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História

Nada acaba, tudo se transforma

História de: Tiago José Coco Liberatori
Autor: Ana Paula
Publicado em: 16/06/2021

Sinopse

Tiago José Coco Liberatori conta sobre sua formação e vida profissional, passando principalmente por seus aprendizados ao pesquisar e trabalhar com projetos voltados ao terceiro setor. Ele traz reflexões sobre a importância de se pensar no meio ambiente e em ações de sustentabilidade para que possamos entregar aos que vierem depois de nós um mundo cheio de potências e vitalidades.

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Instituto Ethos Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Tiago José Coco Liberatori Entrevistado por Julio Bastos São Paulo, 29 de maio de 2008 Código: ETH_CB029 Transcrito por Michelle de Oliveira Alencar Revisado por Michelle Barreto P/1 – Tiago, pra começar eu quero que você fale o seu nome completo, a data e o local do seu nascimento. R – Meu nome completo é Tiago José Coco Liberatori. Nasci no dia 14 de abril de 1984, aqui em São Paulo mesmo. P/1 – Qual é a sua formação, Tiago? R – Sou formado em comunicação social com habilitação em relações públicas. P/1 – E como você conheceu o Ethos? R – Eu conheci o Ethos já na faculdade quando eu fazia o meu TCC [Trabalho de Conclusão de Curso], ele foi voltado ao terceiro setor, era um assunto que me motivava muito e ainda me motiva muito. E no meio das minhas pesquisas descobri a instituição e desde lá me apaixonei pelo trabalho que eles realizam que é muito nobre, né? As causas que são defendidas, são causas muito nobres e isso me motiva bastante. E agora que eu tô trabalhando no Ethos é uma felicidade enorme tá fazendo parte desse time super selecionado que trabalhamos juntos, né? Pra conquistar... pra esses objetivos aí nobres. P/1 – E qual o tema que te aproximou do Ethos, assim, no seu trabalho, nas suas pesquisas? R – Olha, na época eu tava fazendo um trabalho de pesquisa com uma cooperativa de coleta seletiva lá de Guarujá, fui formado em Santos. E nós gostaríamos de referências, instituições... como é que tava o terceiro setor no Brasil, no mundo, nós fizemos comparações e foi nessa pesquisa que surgiu o Ethos, né? De buscar referências, buscar história, como é que tá, como é que é abordado esse tema aqui no Brasil, a maturidade desse tema, quantos anos isso tá sendo discutido o terceiro setor. E foi no meio dessas pesquisas que eu encontrei o Ethos que me aproximou realmente, né? P/1 – E como você acha que a existência do Ethos tem impacto, por exemplo, nessa cooperativa de coletores de papel, de material reciclável? R – Olha, o Ethos tem um... eu tô há 20 dias lá, tô conhecendo agora o Instituto. Mas eu imagino que o Ethos tem um impacto muito grande em diversos setores da sociedade, em diferentes atores que atuam nesses setores porque ele tá mostrando que é possível sim ser sustentável, desenvolver um negócio, ter um negócio com o qual você não agrida o meio ambiente, que você consiga fazer um comércio justo, uma sociedade mais justa e igualitária. E o Ethos junto com o seus parceiros e diversos... diversas pessoas que trabalham com ele, estão conseguindo mostrar pro mundo, pro Brasil, né? Que é possível sim fazer isso, transformar a nossa realidade, mudar paradigmas, né? Porque o mundo mudou, né? A revolução industrial, os pensamentos mudaram então nós estamos num processo de mudança muito profunda e o Ethos está sendo um ator muito importante nesse processo de mudança positiva, mostrando que é possível sim fazer o diferente, né? Pensar fora da caixa, sempre com o foco nas pessoas, né? Porque atrás de organizações, atrás de faculdades, atrás de instituições, empresas, qualquer que seja o ator são as pessoas, né? São seres humanos que têm desejos, que têm necessidades, têm vontades, têm sonhos e todos fazem parte de um sistema, de uma casa, todos moram na mesma casa, né? Se eu não limpar o meu quintal hoje aqui, se eu tiver uma... se eu jogar um papel aqui no chão eu vou prejudicar um ecossistema, pessoas muito longe de mim geograficamente. Mas isso a gente já percebe que hoje o mundo tá interconectado. Tive... eu participei durante oito meses de um projeto de educação ambiental e eu li muito a respeito, sobre ecologia, ecossistemas e hoje eu percebo como é importante essa questão da gente ter essa consciência da interconexão dos sistemas, porque você imagina um manguezal lá de Guarujá onde está inserido um programa de educação ambiental no qual eu trabalhei, com o qual eu trabalhei, é incrível a interação que ele tem com o outro lado do continente, é incrível. E você... eu pude também estudar, ler, né? A respeito sobre espécies que vivem juntas, não