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História

Não à precarização do ensino

História de: Jacy Braga
Autor:
Publicado em: 27/01/2022

Sinopse

Jacy conta como seus pais chegaram ao Distrito Federal e das constantes mudanças até fixarem-se em Taguatinga. Lembra da escola onde iniciou seus estudos. Relata como fez a opção de seguir carreira como professor. Dedica-se à militância sindical e, a partir de 1989, passa a integrar a direção do SINPRO-DF, já com uma estrutura colegiada. Jacy recorda da mobilização que resultou no primeiro plano de carreira dos docentes da rede pública do DF. E aponta os desafios postos para o SINPRO.

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História completa

Nasci em Taguatinga logo após as primeiras remoções [da chamada] Vila IAPI, que as pessoas que moram aqui Brasília conhecem como favela, e nós aqui nos conhecemos como Barrão. [É] uma área próxima ao Núcleo Bandeirantes, uma cidade pioneira em Brasília, onde moravam os trabalhadores, os candangos, que eram constantemente removidos dessas áreas de invasões para novas, que eram as novas cidades, principalmente o Gama, Taguatinga e Sobradinho. Nós fomos removidos para o que hoje é Taguatinga. Minha mãe já estava gravida e nasci nesse barraco lá, onde hoje a gente conhece como Gargalo Norte, no centro de Taguatinga. Minha casa de infância foi junto ao comércio do meu pai, no centro da cidade. Depois eles conseguiram vender lá e comprar um lote comercial, onde vivemos a vida praticamente toda nessa área, até me formar, me casar. Foi infância, adolescência, juventude, até a vida adulta nesse mesmo lugar. No final dos anos 1960, praticamente não tínhamos escolas públicas. A [minha] primeira escola foi uma ligada à igreja católica, no centro de Taguatinga, que hoje é um colégio privado, mas na época chamava Escola Paroquial Coração de Maria. Era uma escola de freiras que atendia os filhos da peãozada. Praticamente todo mundo estudou naquela escola. Logo em seguida apareceu a primeira escola pública, a Escola Classe 17. Passei todo o período em escola pública até entrar na universidade. Fiz dois vestibulares, fiz um para engenharia elétrica, não passei, e outro para geologia e geografia. Passei para geografia, acabei virando professor e não me arrependo. Comecei a dar aula em 1981 para 82, no final da minha faculdade já dava aulas. Entrei na carreira do magistério em agosto de 1986. Já vinha da militância, já conhecia algumas pessoas do sindicato, e logo no ano seguinte eu já era delegado sindical na minha escola, em Ceilândia. Isso foi mais ou menos uma via natural. Quando foi 1985 a gente disputa a eleição e ganha essa linha mais próxima à CUT, ao Partido dos Trabalhadores; ganha as eleições com a Lúcia Carvalho como presidente do sindicato. Em 1989 seria a renovação desse mandato, aí eu já estava nessa chapa na área de assuntos educacionais, formando a diretoria de 1989 a 1992, são três anos de mandato. Eu era do grupo político da Lúcia Carvalho, do Antonio Lisboa, um grupo chamado Vertente Socialista, que na CUT chamava CUT Pela Base. Nós defendíamos as estruturas colegiadas para as [direções das] organizações sindicais. No período de 1989 até 1994 nós tínhamos uma estrutura celetista, éramos trabalhadores e trabalhadoras celetistas, com carteira assinada, não tínhamos o estatuto do servidor público. Uma das conquistas foi a mudança de celetista para estatutário, que nos possibilitou até um acordo coletivo. Quando passamos ao estatuto, abriu-se então a possibilidade de termos uma carreira do magistério. Foi uma das discussões mais ricas nessa categoria, o estabelecimento e aprovação do plano de carreira. Foi uma discussão coordenada pela diretoria, mas a pessoa da professora Lúcia Iwanow foi fundamental, muito importante na coordenação desse trabalho. E nós tivemos finalmente o primeiro plano de carreira. O SINPRO, e os sindicatos como um todo, já têm o seu arroz com feijão a cumprir: as lutas salarias com melhorias de condições de trabalho. Mas algumas preocupações devem estar mais presentes. Uma é a questão os aposentados, que acabam virando uma grande massa que demanda orientações e atenção do sindicato. A segunda são as necessidades que a carreira tem diante das novas tecnologias, todas essas demandas em função das aulas mediadas por tecnologia que todos nós estamos passando, no Brasil inteiro, em função da pandemia. Outra questão é a uberização, a precarização do trabalho do magistério, da educação. O sindicato tem que começar a se preocupar bastante com essa situação, [com] os projetos milagrosos da terceirização, da quarteirização das funções do magistério, que estão no Brasil inteiro e no Distrito Federal isso não é diferente.

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