assim. E o nível daqui, quando eu prestei vestibular na Metodista para jornalismo, eu fiquei em, eram 80 vagas [e] eu fiquei na colocação de 86. Eram 300 pessoas [inscritas]. Então, na época que eu saí daqui, o nível era muito forte. É que também eu ia para a biblioteca, fazia trabalho. Época de greve aqui, eu ficava fazendo os trabalhos lá na minha mesa onde eu embalava peça. Eu parava. O pessoal estava de greve, ia embora para casa. Eu tinha que ficar até tarde para ir para a escolinha. Eu ficava estudando. Então eu sempre fui meio CDF, sempre sentei na frente.

P – E quando tem greve, a escola continua funcionando?

R – Normal. A escola continua normal. Só se não tiver quorum, o professor acaba dispensando, mas depois ele retoma a aula. Mas [só se for] por uma coisa muito séria. A escola aqui é muito boa. Pena que a maioria dos funcionários não valoriza. Porque tudo que é de graça, o pessoal desconfia que não tem qualidade. Mas é muito boa a escola. 

P – E na sua área, você entrou como embalador de peça. Você pode contar um pouquinho essa sua trajetória, como foi?

R – Tá. A minha área, ela tem uma área hoje [que] é 110 mil metros quadrados. A área lá, eu falo isso porque quando eu recebo visitas de concessionários - ontem mesmo eu estava com representantes de concessionárias do Mato Grosso do Sul, do Mato Grosso, pessoas que são os nossos contatos com as concessionárias daquelas regiões. Então é uma área com 110 mil metros de área. Nós temos recebimento de peças, que a gente recebe de fornecedores, das plantas da fábrica e peças que vêm importadas também. Nós temos recebimento, o acondicionamento, que é a embalagem da peça - onde eu entrei para trabalhar. Só falando o geral, depois eu vou estar focalizando. Depois vai para o estoque de peças, que é, imagina como se fosse o Carrefour: você tem um estoque ativo aonde o cliente vai pegando as peças e vai mandando para o concessionário; tem a reserva que acabou ali, você vai lá e retira. E depois você tem o sortimento, que é o pessoal que vai lá pegar, colocar na caixa e mandar para o concessionário até o carro parado que - atendimento 24 horas que a gente tem hoje. Que é um número até bom, a Volkswagen em relação às outras montadoras. Em atendimento, em pouco tempo de atendimento, a exportação, que hoje cresceu 30% também. A nossa área cresceu. Com a alta do dólar, a gente teve um grande avanço. A Volkswagen está até de parabéns nessa área de exportação. E a exposição de peças que já é o contato com o concessionário para as concessionárias. O contato nosso, da expedição de peças, com as concessionárias. Então quando eu comecei na embalagem, fiquei um ano e pouco lá. Eu comecei embalando peça. Eu lembro que até fiquei 3 dias com um colega meu, que hoje é encarregado também. O Teles. Nós trabalhamos juntos. Eu falei: “O que é que faz aqui?”. Fica aquele medo na hora, aquele frio na barriga. Fiz a entrevista com o mestre. Ele falou: “A partir de hoje você vai trabalhar naquela mesa ali”, eu lembro até hoje. Eu passo lá, a mesinha está lá. Eu comecei a embalar peça. Ele falou: “Você tem que contar, verificar. Se tiver algum problema, você separa essa peça, não manda embora. Coloca a etiqueta, a quantidade certa. A etiqueta é a identificação daquele material. Você vai colocando o dispositivo e vai mandando”. Eu fiquei um tempo embalando. Depois, como eu não gosto de ficar muito parado, comecei a dar ideias. Eu comecei a colocar caixa na linha. O pessoal tem uma outra linha lá para embalar. Depois eu comecei a mexer, liberando documento. Já passei fazendo trabalho de conferente, mas como embalador ainda. Não tinha sido promovido. Porque conferente ganhava um pouco mais na época. Mas já estava fazendo função de conferente, comecei a colocar peças na mesa. Então tinha um monte de atividades dentro da área de peças do acondicionamento de peças que já comecei a fazer. Tinha promoções lá para baixo para conferente, ganhava grau seis na época - eu estava ganhando grau cinco. Me chamaram para trabalhar no estoque de peças como conferente. Então, na parte de embalagem, mais ou menos, foi esse processo. Aí depois eu fui prosseguindo. 

P – E vocês na área de peças, qual a peça mais antiga do carro que vocês têm?

R – Ainda tem do Fusquinha lá.

P – Ainda tem do Fusquinha?

R – Tem. Porque, na verdade, a gente tem que guardar peças por 15 anos depois que ele para de fabricar. Isso é lei. Legislação. Peças usinadas, que fala, de motor tal, de ferro é 15 anos de garantia. Você tem [que] guardar no; parou de fabricar, você tem que guardar no depósito. E revestimento, 7 anos. Só que como o mercado do Fusquinha ainda é bom, até hoje têm peças que a gente ainda tem do Fusquinha lá para atender o mercado. Porque o giro dele é muito grande. Então é vantagem tanto para nós, Volkswagen, como para o cliente. Como para o concessionário também, porque ela tem rotatividade. Então vale a pena.

P – E quantos itens tem?

R – Hoje, geral, no depósito? 95 mil itens de peças diferenciadas. Entre caminhões, ônibus, automóveis e importados. Nós recebemos também de carros importados. São 95 mil itens. Na época, quando eu estava lá no estoque ainda - que agora eu trabalho na área administrativa, né -, tinha 70 mil itens. Hoje tem 95 mil itens. Por causa da variedade dos carros, então aumentou muito a diversidade de peças. Toda hora está trocando uma lanterna, motor, alguma coisa assim. Então, cada item desse é um tipo de peça diferente.

P – E você sempre trabalhou na Anchieta?

R – Sempre na Anchieta. Eu entrei no mesmo, na mesma área, com depósito. Que hoje não é mais depósito de peças, é Centro de Distribuição de Peças - o nome do centro. E eu trabalhei em dois turnos na época. Às vezes, trabalhava de manhã, ficava fazendo hora extra até 6 horas da manhã no dia seguinte. Aqui, na 13, a gente tinha embalagem de peça. Teve uma vez que eu fiz hora extra aqui de sábado às 16 até 6 horas no domingo. Eu ficava assim: “Pô, eu podia estar agora lá fora tomando cerveja, estou aqui” (risos) Porque a produção estava muito grande na época e a gente formava uma equipe para não deixar a empresa na mão. A gente vinha, era tudo escuro. Hoje está pintado aqui, está bonito. Aí o pessoal falava que era muito escuro, que era assombrado, não sei o quê. A gente passava ali. Às vezes, dormia uma horinha, entre duas e três da manhã, e voltava novamente na hora extra.

P – E, Fernando, tem diferença de, explica para a gente o tipo de embalagem e o tipo de peça. Ou é uma embalagem só para todas as peças?

R – Nós temos vários tipos de embalagem e vários tipos de peças. Só que antigamente tinha uma embalagem para cada tipo de peça. Veio um supervisor e falou: “Não, a gente pode usar um tipo de embalagem para até 10 ou 12 tipos de peças. Desde que essa embalagem, ela tenha proteção adequada para aquele tipo de peça”. Então tem o nosso técnico de embalagem lá, ele faz a análise. Realmente dá para colocar. Ele cadastra aquela embalagem também para aquela peça. Então aquela embalagem serve não só para um tipo de peça, como para outras.

P – Dá um exemplo para a gente entender bem isso.

R – Um exemplo, vamos supor, eu não vou falar de lanterna porque a lanterna é uma peça frágil, ela tem que ter uma embalagem adequada para ela. Bateria também tem que ter uma embalagem adequada para ela. Aditivo também. Air Bag, que hoje até eu estou desenvolvendo uma reunião lá para a gente ver o sistema de segurança do Air Bag, para você ter cuidado com o funcionário. Porque eu sou presidente de Cipa também. Hoje não é mais presidente de Cipa, é RIE. Representante Interno de Empregados do Empregador. Então eu represento a área 10, que é o Milliet que é o nosso diretor novo lá e o Roberto Dalet que está até sendo homenageado. Então, a diferença da embalagem, o técnico define. Se não tiver embalagem, ele, como técnico, vai desenvolver. “Ah, essa peça aqui é pesada, tem que ser uma embalagem mais resistente.” Nós temos a inspeção que vai fazer a análise da durabilidade dessa embalagem. Então, se aquela embalagem, de repente, durante o processo, oferecer igual acontece às vezes, é muito raro, mas acontece, dela não estar garantindo a qualidade da peça, eles retomam aquela; faz uma nova análise e reforça essa embalagem para que o produto original realmente saia com condições.

P – Você começou a contar do Air Bag...

R – Ah, do Air Bag?

P – É.

R – É porque o Air Bag, ele tem uma embalagem muito especial. Porque não pode sofrer impacto, não pode cair um metro de altura. Qualquer coisa que pode ativar e jogar fagulha, soltar gases no funcionário. Então a gente está desenvolvendo uma segurança melhor para que, durante o manuseio, alguma coisa, não venha [a] ter problema com o funcionário e também com a peça.

P – Quer dizer que já existe uma embalagem hoje e vocês estão melhorando? Como é que é a embalagem?

R – A embalagem hoje, na verdade, o que nós temos no depósito, até hoje, veio de fora, importado. Uma boa parte. Só que agora, como a gente está tendo o Air Bag também no Polo - o Polo já está saindo com Air Bag -, fabricado no Brasil, então está sendo desenvolvida uma embalagem adequada. O próprio fornecedor também, às vezes, já manda a embalagem correta para a gente; no caso de Air Bag, que é um produto especial. As demais peças, a gente embala lá mesmo de acordo com o técnico da própria área. 

P – Quais carros que estão saindo com Air Bag?

R – Olha, para te afirmar direito, eu não sei. Mas o Golf eu sei que tem, o Audi A3, o Polo eu acho que tem uma série especial. Não são todos, mas tem uma série especial que tem. Alguns carros importados, eu tenho certeza que têm. Porque eles vêm às vezes de fora e lá fora já é obrigado a usar. Aqui, no Brasil, ainda não é legislação, mas nos Estados Unidos o Air Bag é obrigação. Então um carro é como se fosse o cinto de segurança nosso aqui, tem que ter o Air Bag. Pelo menos o que eu sei passar.

P – Você falou que a embalagem do air bag é importada. Existem outras embalagens que vocês importaram _______ e adaptaram?

