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História

Não criei meus filhos só, criei com Deus!

História de: Celina Ferreira Couto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/01/2022

Sinopse

Infância na Comunidade Quilombola do Cercado. Formas de subsistência da sua família. Características, dificuldades e cultura da comunidade. Uso de ervas medicinais. Estudos e a escola montada pelo avô. Trabalho como doméstica e vida na cidade. Festas, treição e mutirão. Como fazer o sabão de coada. Interesse dos jovens pela cultura da comunidade. Casamento, volta para a comunidade e criação dos filhos. Morte do marido. Igreja. Como fazer beiju.

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História completa

P/1 - Para começar, eu gostaria que a senhora me dissesse seu nome completo, sua data de nascimento e onde a senhora nasceu.

 

R - Celina Ferreira Couto e nasci em Paracatu, no dia 16 de Março de 1944.

 

P/1 - A senhora pode me dizer o nome dos seus pais, por gentileza?

 

R - Sim. Minha mãe, Antônia Gonçalves de Araújo e meu pai, Fernando Ferreira Costa.

 

P/1 - E o seu pai e a sua mãe faziam o quê?

 

R - Eles mexiam com lavoura, plantava. [Pausa]

 

P/1 - O que os seus pais faziam, Dona Celina?

 

R - Eles plantavam lavoura, né? Milho, arroz, mandioca. Eles faziam isso.

 

P/1 - Aí o seu pai e a sua mãe trabalhavam com lavoura?

 

R - É.

 

P/1 - E a senhora, na infância, ajudava eles? Como é que fazia? Como é que era a infância com eles?

 

R - Ajudava. Eu ajudava a fazer tudo, a plantar, colher, tudo.

 

P/1 - Todo esse trabalho a senhora ajudava. E a senhora tinha irmãos também?

 

R - Tinha.

 

P/1 - Quantos irmãos a senhora tinha, Dona Celina? 

 

R - Os irmãos eram quatro.

 

P/1 - A senhora lembra o nome de todos eles? A senhora pode me falar, por favor?

 

R - Pode. Joaquim, Rosa, Conceição... A minha irmã é Jorgina?

 

P/1 - E vocês têm muita diferença de idade, Dona Celina?

 

R - Até que tinha.

 

P/1 - Nessa época que vocês estavam todos em casa com os pais, os seus irmãos ajudavam também? Como é que era essa diferença de idade? O que a senhora fazia em casa?

 

R - A gente limpava arroz no pilão, pegava lenha no mato, a água no córrego. Fazia tudo isso. E meus irmãos, junto também. Fazia tudo.

 

P/1 - Nessa época que a senhora ajudava o pessoal em casa pra fazer essas coisas todas, alguns dos seus irmãos que eram um pouco mais velhos foram saindo...

 

R - É.

 

P/1 - ...E algumas coisas foram ficando pra vocês que ficaram pra trás. Aí aumentou muito o trabalho? Como é que era em casa?

 

R - Ah, aumentava. Que aí diminuiu os que fazia. Aumentava mais, mas fazia.

 

P/1 - E seu pai trabalhava só em casa ou ele trabalhava também fora do lugar onde vocês estavam?

 

R - Não, trabalhava mais era em casa mesmo, cuidando dos trem, plantava. Às vezes, trabalhava pro outro. Era assim: tem um negócio de trocar o dia de serviço. Ele ia, trabalhava pra um e depois o outro ia, trabalhava pra ele. Trabalhava mais era assim.

 

P/1 - E as coisas que vocês produziam naquela época da sua infância com seus pais, era só pra existência de vocês ou vocês vendiam também pra fora?

 

R - Ah, era mais pro ‘garfo’ mesmo. A única coisa que eu lembro que vendia é que meu pai engordava porco. Aí pegava e levava pra cidade pra vender. E já tinha o açougueiro certo pra comprar. A única coisa. Mas outras coisas, era pra o gasto mesmo.

 

P/1 - Como eram seus pais? Como era o seu pai? Como era sua mãe? Como você lembra deles?

 

R - Eu lembro que eles eram muito gente boa, muito humilde.Todos gostavam deles. Eram pessoas muito amigas. Não maltratavam a gente, não maltratavam ninguém. Era assim. 

 

P/1 - E aí a senhora contou que ajudava eles em casa. Então na infância trabalhou bastante assim, mas tinha tempo de brincar? Tinha tempo de fazer outras coisas que não fosse só trabalhar?

 

R - Ah, tinha tempo no domingo, né? Assim, que fala, dia santo. Tinha tempo.

 

P/1 - O que vocês faziam nesses dias assim? Quando você brincava, por exemplo, do que que você brincava, Dona Celina?

 

R - Ah, a gente brincava de roda, fazia rodinha, que fala... Como é que fala que é brincadeira de roda? Brincava de esconde-esconde, brincava de (direita está vago?). (risos)

 

P/1 - A senhora morava na Comunidade do Cercado e brincava com os seus irmãos ou com as crianças da região?