existe desperdício, o resíduo de uma é alimento para a outra, né? A natureza é uma sala de aula viva e eu aprendi muito com esse programa, mudei muita coisa na minha vida até crenças pessoais, né? Muita coisa consegui enxergar com esse programa de educação ambiental. Ele já existe em outros lugares do mundo, as pessoas que trabalham com ele são fantásticas, então eu pude perceber como é importante essa nossa consciência também ecológica, né? De ecossistemas, biologia... Você não precisa conhecer a fundo, eu não conheço a fundo, eu tive a oportunidade de conhecer como é o funcionamento de alguns ecossistemas e de algumas espécies, como elas se inter-relacionam. E assim deveria ser a nossa sociedade humana, né? Ser racional. A natureza, ela não se agride, né? Ela não faz mal pro outro, todos têm o seu espaço, todos fazem, todos têm o seu direito de viver, né? E aqui deveria ser da mesma forma, e a gente tá aprendendo agora na marra porque eu acho que a sociedade ela tá acordando pro pior não acontecer, muita coisa já tá acontecendo, né? Mas durante a conferência aqui eu também concordei com diversas falas, agora não vou me lembrar a pessoa que falou, se eu não me engano, quem foi? Eu não vou me lembrar agora, mas a população vai ainda sofrer muito pra entender essa necessidade de mudança rápida, né? Ter que mudar rapidamente a sua forma de viver, a sua consciência, a sua visão de mundo, a sua percepção como pessoa. E entender que você tá... que você faz parte de um todo, você não é todo. Você é apenas mais um e você tem que respeitar esse espaço, você não pode ficar lá querendo... você não é dono, você tá lá passando por um tempo. A gente tem... a nossa vida tem início meio e fim e a gente tem que dar continuidade pras próximas. A gente tem que dar condições para que as próximas gerações também continuem com esse... tenham direito, né? De usufruir dos mesmos benefícios que nós temos hoje. P/1 – Ah, que legal! Você tava falando do valor das pessoas, né? E como que é, então, trabalhar no Ethos? Porque o Ethos cria indicadores para o funcionamento de uma empresa sustentável e mais humana. Como que é trabalhar lá assim? R – Olha eu vou te falar, tô lá há 20 dias mas eu estou encantado. Encantado com o esforço de cada um do Ethos, é incrível como a turma... né? O grupo de pessoas, os profissionais que lá trabalham são super qualificados, são antes de tudo seres humanos e estão lá com o mesmo objetivo, né? O ambiente é super agradável. E tudo isso são fatores que somam pro sucesso de uma organização, né? Então eu sinto que o Ethos é muito forte internamente, ele tem uma estrutura muito forte. Eu tô apenas há 20 dias mas eu entrei num turbilhão de coisas acontecendo porque a conferência ia acontecer. Então eu presenciei diversos momentos que me deixaram assim, muito surpreso positivamente. Porque no momento de estresse, de crise, de situações assim que você precisa tomar uma decisão rápida, geralmente, as pessoas tomam algumas atitudes não muito legais, mas isso não vi no Ethos. Acho isso super bacana, super ético. A equipe que eu tô, eu tô muito contente de fazer parte, muito contente, é um sonho realizado. É incrível que outro dia eu até comentei com uma... não sei se foi com a Adriana, eu não lembro com quem comentei, mas você fazer parte de uma organização, não importa o que você faz lá, não importa. Você fazer parte de uma organização e poder contribuir para o sucesso dessa organização... que essa organização luta pelas mesmas causas que você acredita, é incrível. É uma satisfação não só profissional, mas é pessoal também, é uma felicidade muito grande, verdade. P/1 – Que bacana [risos]! E assim, você entrou em contato com o Ethos pela sua pesquisa, mas também ele aparece bastante na mídia, né? E nesses dez anos tem alguma realização que você lembra assim que, alguma ação do Ethos que te marcou, que você fala “putz, os caras foram...”? R – Olha… P/1 – Algum projeto? Algum… R – Eu vou falar muito superficialmente, tá? Porque eu não me aprofundei nesses assuntos, mas acho que a grande conquista são indicadores que o Ethos criou. Porque as empresas, elas querem se tornar sustentáveis e não sabem como. E, aliás, não existe uma regra, não existe uma fórmula assim pronta, né? E o Ethos tá junto com as empresas tentando criar caminhos pra sustentabilidade. Eu acho isso uma conquista muito grande do Ethos, porque é muito difícil você mostrar caminhos, né? E acompanhar esses caminhos, avaliar os resultados e trabalhar junto, né? Eu acho que esse foi um passo muito importante. Junto com outras ações também, por exemplo: esse espaço de uma conferência internacional é um espaço único, né? E super importante com pessoas muito sérias