R – Existe embalagens nossa aqui no Brasil que é bem, é superior às embalagens que vêm de fora. Hoje. Assim como o nosso Golf, produzido em Curitiba, é muito superior ao Golf que estava vindo importado. Então a gente fala: “Ah, o Brasil é de terceiro mundo, não tem coisa boa”, tem produtos nossos aqui fabricados no Brasil que a qualidade, às vezes, é muito superior ao que está vindo de fora. 

P – Normalmente, vem o modelo _______________

R – Vem o modelo de fora e, de repente, está armazenado aí e aquela embalagem lá, ela não sofre a umidade que a gente sofre aqui na Anchieta. Então a embalagem não é muito boa, nosso técnico vai lá, pede para o fornecedor fazer uma embalagem melhor e a gente até troca essa embalagem. De acordo com a necessidade da peça, se a peça realmente necessita. Vamos supor um painel, que é uma peça cara, alguma coisa assim. 

P – Você falou de...

[Pausa]

P – Eu ia perguntar porque você falou que também tem a exportação. Então existe exportação de peças?

R – Sim, nós temos.

P – Vocês se preocupam com a característica do lugar onde está sendo exportado essa peça, em relação a embalagem?

R – Sim, a exportação, o mesmo tratamento que a gente tem de peça nacional, a gente tem para exportação. A entrada de peça com recebimento, a inspeção da peça, se a gente, além do nosso fornecedor ser controlado, a gente tem inspeção lá. Qualquer dúvida, a gente passa para a inspeção, [no] qual ela pode devolver para o fornecedor, a peça. Ou bloquear, por algum motivo. A gente não passa para o cliente se tiver alguma dúvida de cor, ou peça de segurança que afetar alguma coisa, a gente passa para a inspeção de peça, auditoria da qualidade. E a entrada, acondicionamento [e] o processo de estoque [são] normais. A diferença da exportação é na parte; a gente tem que rever novamente as peças, porque elas já estão no depósito. A gente precisa rever peça por peça, porque ela vai para outros países que a legislação é muito mais exigente que a nossa, né? Mas a parte de finalizar a embalagem é um pouco melhor que a nacional, porque ela vai pegar - às vezes fica 15 dias em um navio. Então ela vai além da embalagem etiquetada de papelão, ela vai dentro de uma caixa de madeira. Essa caixa de madeira é revestida com um plástico, porque, de repente, ela [pode] pegar uma chuva no transporte, para estar garantida a peça ali dentro. Plástico bolha para ela não bater. E ainda vai no container. Porque hoje a gente tem container lá de 30 toneladas, né? Que é um container com aquelas empilhadeiras gigantes, para o México. Para atender a exigência do México, que ele pediu que fosse em um container de 30 toneladas. Então a exportação na embalagem, a preocupação maior é a embalagem por causa do transporte, porque vai para muito longe. E a identificação também é um pouco diferenciada, porque a gente está mandando para o importador nos países. E aqui não, o restante mensal e carro parado que a gente faz normal a nível Brasil; a gente deve estar por volta de quase 700 concessionários no Brasil, [de] automóveis. Por volta de 120 concessionários [de] caminhões. De concessionários no Brasil. E o importador, a gente tem esse acabamento final melhor quanto a importação por causa da embalagem do transportador até a exportação.

P – E você está lá há 16 anos?

R – 16 anos. Eu entrei em 86, fiz agora, dia 28 de agosto, 16 anos.

P – Nesses anos de Volkswagen, quais as mudanças que foram mais significativas assim, que você foi percebendo? 

R – Mas pessoal ou no trabalho?

P – Não, não, no trabalho. Na empresa, Volkswagen.

R – Olha, na empresa, eu tive, barreira a gente sempre tem, né? Mas se não tiver barreira, como você vai quebrar? Então existe barreiras assim, às vezes crítica de colegas. Porque você, de repente, quer dar uma sugestão que vai interferir na área dele, aí ele fala: “Pô, você já vem com essas ideias aí, tal?”. Só que a gente dá aquela crítica de melhoria. Então nessa parte que eu trabalhei, principalmente nas áreas que eu trabalhei, no acondicionamento, no estoque, que é uma área bem ampla. Porque o estoque é considerado a base do depósito. No estoque, a gente aprende tudo. Da onde vem, porque é que está certo, porque é que está errado. Para quem é que vai. Se o cara for sortir ela e não tiver uma embalagem correta, a gente, no estoque, que tem que providenciar isso. Se alguém falar que a peça: “Ah, a peça ali caiu no chão, eu acho que é melhor fazer análise”. É o estoque que vai encaminhar para análise. Então o estoque, na verdade, seria a escolinha lá do nosso depósito. E por isso que eu fiquei tanto tempo lá, eu participava, ajudava com ideias: “Ah, pô, a gente está com dificuldade de área. O que é que a gente pode fazer? Ah, vamos dividir a locação”, “Mas tem que comprar a divisória, fica caro”, “Dá uma ideia aí, a gente chama o bombeiro, coloca a divisória de madeira e a gente vai contornando”. Tanto que era liberado pela segurança, pelo bombeiro. E a gente vai ganhando espaço no próprio espaço. Tinha uma estrutura e eu tinha que abrir espaço para as peças novas que estavam chegando. E não tinha mais espaço fora da área, você tinha que arrumar espaço dentro da área. Aí eu dava muitas sugestões: “Aqui, onde é a reserva, a gente pode colocar essa reserva para cima. Onde é a reserva, a gente coloca a locação. A gente vai ter...”. Então eu contribuía muito nessa parte. Até teve com a Marili, que era a psicóloga do treinamento - hoje ela não está mais aí -, o Projeto Satisfação Classe 21. Com a participação do Dallet, que é o nosso diretor. Com o Arlindo, que é o meu supervisor [e] que me ajudou bastante. O Arlindo Cardoso Duarte. Roberto Dallet também, como diretor. Eles são meio, assim, em parte, como é que eu vou falar? Rigorosos, né? Mas na parte de promoção, graças a Deus, eu tive bastante apoio quando realmente eu via que precisava. Eu sempre fui de bater na porta, né, não fiquei esperando alguém mandar. Então eu acho que um grande avanço, além da oportunidade de crescer lá, às vezes não depende só da chefia, depende também um pouco do funcionário. Então você tem que participar.

P – E como você vê a Volkswagen no avanço que ela fez? A transformação dela?

R – Na minha vida ou na Volkswagen como um todo?

P – Não.

R – Na Volkswagen? O avanço da Volkswagen, eu vejo como uma empresa que começou, em 53, [com] um histórico, mais ou menos - com o Fusquinha ainda - com 12 funcionários na Vemag lá, aquela história. Fazia poucos carros. Hoje ela está aqui na Anchieta fabricando, às vezes, 1000, 900 carros - de acordo com o mercado. E concorrendo com essa grande concorrência. Porque, até pouco tempo, ela tinha quatro concorrentes no Brasil. Hoje está com mais de 16 concorrentes no Brasil, com alta tecnologia. Já vieram com alta tecnologia. Apesar que a Volkswagen também ampliou bastante essa parte de tecnologia. Eu vejo que a Volkswagen, apesar de ela estar fazendo essa reestruturação para diminuir o custo do carro, vejo uma preocupação muito grande para ela reduzir os custos. Eu acho que a empresa tem um custo muito grande na parte da Volkswagen. Mas eu vejo a preocupação dela estar fazendo essa reestruturação para participar no mercado, para poder concorrer com essas empresas que estão vindo para cá. Porque as empresas, hoje, pelo menos, que a gente vê nas revistas, elas não são empresas grandes. Em território. São empresas pequenas, mas com a tecnologia avançada. Então esse investimento que ela teve bem grande de milhões de reais com 400 robôs, eu vejo que a preocupação da Volkswagen não é só 50 anos de vida, mas chegar talvez até 100 anos ou mais. Eu vejo uma empresa séria. Eu até, às vezes, já tive carros de outras marcas. Vejo a qualidade de outro carro que estava do lado do Gol, porque o Gol, ele passa uma certa imagem da fábrica no produto. Uma durabilidade, uma segurança que é o que a gente mais vê. Pergunta para o pessoal, os colegas da Volks, os colegas da faculdade: qual a diferença do carro Volkswagen? “Ah, o carro Volkswagen, é bom o câmbio, o motor, né?”, que é o mais falado. Pelo menos os taxistas falam isso. Mas ela passa uma imagem de seriedade. No próprio trabalho da gente, a gente tem a seriedade de segurança. Eu falei para você do air bag. A preocupação que a gente tem com a segurança do funcionário, principalmente eu que cuido da parte da segurança. O máximo de segurança que a gente puder oferecer para o funcionário, diminuir acidente, né, que hoje a imagem da empresa fica ruim. Então eu vejo a empresa muito séria no que ela faz. Se é caro o produto, se é barato isso, aí não é eu que vou discutir. Tem pessoas que discutem isso. Mas eu vejo uma seriedade muito grande na empresa. Gosto de trabalhar aqui. (risos) Na verdade, sabe que é até uma parte da minha vida, né? Comecei aqui [e] não tinha nem a quinta série, hoje eu estou fazendo publicidade. Fiz um ano e meio de psicologia também. E mudou muito na minha vida. Praticamente, profissionalmente, eu tive oportunidade de passar por várias promoções na minha área. Demorou, teve umas que demoraram quase 10 anos, mas é porque a área de estoque; eu aprendi muito. É uma área que tinha muitas atividades diferente no qual eu fui participando. Eu tinha o meu encarregado que saiu daqui, o Lapão, [e] era quase amigo da gente. Não era nem quase encarregado. Eu tinha um problema particular, às vezes, de namoro, eu falava com ele. Então eu me senti muito à vontade na Volkswagen. A parte de carreira de artista que não deu certo, cantar na televisão. Mas eu estava aqui dentro. Nas épocas das greves, eu estava aqui dentro lutando dentro da Volkswagen. Então é uma empresa que para mim; eu, se tiver que sair daqui, só saio aposentado. Estou com alguns 30 e uns de idade, mas é uma empresa que eu gosto de trabalhar. A marca Volkswagen me passa uma seriedade muito grande. Não estou falando só por falar não, mas, realmente, eu gosto mesmo. Quando meu cunhado me trouxe para trabalhar aqui, eu falei: “Eu trabalhar na Volkswagen?”. Calafrio na barriga na seleção de pessoal lá com o Adelino. E quando eu entrei na área: “Você vai trabalhar naquela mesa”. Eu lembro dela até hoje. Tanto que até hoje, o que eu posso fazer de melhoria na área junto com a representação, a gente está fazendo com os funcionários. Porque aonde eu tive dificuldades; na época, tinha calo na mão porque não tinha tantas condições que a Volkswagen dá hoje de uso de EPI, que é uma preocupação muito grande. Eu oriento o pessoal para estar usando. A gente amarrava caixa de madeira num motor na mão. Hoje é tudo maquininha de grampear. Mudou bastante coisa. Onde a gente puxava o motor na mão, dava até dor nas costas. Tem uma talha lá, tudo automatizado. O cara vem certinho, coloca dentro da embalagem sem nenhuma dificuldade. Tem máquinas para levantar peças. Tem um monte de coisas que a gente não tinha naquela época. E a gente trabalhava muito mesmo.