 

R - Brincava com os irmãos e tinha os vizinhos. Também, no domingo, reunia.

 

P/1 - E tinha muita criança nessa época?

 

R - Naquela época, tinha.

 

P/1 - Vocês se reuniam onde quando iam brincar?

 

R - Ah, era em casa mesmo, dos meus pais, que a gente...

 

P/1 - E como é que era essa casa que a senhora tava na infância? Você pode descrever pra mim?

 

R - Ela era de palha, as paredes de barro.

 

P/1 - E tinha quarto pra todo mundo na casa?

 

R - Tinha.

 

P/1 - Aí tinha um quarto pra cada um dos filhos?

 

R - Aham.

 

P/1 - E como é que era o terreiro da casa?

 

R - O terreiro era limpinho. Era cascalho, sempre cascalho.

 

P/1 - E de criação, a senhora falou, que tinha até o porco, que o seu pai criava e tudo mais. Mas de planta em volta, que que tinha? Vocês tinham horta, tinham alguma coisa? 

 

R - Tinha. A horta era sempre lá na beira do córrego e no ____ tinha pé de manga, pé de laranja, muita laranja, pé de cidra. Tinha muita fruta.

 

P/1 - E isso, vocês cuidavam ou dava sozinho?

 

R - Às vezes cuidava.

 

P/1 - E nessa época aí da sua infância, como é que era a Comunidade do Cercado? 

 

R - Ah, era assim: a gente tinha liberdade de sair. Saía, passeava, andava, ia nas festas. Era assim.

 

P/1 - Na época tinha, por exemplo, hospital, escola, igreja? 

 

R - Naquela época não tinha nada disso. Mal (tinha) escola. Era os ranchinhos feito, coberto de palha. Parede, às vezes, tem vez que era de palha também. Longe. Tudo longe.

 

P/1 - E quando precisava ir no hospital, por exemplo, quando alguém passava mal, fazia como?

 

R - Uai, às vezes nem ia. Fazia era isso, no caso de a pessoa ir, não tinha carro, não tinha estrada. O que fazia? A pessoa saía daqui de cavalo e ia pegar remédio pra pessoa que tava ruim. Outras até falecia, porque passava de cuidar.

 

P/1 - Como não tinha hospital, vocês tinham algum cuidado medicinal que vocês mesmos faziam? Como era isso?

 

R - Isso aí tinha. Pegava umas folhas, raiz de uns trem que eram bom, e fazia o chá, bebia. Muitos melhoravam com isso. 

 

P/1 - Tem algum chá que a senhora lembra, alguma raiz que a senhora falou: "Essa aqui é boa", alguma que a senhora lembra dessa época da infância?

 

R - É, eu lembro da carobinha, tem um outro que é...

 

P/1 - Vamos falar de cada uma então: a carobinha era pra que, por exemplo?

 

R - A carobinha era pra problema na pele.

 

P/1 - Aí fazia como com essa carobinha?

 

R - Com essa aí fazia banho, que podia tomar com chá. Tinha quina também, que é bom... 

 

P/1 - Essa quina era pra quê?

 

R - Essa é amarga. É bom pro estômago. É bom pra muita coisa.

 

P/1 - E quem ensinou isso pra vocês, essa coisa da raiz, da erva? Como é que isso acontecia?

 

R - Ah, isso foi os mais velhos: os meus avô, vizinhas, que eram mais de idade, que ensinou.

 

P/1 - Aí, ia passando pra as pessoas mais jovens, pra o filho, pra o neto?

 

R - É, isso.

 

P/1 - E aí vamos aproveitar já que a senhora comentou dos seus avós: a senhora chegou a conhecer os seus avós, dona Celina?

 

R - Materno, eu conheci. Agora, paterno, eu não conheci.

 

P/1 - Qual era o nome dos seus avós maternos? 

 

R - Ana Gonçalves de Araújo e Valério Ferreira da Costa.

 

P/1 - E o que que os seus avós por parte de mãe faziam, com o que eles trabalhavam?

 

R - Ah, eles trabalhavam no mesmo ___  lá com... Plantava, na mão mesmo.

 

P/1 - E os seus avós, seus pais e a senhora nasceram aqui no Cercado?

 

R - Isso.

 

P/1 - Então foi assim, passando de geração em geração. E os seus avós ficaram aqui e foram até falecer?

 

R - Foi, aqui. 

 

P/1 - E os seus pais?

 

R - Meus pais também. Não, meus pais ficaram aqui um tempo, porque eles já tavam muito idoso. Aí eles foram pra cidade. Todos os dois faleceu lá em Paracatu.

 

P/1 - Mas passaram a vida toda no Cercado?

 

R - É, passou a vida toda aqui, mas quando ficou idoso, tiveram que ir pra lá pra cuidar mais.

 

P/1 - E todos eles são quilombolas?

 

R - Todos.

 

P/1 - Até onde a senhora sabe, os seus avós, talvez os seus bisavós, todos daqui?

 

R - É, tudo é quilombola.

