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Muitos códigos - O operador

História de: Celio Batista
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/02/2014

Sinopse

Em sua história Celio Batista conta que nasceu e cresceu no bairro de Santana, São Paulo, capital. Entrou nos Correios, ainda adolescente, como estafeta, com a missão de entregar telegramas. Foi telegrafista e operou durante anos aparelhos de código Morse e Baudot. Atualmente é operador de comunicações no CST (Centro de Serviços Telemáticos). Em seu tempo de empresa acompanhou a evolução tecnológica do setor telegráfico, sempre procurando se adaptar as novidades da área.

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História completa

Meu nome é Celio Batista, nasci no bairro de Santana, São Paulo, SP, no dia 05 de julho de 1942. O meu pai era Eupídio Batista e minha mãe Ana Soares Batista. Éramos em oito irmãos, eu fui o terceiro homem, depois tem mais duas irmãs mais novas do que eu e três mais velhas. Tive uma infância normal. Naquela época, a gente não tinha muita coisa, mas era muito bom, a gente dava valor para tudo o que a gente tinha. Eu morava ali em Santa Terezinha, perto do bairro de Santana. Naquela época nem asfalto tinha nas ruas. E eu cresci ali até os 12 anos, depois fui morar lá em Tucuruvi. E a gente pagava aluguel. Meu pai trabalhava, minha mãe costurava em casa, minha mãe fazia gravatas. Ela ia à Rua José Paulino, pegava nas fábricas que tinham, levava pra casa e costurava. Conforme fui crescendo, quando já tava maiorzinho, de vez em quando eu mesmo, ela fazia e eu que levava às vezes. Eu, o outro meu irmão, levávamos as costuras dela, trazíamos as outras, e assim ela ajudava o meu pai. O meu pai era militar, naquele tempo não era PM [Polícia Militar], era Força Pública, depois ele passou para o Corpo de Bombeiro, ele ficou certo tempo de bombeiro. Como um compadre dele tinha muita influência nos Correios, o levou. Depois que ele saiu do Corpo de Bombeiro, foi trabalhar lá. Ele ficou quase uns 15 anos nos Correios. Até que comecei a trabalhar, cedo, com 14 anos já trabalhava registrado [com carteira de trabalho assinada] como office-boy. Comecei a conhecer a cidade. Trabalhei na Santos e Santos Publicidade, depois na Droga Raia e dali eu fui para os Correios. Tinha um vizinho meu, sogro da minha irmã, que na época era eventual do diretor. O diretor era o senhor Jair Alvarenga e o eventual era o senhor José Maria Ramos. Eu conversava muito com ele, porque era vizinho, eu era molecão ainda, ele perguntou se eu queria trabalhar no Correio. Eu falei: “Ah, eu gostaria se o senhor conseguir pra mim”. Ele falou: “Olha, então você vai lá e fala comigo, me procura lá no gabinete. Fiz uma provinha, nem lembro como foi a provinha, tanto tampo. Depois me deram um papel, me mandaram passar no ambulatório médico, fazer os exames médicos. Fiz os exames médicos. Me chamaram no outro dia, falaram: “Olha, pode começar a trabalhar”. Eu comecei como, naquele tempo se falava estafeta, mensageiro, que entregava telegrama. A gente só entregava telegrama. Fiquei mais ou menos um ano e pouco trabalhando na rua, entregando telegrama. Depois consegui, me passaram para trabalhar interno, eu fui para a oficina gráfica dos Correios, ficava na Barra Funda. Aqueles impressos do Correio eram feitos pelo próprio Correio, hoje é diferente, mas era o Correio mesmo que fazia tudo. Os próprios funcionários eram do Correio. Lá em frente, lá na Barra Funda, tinha uma escola de radiotelegrafia, que me chamou atenção, porque eu trabalhava no Correio, sabia que o Correio usava aquilo. E eu fui lá, fiz a inscrição e comecei a aprender. Comecei no setor de rádio. Porque tinha o setor de rádio e tinha o Baudot, que era um aparelho antigo também, que tinha cinco teclas, e o teletipo, a ala de teletipos. Eu fiquei no setor de rádio, onde tem o Morse. Fiquei direto ali. Eu comecei a trabalhar com Morse, com rádio, com teletipo, depois veio o telex. O telex quando veio era um assombro, você já batia, já saía direto. Com uma coisinha só, você falava com o Brasil inteiro. Para nós foi uma maravilha, foi crescendo. Depois do telex veio o computador, veio o fax e fomos acompanhando. Em 62 eu fui designado para ir pra Águas de São Pedro, porque naquele tempo tinha telegrafia nesse lugar, quando entrava de férias tinha que ter alguém pra substituir, porque não era qualquer um que conhecia o setor de telegrafia. Então São Paulo tinha que mandar alguém pra esses lugares. Eu fui pra Águas de São Pedro, quando eu cheguei lá, eu tinha 20 anos, o senhor que trabalhava lá era o chefe da agência e ele que atendia, ele era o telegrafista e tudo. Naquele tempo a gente chamava o agente do Correios. Cheguei lá, o inventário tava pronto. Eu falei: “Olha, mas eu vim aqui pra trabalhar como telegrafista”. Ele falou: “É, mas você vai me substituir, eu sou o chefe, você vai pegar a agência”. Eu peguei, conferi tudo, assinei o inventário, e já tava lá mesmo, recebi a agência, com 20 anos de idade. Fiquei tomando conta do Correio com 20 anos. Até acabar todo o tempo dele, ele voltar e eu passar de novo a agência pra ele e vir embora pra São Paulo. Com o regime CLT começaram a entrar várias moças de 18 anos para cima que passaram pelo meu setor e era eu que as ensinava, a minha esposa foi uma delas, acabamos namorando e acabamos casando. Ela trabalhando no Correio, eu também. Ela ficou 14 anos ainda trabalhando junto comigo. Meus filhos cresceram, minhas duas filhas fizeram faculdade, uma é jornalista, a outra também fez Comunicação, hoje ela trabalha no Banco Votorantim, é gerente lá no Banco Votorantim. E a outra formou jornalista, foi passear na Austrália, gostou tanto que quando voltou, falou: “Pai, eu vou morar na Austrália”. Eu pensei que fosse brincadeira dela, falei: “Ah, tudo bem”. Não acreditava. Ela foi, ficou lá, acabou conhecendo um rapaz lá, casou, mora lá hoje, há 12 anos. Tem um menininho agora, que tem um ano. Eu e minha esposa moramos no mesmo lugar que comprei quando casamos, faz 41 anos. E essa foi toda a trajetória minha no Correio, eu aprendi muita coisa. Foi muito bom. E isso tudo por causa do Correio. Inclusive, a mulher que eu casei também foi pelo Correio. Ela me conheceu lá e estamos juntos até hoje.

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