P – Quer dizer que nessa parte de segurança __________ teve um avanço?

R – Para mim, teve muito avanço. Tanto para, porque eu sou muito; assim, eu acho que o que eu não quero para mim, não quero para o trabalhador também. Então, eu trabalho hoje na administração junto com o Marcelo que é o meu supervisor. O Marcelo Espolaor. Eu trabalhei com o Arlindo. O Marcelo está há pouco tempo lá. E eu vejo, estou andando na área [e] falo: “Ô, Marcelo, a gente precisava arrumar aquilo lá, tal. Vai dar problema futuramente. Tem um buraquinho lá que o operador passa com a máquina, vai dando problema nas costas dele”. Então tem coisas que a gente pode fazer, não é caro para a empresa e evita problema com o sindicato, com comissão de fábrica. Evita problema com o funcionário estar afastado muito tempo, porque ele está doente. Porque aquele buraquinho, eu sinto que a gente poderia colocar uma massinha lá. Toda a vez que a empilhadeira passa, dá um baque e ele acaba ficando com dor na coluna. Fica afastado [e] você perde funcionário. E é coisa simples que no dia a dia a gente está até ajudando a empresa e também o funcionário. Na parte de segurança, eu também conheci muitas palestras que tive aqui na segurança do trabalho, com o Milton Espaldari, que é o supervisor lá hoje. Mensalmente, a gente tem reunião de Cipa central. Eu sou presidente da Cipa, conduzo a Cipa Setorial, lá na 21, e os problemas que a gente não consegue sanar lá, a gente passa aqui para a Cipa Central, que o técnico de segurança, o presidente geral da fábrica, a gente passa para eles aqui. Graças a Deus a gente tinha 57 itens de Cipa [e] hoje a gente está com três. Está sendo resolvido. Negociação com a comissão. Eu tenho muita habilidade para negociar com eles. Graças a Deus. A maneira de conversar. Às vezes a pessoa está brava, aí você vai, conversa com ele. Depois você já chega no mesmo nível. E na parte de Cipa, de segurança, eu aprendi muito que você tem que dialogar bastante. Por mais que o cara chega te dando porrada. “ E aí meu, está bravo por que? Quer um café?”, você já quebra um pouco. E é coisas que a gente não aprende na faculdade, que a gente não aprende... Tem coisas do curso que a gente aprende bastante, mas é do dia a dia mesmo. Do lado a lado. É cara que trabalhou comigo que hoje ele está do outro lado do sindicato, eu estou do lado da empresa, mas os dois estão querendo a mesma coisa, que é o bem da empresa e do funcionário. 

P – Você sentiu, você pegou o período da Autolatina?

R – Peguei.

P – Você sentiu muita diferença?

R – Para falar a verdade, eu não gostei dessa época. Eu acho que foi uma união que favoreceu muito a Ford e menos a Volkswagen. A Volkswagen, ela, na época, até sofreu um pouco [com] a imagem. E a gente teve muita mudança que a gente tinha, tudo bem, na parte, eu acho que tecnológica. A Ford, ela parecia ser mais avançada que a Volkswagen. A Volkswagen, ela é muito mãezona, né? E a Ford já era muito mais seca, aquela coisa americana. Porque o alemão, ele é mais caloroso. Apesar das guerras que tiveram lá, ele é mais caloroso do que o americano - na minha opinião. E na época da Autolatina, foi muito bagunçado. Eu não gostei do casamento porque, eu gostava ainda da Volkswagen. Tanto que quando voltou a Volkswagen, eu fiquei contente de novo. “Pô, voltou a Volkswagen.” Porque não sei, o símbolo que a gente até carrega no peito – hoje está pequenininho –, mas era uma coisa que a gente gostava e gosta até hoje. Não gostei do casamento da Ford com a Volkswagen não. Gostei quando acabou. (risos) 

P – Então houve diferença?

R – Houve.

[Pausa]

P – Voltando um pouquinho: você participou de várias coisas que aconteceram na Volkswagen nesses 16 anos, você passou pela Autolatina, por greves. Qual o período mais difícil, você acha que foi? Não nesse sentido [de] Autolatina e greve, mas, assim, houve um período muito difícil dentro da Volkswagen? Para ela. Não digo só para você.

R – Para a Volkswagen? Eu acho que na época da Autolatina, a transição foi meio difícil. Que eu me lembro, foi isso. Greves também, porque toda vez que você precisava colocar carro na rua, teve épocas que o mercado estava absorvendo bastante a produção e o sindicato estava parando por greves. Na época, a gente até para aqui, na, eles fechavam a portaria e você, querendo ou não querendo, tinha que participar da greve de qualquer jeito. E teve movimentos também aqui, que a fábrica, independente, que o movimento era totalmente político, né? Que era o movimento do plano Collor, plano verão, plano Bresser, que não tinha nada a ver com a fábrica e a fábrica era penalizada por isso. Porque a gente parava a produção. O sindicato colocava é greve, se você fizesse alguma coisa, fosse trabalhar, eles falavam: “Olha, se você for trabalhar, a gente vai acertar as contas com vocês aí”. E fazia aquela coisa da ditadura. Hoje eu percebo que mudou muito. Hoje eu acho que a comissão de fábrica, o sindicato, ele teve um avanço. Hoje deu uma melhoria da parte do diálogo. Para parar, uma área negocia. Depois de negociar, não teve condições, aí realmente eles param a área. Mas as greves também, para a Volkswagen, para o funcionário em direitos, eu não sei se a gente conseguiu tantos direitos através das greves, mas para a Volkswagen prejudicou um pouco. Acho que ninguém gosta de ter, você precisar de, vamos supor, preciso de um metrô para trabalhar e estar de greve. Então eu acho que você, como consumidor, tem mais a perder. Principalmente o mercado. De repente, ela estava parada e as concorrentes dela estavam produzindo. “Ah, eu ia comprar o Gol, mas aí não tem porque a Volks está de greve, ficou lá 30 dias parada, eu vou acabar comprando da outra marca. Eu vou voltar com o meu dinheiro? Eu vou ficar 30 dias sem carro? Eu preciso do carro para trabalhar”. E se é um taxista, que depende do carro? Eu acho que a greve, ela tem favorecido como ela também, favorecido o lado do funcionário quando você defende o interesse. Porque o próprio sindicato fala: “Patrão só ouve quando a gente para a máquina”. Essa é a ideologia, que hoje mudou bastante também.

P – Nós falamos da embalagem, do estoque. E depois você foi?

R – Eu fiquei ainda como operador de terminal. Então toda aquela parte de colocar peça no estoque, abrir local para peça nova, verificar mudanças, tal, melhor para a gente ganhar mais espaço no depósito. E aí eu fiquei como operador de terminal, registrando a entrada de peças. Saída. Fazendo ajustes. “Ah, essa peça aqui tem que bloquear ela porque está com problema, tem que ir para a inspeção”. Então eu trabalhava na parte de entrada e de saída de material no operador de terminal. Teve um dia que eu trabalhava com o Merenda, que era o meu mestre, abaixo do Arlindo, meu supervisor. Ele ainda está lá até hoje, mas não é mais o meu supervisor. E um dia ele precisava, veio uma ordem aqui de baixo, do QA, qualidade assegurada, aqui da fábrica, que precisava treinar um auditor da ISO, lá da área. E precisava ser alguém da, que conhecesse bastante do depósito. Porque além de auditor, você ia ter que preparar toda a documentação para a ISO 9001. E aí eu fiquei até com um frio na barriga de novo. Poxa, dá aquele friozinho. “Será que eu vou ter condições?” Estava fazendo o ginásio na época, colégio, não lembro. Ele me chamou lá na sala junto com o meu mestre e falou: “A partir de hoje, você vai fazer um curso de 100 horas, no São Francisco, de ISO, só que você não vai ter aumento nenhum. Eu estou te dando uma oportunidade de você aprender e depois você vai estar aí mexendo com a nossa documentação”. Eu fiz o curso, fui bem para caramba. Fiz auditoria em fornecedor...