 

P/1 - E a senhora lembra de alguma história que eles contavam do Quilombo do Cercado? Tem alguma história que eles contavam que a senhora lembra?

 

R - Não, isso aí eu não lembro.

 

P/1 - Tudo bem. Mas tem alguma história, que não precisa ser do Quilombo, alguma coisa que os seus avós ou os pais contaram que ficou na sua cabeça, que a senhora lembra até hoje? Tem alguma coisa que eles falavam?

 

R - Isso aí eu não lembro.

 

P/1 - Não tem problema. Então, aí a senhora ficou bastante tempo trabalhando aqui na infância, e aí depois veio a adolescência. Nessa época de adolescência, a senhora também tava trabalhando aqui na lavoura?

 

R - Não, aí eu fui pra cidade, passei a trabalhar de doméstica lá e fiquei, morei lá um tempo. Aí quando foi pra mim casar, eu vim.

 

P/1 - Na época de infância, a senhora tinha me contado que tinha feito até a terceira série. Como era essa coisa de estudar aqui no Cercado? Tinha escola próxima?

 

R - Ah, tinha. Mas era longe, né? Inclusive, eu comecei a estudar mesmo foi com o meu avô. Eu não sei nem como ele aprendeu, e ele me ensinava. Muito disso aqui aprendi com ele.

 

P/1 - E ele ensinava só a senhora?

 

R - Não, tinha mais, mais gente, mais criança.

 

P/1 - E essas crianças, vinham de onde?

 

R - Ah, dos vizinhos dele, que aqui tinha muita gente, muita criança.

 

P/1 - Mas aí ele reunia onde as crianças?

 

R - Uai, era lá perto da casa dele mesmo, no ranchinho de palha.

 

P/1 - E o que é que ele ensinava lá nessa escola que ele montou?

 

R - Ah, ensinava a pessoa a escrever, ler.

 

P/1 - E na época que a senhora tava fazendo a escola, essa que não era com seu avô, quando começou a estudar na escola mesmo, ela era próxima daqui do Cercado ou não? Como a senhora fazia?

 

R - Era longe também, porque era distante e eu morava longe também. Toda a vida a escola aqui foi longe. Ia de pé, porque não tinha nada pra andar. A única coisa que tinha era cavalo.

 

P/1 - E aí ia pra escola todo dia?

 

R - Todo dia.

 

P/1 - Aí ia a pé e voltava a pé todo dia?

 

R - Aham.

 

P/1 - Vocês iam pela estrada, né? E não era perigoso quando chovia? A senhora ia sozinha pra escola?

 

R - Não, eu sempre tinha a minha irmã, que ia também. Era, mas a gente ia, né?

 

P/1 - E as outras crianças do Cercado, iam também pra escola?

 

R - Ia.

 

P/1 - Mas aí vocês iam juntos pra escola? 

 

R - É, era junto.

 

P/1 - E como é que era quando vocês iam? Porque vocês eram tudo crianças. Não ia adulto com vocês, né? Quando dava algum problema, quando alguma criança brigava lá, o que acontecia?

 

R - Uai, brigava, parava. Tinha hora que tinha que ir os pais pra olhar.

 

P/1 - Mas já aconteceu coisas assim com a senhora, que a senhora lembra?

 

R - Comigo não. Eu não lembro. Não aconteceu nada.

 

P/1 - Nesses caminhos que a senhora ia pra escola, que demorava um tempo, todo dia, a senhora lembra de alguma coisa que tenha acontecido que ficou marcado assim na sua cabeça, dessa época?

 

R - Não, não lembro.

 

P/1 - Tá bom. Aí, enfim, estudou e foi até a terceira, né? E depois por que parou, Dona Celina? O que que aconteceu?

 

R - Parou porque não tinha. No final, não tinha escola aqui. Aí parou tudo, acabou tudo. E tinha que ter ido pra cidade.

 

P/1 - E por que parou a escola aqui, Dona Celina? O que que aconteceu?

 

R - É porque não tinha ninguém por aqui que podia tomar conta. Depois é que vinha as professoras da cidade. Inclusive, aqui mesmo, morou uma professora um montão de tempo. Aí dessa que morou aqui, que era professora, a escola não era longe, era logo ali na frente. Ela morou um tempo aqui em casa. Aí ficou perto, né? No caso, os meus meninos estudaram aí nela. Agora, os outros, os mais velhos, estudaram no Bento Ribeiro?, no Buriti. Só que eles pegavam ônibus aí na pista.

 

P/1 - Ah sim, porque depois começou a ter ônibus aqui, mas é que na época da senhora era tudo a pé.

 

R - A pé e, no final, não tinha, não achava professora, né, pra vim.

 

P/1 - Essa professora que a senhora contou, ela não chegou a dar aula pra a senhora, não? Ela deu aula só pros filhos?

 

R - Só pros filhos.

 

P/1 - Entendi, porque ela veio depois.

 

R - É, foi depois.

