Busca avançada



Criar

História

Músico desde a infância

História de: Paulinho Carvalho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/07/2005

Sinopse

Paulinho começou cedo na música. Ganhou de sua mãe o primeiro violão e ela lhe ensinou os primeiros acordes. Mudou na adolescência para o baixo e com vinte anos já tocava profissionalmente. Acabou sendo chamado por Lô Borges para gravar o disco “Via Láctea” e depois disso se entrosou com o restante do Clube da Esquina, participando de momentos importantes como a Missa dos Quilombos, de Milton Nascimento.

 

Tags

História completa

 

P/1 - Paulinho, bom dia. Obrigado por ter vindo aqui dar seu depoimento. Eu queria que você começasse repetindo pra mim o seu nome completo, data e local de nascimento.

 

R - Bom dia. É um prazer enorme. Meu nome é Paulo César de Carvalho, mais conhecido como Paulinho Carvalho. Nasci em dez de março [de] 1954 em Belo Horizonte, Minas, Brasil.

 

P/1 - Paulinho, como é que a música chegou na sua vida? [Como] você chegou na vida da música?

 

R - Desde pequeno, desde novo, com cinco anos eu já tinha ganhado os meus primeiros instrumentos pequenos - uma marimbazinha, essa coisa toda. Por volta dos onze, doze anos, a minha mãe me deu um violão e me ensinou a tocar os primeiros acordes, tocar Perpétua, e eu me encantei. 

Aí eu comecei a correr atrás e logo em seguida veio o advento dos Beatles, que foi uma paixão comum a todos e acredito inclusive do Clube da Esquina, todo mundo. Foi uma paixão que arrebatou todos nós. A gente já começou a montar aquelas pequenas bandas, ensaiava na garagem dos prédios e eu não tinha ideia que seria baixista. Eu comecei com o violão, aí um belo dia faltou baixista. Todo mundo queria ser guitarrista, todo mundo queria ser baterista, ninguém queria ser baixista, então sobrou pra mim. Isso eu tinha uns quinze, dezesseis anos. 

Eu peguei o contrabaixo e fui até hoje. É o meu forte, embora eu toque violão. Gosto muito de violão, estudei um bocado de violão e toco razoável, agora o baixo foi o instrumento que eu escolhi mais fielmente pra me acompanhar.

 

P/1 - Começou como uma brincadeira. Quando é que virou profissional? Quando é que o baixo virou de verdade?

 

R - Isso já com vinte anos, eu já tinha uma banda mais ou menos profissional. Eram garotos, mas a gente tocava por cachê já. Tocava nas horas dançantes do Mackenzie, do Minas Tênis Clube e já era profissional. Eu acredito que [ganhei] meu primeiro cachê [quando] eu tinha dezenove, dezoito anos, por aí. 

A partir daí começaram as coisas mais sérias. Comecei a tocar num bar que chamava inclusive 14 Bis, isso muito antes de existir a banda 14 Bis. O bar era do Célio Balona, eu tocava violão e acompanhava uma cantora.  O Marilton Borges foi lá um dia e assistiu, gostou e me chamou pra tocar guitarra na banda dele, no 890. Fiquei uns cinco anos tocando nessa banda, que era a melhor escola da música popular no Brasil. Nessa época ainda era à noite, então a gente tocava de segunda a domingo, eram todos os dias até o último cliente sair durante cinco anos. 

Nisso aí você pega uma experiência enorme, fora a variedade de artistas e músicos que aparecem pra te ver tocar. Teve uma noite que me lembro que o Gilberto Gil foi assistir. Ele vinha fazer show em Belo Horizonte, depois ia pro bar ver a gente tocar. O Marilton me botou pra cantar o Maracatu Atômico pro Gilberto Gil, uma situação assim danada. Eu cantando Maracatu Atômico e o Gilberto Gil embaixo de mim, olhando; ele parecia que estava gostando. 

Nesse meio tempo, tinha a garagem onde O Terço ensaiava, onde eles se encontravam, onde moravam os pais do Ganso [Cláudio Venturini]. Era uma pensão e a gente brincava muito, ia pra lá de tarde e ficava tocando violão com o Cláudio Venturini, isso tudo com a vontade de me aproximar do Flávio. 

Um belo dia o Lô foi lá, viu a gente tocando e ia fazer o segundo disco depois do disco do Tênis, o Via Láctea; ele gostou e me chamou. Ele falou: "Quero que você toque." 