envolvidas, palestrantes seríssimos, líderes de RS [Responsabilidade Social] em seus países de origem, são pessoas que pensam nesses assuntos em diversos continentes, diversos países, com diversas pessoas, diversas culturas. E aqui a gente tem um encontro de tudo isso. Eu acho que a conferência também é uma grande realização, eu acredito, do Ethos, porque aqui você tem... você se atualiza, você tem novas sugestões, você sabe o que tá acontecendo do outro lado do mundo... é uma integração muito grande. Eu acho que é um espaço fantástico também. Acho que desde a primeira conferência do Ethos... o Ethos foi muito corajoso de já abrir assim a primeira conferência, recém-criado, né? Mas ele foi corajoso e muito, ele sabia o que tava fazendo. O grupo de empresários que fundou o Ethos foram certeiros assim, eles sabiam exatamente o que estavam fazendo e, de certa forma, foram corajosos em já lançar a primeira conferência internacional que por ter sido um trabalho sério desde o início você viu que cada ano tá crescendo, né? E é essa a tendência, quando você faz um trabalho bem feito, de qualidade, a coisa, a tendência é crescer. Então a conferência é também uma realização do Ethos que eu julgo como de extrema importância pro diálogo da sociedade em torno de um tema que hoje é novidade. As pessoas ainda não sabem, ainda estão tentando na verdade, descobrir novas soluções, estão trabalhando ainda com esse tema. E aqui é um espaço de produção de conhecimento, de troca de idéias, eu acho que a grande realização do Ethos também. P/1 – Legal. Você falou um pouquinho da sua expectativa em relação ao mundo, né? Como você gostaria que ele fosse, e aí assim, meio pra finalizar eu queria que você falasse assim, qual que você acha que é o maior desafio de uma ação como a do Ethos agora? A partir de agora, né? R – Olha, eu como cidadão tem muitas coisas que me inquietam na sociedade, muitas coisas, uma delas é a pobreza, é uma coisa que me toca demais. Eu moro no centro de São Paulo e toda vez que eu vou pro trabalho eu passo embaixo de viadutos, eu vejo, isso me inquieta muito. Porque eu não consigo ver o outro, eu não consigo ver um cachorro mal, eu não consigo ver um animal, né? Eu não consigo... enfim. Eu fico muito triste com a situação que eu vejo ainda fora, sabe? Isso me toca demais e... e eu como cidadão isso me inquieta muito, né? Então eu acredito também que cada cidadão, cada pessoa, cada ator dessa sociedade que a gente vive tem que fazer a sua parte, né? E o Ethos tá fazendo a dele, né? Ele tá fazendo a dele de uma forma muito competente. E qual era a tua pergunta mesmo? P/1 – Qual que você acha que é um desafio assim, uma coisa que você observa que você acha que ainda não foi resolvida mas que pode vir a resolver a partir da atuação do Ethos. R – Ah sim. Olha, eu acho que o grande desafio do Ethos é envolver mais e mais atores nessa sociedade. Você veja que uma conferência desse porte, dessa importância, eu não sei te precisar a quantidade de inscritos mas eu acho que é muito pouco ainda. Aqui deveria estar assim, as pessoas deveriam estar procurando muito mais esse assunto, estarem preocupadas mais com esse assunto, as empresas também. Então acho que um desafio pro Ethos é conquistar mais e mais empresas, mais e mais pessoas e mostrar a elas que é importante esse novo olhar, né? Que é importante acordar desse sono profundo aí que eles estão vivendo, que são assuntos que interessam a mim, interessam a você, interessam a todos. Porque se a gente não fizer nada agora, né? A gente já até tá cansado de ouvir essas mesmas histórias mas isso é realidade, se eu não fizer nada agora amanhã o que pode ser, né? Então, por que esperar? Vamos fazer alguma coisa já. Eu acho que esse é o grande desafio do Ethos, é conquistar mais e mais parceiros. P/1 – E o quê que você achou de contar um pouquinho dessa sua história aí pra gente [risos]? R – [risos] Ah eu acho super importante esse momento oferecido, né? Cada um tem a sua história e cada um tem o seu valor, né? Eu acho que é importante sim porque quando a gente conta uma história, quando a gente conta as nossas experiências, a gente conta detalhes de coisas, situações que nós passamos... isso soma, isso enriquece mais o nosso dia-a-dia, né? A história é muito importante, sem história a gente não tem noção da onde a gente veio, do que a gente é, né? Eu acho super importante esse momento de contar um pouco a nossa história, de resgatar também, acho muito importante. P/1 – Legal! Ah, quero agradecer então por você ter contado sua história pra gente em nome do Museu da Pessoa, obrigada. R – Tá bom, obrigado. P/1 – Tá bom? R – Obrigado. ---FIM DA ENTREVISTA---
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