 

P/1 - Mas nessa época de infância, tem algum professor ou professora que a senhora lembre, dessa escola aí que a senhora lembra? Além do seu avô, que a senhora disse que o seu avô deu aula, né? Mas além do seu avô, teve algum professor ou professora que a senhora lembra?

 

R - Lembro. Eu lembro que tinha uma Maria Isabel, outra... Não sei se era duas ou se era uma outra. Esqueci o nome da outra.

 

P/1 - Como eram as aulas com elas?

 

R - Uai, era bom, né? Elas eram muito boas professoras. Ensinavam muita coisa: a escrever, ler… Aí elas ___ ou foram embora, né? Também ficava difícil pra elas, porque elas traziam ___ de pé pra escola, outras vezes de cavalo, que nesse tempo quase nem tinha carro. Aí, parou por isso.

 

P/1 - Quem pagava essas professoras? Elas eram pagas pela comunidade?

 

R - Não, era a prefeitura mesmo.

 

P/1 - Quando seu avô dava aula, ele recebia também da prefeitura?

 

R - Meu avô não lembro como era. Acho que ele não ganhava nada. Ele queria.

 

P/1 - Ele que se mobilizava a ensinar as crianças do lugar.

 

R - Isso, é.

 

P/1 - Depois a senhora parou a escola, porque não tinha mais professor, ficou fazendo o que depois? Ficou fazendo o que em casa?

 

R - Depois disso que eu saí, fui trabalhar. Aí foi assim pra frente.

 

P/1 - No período de adolescência, a senhora era mocinha, 15 anos, 16 anos. Aí, como era essa época, o que a senhora fazia?

 

R - Nessa época fazia o serviço de casa mesmo.

 

P/1 - E qual era a diversão dessa época de 15, 16 anos?

 

R - Ficava em casa, fazia as coisas em casa nesse tempo, não saía pra trabalhar fora.

 

P/1 - Não tinha nenhuma festa, nada assim da cidade que a senhora ia?

 

R - Às vezes tinha na cidade, até que eu ia. O meu pai era festeiro. Naquela igreja, acho que é a matriz, aí ele ia pra essa festa. E eu ia, sempre ia. E aqui também ia em festa, né? Tinha esse mutirão, “traição” que fazia. Meu pai mesmo fazia muito mutirão.

 

P/1 - Como acontecia essa do mutirão?

 

R - Mutirão, eles reúne um pessoal pra fazer o que for fazer, ____ (22:18) ou derrubar um pau. Junta muita gente e faz aquele serviço durante o dia. À noite, é o o forrozão.

 

P/1 - Mas e quem dava esse forró, o pessoal que tava trabalhando?

 

R - Não, era o dono da casa que dava. Eles cuidavam do pessoal, tratava muito bem. Era carne, era muita bebida e comida. E a “traição” era assim: chegava na casa à meia-noite, a pessoa dormindo... Não sabia, né? Aí chegava com viola, violão, sanfona e tocava na porta da casa, pro lado de fora. E a pessoa... Tinha uns que chegavam quase a passar mal (risos) que não sabia. (risos) É. Aí ficava ali um pouco, saía. E aí eles, durante o dia, voltava pra fazer o serviço. Aí, já sabia o que é que ia fazer. Era limpar uma planta, se era plantar. O pessoal juntava, ia fazer isso. Quando terminava, depois, já era o forró a noite toda. Tinha vez que ia dois dias, até mais. Pessoal fazia dia e noite. Eu participava e todo mundo da região.

 

P/1 - Que coisas a senhora aprendeu com a sua mãe ou com a sua avó, que a senhora aprendeu a fazer? Por exemplo: o sabão, é uma coisa que a senhora aprendeu a fazer. Conta pra gente sobre isso que você aprendeu, por favor.

 

R - Sabão, eu aprendi com a minha mãe, ela fazia. Só que antigamente ela fazia o sabão fervido. Colocava na vasilha, fervia... não era com soda, era de coada. Sabe como é de coada? Você pega a cinza que tira do fogão, põe numa vasilha, aperta ela bem e coloca água: aí ela pinga aquela água da cor do café, você olha e é igual soda. Aí virava sabão. Naquele tempo lavava tudo. Lavava a roupa. Não tinha máquina, não tinha tanque, lavava tudo na mão. Tomava até banho. Tudo com esse sabão. Fazia tudo. E diz que é bom pra pele também, né?

 

P/1 - A senhora também tinha me contado que tem o beiju, que é um tipo de comida. Como é que faz esse beiju?

 

R - O beiju, você rala a massa, a mandioca, e depois você coloca num pano, e tira aquela água e coloca o polvilho seco. E farinha ela, coa e coloca na vasilha quente. Eu faço aqui num tachinho, mas, antigamente, eles faziam num fornão grande. Mas eu não tenho forno grande, faço no tachinho pequeno. Dá pra fazer.

 

P/1 - E com quem a senhora aprendeu a fazer esse?

 

R - Com minha mãe.

 

P/1 - E a senhora sabe quem ensinou pra ela?

 

R - Ah, deve… que foi a mãe dela.