Nesse caso, eu já estava tocando baixo. Eu larguei por um período pequeno o baixo, mas o retomei logo em seguida. O Lô viu e me chamou pra gente montar a banda e fazer o Via Láctea, que [é] um dos melhores discos que eu já gravei, um disco histórico. Acho que é um disco fabuloso, de grandes composições, que foi um marco na vida de todos nós.

 

P/1 - Paulinho, você tem lembrança da primeira vez que você ouviu o disco Clube da Esquina 1?

 

R - Tenho, tenho sim muita lembrança. Nessa época, estava sendo lançado também... Parece que foi o Eletric Ladyland do Jimi Hendrix. Eram os discos que a gente ouvia mais, o Clube da Esquina 1, do Milton, o primeiro disco dele e o Eletric Ladyland, então eu tenho excelentes recordações nessa época do Clube da Esquina 1. 

Como eu não era muito próximo ainda, eu sonhava muito em me aproximar de todo mundo, porque eu tinha uma admiração enorme tanto pelo Milton quanto pelo Toninho, o Wagner, eu tinha uma paixão violenta inclusive pelo Novelli. Eu ouvi o Novelli tocando baixo e falava assim: "Nossa, esse cara é safado, danado, que cara fabuloso!" Tinha muita vontade de me aproximar. Como veio o advento do Via Láctea, quando foi a gravação do Clube da Esquina 2 eu já estava no estúdio vendo o pessoal gravar, eu já participei. 

Não cheguei a tocar, mas participei de todas as gravações; eu fiquei sentado lá no chão no cantinho do estúdio, vendo a gravação e foi aquele encanto. Daí por diante na vida foi andar com os mineiros e tocar com todos. Porque eu cheguei a gravar com todos, graças a Deus, todos que você pensar dessa época a gente acabou gravando - a não ser com o Novelli, é claro, porque ele é baixista e eu sou baixista também.

 

P/1 - Mas aí você gravou com o Lô primeiro e depois? Com quem foi?

 

R - Neste mesmo ano do Via Láctea, o Tavinho Moura me chamou pra gente fazer o segundo disco dele. Eu não me lembro muito bem o nome do disco, mas nós entramos em estúdio, fizemos um superdisco também e logo em seguida… Eu não sei assim exatamente se foi essa sequência, mas logo em seguida veio o Flávio Venturini. O Flávio não ia sair do 14, mas ele ia fazer a carreira solo e começamos a gravar o Nascente. Começamos a ensaiar lá em casa e fizemos o Nascente. 

Nesse meio tempo, veio uma série de coisas. Nessa época era muito fértil a demanda de shows, a gente fazia muitos shows, rodava o País inteiro - São Paulo então, a gente tocava demais. Eu [fazia parte] da banda do Lô e paralelamente fazendo esses discos com o Tavinho, com o Flávio e uma série de outras pessoas de Belo Horizonte que eu acabei entrando de tabela.

 

P/1 - Eu queria que você contasse um pouco do disco A Missa dos Quilombos, que foi um disco que você produziu.

 

R - A Missa foi uma ideia muito bacana que o Milton, o Dom Pedro Casaldáliga e o Pedro Tierra tiveram juntos e era uma coisa de uma força memorável. E o Milton na época, como eu já tocava com o Milton - eu esqueci de falar que nesse meio tempo o Milton me chamou pra tocar com ele e fazer o primeiro disco, que foi o Sentinela, [em] que eu gravei duas faixas, a Canção da América e Itamarandiba. Então, como a gente tinha uma proximidade muito legal, o Milton falou: "Olha, vai acontecer essa coisa da Missa dos Quilombos e eu quero que você mais o Tavinho Bretas escolham os cantores. São dez cantores que vocês vão escolher." E me deu um cargo: "Você vai ensaiar os cantores, você vai passar as vozes. Eu quero tudo mais uníssono, evitar muito vocal, mas eu quero que você ensaie. Quando eu chegar você me apresenta o coro já pronto." 

Eu fiquei coisa de uns vinte dias ensaiando com os meninos todos os dias. Eu já tinha pegado as bases todas de violão, chamei o Celso Moreira, que o Milton também ajudou a escolher. Chamamos o Celso e ensaiamos o coro. As músicas eram um pouco complicadas, são lindas, mas eram um pouco difíceis e nós tivemos um pouco de trabalho pra tirar como o Milton queria. Quando o Milton chegou, nós entregamos o coro e ensaiamos a banda toda; aí veio uma série de pessoas, o Robertinho Silva mais cinco percussionistas. Eu resolvi e dei o toque no Milton, falei: "Vamos chamar o Flávio Venturini pra fazer com a gente." 

