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História

Muito riso no meio do caminho

História de: Hallorino Machado Júnior
Autor:
Publicado em: 27/04/2021

Sinopse

Com boa memória para datas, Hallorino Júnior pontuou, ao longo de seu depoimento, aquelas que mais marcaram sua história. Uma delas é a de 9 de dezembro de 2013, quando um espantoso número de acessos em um vídeo que havia postado na internet como trabalho da faculdade confirmou o que ele já desconfiava: seu caminho profissional, apesar das dificuldades, sempre o redirecionava para o humor. Hallorino conta como o menino tímido e gago se interessou pelo teatro e como as temporadas que passou em Curitiba e no Rio de Janeiro, em vez de impulsionarem sua carreira, quase o fizeram desistir de vez dela. Enfim, era mesmo na região da pequena Tibagi no Paraná, onde nasceu, que ele acabaria se firmando como comediante, com um dos canais de humor mais acessados da internet.

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História completa

Meu nome é Hallorino Machado Júnior, e eu sou de Tibagi, interior do Paraná. É centro do Paraná, 200 quilômetros de Curitiba, 18 mil habitantes, pequeníssima a cidade Eu era gago, até sou um pouquinho gago, mas hoje não mais tanto quanto eu era quando eu tinha 13 anos. Um gago, com nome feio e pobre, e tudo que tinha pra dar errado. Todo mundo entrando no colégio, e as professoras falavam: “Hallondrino”. E eu: “Presente”. Falavam meu nome errado, sabe? Halloriano. Nunca Hallorino. E o pessoal zombava, né? Na época não tinha bullying, era zoeira. O pessoal zoava, e eu era gago, não conseguia falar, não saía nada. E foram a timidez e a gagueira que me fizeram ver: “Ah, oficina de teatro em Tibagi. Venha fazer e tal”. E quem estava na oficina era só mais a galerinha que: “Meu filho vai ser um artista e tal”. Eu era o único pé rapado lá. Enfim, isso foi bem legal. Eu gostei dessa experiência e nunca mais parei. E foi por conta da timidez e da gagueira. Primeira oficina de teatro que eu fiz. E eu nunca parei com o teatro. Vivi em Tibagi até meus 20 anos, mas tive um tempo dos 17 aos 18 anos em Curitiba. Aí dei um pulo no Rio de Janeiro, onde eu fui tentar aprender um pouco mais de TV e cinema. Tive a oportunidade de fazer figuração lá, e achava que a figuração ia me deixar famoso. E, na cidade, fiquei: saiu uma matéria no jornal da cidade assim: “Ator tibagiano faz sucesso na Globo”. Tinha uma foto minha embaçada: era o final da novela Sete pecados, da Globo, a luta do Malvino Salvador, e eu fiquei muito embaçado atrás dos caras. Foi muito engraçado isso. Eu tive esse período no Rio de Janeiro de três meses e aí voltei pra Tibagi. Falei: “Vou desistir de tudo. Pra mim, deu. Acabou”. Arrumei trabalho na prefeitura e fiz Publicidade. No meio do curso de Publicidade surgiu uma oportunidade pra fazer stand-up. E era legal porque era um trabalho de faculdade: “O texto mais cômico vai subir ao palco”. E todo mundo foi, a sala inteira foi no primeiro dia de stand-up meu e foi um sucesso. Não parei mais de fazer stand-up. Logo depois veio o personagem que hoje é o carro-chefe, que é o Carmo. O Carmo é um pobre, vagabundo, que mora com os pais, não quer saber de trabalhar, e as pessoas se identificam muito com ele, não sei por quê. E foi o primeiro personagem de sucesso que eu criei, que eu sabia o que eu estava fazendo. Depois que eu entrei no stand-up, que criei o personagem, também era um trabalho de faculdade que eu tinha que fazer um viral: “Até sexta-feira vocês precisam fazer um viral pra internet”. Tinha que ter 300 acessos. E o Gusttavo Lima foi fazer um show na cidade de Ponta Grossa, era numa quarta-feira. E ele atrasou, chegou duas horas da manhã numa quarta-feira, quando as pessoas tinham que trabalhar no outro dia de manhã. E eu peguei: “Ah, vou fazer um ponta-grossense, um paranaense, decepcionado com o Gusttavo Lima”. Não o ofendi em nenhum momento, só falei: “Oh, Gusttavo, eu tô triste com você, rapaz. Saí do meu trabalho, fui mandado embora do meu trabalho, cruzei aqui da 31” – que é um bairro – “até o centro do evento pra assistir ao teu show e você não foi, rapaz”. E soltei esse vídeo no outro dia no meu perfil. Depois, um monte de mensagem: “Cara, o que é isso? O que está acontecendo?”. As pessoas achavam que o Carmo realmente era um cara revoltado com o show do Gusttavo Lima. Porque virou notícia aquele lance do Gusttavo Lima na cidade inteira, só se falava na quinta-feira no Gusttavo Lima que faltou. E tinha um cara que fez um vídeo: “E olha só o que esse cara aqui fez representando a gente, não sei o quê”. Aí deu 50 mil acessos no YouTube no dia. A mente publicitária pensou o quê? Não posso parar. Agora é a virada. Já fiz outro vídeo falando de todas as baladas da cidade: “Olha, ontem recebi um dinheiro, fui lá à balada tal, não deu certo, fui à outra”. E de lá pra cá eu nunca mais parei de postar vídeo. Hoje, todo dia tem vídeo no canal, há quatro anos. Desde o dia 9 de dezembro de 2013. Foi uma reviravolta na minha vida. Hoje, se eu tô na TV, é por conta do YouTube. O prêmio Risadaria foi por conta do YouTube. Meus shows lotam por conta do YouTube. Qualquer um pode postar vídeo no YouTube, mas você se manter nele é mais difícil, tem que ter talento, tem que ter dom, tem que ter um bom conteúdo. E eu consegui fazer isso. Eu consegui me manter no YouTube, viver do YouTube, paguei minha faculdade e da minha mulher com o YouTube. A gente se pagou, ela me ajudava bastante. Eu posso sair da TV hoje, mas vou continuar no YouTube, o meu público está lá e eu devo muito à internet também, não tenha dúvida.

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