Busca avançada



Criar

História

Nada é por acaso

História de: Telma de Jesus dos Santos Bittencourt
Autor: Telma de Jesus dos Santos Bittencourt
Publicado em: 24/07/2013

Sinopse

Minha vida estava estabilizada, mas uma série de “acasos”, “situações inesperadas” e “surpresas” me levaram a trabalhar na ECT, algo que eu nunca havia imaginado... Mas acredito que nossas vidas seguem um fluxo contínuo para a felicidade, estamos sempre no local e nas condições em que deveríamos estar para aprimorar nosso crescimento e nosso aprendizado. Por isso sei que se estou aqui hoje é porque já estava “escrito nas estrelas”...

Tags

História completa

Trabalhei por muitos anos em uma empresa de economia mista aqui de Brasília. A empresa era excelente e, como entrei lá bem novinha, fiz muitas amizades ao longo do tempo. Adorava meu trabalho, o ambiente era muito tranquilo, os colegas eram ótimos. Era tão bom que nunca me interessei em sair, achava que minha vida profissional seria lá, do início ao fim... Mas a vida nos reserva algumas surpresas. Um belo dia, no ano de 2003, conversando com dois colegas, fiquei sabendo que eles estavam insatisfeitos, pois estavam em desvio de função - exerciam uma atividade de nível superior, mas ocupavam cargos de nível médio. Como não havia previsão de concurso para nível superior naquela empresa, eles estavam desanimados. Sugeri que eles prestassem concurso público e, entusiasmada como sou, pesquisei logo na Internet os concursos que estavam abertos. Verifiquei que aquele era o último dia para inscrição em concurso na ECT e havia vaga para o cargo de Analista de Sistemas! Mostrei para meus amigos – eles retrucaram que não adiantava fazer concurso assim, de uma hora para outra, sem estudar. Mas eu insisti – disse que serviria para avaliar a dificuldade dos concursos e verificar o nível deles. Eles ainda ficaram meio em dúvida, mas, para dar força, falei: "Vamos lá, eu vou com vocês. Aproveito e faço a prova também, para ver se estou bem na fita!" Na hora do almoço, em meio a uma forte chuva fomos até a agência central dos Correios, no SBN e fizemos nossas inscrições. Levei o programa do concurso para casa e falei para o eu marido: “Acabei de jogar dinheiro fora – fiz inscrição para um concurso, mas o programa é muito extenso - não sei se vou fazer a prova.” Ele me disse: "Porque não? Agora que já gastou o dinheiro, vai lá e faz.". Respondi: "Tenho a maior preguiça de levantar cedo nos fins de semana, só faço se a prova for num domingo à tarde..." Quando a data da prova foi divulgada tive a maior surpresa: Seria num domingo à tarde! Não tive como recuar. Naquele domingo fui lá e fiz a prova. No dia seguinte, chegando ao meu trabalho, fui logo procurar meus colegas e saber o que acharam da prova. Mas tive outra surpresa: nenhum dos dois tinha ido fazer o concurso. Não entendi... Alguns dias depois saiu o resultado e tive mais uma surpresa! Lá estava meu nome – eu havia sido aprovada. Mas a classificação não era boa – 132º lugar... Achei até engraçado ter passado e, mesmo assim, gostei do meu desempenho. O tempo passou, passou... Aproximadamente dois anos. Aí, aconteceu algo inusitado na empresa em que eu trabalhava. Uma surpresa não só para mim, mas para todos daquela empresa – Haveria um PDV – Programa de Demissão Voluntária. Ninguém acreditou quando eu disse que iria aderir... Logo eu, que amava tanto aquela empresa, o trabalho, os amigos! Mas o PDV era muito bom e eu já tinha um plano: estávamos em janeiro, minha filha se casaria em setembro. Eu poderia sair no PDV, preparar o casamento da minha filha. Depois, entraria em um cursinho para prestar algum concurso público. E assim fiz. Em março já estava desligada da empresa e preparando o casamento da minha filha. Em maio... Outra surpresa! Recebi um telegrama. Era da própria ECT, informando que havia surgido uma vaga em Salvador. Como adoro a Bahia, brinquei muito com meu marido, dizendo que ia deixá-lo aqui e morar em Salvador. Mas ele me orientou a entrar em contato com a ECT e perguntar se poderia recusar e vaga da Bahia e aguardar vaga para Brasília. No outro dia, liguei e a área de RH me informou que sim, poderia recusar a vaga da Bahia, mas permaneceria aguardando vaga para Brasília. Em menos de uma semana... Surpresa!!! Novo telegrama informando que havia surgido vaga para Brasília. Foi um turbilhão... Todos sabemos como é: fazer entrevistas, marcar exames, trazer resultados... Até que finalmente deveria me apresentar para o trabalho em um quinta feira à tarde do mês de julho. Aquela quinta-feira foi marcada por uma tragédia! Minha mãe sofreu uma queda e foi para a UTI em estado grave. Ainda assim, fui me apresentar à tarde na ECT. Estava tão abalada que meu marido foi comigo, segurando minha mão. Eu parecia uma criança enfrentando seu primeiro dia na escola. Mas, por sorte, fui acolhida na ECT de um modo muito carinhoso, por uma pessoa muito especial. Meu primeiro chefe compreendeu a situação e me autorizou a aguardar uns dias para iniciar o trabalho. Assim, após alguns dias, fui admitida na ECT. Era o dia 01/08/2005. Infelizmente, no dia 04/08/2005 perdi minha querida mãe. Parte do meu mundo desmoronou, mas eu tinha outros motivos para reagir e superar aqueles momentos dramáticos: Minha família, meu marido, minha filha. Os preparativos para o casamento da minha filha me tomavam todo o tempo de folga e me distraiam... Após o casamento da minha filha, a vida foi voltando à rotina, só que de um jeito diferente: a casa estava mais vazia, mas o vazio maior estava em meu peito – a falta da minha mãe. Mas, naquele momento difícil, havia algo que me dava ânimo todas as manhãs para levantar, me preparar e sair para enfrentar o mundo: o meu compromisso com os Correios. Naquela época eu trabalhava no Edifício Sede da AC. Chegar lá pela manhã, sentir o cheirinho de café no corredor, ouvir o burburinho das vozes, olhar pela janela e ver o Lago Paranoá, ligar o computador e começar a trabalhar foi aos poucos me trazendo de volta a alegria e o entusiasmo de sempre. Hoje trabalho aqui na 912 Sul. Tenho sorte, pois a minha empresa – a ECT - não significa para mim apenas o local onde cumpro horário para receber meu salário no final do mês: significa o lugar para onde vou executar o meu trabalho, conviver com pessoas interessantes e queridas. Costumo dizer que trabalho para ser feliz, pois é com o fruto do meu trabalho que posso ter uma vida digna, alegre, fazer o que gosto e contribuir para um mundo melhor. Chego cantando, trabalho sorrindo e todas as tardes quando volto para minha casa, levo a alegria e felicidade de ter saúde, um bom emprego, bons colegas e poder reencontrar minha família, que agora cresceu um pouco mais, com dois netinhos lindos e muito, mas muito mais amor !!! Alguém acha que foi por acaso aquela inscrição em um concurso num dia de chuva, para estimular amigos que nem foram fazer a prova???
Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+