Fomos pra Recife fazer a Missa dos Quilombos na praça da Igreja Matriz de Recife, onde o Zumbi foi decapitado e no dia da morte do Zumbi. Foi uma comoção muito grande porque o público ficou completamente louco, foi uma coisa de outro mundo, nós tivemos que sair e [nos] escondermos no camarim, o povo queria arrancar o telhado pra agarrar a gente. Foi um negócio muito bacana, foi uma emoção das maiores que eu tive - muito pelo prazer de ter conhecido o Dom Hélder Câmara, que eu achei uma coisa formidável, de estar alguns momentos sozinho com o Dom Hélder e de passar as noites com Dom Pedro Casaldáliga também. Fora a maravilha que é o Milton fazendo a missa. 

Tinha um momento da missa que era muito especial pra mim, que era uma música que eu tocava sozinho no violão com o Milton cantando. Éramos só nós dois, um momento pra mim que era do outro mundo.

 

P/1 - Você se recorda do dia em que você conheceu, que você chegou perto do Milton?

 

R - Eu me recordo. Isso foi na casa de um amiga, a Cláudia Cimbleris. O Milton estava voltando dos Estados Unidos com o disco Native Dancer, e estava o Milton, o Ronaldo Bastos e mais algumas pessoas. Tinha o… Como chama aquele menino lá do nordeste que canta, amigo do Alceu Valença... É o Geraldinho Azevedo. Estava com a gente e eu conheci dessa talagada todo mundo. 

Nessa aí o Milton ia produzir o Via Láctea, mas ainda não estava certo; a data mudava e eu acho que fiquei tão empolgado que comentava pros outros: "Poxa, vou gravar um disco do Lô Borges com o Milton, [ele] vai ser produtor", e o negócio furava. 

Enquanto eu não fiquei calado o disco não aconteceu. A partir do momento que eu fiquei quietinho o disco foi gravado rapidinho, nós fizemos o disco e fomos para estúdio, foi uma delícia. Foi um negócio memorável. O Marcinho Borges levava os filhos, os meninos eram pequenos e dormiam no sofá enquanto a gente gravava. 

O período de gravação era de nove da noite às cinco da manhã, todos os dias. Um mês dentro do estúdio. Foi uma coisa inesquecível. Pra mim, naquela época, se eu pudesse ter mudado pro estúdio eu morava lá, não queria sair de lá porque era muito interessante, muito gostoso a sensação que você tinha de música. Foi a primeira vez que eu tive uma sensação musical forte, muito bacana mesmo. 

Daí veio uma série de coisas. Eu comecei a tocar com o Milton e acabei fazendo com ele nove álbuns, chegamos a fazer o Ao Vivo no Anhembi com a Orquestra Sinfônica, o Wagner [Tiso] regendo, fizemos a Missa dos Quilombos no Caraça, passamos uns vinte dias no Caraça gravando a Missa numa igreja. Os padres ficaram completamente loucos vendo aquela estrutura, nós tiramos tudo de dentro da igreja - você imagina, aquela igreja do Caraça - nós desmontamos a Igreja e montamos um estúdio lá dentro. Os padres ficaram loucos, é claro; não podia ser de outra forma, mas foi um resultado fantástico. Disso vieram outros CDs com o Milton - a gente fazia um por ano - e muitas turnês. Nós rodamos, fizemos Montreux, na Suíça, fizemos um disco lá. Fomos pra Cuba e ficamos um mês lá com o Chico Buarque, enfim, rodamos bastante.

 

P/1 - Tem algum caso de turnê, de viagem, interessante que você possa registrar pra gente?

 

R - Olha, tem muitos casos interessantes. Teve uma passagem que foi no disco dos Borges que nós estávamos gravando na Odeon, foi muito interessante. A Odeon tinha Estúdio A e Estúdio B; nós estávamos fazendo o LP, na época, dos Borges, no estúdio B e a Elis Regina gravando o último disco, aquele que tem Vivendo e Aprendendo a Jogar. Nós [estávamos] gravando ao mesmo tempo, então a gente cruzava com a Elis Regina o tempo inteiro no corredor e foi uma coisa inesquecível também. Todas essas coisas são mágicas pra quem é músico. 