 

P/1 - E hoje, a senhora acha que os jovens estão aprendendo também a fazer as coisas?

 

R - Ah, hoje é muito pouco. Tem uns que não tem muito o dom, parece. Não tem interesse. Antigamente, parece que a gente era mais... Sei lá. Hoje, as minhas filhas mesmo... Elas fazem muitas coisas, mas muitas coisas que eu faço, elas não fazem. Igual a moer cana mesmo: eu sirvo moer cana; se eu não tiver lá perto do tacho, você queima tudo porque elas não entendem. Tem que tá lá pra olhar tudo, o ponto, tudo certinho. 

 

P/1 - A senhora falou que fazia rapadura também. Que só a senhora sabe o ponto da rapadura. A senhora aprendeu com quem?

 

R - Com meu pai. Eu ajudava ele. Ele moía, tinha um ___, moía direto.

 

P/1 - Aí aprendeu com o pai, também fez e agora as filhas não pegou tudo.

 

R - Não, porque não interessa, né? Porque tá no tempo de aprender (risos) Eu falo: “Você vão ficar sem saber, porque eu não vou durar aí... (risos)

 

P/1 - A senhora falou que quando já tava mais moça, foi pra cidade. O que aconteceu pra senhora ter que ir?

 

R - Ah, porque às vezes ficava difícil. Não tinha jeito de ganhar nada. Aí eu fui pra ganhar um troquinho, né?

 

P/1 - Quando chegou lá, a senhora foi trabalhar de doméstica. Quem ofereceu esse trabalho?

 

R - Ah, foi um amigo. Foi entre amigos, que ___ , eu tenho muitos amigos, que arrumou pra mim. Eu morava no serviço, aonde eu trabalhava, com família. Com algumas famílias, né? Era até gente boa. Eu gostava delas, elas gostavam de mim. Eu fazia comida, dava faxina, lavava roupa, passava. Eu trabalhei um tempo só com uma pessoa, 5 anos. Aí trabalhei mais pra outros. Lá que eu nem lembro tanto. Aí eu larguei quando eu casei.

 

P/1 - E aí a senhora conheceu seu esposo onde? Lá na cidade ou conheceu aqui no Cercado?

 

R - Aqui no Cercado.

 

P/1 - De onde a senhora conhecia ele? Como foi que a senhora lembra de ter conhecido ele?

 

R - Não, foi lá em casa mesmo, na casa dele... Meus vizinho, né?

 

P/1 - Vocês namoraram por um tempo. E aí, como é que foi?

 

R - Depois ele pediu em casamento.

 

P/1 - Como é que foi quando ele pediu?

 

R -  (risos) Ele falou se podia nós casar, se eu queria, será que os meus pais queriam. Eu casei lá na Santa Rosa, aqui mesmo, na região. Foi bom que casou dois casamentos, eu e uma amiga minha, porque ficou marcado... Lá não tem, a igreja não abre todo dia. Aí, como foi na mesma época, marcou tudo pro mesmo dia.  O meu teve festa. Foi bom, que veio gente de fora. Teve forró, viola, violão, sanfona.

 

P/1 - E aí a senhora contou que a igreja não abria todo dia. A igreja não tinha padre fixo?

 

R -  É, não tinha. (pausa)

 

P/1 -  A senhora tava falando que o povo se reunia, pegava água, pegava pedra, levava lá no cemitério e rezava. O que que fazia depois?

 

R - Ficava rezando e chegava em casa rezando, e depois parava a água, jogava tudo no telhado. Diz que é pra chover. E tinha vezes que dava certo, tinha vezes que chovia mesmo. Nesse tempo passado, era difícil, porque não tinha chuva, como que a lavoura dá sem chuva? Aí ficava difícil, saía pra trabalhar. Outras vezes, trabalhava pra ganhar o pão. Era isso. Trabalhava pra outras pessoas. A que tivesse, que pudesse mais. Trabalhavam em troca de comida que não podia produzir, né?

 

P/1 - O que aconteceu depois que casou com o marido?

 

R - Eu ficava em casa e ele ia trabalhar. Eu tava aqui. Morava em um ranchinho por aqui. Um ranchinho de palha, parede de barro. Aí, nem lembro, morou muito tempo. Depois que veio esse que deu os materiais e eu arrumei as pessoas e aí construiu.

 

P/1 -  E quem deu esse material, Dona Celina?

 

R -  Eu não lembro se foi a prefeitura. Não lembro quem foi mais. Aí construí aqui. Era de palha, as paredes de barro. Daí depois construiu, aí mudou: tijolo, telha. Aí melhorou.

 

P/1 -  A senhora teve quantos filhos ao todo?

 

R -  Eu sou mãe de 13 filhos.

 

P/1 - E a senhora lembra o nome deles todos? (risos)

 

R -  É Lúcio, Lázaro, Dário, Adailson, Adélio, Davi e... Dário, Lucila, Luciene, Laís, Lina e Liliane.

 

P/1 - E todos os filhos da senhora estão vivos?