P - _______________

R – Era um restaurante, São Francisco, aqui, dos Demarchi. A maior parte dos cursos a gente faz lá. Eu fiz com o Dallet um outro curso lá, que é Métodos para Soluções de Problemas. Ele reuniu a diretoria, a gerência e nós funcionários da área trocando ideias. Que era métodos para resolver os problemas da área. Fiz curso com eles lá na época. Em 95, acho, por aí. E aí, como operador de terminal, eu passei a trabalhar na área administrativa. Eu ficava até as oito na área operacional. Depois, das oito em diante, eu ia lá para o escritório e ficava lá com o Arlindo. Porque já era um trabalho que tinha que estar o acesso direto com o supervisor, como é até hoje, né? No caso, eu sou o encarregado, mas aí tem o analista. Tem o encarregado, o analista, e o supervisor. E aí eu precisava toda vez que tinha alguma coisa de documentação, tinha que estar do lado dele ali para ele dar ok, o supervisor. Aí eu comecei a trabalhar às 8 horas e chegou uma época que o Arlindo falou: “Não, a partir de hoje você não vai mais descer para a área operacional, você vai ficar com a gente aqui, direto”. Aí, como operador de terminal, eu fiquei trabalhando lá. _______ fiquei como operador de terminal, cuidando da parte de ISO, que eu já era auditor. Tinha um estagiário que cuidava, mas veio uma ordem que não podia mais ser estagiário, porque o documento era uma coisa que comprometia a imagem da empresa. Em 95, já era das primeiras empresas a ser certificadas. A Volkswagen foi em 95. Eu comecei a fazer o curso de auditoria, comecei a fazer algumas auditorias, fiz aqui na área do Barone, que era o nosso vice-presidente na época. Na área 10, em marketing, depois fiz aqui na carroceria e montagem, auditoria. Tipo assim, eu pegava uma semana para fazer auditoria. Aí eles, o QA, mandava uma ordem lá para o Dallet pedindo para liberar eu para fazer essa semana, para fazer a auditoria. Fui para Taubaté, fiz auditoria em Taubaté de ISO também. Fiquei uma semana lá no, lá, bem instalado no hotel. Fiz auditoria na área de estoque. Fiz aqui na produção, na parte aqui de chassis e câmbio. Coroa e pinhão. E depois eu comecei a trabalhar nessa área. Aí veio o sistema "housekeeping". Pelo Demion. O Demion trouxe o sistema de 5S, que a gente chama de "housekeeping": que é organização, arrumação, limpeza, saúde e segurança. Você fazendo tudo isso, vai garantindo um ambiente agradável para o trabalho na empresa. Aí eu fui coordenador de "housekeeping" quando saiu um engenheiro para Curitiba, o Nei. Quando ele trabalhava com a gente; ele saiu, aí o Arlindo falou: “Fernandão, você vai cuidar da ISO e mais o "housekeeping", que o Nei está indo para Curitiba". Depois o Merenda, que era o meu mestre, que aposentou, saiu, ele era o coordenador de treinamento da 21. Aí falou: “A partir de hoje o Merenda está aposentando, está indo embora. Você vai ser o coordenador de treinamento do pessoal”. Nós temos 625 horistas lá, na área, hoje. Além dos encarregados, dos analistas que ficam no lugar do mestre. E também tem o supervisor e o nosso gerente, que é o Edson Garcia. Eu peguei também a parte de treinamento. Então eu fiquei com a ISO. Preparo toda a documentação, instrução de trabalho. Vou nas áreas ver o que a gente pode melhorar. Cada auditoria que tem, tem que fazer um plano de ação de melhoria. 

P – Você acha que mudou muito a Volkswagen depois da ISO?

R – Mudou. Porque a Volkswagen, ela tinha o processo, mas não tinha as diretrizes, né? "Ah, tá, eu vou pegar essa peça aqui e vou colocar nessa caixa e vou etiquetar", mas cada um fazia de uma maneira. Aí a gente foi criando dentro da ISO os padrões de qualidade que a ISO pede. Olha, para colocar naquela caixa, tem que ter um técnico de embalagem para analisar se aquela caixa realmente é a correta. Para você colocar a quantidade certa no dispositivo, precisa analisar o peso, a medida, se a embalagem não vai ser danificada, a peça embaixo. Então a ISO tem uns padrões de qualidade que ela veio favorecendo isso. A gente não tinha sala de treinamento que agora eu do palestras, do cursos lá, que é aonde você informa o funcionário. “Olha, pessoal, a gente teve uma queda nas vendas hoje em decorrência do mercado. Olha, pessoal, a gente está tendo erros demais a gente poderia diminuir. Estão reclamando nos erros de entrega devido a isso, isso [e] isso. A gente precisa estar melhorando isso também”. A partir daí nós tivemos um treinamento, que é aquele Classificação 21, onde é um trabalho feito desde a diretoria até os funcionários, onde eles participaram e com melhorias na própria área. Porque ele dava a ideia, mas ninguém ouvia. Aí criaram o projeto para começar a ver as ideias dos funcionários e melhorou bastante. Teve pessoa que falou: “Pô, toda hora o cara pega a empilhadeira e vai levando lá no outro setor. O cara pega o carrinho e vai levando lá. Porque não coloca um _______ aonde vai levando um monte de empilhadeira de uma vez só? Quando tiver pronto, pega a empilhadeira. Nem ele vai precisar ficar levando. Põe no _______ e já leva aquele monte de uma vez só e evita esse trabalho todo toda hora”. Sem contar com o acidente, que toda hora ele estava transitando aquela empilhadeira também do lado. Então, ideias simples. Eu participei com o Rodolfo Bible, que é o nosso diretor, que está na Alemanha hoje, na parte de distribuição na Alemanha. O Dallet até ficou no lugar dele agora. Agora entrou outro diretor lá, que é o Milliet, né? E até dei ideia para ele. Porque quando eu entrei na peças e acessórios, eu recebi três folhinhas dizendo o que é que era o conhecimento de peças. O que é que era o número 305 era o Gol. O 309 para-choque. O 300 e alguma coisa é o número do fornecedor. Se a gente quiser identificar quem fabrica para a gente, é por aquele número. Ponto um é um número da peça. Ponto dois é a mudança que ela teve. Teve um buraquinho a mais lá, é ponto dois. Teve dois buraquinhos, é ponto três. Colocou uma lanterninha a mais, é ponto quatro - por exemplo. A cor. Então eu via a necessidade, como a gente, ainda hoje, com código de barras, trabalha com o número de peça; então até a secretária lá do Dallet quando recebe uma reclamação, olha aquela peça tal [e vê que] está atrasada. “Qual é o número da peça?”, “Número x”. É uma secretária que não tem nada a ver com a área operacional, ela acaba anotando o número da peça. Então se ela conhece o número de peça, fica mais fácil. Aí, de repente, o cara falou: “Ah, é ponto um”. Mas aí ela sabe: “Não, mas não é ponto um. Não existe esse ponto um. Não existe esse barra-barra”, entendeu? Então, até para identificar ali na hora, ajuda até a própria secretária.

P – Quem foi que começou _________

R – O código de barra, eu não tenho a data exata, mas acho que foi a partir de 96, eu acho, 97 ou 98.

P – Houve várias transformações de 95 para cá?

R – Houve.

P – A ISO, a chegada do Demion, o "housekeeping", código de barras. Como foi esse impacto com os funcionários? 

R – O código de barras teve um medo: “Pô, vou ter que apertar computador?”. Tanto que não precisamos nem ter [que ir] muito longe: quando a gente colocou o banco 24 horas lá, o pessoal tinha medo de apertar os botões. Ele começava a pensar que o dinheiro dele ia para outra conta. Aí, uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas foi um impacto. Então eu ajudei a Guedas, que é a empresa que está aqui hoje, do grupo Volkswagen. Aí a Andréa, que era da Guedas, junto comigo falou: “Fernando, você que conhece o pessoal, eu vou falar [de] técnico do sistema e você vai falar da parte operacional. Aquilo é como se fosse um tradutor. Então vai falar, 'o código de barras, você precisa dar um enter, colocar uma senha e você vai fazer uma leitura, tal'. - Aqueles nomes técnicos que eles usavam. - E você vai estar transmitindo para eles, na linguagem deles", "Pessoal, então, ao invés de você hoje pegar a lista de separação a caneta, que você vai ticar lá [que] o cara quer 12 peças, você vai lá, vai ticar 12 peças, vai pegar 12 peças na alocação e vai colocar no carrinho. Ao invés de você ticar, usar a caneta, usar o piloto para identificar a caixa vai ser tudo automatizado. Então você não vai pegar mais uma lista. Na hora, você não vai ter que dar, colocar o enter, colocar o seu registro, falar a área que você está trabalhando. Porque o sistema ele trabalha assim. A partir do momento que você colocou o seu registro, que você colocava na lista, você vai falar a área que você trabalha. Porque a lista vinha separada por área e você dá o ok, aí ele vai falar: 'Agora você dá o início e você vai estar sortindo'. Aí vai estar lá peça tal, quantidade tal, na locação tal. Ele vai sortindo". Então o primeiro impacto que nós fizemos de treinamento foi aproximar o funcionário da tecnologia, que é o mais difícil. Então eles tinham medo de apertar o botão. Aqueles dedões duros, né, de apertar o botão. Aí você fala: “Ó pessoal, não tem medo. Pode apertar, a gente está aqui dentro da sala. Não vai interferir em sistema nenhum, é só aqui dentro da sala. Se errar, a gente faz de novo, faz a etiqueta de novo”. Então foi o primeiro contato do código de barras, que foi uma mudança muito grande. Está sendo, que a gente está implantando lá. Foi o contato do funcionário com a tecnologia. Aquele computadorzinho pequenininho para quem tinha um computador, aqueles terminais grandões, aquela cabeça enorme. Que era terminal, e hoje é computador. E hoje eles estão se adequando. Teve cara que falou: "Poxa, mas eu achei que era tão difícil e não é". Teve funcionário que trabalhou comigo que não sabia mexer no sistema "popins", que é sistema de terminal de computador e hoje ele quase dá aula no Sigla, que é muito mais avançado. Ele aprendeu tanto que quando tem aula prática, eu falo: “Vai lá e procura o Frutuoso”. Ele tinha dificuldade em um sistema, mas no outro ele se adequou bastante. Não tem muita escolaridade, acho que deve ter oitava série, mas me dá aula. Se eu for lá hoje, eu que coordenei o curso, ele, na prática, me dá aula. Até aprendo com ele. Isso que eu falo, a gente nunca sabe tudo. A gente está aprendendo no dia a dia. A mudança da ISO foi muito importante para a Volkswagen, não só porque eu trabalho na área, mas a Volkswagen, a parte de padronização de documentação, ela precisava ter um controle de documento. Qual documento usar, né, que às vezes você procurava um documento: “Ah, a gente usa aquele, usa esse, usa outro”. Não tinha uma padronização. Hoje não, você cria um documento onde todo mundo usa o documento. Então é uma coisa mais formal, não é aquela coisa mais dispersa. O "housekeeping" do Demion, no início, eu achei, falei: “Ah, é um pouco de frescura. Tudo bonitinho, tudo limpinho”. A gente não tinha muito esse hábito. Mas é muito importante, porque eu começava no curso [para] dar um exemplo. Você quer procurar um documento, uma saída para o funcionário; que é uma coisa simples. Tem um monte de armário, um monte de gaveta. A pessoa que sabe onde está, não está ali no momento. Você vai ter que abrir aquele monte de armário, de gaveta, para achar a saída. Se você identificar o que é que tem lá dentro, qualquer um que não trabalha na área, que chegar, fala: “Eu preciso de saída. Onde é que está?”, “Está naquele arquivo”. Então ele facilita. “Eu preciso de ferramenta.” Está identificado lá: ferramenta. Qualquer um que não trabalha na área, bateu o olho na gaveta ou no armário, sabe que está ali dentro. A organização de limpeza, que o próprio novo presidente hoje está falando que um dos aspectos – que eu li a entrevista do presidente –, ele está falando que ele achava que a Anchieta era uma fábrica suja, desorganizada. E lá na entrevista ele fala que ele gostou muito da organização, da limpeza da empresa. É uma coisa que o Demion colocou e que ele também concorda, assim como todos os europeus concordam. E a gente mesmo, né? Quem não gosta de usar um banheiro limpinho, chegar em casa, estar tudo organizado. Eu sou muito chato com limpeza e organização. Eu pego, se eu vejo uma gaveta mal organizada, eu falo: “Ô, meu, precisa melhorar essa gaveta”. Na brincadeira e tal, mas para a pessoa perceber. Muita papelada em cima de mesa, às vezes na salinha dos encarregados, eu falo: “Ô, esse papel você usa toda hora? Não dá para dar uma melhoradinha?”, e a gente acaba ficando chato dentro do sistema, que é da ISO, dentro do sistema de "housekeeping". Aquela caixa caída no chão já é parte de segurança, se alguém pisa ali e cai, é Cipa. Então são várias características que a gente vai adequando e usando no dia a dia, com o funcionário, no bom senso, brincando. “Pô, meu, você não está usando o sapatão. O que aconteceu? Os óculos [que] você está usando aí, você coloca na cabeça? É para usar aqui.” Então, na brincadeira, você acaba passando para o funcionário aquilo que ele deve usar, mas numa maneira descontraída.

