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História

Não aos militares, sim ao Brasil

História de: António da Piedade Ribeiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/12/2013

Sinopse

A entrevista de António da Piedade Ribeiro foi gravada pelo Programa Conte Sua História no dia 30 de agosto de 2013 no estúdio do Museu da Pessoa, e faz parte do projeto "Aproximando Pessoas - Conte Sua História". António da Piedade Ribeiro nasceu na cida de Porto de Mós em Portugal. De família rural, ele conta que as casas eram todas feitas de pedra e como era a construção delas para que o frio não penetrasse dentro. Veio para o Brasil com 12 anos de idade por razões econômicas e também para fugir do exército português. Ele conta que segue na vila cachoeirinha e que lá não tinha infraestrutura nenhuma. Depois de casado virou sócio do sogro e uma padaria e fez muitos cursos para está sendo melhorando a técnica. Foi feliz em seu negócio e hoje vive bem.

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História completa

Nasci numa cidade chamada Porto de Mós em Portugal. Todos trabalhavam na agricultura. Como era uma casa rural tinha a cozinha, a sala, três quartos. Bem amplos. Só que as casas lá são diferentes daqui. Como era um lugar bem inóspito, vamos dizer, muita pedra, então as casas eram todas feitas de pedra. Uma parede aí de uns sessenta a setenta centímetros, só que bem aprumadinha, bem feitinha. Depois era rebocada normalmente. Pela parte interna, era feito uma segunda parede afastada da primeira uns dez centímetros por causa do frio. Porque no inverno a temperatura conseguia chegar às vezes até quinze abaixo de zero. Então, aquela antecâmara que a gente fala é justamente pra que a penetração do frio, na hora que ela provocasse a condensação da umidade relativa dentro da casa, ficasse depositada ali e a casa ficasse ambientada. Pra não fazer tanto frio. E a casa era grande. Depois da casa, tinha o lugar onde era o celeiro, que a gente fala, onde guardava cereais, a comida pro gado desidratada, seca pro tempo do inverno, porque não tem pra onde você pegar o gado e colocar no campo porque a neve tá ali com vinte, trinta centímetros, não pode comer nada. Então eles ficavam três, quatro meses confinados ali. E do outro lado também acompanhando como se fosse um “L”, aí tinha a parte dos porcos, das ovelhas, das cabras, os animais menores. E, fechando o círculo, que ali era grande, ali devia ter acho que uns, como eu posso avaliar? Mais ou menos uns dois, três mil metros só a parte ali da casa. Não era rica, era uma casa modesta, mas muito bem feitinha, meu pai era muito caprichoso. E do lado, tinha um tanque onde a gente armazenava água, que lá não tinha captação de água de recurso hídrico no subsolo, então reservávamos toda a água quando chovia. Com doze anos vim pro Brasil. Teve duas razões: uma, foi econômica, ele, nessas andanças dele de negociar pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, a coisa cresceu e arrumou um sócio. E aí, meu pai só que devia. E a dívida foi aumentando, aumentando, e eu não sabia o porquê. E a outra razão, foi outra, com referência a mim mesmo. Meu pai, ele amava muito a família. E na época quando a gente entrava na época de se apresentar, militar, pra servir o exército, em Portugal, você ficava um ano servindo dentro do país, depois você era destacado pra África, porque Portugal, naquela época, tinha muita colônia na África, mas elas precisavam de segurança e vigilância. Então, o exército ia pra lá. Você ficava lá dois, três anos. É uma vida perdida, quatro anos pra servir um exército e muitos não voltavam. E meu pai falava: “Eu não vou criar um filho, uma família pra ter o dissabor de não os ver mais”. Fui morar na Cachoeirinha. A Cachoeirinha não tinha asfalto nenhum. Onde eu tô morando hoje, não tinha nenhuma infraestrutura. Não tinha água, não tinha luz, não tinha esgoto. Não tinha guias, não tinha asfalto, não tinha nada. E ali, a gente tinha que caminhar bastante até chegar num lugar onde tinha ônibus. Eu, por exemplo, trabalhava no Mandaqui, eu tinha que ir a pé até a Vila Amália, pra de lá pegar ônibus pra lá, porque lá já tinha asfalto. Ou então, vinha até a avenida… ali no Imirim, pra poder ir pra Santana ou até a Vila Santa Maria, pra poder ir pro Bairro do Limão . E com o tempo, foi evoluindo o progresso, foi rápido. Ali, onde existe hoje o Terminal Cachoeirinha, ali era uma granja, ali você comprava ovo, galinha, verduras. Só que lá, né, onde é as Lojas Marabraz, aí você conhece, né, as Lojas Marabraz, ali tinha uma ponte, onde passava o riozinho que chamava o córrego Cabuçu, que é o rio que passa ali na Avenida Inajar de Souza. Ali a gente pescava lambari, mandi, pegava rã, tomava banho, porque era uma maravilha. E tem um lugar mais pra baixo, que chama Jardim Cachoeira, ali tem uma pedra bem grande, a água corria por ali, formando uma cachoeira. E a gente tinha uma atividade, assim, de final de semana, brincando ali. Era superinteressante, a diferença de hoje. Hoje você comenta com as pessoas elas, às vezes, ficam até na dúvida. De vez em quando, encontramos alguém da época, que ele justifica o que a gente fala. Porque vivenciou na mesma época. Aqui depois eu evolui um pouco, aí me casei e a mulher com quem eu me casei, o pai dela tinha uma padaria e eu comprei a parte do sócio do meu sogro e fiquei trabalhando com ele. Então, imagina, casado, tomando conta de uma padaria e fazendo faculdade, é loucura, não é? Acabei largando a faculdade. Mas, valeu a pena, valeu a pena. No caso da padaria, eu fiz vários cursos, a Fleishmann que era uma empresa fornecedora de fermentos, ela promoveu cursos. Uma empresa holandesa que era fornecedora de aditivos, forneceu cursos. Fiz curso de panificação no SENAI, confeitaria, salgadinho, tudo! Eu queria ter a técnica pra fazer bem feito. E, graças a Deus, ao bem–feito, eu tive sucesso em tudo.

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