 

R - Não, eu perdi dois. Inclusive, eu perdi um aqui, agora, no meio de junho. Ela tava com 34 anos. O outro perdi com 25 dias de nascido, porque, naquele tempo, não fazia o pré-natal. A gente ganhava o neném com parteira. Acho que é por isso que eu perdi. Com 25 dias de nascido, ele faleceu.

 

P/1 - Todas as suas gravidezes foram tranquilas? Fora essa.

 

R - Até que foi, graças a Deus não... Teve uns... Eu não lembro nem quantos eu ganhei aqui na roça e quantos no hospital... No hospital foi pouco, acho que uns três. Os gêmeos, foi no hospital de Paracatu. Agora, os primeiros gêmeos, foi aqui. Nesse tempo já tava começando aparecer algum carro, o vizinho ali na fazenda tinha, aí arrumou e levou a gente.

 

P/1 - Teve uma época aí da casa que tinha várias crianças. E o seu marido ficava em casa nessa época?

 

R - Ele trabalhava fora, né? Ele trabalhava...

 

P/1 - Aí ele fazia o que quando ele trabalhava fora?

 

R - Mexia com lavoura de milho, feijão, abóbora, pra outras pessoas. Porque aqui no Cercado mesmo, não tem como trabalhar, e o pessoal é, como diz, tudo fraco, não tem condições, e tem que sair mais longe. 

 

P/1 -  Ele saía, ganhava um dinheiro e trazia pra casa, pra sustentar tudo. E a senhora ficava em casa cuidando da casa e da lavoura da casa. E tinha um monte de criança. Como era isso pra senhora?

 

R - Era difícil. Sorte que tinha os mais velhos e ia colocando pra ajudar, olhar os menores. Eles ajudava na lavoura de casa. Todo mundo fazia um pouco.

 

P/1 - Eles deram muito trabalho pra senhora? (risos)

 

R - Ai sim, dava.

 

P/1 - Tem alguma história que a senhora lembra dessa época que eles eram crianças?

 

R - Eu lembro de uma história dum... Até do Adélio, que tava lá junto, né? Aí o pai dele mandou ele pegar um leite no vizinho, aí ele foi, ficou brincando, não pegou o leite. Aí o pai dele pegou, foi encontrar com ele. Naquele tempo, eles batiam. Aí bateu nele. Veio dali do vizinho apanhando até aqui. Depois foi indo de boa. (risos)

 

P/1 - E aí quando acontecia isso... Porque aí era uma coisa do seu marido com o seu filho. E a senhora quando via uma coisa como essa, o que que acontecia?

 

R - Eu não gostava muito não, porque tem que corrigir, mas se espancar assim, bater muito. Eu não achava certo não. Mas tinha vezes que nem podia falar nada, né?

 

P/1 - E aí ficou por um tempo com as crianças em casa e aí, o que aconteceu com o seu marido depois?

 

R - Ele ficou um tempo trabalhando fora. Trabalhava final de semana e vinha pra casa. Até que ele foi ali no vizinho, ali na frente tem uma escola, mas  só que não funciona mais não, ele foi pra lá pra dar um (baste?) na cisterna lá na escola, e o filho segundo foi ___ . Aí, diz que ele tá lá assim quieto, falando que tava muito quente, um calor. Quando o menino viu, ele caiu lá dentro. Chamou um menino até que trabalhava sempre pra ele. Entrou lá e tirou ele, mas já sem vida. Ele tinha 42. Nós era a mesma idade. Foi difícil, né? Foi meu Deus que deu jeito pra gente passar, porque não foi fácil não. Aí o mais velho já trabalhava um pouquinho, ganhava um pouquinho e deu. Eu mesma até eu penso: eu nem sei como que eu passei. Logo... Não foi rápido, arrumei aqui o... Peguei a pensão. Até eu fico sem saber como que eu passei, mas Deus sabe, né?

 

P/1 - Depois os filhos também foram crescendo, foram trabalhando. E nessa época, eles trabalhavam por aqui pelo Cercado mesmo?

 

R - Trabalhava não. Tinha que sair mais longe. Eles ia por aqui mesmo, que tem uma fazenda aí que chama (Entre Ribeiro?) e deu um serviço pra eles. Às vezes, ficava pra lá a semana e no final de semana eles vinham. E foi indo assim, até todo mundo foi indo. Trabalhou aqui um tempo e depois foi pra Paracatu. Tanto que, só os dois mais novos é que estudou mais, os outros não quis estudar. Eu falei: "Não é porque vocês perdeu o seu pai, não vai estudar", mas não quis. Só dois que formou. Agora, os outros, é segunda série, é terceira. Outro, não, ele não quis estudar. Mas até que eles são inteligentes. Eles não tem estudo, mas até que hoje eles trabalham, uns mexe com trator. Eles trabalham.

 

P/1 - Na época da sua infância, a senhora contou que não tinha professor, não tinha escola, mas na época deles já tinha?

 

R - Na época deles, já tinha. Tinha o ônibus que passava aí na porta, mas ele não quis.