P – Eu queria só voltar: porque ele falou de atendimento 24 horas?

R – Do carro parado.

P – É, como é que é esse sistema? _______________

R – O sistema? Tá. Nós temos o sistema de exportação, que é uma área, aí é saída do depósito já indo para os concessionários e para o cliente. O mensal, a gente tem pedidos regionais, tipo assim: o Sul vai pedir na segunda-feira, só vai poder pedir na outra segunda-feira; o Nordeste vai pedir na terça-feira; Mato Grosso, lá, Centro-oeste, vai pedir na quarta-feira. E se, de repente, ele fez o pedido na segunda-feira e encostou um cliente lá com unidade parada lá na concessionária, lá no Mato Grosso, por exemplo, e ele pediu na segunda-feira e o cara encostou na terça-feira? Ele só vai poder pedir na outra segunda-feira, no mensal. Então foi criada essa área de carro parado para que aquele cliente que, de repente, pode vir a ser um taxista – que não pode perder tempo até na outra segunda-feira para pedir a peça –, ele pede no carro parado. E o carro parado é a unidade parada na concessionária, na oficina. Então nós temos até 24 horas para atender esse processo desde o recebimento. O atendimento 24 horas é o recebimento, ela passa pela inspeção se precisar, se for peça de segurança. Ela passa pelo banho de óleo, que é um tratamento anticorrosivo para peça não enferrujar. E depois ela vai para a embalagem, recebe a etiqueta, a identificação. Ela vem para o estoque. Aí é um processo de entrada. Deu entrada no estoque, olha, a peça está na locação tal prontinha para a venda como o cliente deseja. Aí começa o sortimento. Então o cara que pede no mensal, ele pediu para pedir só na segunda-feira. Ah, não, mas essa peça aqui é urgente, é carro parado. Tem um cliente lá no Mato Grosso precisando dessa peça urgente. Aí ele faz o pedido no carro parado, ele tem até 24 horas para ser atendido. Processo nosso, interno. 

P – Como é que você manda para lá?

R – Para onde? Para área?

P – Para o Mato Grosso, por exemplo.

R – Ah, para o Mato Grosso? Às vezes vai por aéreo. 

P – Por aéreo?

R – Aéreo se for muito urgente.

P – Você também que cuida disso? Desse envio?

R – Não. tem...

P – A sua área.

R – É, a minha área é parte de orientação do pessoal. Mas dentro da própria área, tem a área de carro parado, tem os dois encarregados lá e tem os funcionários que vão fazendo esses pedidos. Não só aquela peça como outras peças daquele DN. Porque hoje eu acho que eles têm até 10 itens para pedir por dia de urgência. Então é um serviço especial. É um Sedex, como se fosse um Sedex. Já tem toda uma infraestrutura montada. Acabou de embalar, a Piquetur - que é a empresa que faz isso - já coloca no caminhão, o caminhão já leva para a empresa aérea, no caso, contratada. Ela já está prontinha esperando, já está levando. No máximo amanhã já está recebendo essa peça. Ou ainda hoje, se for aqui em São Paulo. Até 24 horas. Às vezes pode ser atendido em menos de 12 horas. 

P – Só a Volkswagen tem esse sistema?

R – A Volkswagen não. Acho que a Volkswagen está com um atendimento de 9; de 0 a 10, o atendimento [é] em 9. Eu não sei qual é a segunda colocada, mas ela se destaca em primeiro lugar como atendimento 24 horas. Até é bom para a gente, né?

P – Uhum.

R – Para a Volkswagen. Hoje, com a concorrência, realmente, ela está destacando na parte de atendimento. E a área nossa lá. 

P – Fernando, quando você chegou não tinha ainda a nova Anchieta, né?

R – Uhum.

P – Que a gente chama de nova Anchieta.

R – A partir de agora.

P – Como você vê essa...

R – Essa mudança [para a] nova Anchieta? É, aí a gente tem que classificar a velha Anchieta e a nova Anchieta. Eu vejo a velha Anchieta como menos tecnologia, [e] a nova Anchieta como robotização. Pelo lado bom, é que tinha mais funcionário, né? Para o lado do funcionário, a gente tinha mais empregos aqui. Porque para o lado, assim, não sei se dizer negativo, mas pelo lado da empresa, tecnologia tem menos funcionário hoje. Mas, em termos de evolução, se a empresa também não fizer essa implantação de novos robôs, que é a alta tecnologia hoje, ela acaba não sobrevivendo. Porque a concorrência dela aí fora hoje, tudo está com nova tecnologia. Aperfeiçoamento contínuo dos funcionários. Eu mesmo tive uma evolução. Eu entrei como embalador, hoje eu aprendi muita coisa, né? Na minha área, eu tive essa possibilidade de aprender. Não parei ainda aí. Estou até participando quando tem promoções no quadro de aviso, eu vou lá faço inscrição porque a gente nunca deve parar. Mas eu vejo que hoje a Volkswagen está mudando muito rápido. Às vezes, o que ela levava 10 anos para mudar, que a gente falava: “Ah, vai mudar nada, isso vai levar 10 anos”. De repente, a gente fala [e] a Volkswagen a partir de amanhã está implantando um sistema de RH 2000. Você pode, ao invés de ficar fazendo aquele fichário que levava 3 dias para receber ______. Quando eu comprei meu apartamento, eu precisava de um documento da Volks, do meu histórico. Horário de trabalho, o que eu ganhava para fazer o contrato lá na Caixa Econômica. Graças a Deus já estou quase acabando de pagar o meu apartamento. Uma coisa que eu não tinha também, morava com a minha tia. Então demorava, às vezes, 3 dias para sair, porque ia para lá, o pessoal pegava o papel e tal. Hoje não, você liga no 2000, tudo automatizado. Liga no 2000, quando é a tarde já está o papel lá para você. Você liga de manhã, eu preciso do documento para tarde, já está prontinho. Então não só na produção com robô, mas na parte de RH de sistema, mudou bastante. Atendimento, ala 21, não sei se você conhece? Ela fica lá em cima, longe daqui. Aqui tem um ponto de emergência - em menos de 3 minutos - se um funcionário estiver passando mal, a ambulância já está lá para socorrer ele. Tudo através de sistema, de local, ponto de emergência, sinalização. Eu até estou dando treinamento agora lá, porque a gente tinha os pontos de emergência, mas o pessoal demorava muito para a ambulância achar a pessoa porque a pessoa não era informada que ela tinha que falar [com] o ponto de emergência. Aí eu até na palestra com os bombeiros, fiz um quadrinho, coloquei lá onde é os pontos de emergência e coloquei para eles: “Quando vocês chamarem o corpo de bombeiros, chamem pelo ponto de emergência, porque aí, na hora, eles vão estar lá”, essas orientações. Eu vejo que hoje a Volkswagen está muito preocupada também com o lado social do funcionário, está incentivando. Hoje a gente tem o curso online, até para horista - que há uns tempos atrás era só para executivo, era para mensalistas; que o horista sempre fala que o mensalista executivo é o privilegiado da fábrica. E temos também, para nossa área, até dezembro - para os horistas que trabalham também com micro ou que se destacam. Até eu já reforcei para os encarregados lá para ver na área dele qual aquele horista que está querendo melhorar, porque é um curso de, são oito cursos. É um pacote da tecnologia da informação. Então, computador dentro da fábrica, ele não vai pagar nada. Se ele tem dificuldade, vai estar tirando a dúvida dele. O próprio encarregado, que às vezes tem dificuldade ainda em mexer com o computador, tem um curso aí. Então eu vejo que na parte de tecnologia, ou da nova Volkswagen, ela mudou muito na parte de incentivo ao funcionário, na capacitação profissional. Porque hoje a concorrência obriga isso também. Não basta você só conhecer a área que você trabalha, operacional, tem que conhecer também um código de barras, sistema moderno - para nós aqui na Anchieta. Você tem que conhecer, mexer no micro para fazer uma planilha. Você precisa calcular hora, quanto tempo você vai gastar; precisa do micro. Então ela também comprou muitos equipamentos. A gente vê na parte aí de máquinas novas onde o funcionário às vezes, na produção, pegava peça pesada, com dor na coluna; hoje é o robô que faz. 

P – Uhum.

R – Então, na parte ergonômica. Acho que até por isso que o sindicato (risos) parou um pouco de pegar no pé da Volkswagen. Porque onde ela tinha dificuldade com paralisação; porque o funcionário reclamava que tinha dor nas costas, um acidente, alguma coisa assim. Hoje, com a tecnologia que ela colocou aí, gastando, acho que só em quatro robôs, gastou 10 milhões de reais. Se não me engano, os robôs que fazem a parte de solda ali, em 80 segundos. O que gastava, às vezes, um monte de funcionários, uma hora, uma hora e pouco; ela faz em 80 segundos. Então eu acho que a tecnologia ela vem, tem o aspecto negativo da diminuição do emprego. A gente sabe. De 43 mil funcionários que teve aqui, hoje está com 15 ou 16 mil. Mas tem que ter, porque senão ela acaba fechando, por causa do concorrente que está mais preparado, né?

