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História

Muito mais que a dermatite atópica

História de: Érika Borges Feitosa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 04/11/2021

Sinopse

Érika Borges Feitosa tem dermatite atópica desde pequenininha. Mas foi com o tempo e com mudanças que a doença foi piorando. As crises que eram esporádicas se tornaram frequentes, e o problema se agravou com a mudança para São Paulo. No meio desse turbilhão, Érica relata a loucura que fez para o casamento, com o medo de subir ao altar com feridas: contra a recomendação médica, tomou injeção para estar bem e se casar com o amor de sua vida se esquecendo, por um instante, da dermatite.

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História completa

Desde sempre, tenho dermatite atópica: desde pequenininha. Só que antes era menos. Quando eu era pequena, às vezes aparecia uns vergões, então, fui me acostumando. Eu não podia comer muito chocolate. Sol e calor, para mim, era horrível. Tenho bronquite, também: uma coisa leva a outra.

 

A gente começou a desconfiar quando minha mãe me levou para fazer testes, que atestaram que eu realmente tinha alergia. Eu tenho muita alergia a cachorro, gato, cavalo. Com animais, tinha que tomar cuidado, não podia ficar pegando. Não podia ter urso de pelúcia, cortina, tapete, não tinha nada. Não podia ficar tendo, porque tudo isso ajudava a piorar. Antes, eu tinha crise só às vezes. Mas às vezes eu não tinha nada. Sumia. Então, não era sempre, e também era emocional. Se, às vezes, alguma coisa mexia, piorava. Às vezes, não. Então, eram pontos. Quando eu tinha, escondia debaixo das blusas compridas e está tudo certo. Eu faço isso até hoje, na verdade. É horrível. Pior sensação.

 

Quando eu me mudei para São Paulo, piorou. As crises pioraram muito, então, antes eram só nas dobras que eu tinha; agora, é no corpo inteiro. Piorou bastante e coça muito. Eu tenho vontade de arrancar a pele. Às vezes, é uma coceira insuportável, a ponto de não conseguir trabalhar. Na hora de dormir, então, é a hora que eu mais coço e não consigo dormir direito. Acordo, coço – machuca, até sangra – então, é bem desconfortável.

 

É desconfortante também porque, às vezes, quando está muito vermelha, a pessoa que tá do meu lado fica olhando. Quem já me conhece sabe o que eu tenho; mas quem não conhece, estranha. No passado, saíram umas feridas, feridas abertas, mesmo, no corpo inteiro. Então, chegava perto da pessoa, à pessoa já até assustava. Não sabe o que é.

 

Uma vez, eu tive um surto. As feridas reapareceram, fui ao médico e ele me receitou medicamento para sarna! Eu passava a mão e saía à pele. A minha pele começou a secar! Tive um grande surto. Foi quando decidi: “Agora, vou ter que procurar alguém decente, algum médico que faça sentido para tentar melhorar!”.

 

Me mudei para São Paulo ano passado, em janeiro do ano passado. Recebi uma proposta para cá. Eu queria e falei: “Vamos nos aventurar!” Mudei minha faculdade para São Paulo e vim com a cara e a coragem. Minha pele não gostou da mudança. Piorou da água para o vinho. Estava bem, eu mudei para cá e começou a piorar: stress, correria do dia a dia, sair muito cedo e voltar muito tarde. São Paulo é assustadora. É estranha. Você não conhece nada. São Paulo é muito grande. Eu não sabia andar de metrô, eu não sabia andar de nada, de trem, aí tive que ir aprendendo tudo com o tempo, mas é um aprendizado legal. No serviço foi tranquilo, mas a mudança da faculdade foi o que mais mexeu comigo, porque eu tive que sair de onde eu conhecia, tinha amizade com todo mundo, vir para um lugar estranho, que você não conhece ninguém na sua faculdade, então, foi bem estranho nessa parte, mas no serviço foi tranquilo.



A maior loucura que já fiz com a dermatite atópica foi tomar duas injeções para poder casar.  Eu falei: “Não vou casar cheia de marca de jeito nenhum”. Ai tomei injeção. O médico até brigou comigo quando eu falei que eu tomei. Falou que não pode. Mas o médico lá da minha cidade já tinha me dado, então, eu tenho a receita e quando quero eu tomo. Então, o que eu fiz? Eu tomei uma injeção e, uma semana depois, tomei outra. É a única coisa que me tira da crise na hora. Some tudo.


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