E a Elis, de repente… Uma bela época a Elis resolve vir pra Belo Horizonte, me liga e me chama pra fazer um trabalho com ela, pra começar a fazer turnê. Inclusive rolou um pequeno affair entre nós dois e eu fiquei com medo. Eu tinha casado há algum tempo e minha esposa estava esperando o meu filho, o Daniel. Eu fiquei morrendo de medo, ela me falou assim: "Você vai mudar pra São Paulo, vou te alugar um apartamento." E eu falei assim: "Ah, eu nunca tive filho. Eu não vou ter filho em São Paulo porque eu não sei, se faltar alguma coisa tem que ter alguma avó lá pra me ajudar porque eu não vou dar conta, não.” Eu meio que afinei de ir pra São Paulo.  Uma outra época ela voltou e me pediu desculpa, falou: "Olha, você me desculpa." Ela estava brigando com o César [Camargo Mariano] e falou: "Poxa, foi tudo uma questão mal entendida e não pude retornar a você." Mas de qualquer forma ficamos grandes amigos. Esse é um dos casos que aconteceu. São vários, que se eu for lembrar algum pitoresco… Nós tivemos várias situações bem interessantes. 

 

P/1 - Você gravou nove discos ou ficou nove anos?

 

R - Fiquei nove anos e gravei nove discos.

 

P/1 - E aí, depois você parou de tocar com o Milton?

 

R - Paralelamente eu tocava com o Beto também, porque o Milton fazia uma quantidade certa de shows e parava durante um tempo, aí eu comecei a tocar com o Beto Guedes. 

Fiquei treze anos com o Beto Guedes. A gente rodou... Teve uma época que a gente fazia uma média de 94 shows por ano, era quase um show de três em três dias, então a gente vivia na estrada, viajava muito. A equipe era excelente, a banda era muito boa e culminou na gravação do disco ao vivo que nós fizemos no morro da Urca com o Caetano Veloso cantando. 

Tem esse caso que é pitoresco: eu tinha uma calça toda zebrada e a calça quase tocava porque eu só usava ela pra tocar, adorava a calça. Então no morro da Urca, a gente tocando, fazendo um show lá com o Caetano, a Gal Costa estava sentada do meu lado. A Gal Costa ficou olhando assim e quando acabou o show a Gal virou pra mim e falou assim: "Poxa, sua calça é linda!" Eu quase tirei a calça e dei pra ela: "Toma Gal, a calça é sua, pode levar que eu não aguento mais olhar essa calça." (risos) Ficamos assim, amigos, foi muito bacana.

 

P/1 - E você teve um retorno agora de tocar com o Milton Nascimento, não é?

 

R - É, a gente fez, nessa coisa do Museu exatamente. A gente foi fazer uma dessas apresentações do Museu, foi em Três Pontas, e era um show do Telo. Engraçado que era um show mais do Telo com o Milton de convidado especial, então foi o Toninho Horta, foi um bando de gente. 

Quando chegou em Três Pontas eu tinha uma coisa mais ou menos programada na minha cabeça, de chegar lá e tocar as coisas com o Telo que a gente já toca há muito tempo também, o Telo Borges. O Milton virou à tarde pra mim e falou assim: "Monsieur Paul”  - ele me chama de monsieur Paul - "Olha, quero ensaiar, estou afim de ensaiar.” Eu falei: "Que isso Bituca, ensaiar hoje?" Ele falou: "Hoje, onze e meia, meia noite, nós vamos começar a ensaiar." Eu falei: "Nossa Senhora." 

Fomos pro teatro e ensaiamos até as três da manhã as músicas que ele resolveu que queria tocar lá. E essa foi uma apresentação superlegal, o Mário Castelo estava na bateria. O Milton gostou bastante e pediu pra Marilene, a empresária, falou: "Olha, contrata os meninos. Quero fazer mais duas apresentações deles em dois shows, um em Juiz de Fora e o outro em Barbacena." Foi em dezembro agora de 2004 e foi uma delícia. É sempre uma delícia tocar com esse pessoal, não tenha dúvida. Com o Milton, então, é sempre maravilhoso.

 

P/1 - Já que você falou do museu, Paulinho, o que você acha dessa iniciativa do Clube da Esquina virar um museu?