P – Falando um pouquinho que você falou dos horistas, dos mensalistas e dos executivos. Nesse tempo de, que você conhece a Volkswagen quais os principais ganhos que você acha que os horistas tiveram?

R – Os principais ganhos? Você fala no geral?

P – No geral.

R – Olha, os horistas, eu acho que eles tiveram mais, depois que houve aquela comunicação, porque tinha muita coisa que acontecia, as informações ficavam só centralizada dos mensalistas para cima. A gente que mantinha a fábrica, na base, não sabia que, [de] nada que estava acontecendo. Hoje, a maneira de comunicação dos oito passos, eu acho que é importante. Porque amanhã a Volkswagen não vai trabalhar, então a gente só ficava sabendo através de boatos. A Volkswagen não tinha uma linha voz, que é através do oito passos. Então hoje a gente sabe: amanhã a Volkswagen não vai trabalhar através do oito passos. A intranet, a história da Volkswagen está toda na intranet. Qualquer funcionário, na hora do almoço, se ele não tiver acesso na hora do trabalho, você entra lá e fala: “Eu gostaria de saber um pouco da história da Volkswagen”. Você entra ali, está toda a informação da fábrica lá. A parte de transporte da Volkswagen também é uma das melhores. A parte de alimentação. Eu acho que é um conjunto do, da Volkswagen. A preocupação com treinamentos. Eu acho que cada vez mais, não basta só dar tecnologia, tem que treinar o pessoal também. Não é porque é minha área não, mas você tem que treinar o pessoal. Falar para ele: ‘Olha, esse é o certo; esse é o errado”. Porque se você ver que ele está fazendo errado, mas não mostrar o certo, não adiantou nada. Então, a partir da ISO para cá, nós tivemos aquela sala de treinamento que a gente não tinha, onde se tem problema na área ou se tem motivação para o funcionário. Se tem alguma ideia que a gente pode trocar, a gente tem aquela sala, aquele espaço, que a gente pega o funcionário da área operacional, trás ele ali e fala: “O que é que a gente poderia melhorar na sua área?”. Então houve essa troca de ideias. O Projeto Conversando que foi feito; acho que uma exigência do Demion, da diretoria, até funcionário nosso foi conversar com os diretores da fábrica para colocar a ideia dele. Fazer a crítica dele. Porque, realmente, as pessoas, às vezes, têm mais críticas do que elogios. Mas são críticas que às vezes vêm para melhorar.

P – Construtivas.

R – Críticas construtivas. E eu vejo que a parte de comunicação da Volkswagen melhorou bastante. Então, eu até cito a ferramenta dos oito passos, porque eu gostei, a gente está sempre bem informado - que às vezes a gente tinha informação pela comissão de fábrica e não tinha pela fábrica. As relações trabalhistas. A negociação, hoje, com o funcionário, eu acho que nessa parte ela evoluiu bastante, na parte de informação. Fornecedores nossos, que a gente chama de fornecedor controlado. Então toda peça que eles mandam para a gente, hoje, na Volks, já passa por um processo de controle. Tanto aqui na produção como lá no PA. A mesma peça que a gente recebe aqui, também pode ser da produção do PA. Só muda uma coisa de numeração que a gente tem. A nossa técnica lá _______ numeração própria do PA, mas [é] a mesma peça, da mesma qualidade. Esse controle, além do fornecedor mandar a peça para a gente, controlada no recebimento, o próprio conferente que conhece a peça – tem conferente com 22 anos lá, 20 e poucos anos, conhece só no bater o olho –, ele viu que a peça, de repente, a tonalidade... (falha na gravação) ...o pessoal da auditoria fazer análise. Aí, mesmo que, de repente, aquela peça tenha o controle do fornecedor e o nosso inspetor analisou que não estava na qualidade que a gente esperava ou é o que a Volkswagen exige, ele é devolvido para o fornecedor. E se ele continuar mandando aquela peça (falha na gravação) ...cortado da lista da ________. E nós também recebemos as peças das plantas de Taubaté (falha na gravação) recebemos peças de Curitiba (falha na gravação) os motores que vêm de São Carlos. Então existem processos de qualidade para todos os tipos de peças. ___________ pequeno porte e grande porte.

P – E a distribuição é para o Brasil todo?

R – Brasil todo, e exportação. 

P – Você consegue me dizer qual o ano que vocês começaram a exportar mais peças? A partir de quando?

R – Eu acho que a partir da certificação, né, que é a exigência. A Volkswagen, quando você pega uma certificação, tem benefícios e diminuição de impostos a partir da exportação. Quanto mais você exporta, o governo te dá incentivo para você diminuir algum, tipo, IPI (imposto sobre os produtos industrializados) que veio agora na época que a gente está passando dificuldade, por causa da eleição, né? Então com a exportação, a empresa tem benefícios perante o governo, de redução de IPI, de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), alguma coisa assim. Então, a partir da ISO, porque até; um exemplo, para você vender caminhão é muito caro. Para você conseguir um financiamento de caminhão, você tem que ter no mínimo a certificação da ISO 9001/2000 - que a gente tem. E, agora, para a exportação para a Europa, VDA 6.1 - que é a norma europeia da [indústria] automobilística. (Votada?) totalmente, não é igual a ISO - que ela é genérica. Para qualquer tipo de empresa. Uma padaria, uma farmácia pode ter ISO. Uma petroquímica. Na parte de VDA não. A VDA, nós tínhamos a VDA 6.6, VDA 6.3, que era para produção em São Carlos e acho que eu, Córdoba que é certificado na produção. E, agora, a gente, conquistamos agora, final de outubro, a VDA 6.1, que é sistema genérico, que é o que a Alemanha já tem. Atendendo a exigência da norma alemã. A matriz da Alemanha, a diretoria a Alemanha exigiu que a gente fosse certificado esse ano pela VDA. Específico para automobilística alemã; no caso, para automobilística no Brasil. Principalmente, a Volkswagen. 

P – Eu queria voltar mais uma vez na questão da automação. Você estava falando de redução de pessoal. Na sua área, aconteceu?

R – Não.

P – Algum processo _________

R – Na minha área, na área que eu trabalho, os operadores de terminais - que ele digitava o pedido -, foi recuperado numa outra área. Então não houve corte nenhum, nós só mudamos o pessoal. Hoje você não precisa mais digitar o pedido, já é automático. Então o que é que eu vou fazer? Ele só fazia isso. Aí ele foi para outra área, trabalhar com uma outra área, no mesmo nível de grau salarial dele. Então não houve...

P – Então não houve redução de postos de trabalho?

R – Não. E, futuramente, quando implantar; porque não está implantado integral no depósito ainda. Está implantado uma parte [do] depósito e o ano que vem vai estar implantado no restante. Esse pessoal, eu acho que o próprio sistema exige que você faça um inventário diário. Então esses funcionários que hoje digitam com grau salarial acima dos outros, eles devem formar uma equipe de inventário diário. Então, não houve corte nenhum e nem vai haver. Houve sim ganho no tempo, porque os erros que, de repente, acontecem com o sistema; se você for pegar peça na locação A e por engano: “Ah, o Corinthians perdeu”, bate papo ali, distraiu, pegou na B. Aí colocou lá, ticou a A, mas levou da B. O sistema agora de código de barra não, tem que fazer a leitura. Se você fez a leitura, distraiu, fez na locação errada, ele vai acusar: opa, alguma coisa está errada. Vai te chamar a atenção para isso e você vai estar pegando a peça certa. Você vai estar evitando o cliente [de] receber a peça errada. E vai estar ganhando tempo porque você fechou o pedido, tem que mandar para o cara digitar item por item. Às vezes está prontinho, mas tem que esperar digitar para poder rodar o faturamento. No código de barras não, ele já colocou na caixa, fez a leitura. Já está tudo batendo naquela caixa. Quando ele fechou aquela caixa, a nota já está podendo ser emitida ali na balança. Então é um ganho, hoje, de um dia, na entrega. Então é o ganho para o cliente. Na parte de erro, o cliente vai estar recebendo a peça certa, e no ganho do tempo também, que está tudo já sendo através do online, né? Em vez de digitar tudo no micro, já está sendo colocado na hora. 

P – Fernando, você diz que as regiões pedem por dia.

R – É.

P – Qual é a região que mais pede peça?

R – Aí você me pegou, hein? Eu acho que são os grandes centros. Seria, eu acho que, Belo Horizonte, Minas. A região aqui, né? Sudeste, no caso, que é São Paulo - com não sei quantos milhões de carro no mercado. Acho que seis milhões, né? Nós temos entre carro e ônibus. O Rio de Janeiro também, Curitiba. Eu acho que são essas regiões. Eu acho que a região aqui do Sudeste é a mais, é a que mais pede. Eu acho, tá? Não vou afirmar. Creio eu que seja...

P – Eu estava pensando que, de repente, nas regiões mais afastadas, talvez os carros quebrassem mais.

R – Eu não sei. Acho que é devido; até pode quebrar, mas é devido a grande concentração de veículos. Hoje, aqui, a gente tem uma frota, acho, que de seis milhões, aqui em São Paulo, de veículos.

P – Você não tem certeza.

R – Fica em torno no rodízio de um milhão nas garagens, mais ou menos. Quando tem o rodízio, fica, eu acho que, um milhão nas garagens em São Paulo. Deve ter uma frota de seis milhões, contando motocicleta. Eu sei que motocicleta; eu acho que lá no Mato Grosso tem uma cidade que tem bastante motocicleta. Eu acho, tá? Não afirmo.

P – Fernando, na sua opinião, qual o carro que é símbolo da Volkswagen no Brasil?

R – O Gol. Eu acho que, eu acho não, eu tenho certeza que é o Gol. Porque já está no mercado desde 1980, se não me engano. Hoje nós estamos em 2002. 22 anos de mercado. Teve algumas modificações, mas não perdeu aquela característica do carro forte, o carro bom. O carro que o pessoal na hora que precisa ______ na terra. Ele substituiu até o Fusquinha, né? Porque o Fusquinha era o carro do sítio. E ainda é hoje. Até hoje. Mas o Gol, ele veio com um patamar de carro forte. Você pode usar tanto na cidade (risos) com esse trânsito caótico aí, mas também na estrada, que ele anda bem. Numa serra de Santos, em uma época de congestionamento, né? Que esquenta. Você vê carros de outra marca, mais novos, sofisticados - eu não vou falar a marca -, mas parado lá com o carro quente. E o Golzinho, o Fusquinha, até Brasília, está subindo a serra. Eu outro dia, eu faço comparação assim: vejo às vezes a Brasília, que é aquele carrinho velho, cheio, que a família leva até o cachorro e o papagaio para a praia, subindo lá; e aqueles carrão grande – porque eu acho que as madames esquecem de colocar água no carro –, o tampão aberto parado na serra. E o Gol, eu acho, um carro [com] potencial. Mas o carro dos meus sonhos é o Golf.