 

P/1 - Teve uma época que a senhora tinha a casa cheia, com um monte de criança, o marido, tava todo mundo vivo. Depois, o marido faleceu, os filhos foram crescendo, foram saindo daqui, e aí a casa foi ficando mais vazia. Como é essa sensação pra senhora de lembrar a casa cheia e agora quase vazia?

 

R -  É ruim demais. Fico lembrando, pensando, a minha casa cheia, porque ela foi tão cheia e hoje, vazia. Não tinha mais eles tudo junto, como tava. Foi difícil. Ficou o meu filho, meu neto… mas ele... Eu peguei ele aqui com dois aninhos, eu que criei ele. Agora ele parou o estudo dele aqui na roça, acabou, e tá mexendo com fosso. Tá lá. Aí meu filho que fica aqui comigo. Quase não vem ninguém. (risos) Só no fim de semana, sempre vem, eles vêm, o genro. Eles direto tá aí. Os filhos vêm, as nora também.

 

P/1 -  Quantos netos a senhora tem agora?

 

R - Ah, acho que tem uns 10 ou mais, sei lá.

 

P/1 - E eles vêm aqui te visitar também?

 

R -  Vem. Só no meio de semana que é parado.

 

P/1 -  E o que que vocês ficam fazendo durante a semana?

 

R - Ah, a gente vai enrolando aí. Meu filho planta umas coisas, planta outras. Eu mexo com horta, mexo com galinha. Enrolando aí o tempo. (risos)

 

P/1 - E então, falando um pouquinho sobre a comunidade, tem uma questão  com a igreja, que a senhora tinha falado, que quando a senhora era criança, a senhora contou que não tinha missa todo dia, nem tinha uma comunidade aqui, só foi ter depois. E aí, no meio desse caminho, surgiu uma outra igreja aí, que foi a que a senhora foi frequentar. Conta essa história pra mim, por favor.

 

R - Ah, essa igreja foi assim: ela começou difícil, que era longe também, e num tinha jeito de ir, não tinha condução perto pra ir. E ela começou, era um ranchinho de palha, tudo difícil, mas eu ia. Eu ia de cavalo, eu ia de bicicleta, eu ia de carroça, mas ia. Ela era é bem longe. E aí depois parou, essa mesmo não funciona mais. Mas agora tem uma aqui perto. Mas perto também que não dá pra ir a pé não, é longe. Eu vou de carro porque sempre os meus filhos vem, aí eu vou. Lá é evangélica. Congregação Cristã do Brasil. Ela é mais perto um pouco da outra, mas não dá pra ir de pé. Ontem a gente foi, ele marcou pra dia dezoito, que ele não tá marcando. Passava mais de meses, agora marcou pro dia 18.

 

P/1 - Na época que o seu esposo faleceu, seus filhos tavam ajudando na casa. A senhora tinha filhos mais velhos, que já eram adultos, e tinha filhos que eram crianças. Como é que aconteceu isso? O que aconteceu com o filho mais velho, nesse caso?

 

R - Uai, aconteceu que ele que tinha que sair, trabalhava fora, vinha, trazia as coisas, trazia o dinheirinho e cuidava da lavoura, plantava. Os irmãos mais velhos, muito acompanhavam ele pro serviço.

 

P/1 - E os mais novos obedeciam o mais velho? Dava briga isso?

 

R - Não deixava dar briga, porque já viu como que era. Dava umas briguinhas, mas até foi. E o pessoal lá ficava me pedindo eles. Um pessoal que achava assim: “Nossa, _____ ”. Capaz de pensar até assim: “Passa até fome” e pedia. Falei: “Não, não dou”. Quem dá é o quê? Não dei. Eles saíram porque quis, menos que eu dei, que eu vou falar assim: “Ficou sem o pai. Tá difícil, vou dar pros outros” Aí não. Eles queria eles tudo ir. Muito desse pessoal admira deu ter criado eles assim só. Não foi só, foi com Deus, né? Fala só, mas não é: foi com Deus, que se não, a gente só não faz nada.

 

P/1 - A comunidade era de um jeito quando a senhora era criança, e aí hoje ela é de outro. O que que tem de diferença dessa época lá da infância pra agora? 

 

R - A comunidade aqui, as coisas não vai pra frente. A comunidade era pra ter coisa, ter isso, ter aquilo: não tem nada. A gente é do Quilombo, diz que o quilombo ganha as coisas. Aqui eu não vejo isso. Não sei porquê. A diferença é essa. No passado era mais certo, porque eles fazia reunião nas comunidades e pedia as coisas, instalava. Hoje, está devagar.

 

P/1 - E o pessoal que era do Cercado, ainda tá aqui no Cercado? Assim, o filho do pessoal que era daqui, os netos do pessoal que era daqui, tá todo mundo aqui ainda no Cercado?

 

R - Não tá.Diz que é porque não tem serviço, que não tem jeito de ganhar. Aí foram pra cidade. 