 

R - Eu acho genial, porque nós temos que guardar todas essas coisas que andavam meio dispersas, e são momentos maravilhosos, importantíssimos pra música brasileira. E te digo mais, acho importantíssimo pra música mundial, porque as pessoas lá fora têm uma visão da música mineira que é uma música muito rica harmonicamente, elas têm uma visão com um respeito fabuloso. 

Uma determinada época o Lyle Mass veio pra Belo Horizonte, ele tinha uma namorada aqui. O Lyle Mass é tecladista do Pat Metheny e tocou num bar aí, foi tocar piano. Quando terminou essa apresentação ele insistiu com a gente e disse: "Eu quero que vocês me levem agora no Clube da Esquina." Aí nós falamos: "Mas não tem Clube da Esquina." Ele falou: "Não é uma sociedade secreta? Não é possível! Vocês tem que me levar lá." Eu falei: "Não, cara. Não existe o Clube da Esquina!" Ele achou que tinha uma casa que chamava Clube da Esquina. Então, a gente vê que é importante demais pra esse povo todo no mundo - os jazzistas principalmente, que são ricos em harmonia -, essa referência do Clube da Esquina é muito importante. O museu catalogar essas coisas todas, eu acho de suma importância. Vai fazer bem pra todos nós e [pra] toda a comunidade musical nacional e mundial.

 

P/1 - Paulinho, você primeiro como um espectador, como um fã, depois como um participante de todas as horas. O que você sente assim do Clube da Esquina? Foi um movimento? E que significado que ele tem na sua vida?

 

R - Bom, eu não sei se [é] a palavra certa, [se] poderia dizer um movimento. O Clube da Esquina teve um envolvimento harmônico, um envolvimento musical muito forte e as pessoas nessa época estavam extremamente abençoadas, elas foram muito abençoadas compondo; eles estavam compondo à rodo composições extremamente abençoadas. Isso me auxiliou demais - falando no meu caso, especificamente - a ter uma outra visão harmônica, uma outra visão musical do que é a forma de pensar não só Minas, mas a forma de pensar desse povo, do criador do Clube da Esquina, que é um jeito de respirar diferente. São coisas delicadas, são coisas sutis, coisas de um altíssimo teor musical. Enfim, eu acho que foi essencial na minha vida o acontecimento do Clube da Esquina.

 

P/1 - Paulinho, a gente está chegando ao final. Tem alguma coisa que eu não te perguntei que você queira falar, mais algum caso que você tenha lembrado?

 

R - Não... Casos, se a gente for começar a contar é muita coisa. A gente fez muitas turnês rodando por aí. Na época do projeto Pixinguinha a gente saía de Belo Horizonte e rodava o nordeste todo, pingando de capital em capital. Nessa época foi uma vez que o Márcio Borges foi e tínhamos casos hilariantes, muito engraçados, mas é muita coisa. 

Vou contar um caso rápido: eu e o Marcinho Borges, sentados no balcão do bar do hotel lá em Natal. O teto era um pouco baixo e cheio de cálices de vinho pendurados de cabeça para baixo. Nós discutimos naquela euforia toda, numa dessas o Marcinho falou assim: "Porque você..." E pá! Passou a mão e quebrou uns 25 copos de uma vez que estavam dependurados. Eu ria e não tinha jeito de parar, e o dono do bar ficou nervoso pra danar. 

Tem vários casos assim, que se a gente for falar é muita coisa. Mas eu lembrei alguns mais engraçados e espero que tenha sido interessante.

 

P/1 - O Marcinho fala com a mão, não é?

 

R - Fala com a mão e quebrou assim uns 25 copos de uma vez. Estava tudo dependuradinho assim. Ele levantou imediatamente e falou assim: "Eu pago! Eu pago!" Mas já tinha feito, a bagunça já tinha sido feita. (risos)

 

P/1 - Paulinho, alguma mensagem, algum agradecimento que você queira registrar? 

 

R -  Não. Eu quero é desejar pra nós -  porque eu faço parte dessa história -  quero desejar pra nós um empreendimento superlegal, porque a ideia é muito boa e eu quero estar sempre junto, sempre que puder colaborar gostaria demais de estar perto. Aliás, não tem como eu ficar longe porque isso faz parte de mim. Estou às ordens e quero agradecer muito de estar participando desse evento todo.

 

P/1 - Paulinho, então em nome da associação eu gostaria de agradecer o depoimento.

 

R - Muito obrigado você também.



 

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+