P – É o Golf?

R – É. É o Polo ou o Golf. Mas, o carro que eu sempre gostei da Volkswagen é o Golf. Seria um carro que se eu tivesse condições hoje, eu teria o Golf. 

P – Na Volkswagen, qual você acha que em 50 anos, qual o momento mais marcante da Volkswagen no Brasil?

R – Mais marcante da Volkswagen no Brasil? Eu acho que quando ela chegou no Brasil e ela abriu o mercado. Começou com 12 funcionários em um depósito alugado. Quer dizer, investiu realmente no potencial do Brasil, quando ele não tinha tecnologia nenhuma. E onde o pessoal precisava mesmo de um carro para transportar. Não precisava ter, é; hoje, o pessoal: “Ah, eu quero com ar condicionado, com direção hidráulica. Eu quero com sistema elétrico”. E não, ela trouxe a necessidade de transporte mesmo. Que era o Fusquinha que aguentava e aguenta até hoje. Está aí no mercado até hoje. Desde 1953. Acho que, se não me engano, [de] 53 a 57, eles fabricaram quase 3000 unidades. 2800 e uns quebradinhos. Com 12 funcionários na época. Acho que ainda era igual aquele filme do Tempos Modernos, lá. Ainda era na: “Aperta na chave de fenda ali. Não tem robô”. (risos) Hoje, que ele mesmo pega lá, coloca o vidro. Então eu acho que ela marcou a abertura da indústria automobilística no Brasil. Ela trouxe esse potencial, investiu. Acreditou no Brasil - através de muitos governos que a gente teve aí. Que hoje está dando mais atenção a produto importado do que a nossa indústria, que realmente abriu caminho aqui no Brasil. Eu gosto, realmente. Quando eu falo da Volkswagen, eu gosto. 

P – Voltando um pouquinho o que você tinha falado antes: por que você gostaria de ter ou um Golf ou um Polo?

R – Porque é status, né? Eu acho que é um carro que demonstra um status, poder. Normalmente você vê um carro desses, um Golf – um Polo até que é intermediário. Hoje também não é qualquer um que tem um Polo. 

P – Não.

R – No mínimo o cara tem que ganhar aí acho que uns cinco mil reais, ou uns três mil reais para lá. Então é o status que ele vende. O carro, ele vende um certo poder. Você vê uma pessoa em um Golf, você fala: “Aquele cara deve ser comerciante ou empresário, ou algum executivo”. Então está amarrado o status naquele carro. E ele vende uma imagem de carro bom, de carro firme. Igual o Gol vende. Só que o Gol é para uma camada mais pobre, né? Entre aspas. E o Golf é para uma camada já que tem um certo status. "Eu tenho o carro, pago quase cinco mil reais de seguro porque eu posso. Eu tenho poder para isso."

P – Ah, entendi.

R – E é esse poder que mostra o Golf, esse status. Porque todo mundo sonha. Eu tenho a minha casa hoje, mas sempre a gente quer ter uma casa com uma sala maior. Aí eu quero ter mais um quarto para TV. Agora surgiu o computador, eu quero um quarto para o computador. Então é o Golf, seria o meu limite na Volkswagen. Eu não estou nem pensando em um Passat, um Audi, que são muito mais caros. Mas o meu sonho seria um Golf. Se eu tivesse um Golf hoje, eu estava feliz da vida. 

P – Você consegue imaginar o Brasil sem a Volkswagen?

R – Eu não. Eu acho que a Volkswagen é a história do Brasil. Como eu falei para você, é uma empresa que está lutando aí com a concorrência, mas ela mostra a história do Brasil. Tanto que as, falando um pouco de movimentos que tiveram aqui, políticos, refletiram por todo o Brasil. A briga, quando o Governo brigava pelo Plano Verão, pelo Plano Collor. Que hoje o próprio Governo reconheceu que o povo tem direito, que nós temos direito, né? Independente se você está em um cargo de chefia ou de funcionário. Então a Volkswagen, pelo nome dela, pelo poder de trazer toda a imprensa aqui na porta, ela também foi espelho para várias outras empresas aí. Tudo que a Volkswagen consegue, o emprego que ela mantém lá fora. Não é só. Ah, 43 mil funcionários na Volks? Mas cada funcionário aqui representa (cindo?) lá fora. Então ela movimenta um emprego muito grande de transportadoras, de concessionários, de vendedores de veículos, de seguradoras. De transporte aéreo, né? Que a gente vê a crise hoje no transporte aéreo de cargas. Então, a Volkswagen, ela é um potencial de emprego, principalmente com o Brasil. Quando ela vai negociar acho que com o Governo, preços, alguma coisa, não está falando só dos funcionários da Volkswagen, está falando de uma parte bem grande de pessoas que estão envolvidas com os funcionários da Volkswagen. Por isso que eu tenho orgulho de falar que eu trabalho na Volkswagen. (risos) 

P – E você acha que o grupo Volkswagen, ele seria diferente se não tivesse vindo para o Brasil? 

R – O grupo Volkswagen? Você fala lá fora?

P – Uhum.

R – Se ele seria diferente? Eu não entendi bem a colocação.

P – Se ele não tivesse chegado no Brasil. Você acha que a Volkswagen seria de outra forma se ela não tivesse vindo para o Brasil?

R – Eu acho que, eu acho não, eu penso que essa vinda para o Brasil foi uma vinda inteligente, porque é a segunda empresa maior do mundo. Ela tem acho que hoje uma participação de 9,5% por cento, do grupo. Então é uma participação muito grande. Através da gente estar em um país de terceiro mundo, como falam, né? Eu concordo. Já não concordo com terceiro mundo, porque a gente tem produtos aqui às vezes com qualidade superior a lá fora. A gente recebe produtos importados aqui – não vou falar da China, né, que é barato, mas não tem qualidade nenhuma. E a gente tem esse produto de qualidade devido ao pessoal daqui. Com escolaridade ou não, com treinamento ou não, existe uma seriedade no que a pessoa faz. Porque o brasileiro, apesar dele falar que é o país do futebol, o país do Carnaval, ele leva uma seriedade no que ele faz. Eu, pelo menos, faço porque eu gosto. E procuro fazer bem feito. Ou eu faço bem feito ou não faço. Já discuto logo: “É para fazer? Me dá. Se for para fazer mal feito então não me dá, porque eu não quero”. Falo mesmo, não tenho essa. Eu acho que a Volkswagen, o grupo Volkswagen teve a ganhar com a Volkswagen aqui no Brasil sim. Ainda mais agora que os mercados lá fora estão tudo cheios de carro. Você vê os americanos? Acho que tem, a cada 10 anos tem que ficar jogando o carro fora para poder entrar o carro novo. Japão também. E o Brasil não. Eu acho que o Brasil, na última estatística que eu vi, se não me engano, para cada pessoa que tem carro, existem oito pessoas ainda que não têm carro. Então existe muito mercado ainda para a Volkswagen no Brasil. Desde que ela facilita com o pagamento. Hoje, você, pobre consegue ganhar 200 reais e comprar uma geladeira, porque ele paga 34 reais por mês. Então dentro daquele pouquinho que ele ganha, consegue pagar. Se, de repente, a camada que ganha aí até 1000 reais, tiver condições de pagar, um exemplo, [em] um carro Volkswagen, 250 reais; quantas pessoas não podem comprar um carro Volkswagen? Então mercado tem. O que precisa facilitar é a maneira de pagamento. E a vinda dela para o Brasil, eu acho que foi certeira, porque é um mercado que está crescendo muito e tem muita vantagem ainda pela frente.

P – E Fernando, na sua opinião, como você vê esse resgate desses 50 anos da Volkswagen?

R – Um resgate da Volkswagen de 50 anos, eu acho que...

P – É, isso que ela está agora...

R – Buscando.

P - ...buscando.

R – Eu acho que uma empresa que tem 50 anos, ela tem história para contar. Eu falei um pouquinho só daqui dos 16 anos para cá - mas, se você pegar funcionários mais antigos, aí ela tem muito mais história para contar. Eu acho que as empresas hoje, não é porque eu trabalho numa área de propaganda e publicidade também. Eu trabalho não, estou estudando. Mas eu acho que ela tem que buscar o seu histórico sim. Mostrar para a população, até em comerciais de TV. Eu acho que fica muito produto, muito produto e esquece um pouco da marca. Eu acho que eles deveriam trabalhar um pouco mais a marca Volkswagen. Resgatar. Só os produtos bons duram tanto tempo no mercado. Assim como a Brastemp faz: “O que é bom, dura bastante”. Então eu acho que ela precisava resgatar essa história, mostrar que ela está aqui há 50 anos. Que ela entrou aqui na época que não tinha tanta exigência como tem hoje. O direito do consumidor, ISO 9001. Tem que ter VDA para poder exportar lá para a Europa, porque senão o cliente não fecha contrato. Mas eu acho que a Volkswagen tinha que trabalhar mais resgatando essa história, para mostrar para o consumidor que o que é bom dura tanto tempo assim e vai durar muito mais se depender dos funcionários. Que, realmente, eu acredito que o funcionário da Volkswagen – não tenho nada contra terceiro, terceirização, mas quando você tem um funcionário que cuida da tua área, que você tem ele dentro da tua casa, ele dá mais um pouco de atenção. Então, que às vezes uma pessoa que está de fora ali não está contente com a empresa que ele trabalha e acaba jogando isso em cima do produto da Volks. E o funcionário dentro da Volks, ele fala: “Se a empresa não for bem, eu também vou perder meu emprego”. Então ele faz de tudo para melhorar isso. Busca novas soluções, dá ideias. Eu mesmo tinha uma ideia que eu acho, eu penso que o Saveiro – através de conversa com colegas meus; são filhinhos de papai que vai surfar na praia –, um exemplo, o próprio Saveiro poderia ter cabine dupla. Onde tivesse um espaço um pouquinho maior atrás, que além de cinco pessoas; porque, normalmente, o cara que é surfista tem os amigos dele que vai para a praia, né? Em um carro só. Poderia ser um pouquinho maior, cabine dupla, com espaço para colocar prancha, ou se o cara quer levar alguma moto, levar a moto. Então eu acho que a Volkswagen, dentro do próprio segmento de carros, ela tem muita coisa para fazer ainda. A Saveiro mudou agora, né, esporte. Mas são ideias que eu vou colocar no __________, na SOS ideias. (risos) 

P – Ah, tá. (risos) 

R – Então, dentro do próprio carro Volkswagen tem muita coisa para melhorar do próprio modelo que ela já tem. E ela pode colocar isso mais para a frente. Resgatando a memória da Volkswagen é uma oportunidade para ela mesmo mostrar aquilo que a população não vê. É importante. O comercial da Malu Mader. Eu conheço a Malu Mader, também, pessoalmente. Lá do dia que eu fui para Porto Seguro, eu encontrei ela no hotel - no hotel? Aqui no aeroporto.