 

P/1 - Então o pessoal nem tá mais aqui, o pessoal, assim, os descendentes do pessoal dos quilombos, alguns, que já foram mais antigos, já foi embora. E assim, os filhos, os netos, todo mundo já foi embora?

 

R - Tem pouquinha gente.

 

P/1 - Como é que faz pra organizar isso aí?

 

R - Ah, tem que pegar uma pessoa e pegar junto, pegar firme pra legalizar. Porque tá difícil.

 

P/1 - Mas a senhora tá vendo alguma coisa acontecer nesse sentido ou tá parado?

 

R - Tá parado. Inclusive, tem o trator que diz que é da prefeitura, que vem fazer o serviço aqui. Aí eu não pego, porque eu sei que não vem, não chega no tempo. Aí tem muitos vizinhos que estão esperando trator, o trator está lá atrás, num assentamento em Santa Rosa. Aí tem alguém que tá esperando esse trator e não vem. Mas eu acho que é falta de muito correr atrás disso. Aí eu não espero, eu pago o trator. Inclusive, meu milho tá grandinho. A prefeitura diz que dá de graça 3 horas de serviço. O meu serviço aí não gastaria 3 horas. O ano passado, eles nem teve aqui. Agora, esse ano, tá pra lá. Disse que vai passar aqui, mas só depois que eu ver. Eu falei com os meninos, vai passar aqui lá pro mês de janeiro.

 

P/1 - Agora a gente já tá se encaminhando pro final. Só antes da gente terminar, explica mais um pouquinho pra gente como é essa história do beiju, como é que a senhora faz, como é que é esse alimento?

 

R - O beiju é assim: eu pego a mandioca, ralo ela e depois eu coloco num pano, a massa, que depois que rala, fala massa, né? A massa da mandioca. Aí coloca ela num pano assim e torce, tira aquela água. Depois, coloca um polvilho seco, desses pacotinho que a gente compra, ou que faz em casa mesmo, e mistura ali na massa, coa e coloca na panela quente. Eu faço no tachinho, porque faz é num forno grande, que  já fiz muito, mas como não tenho forno, eu faço no tachinho. Aí eu deixei até a massa ali, no calor, eu deixei a massa lá pra eu colocar o pozinho e coar. Aí vocês vai ver. (risos)

 

P/1 - Aí ela vira o que? Vira um bolinho?

 

R - É, vira um bolinho. Aí eu faço as rodinhas assim ó. Vamos ver... Vocês tem que comer pra ver se vocês acham bom. (risos)

 

P/1 - E aí a senhora contava que na época também tinha um jeito diferente de ralar.

 

R - Tinha. Nas primeiras, o ralo que a gente ralava, até eu mesma faço, colocava numa tábua, pregava com prego, enganchava assim e ia ralar. Aí agora, veio a roda de madeira, depois veio a outra, de ferro. Aí ralava nessas roda. Eu já fiz muito, muito mesmo, farinha, polvilho assim.

 

P/1 - Tanto na ralada da mão, quanto na roda também?

 

R - Isso!

 

P/1 - Mas na roda é um pouquinho mais fácil?

 

R - É mais fácil, anda mais rápido.

 

P/1 - Mas aí o resto do processo é o mesmo? Coloca no pano, coa e vai colocar no tacho, que depois ele vira esse bolinho.

 

R - É, coloca no tacho quente e faz as rodinhas. Aí você põe os montinhos da massa, ela cola assim e depois você vira de um lado pro outro, ela assa dos dois lados.

 

P/1 - Mas aí você come isso puro ou coloca alguma coisa nele?

 

R - Com leite é bom demais, com chá. Eu como até com café.

 

P/1 - E essas coisas de comida, a senhora lembra que que a senhora aprendeu com a sua mãe, que você via que a sua avó fazia, que você faz até hoje?

 

R - Eu lembro que minha mãe fazia queijo, requeijão, sabão, uns bolo na folha da banana também.

 

P/1 - E essas coisas, a senhora sabe fazer até hoje?

 

R - Sei. Tem uns que eu quase não faço, igual esse bolo na folha da banana. Eu falei que ia fazer, mas eu enrolo e não faço. Minha mãe fazia e era bom.

 

P/1 - E a senhora gosta de cozinhar?

 

R - Fazer comida, eu não gosto. Eu gosto mais de fazer esses trem: doce, bolo. Eu faço comida na marra pra mim. (risos) Não gosto. 

 

P/1 - A gente já vai fazer a última pergunta. O que que a senhora achou de contar sua história pro Museu da Pessoa, sua história virar um acervo de um museu?

 

R - Uai, eu gostei. Tô gostando. Foi bom que eu não esperava essa. (risos)

 

P/1 - Então a gente agradece a sua participação, o museu agradece a senhora ter contado a sua história. A gente gostou muito, viu, Dona Celina?

 

R - Tá bom. Eu também digo o mesmo, gostei muito. Agradeço vocês e peço desculpas por algumas coisas (risos) que eu não falei certo, que eu não falei direito. Agradeço vocês muito pela paciência (risos).


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