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Na roça é diferente

História de: Elias Alves da Rocha
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/10/2018

Sinopse

Elias Alves da Rocha, nascido em 20 de Janeiro de 1935, em Pernambuco, filho de Firmino Alves Rocha e Gioventina Ferreira do Carmo, onde tiveram 21 filhos. Hoje casado há mais de 59 anos e pai de três filhas, contou sua história no Nordeste, como o famoso Capão, que alimentava mulheres que iriam ganhar neném e uma vaca que morreu entalada. Quando chegou a São Paulo, achou que isso tudo era uma loucura, ele que havia vindo da roça, em sua infância com seus irmãos, de diversão em diversão, adorava brincar ordenhando vacas, cuidando dos porcos e galinhas. Chegando aqui foi trabalhar em um restaurante e logo ingressou no exército por 11 meses. Sobre a história do bairro de Vila Maria, em seu passado tinha muitas enchentes e apenas uma linha de ônibus. Se na roça a vida não era fácil, São Paulo não parecia diferente, mas Elias superou e continua superando todos os obstáculos da vida ajudando pessoas e sua Igreja.

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Desde que me entendo por gente, eu trabalho. A mãe levantava a gente de manhã e cada um tinha uma função. Dois iam tirar o leite das vacas, outro ia cuidar dos porcos, outro ia cuidar das ovelhas, outro ia dar comida para as galinhas. Quando terminava ali, “então agora é hora de ir pra roça”. Ia de manhã e só voltava à noite. Tomava um bom café de manhã, minha mãe fazia um cuscuz grande de milho, fervia o leite e fazia o café. Só íamos quando todo mundo estava alimentado. Levávamos água e, às 11h30, uma pessoa levava o almoço, era uma bacia de alumínio grande. Na época, só existia arroz para quem estava doente. Fomos criados com feijão, fava e farinha de mandioca. Tinha outro detalhe: quando a mulher ia ganhar neném, tinha sempre de 30 a 40 capões e ela ficava 40 dias só cuidando do pequeno e comendo pirão de capão. E, uma vez, uma vaca engoliu um negócio e ficou engasgada. Era uma das melhores vacas de leite que a gente tinha. Todo mundo do bairro ficou sabendo e veio encostando, tinha mais de 100 pessoas e não conseguimos desentalar, a vaquinha morreu. Na época do verão, íamos para o rio tomar banho, para os açudes. A gente se divertia nos bailinhos dos amigos.

Quando eu vim de Pernambuco, fui morar com um irmão no centro, fui para o Exército e, depois, nos mudamos aqui para a Vila Maria. Foi muito triste, porque aqui era só barro. Quando você pensava que ia chover, aqui já estava tudo inundado, era um negócio terrível. Chovia meia hora, estava tudo cheio de água.

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