P – No aeroporto. 

R – Aí eu tenho foto com ela também. E eu vejo que ela também é uma pessoa forte para falar, né, da Volkswagen. A motivação, a modernização, a marca. E é importante trabalhar sim com a imagem da Volkswagen.

P – E Fernando, me fala uma coisa: como você se sente de ter vindo dar o depoimento?

R – Eu fico muito contente. Acho que qualquer funcionário gostaria de ser homenageado. Porque, no dia a dia, a gente leva às vezes uma chamada do chefe. Que a gente vai aprendendo também com isso. Mas eu fiquei muito contente. Quando eles me chamaram lá na chefia e até os encarregados me indicaram também. Perguntaram. Fizeram uma pesquisa lá na área. “Ah, o Fernando. O Fernando fala bastante e tal. Põe ele lá.” E eu fiquei contente. Eu até fui agora em uma festa de aniversário domingo passado, eu fui com a minha família em Sorocaba, aí eu contei para o meu pai. Ele falou: “Você merece, Fernando”. Porque meu pai, ele é o meu fã número um. Fala para todo mundo que eu trabalho na Volkswagen. “Fernandinho trabalha na Volkswagen e tal. É chefe lá na Volkswagen - ele fala”. Então meu pai tem muito orgulho. Porque quando eu vim para São Paulo, eu vim só com a roupa do corpo, né? Nem roupa direito eu tinha. E aí eu entrei aqui, eu comecei a ganhar um pouquinho mais. Comecei a estudar. Tinha medo de falar porque eu falava errado. O próprio colega que trabalhava comigo, que está na mesma função até hoje. Graças a Deus eu progredi, mas ele, a Volkswagen não deu oportunidade - mas às vezes depende da pessoa também, correr atrás. Ele está na mesma. Ele não tinha, a função que ele está - eu era abaixo dele, passei a operador de terminal. Passei no nível dele. Eu subi o nível dele e hoje ele continua na mesma função. E ele me criticava muito que eu falava errado, não tinha um português correto. Trocava o erre pelo esse. Blama, Bhrama, sabe? E fui muito criticado, mas essa crítica, para mim, valeu porque eu fui melhorando, fui estudando. Hoje, graças a Deus, eu vejo que aprendi muito. E isso me ajudou bastante. Eu vejo que esse convite para vir para cá, para estar na frente de uma câmera, eu estou até, agora, ficando mais à vontade. No início eu estava meio nervoso, porque dá um friozinho na barriga, mas é importante para a gente. Eu acho que é uma maneira da empresa enxergar o funcionário. Aquele simples funcionário que estava lá embaixo e, de repente, o presidente nem sabe que a gente existe. Mas a gente sabe quem é o presidente da empresa. Eu leio a reportagem deles, desse novo presidente que veio. O Demion também. Você precisa saber quem é o presidente para você estar trabalhando lá na base. Então o que é que ele gosta, o que é que ele pensa? O que é que ele... Eu gostaria até um dia de conhecer o presidente pessoalmente. Não é porque eu estou falando na câmera aqui, mas o funcionário, ele gostaria de ter esse minuto de atenção. E na área o pessoal comenta: “Olha, o Fernando foi lá conversar com o presidente. Ou foi conversar com Fulano”. Não precisa nem ser o presidente. Porque às vezes ele tem tão pouco tempo. Mas para o funcionário é importante você saber que você está, alguém está olhando para você. Ou os colegas te indicaram porque acham que você merece, entendeu? Não porque eu: "Ah, eu fui lá porque eu sou amigo do chefe ou trabalho com o chefe", não, pelos próprios colegas. Eu fiquei sabendo que os próprios encarregados na área falaram: “Ah, manda o Fernando”. A secretária: “Põe o Fernando”. Ela também foi convidada. Ou eu ou ela para vim, né? Mas ela, porque ela trabalhou junto comigo também, na embalagem. Nós embalamos peça juntos. Hoje ela está lá trabalhando como secretária. Não é bem secretária, é escriturária de fábrica. E a gente vê que a gente está sendo reconhecido. É bacana isso e motiva mais ainda. Porque, agora, na palestra, eu vou estar divulgando que eu estive aqui, que eu falei um pouco de mim. Teve coisa que eles nem sabem que eu morei; a minha infância foi difícil, foi pobre. O meu primeiro sapato, eu tive com 7 anos de idade, que foi o casamento da minha irmã - eu fui jantar com ela lá em Santo André ontem. Minha irmã fica me paparicando. E aí, o primeiro sapato que eu tive - a gente andava com o pé no chão. Então é legal. Você vê que, a gente vê a história do Silvio Santos, vê uma história de um Antonio Ermírio [Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim]. São grandes pessoas que se destacaram, [e] hoje estão lá em cima. Mas a gente consegue é trabalhando mesmo é, no dia a dia, dando ideias, participando, não querendo tirar o lugar de ninguém. Eu nunca tive ambição de querer prejudicar ninguém para subir. Graças a Deus. Se eu for lá, cumprimento um - eu tenho essa mania de pessoal do interior. “Bom dia, e aí tudo bom? E aí, como é que está?” Eu bato o olho, eu vejo funcionário meio triste: “Que é que foi? Você está com problema?”, “Ah, eu estou com a minha esposa, ela está lá internada e tal”. Então eu tenho esse "feeling" de perceber quando o funcionário está com problema ou não. Ou está com problema: “Ah, acabei de discutir com o encarregado porque eu falei para ele que a máquina não está boa e ele não me deu atenção.” Está acabando o tempo, né? 

P – Não, imagina.

R – (risos) Então é isso que motiva a gente. Que às vezes você não imagina o que pensa os próprios funcionários que trabalharam comigo, que trabalham lá na área, eles acham que como eu estou trabalhando no escritório, eu estou em uma área que eles não podem me visitar. Eu falo para eles: “Não, vamos lá tomar café comigo”. Chego de manhã, eu faço café, né? A secretária faz o da tarde e eu faço de manhã. Todo mundo fala quando eu coloco muito açúcar, falam que eu estou apaixonado. (risos) Eu erro na colher do açúcar. Então eu faço café, tenho essa habilidade em casa, eu me viro, sabe? Eu mesmo faço comida para mim quando eu quero. Às vezes eu estou com preguiça, eu disco pizza, né? Porque hoje é tudo, já tem lá, né? “Ô, seu Fernando, o que é que o senhor vai? É o mesmo de sempre?” É tudo automatizado. Então eu gosto de conversar muito. Às vezes falam que eu até falo demais, mas eu procuro falar o que eu gosto, o que eu acho. O que eu falei aqui, eu não inventei nada. Realmente é o que eu penso da Volkswagen. Não é porque está aqui no meio desse monte de lâmpadas aqui que eu vou inventar alguma coisa. Mas é, eu acho interessante, acho esse trabalho que eles estavam fazendo há pouco tempo de projeto, acho que era o Projeto Conversando que o funcionário, ia até a presidência. Ou até os diretores da fábrica, o financeiro. Falava o que ele achava, eles anotavam lá. É um projeto que eu acho que deve ter parado, mas eu acho muito importante. A gente ia com o Dallet. Os funcionários iam lá e ,às vezes, falavam: “Ah, eu não gostava lá do serviço porque o encarregado não me dá atenção”. Aí já anotava. “O que é a atenção?”, “Ah, eu pedi para ele trocar não sei o que lá, não trocou”. O Dallet já anotava, já: “Por que é que não trocou isso aqui?”, entendeu? Então é uma maneira que hoje, cada vez mais, o relacionamento do funcionário é importante. Não vou falar que um dia eu vou conversar com o presidente. Até gostaria de conversar. Apesar que ele fala inglês e eu não falo nada em inglês. Mas é legal. Eu acho que já é; de repente, ele pode não me conhecer, mas através desse vídeo ou de alguma coisa, ele pode estar conhecendo a gente. Um pouquinho do que pensa o funcionário. O que ele pensa da imagem da fábrica, o que ele pensa do presidente. Toda vez que muda um presidente, a gente fala: “O que é que ele quer? O que é que ele vai mudar?”. A gente pensa em mudança. “Será que ele vai continuar a terceirização, que é o que a gente não quer?” (risos) A minha área mesmo, eu sempre falo em terceirização e eu, na minha opinião, penso que terceirização para nós lá que trabalha com qualidade, com atendimento, não é viável. É mais barato para a empresa, mas você não está atendendo a qualidade que hoje o cliente precisa. E para atender a qualidade que o cliente precisa, precisa ter alguém que conhece do produto e estar dentro da família do produto. Porque a gente se sente família da Volkswagen, né? Então se você quer fazer a coisa bem feita, você tem que fazer com o que gosta. E não contratar alguém que não está satisfeito com a outra empresa e: “Ah, que se dane. A empresa não me paga mesmo, vou mandar de qualquer jeito. Não é eu que vou ter problema, é a Volkswagen.” De repente, até a Volkswagen corta ela logo, entendeu? Então eu penso assim. Acho que a terceirização veio, mas ela não trouxe um aspecto, nas mudanças, você me perguntou, né? Da Autolatina, eu acho que essa parte de terceirização na empresa não é muito favorável. Para o funcionário, ele vê como parte negativa e não como parte positiva.

P – Fernando, nós chegamos ao fim. (risos) 

R – Tá. "The end".

P – O Museu quer te agradecer por você ter vindo dar seu depoimento, a Volkswagen te agradece também por você ter vindo.

R – Eu que agradeço a Volkswagen.

P – E obrigada. 

R – Obrigado.

[Fim do depoimento]

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