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História

Muito mais complexa que na universidade

História de: Lívia Lima de Oliveira
Autor: Ana Paula
Publicado em: 17/07/2021

Sinopse

A entrevista traz a história de Lívia na empresa e revela que parte de sua família se formou trabalhando na Petrobras.

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História completa

Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Lívia Lima de Oliveira Entrevistado por Tânia Coelho Macaé, 02 de junho de 2008 Entrevista MBAC_CB007 Transcrito por Winny Choe Revisado por Marconi de Albuquerque Urquiza P/1- Seu nome completo, local de nascimento, data. R - Meu nome é Lívia Lima de Oliveira, nasci em Salvador em 20 de setembro de 1973. P/1- E você fez algum curso? Qual a sua formação? R - Eu sou geóloga, me formei na UFBA [Universidade Federal da Bahia]. P/1- Na Universidade Federal da Bahia? R - Isso. P/1- Tá. E quando e como você entrou pra Petrobras? Por que você veio de tão longe e pegou a Rio - Bahia? R - Eu fiz o concurso lá na Bahia e durante o curso de formação, no final, nós somos lotados. Nós fazemos nossas opções e então somos lotados, e minha lotação final foi aqui na UBCI [?]. Foi uma opção que eu fiz; vir para a Bacia de Campos. P/1- Quais eram as outras opções? R - As outras opções que eu fiz foram Aracaju e Espírito Santo. P/1- Você queria mais no Sul [risos]? R - Eu queria mais próximo de casa; acho que o mais próximo de casa possível ou até na Bahia mesmo. P/1- E você começou a trabalhar em que área? Que área você trabalha hoje? R - Não, eu continuo a trabalhar na mesma área. Eu comecei na área de reservatório, na área de produção da Petrobras, nos ativos e na área de reservatório. P/1- E como é? Altas tecnologias? R - Ah, sim, sempre. P/1- Por que você trabalha numa área que é a alma, não é? Não? R - É o início, o início da produção. Parte de reservatório, você faz modelagens geológicas pra poder melhor produzir o óleo que tá lá embaixo. Você tem dados de geofísica para fazer o arcabouço estrutural pra modelagem. Pra melhor tirar o óleo lá de baixo, a melhor forma. P/1- Como é a sua rotina? R - Aprendizagem diariamente, o tempo todo com softwares, com computadores. P/1- Direto no computador. R - Sempre com o computador. São muitas áreas afins também. A parte de campo, você tem que está com a base de geologia muito forte na cabeça, muito enraizado e pra praticar essa aprendizagem de geologia é nos modelos. Muita estatística também pra melhor reproduzir o que tá lá embaixo, pra ter melhor aproveitamento da produção do óleo, que é o objetivo. P/1- Como você chegou a escolher isso como profissão, lá na Bahia? R - A profissão foi escolhida meio que intuitiva, porque a minha intenção era entrar na área de informática [risos]. Não, mas tem, tem muito computador, eu lido muito com software, com hardware e eu não consegui entrar na universidade porque tinha a questão da redação que eu sempre fui péssima. Sempre boa em matemática e péssima em redação. Aí eu fui escolher uma área que fosse fácil para entrar: “Eu tenho que entrar na universidade e lá eu vejo o que eu vou fazer”; “eu entro na universidade se eu não gostar, eu mudo.” Aí eu fui pesquisar o que era da área 1, o que fosse da área de exatas. Aí eu vi sobre geologia, que na época não estava muito valorizada. Essa profissão me pareceu interessante, o estudo da terra. “Bom vamos ver, eu vou fazer, se eu não gostar eu faço novamente outro vestibular.” Muita gente que passa por isso, né? E eu jamais ia imaginar - apesar do meu pai ter sido da Petrobras-, eu jamais imaginei entrar na Petrobras, apesar de já conhecer um pouco. E terminei gostando, passei, terminei gostando e continuei. Mas nunca voltado para a Petrobras ou pra área de petróleo, sempre para uma área completamente diferente. E no final do mestrado meu, já na metade do doutorado, teve o primeiro concurso depois de muitos anos na Petrobras e eu resolvi fazer: “Vamos fazer e ver o que vai acontecer" terminei passando e até hoje eu tô aqui. P/1- Então você é petroleira filha de petroleiro. R - Isso. P/1- Seu pai também era petroleiro? R - Meu também era petroleiro lá na Bahia. P/1- Você trouxe essa bagagem de casa. R - Eu já conhecia a Petrobras há muitos anos. Já conhecia do meu pai, de minhas primas, que os pais também eram petroleiros. P/1- Ah é?! A família tem história. R - É, tem muitas. P/1- Então define pra mim o que é ser petroleiro? R - Nossa é vestir a camisa, porque meu pai adorava. Apesar de sempre ter aquelas questões internas de trabalho, ele gostava muito. Ele vestiu a camisa da Petrobras, começou muito novo na Petrobras, se aposentou e sempre esteve muito ligado à Petrobras. Gostava muito, da Petrobras, da Petro, isso era a vida dele. P/1- Vestir a camisa é o quê? R - Viver para aquele trabalho e valorizar aquilo que fazia e gostava do que fazia. Às vezes tinha aborrecimentos e tudo, mas a imagem era tudo pra ele. Era o sustento dele, era o sustento nosso pra tudo. P/1- Claro, e tem muitas mulheres trabalhando com você nessa área ou você é uma das poucas? R - Tem, tem mulheres sim, mais agora, parece. Até na profissão de geologia é mais difícil ter mulher. É uma profissão masculina, muito masculina. Na época em que eu entrei eram poucas mulheres. Quando eu me formei, eu era a única. P/1- Então quando você entrou você era a única. R - Não, quando eu entrei tinha poucas mulheres. Das 50 vagas na universidade eram 12 mulheres. E quando eu me formei numa turma de 6, 7 pessoas, eu era a única que terminou, assim, junto com os outros. P/1- Você está há quantos anos aqui? R - Aqui na Petrobras, 5. P/1- O que você viu crescer mais? Você viu crescer o número de mulheres? Você viu crescer a tecnologia? R - Na tecnologia muito. É muito diferente da universidade. Na universidade você tá engatinhando, pelo menos quando eu saí. Eu engatinhava na tecnologia, porque é muita...muito conhecimento junto, muita gente, muito engenheiro, muitas pessoas, é um verdadeiro mundo. Tem áreas que eu não faço nem ideia de quais pessoas, o que que fazem. Tem muitas caixinhas, muitos setores, é uma estrutura muito grande. Eu não faço a menor ideia. P/1- Mas na sua área, qual foi o maior avanço tecnológico? R - O maior avanço tecnológico são nos softwares, principalmente os softwares. Na produção, muitos softwares e várias disciplinas. Porque na universidade você só lida com geólogos, na Petrobras você lida com engenheiros, geólogos, com geofísico, tudo para começar uma estrutura. Muito grande, muito avançado também. P/1- Se você tivesse que dizer hoje qual foi o seu maior desafio aqui dentro, o que você destacaria? R - O maior desafio? P/1- O que foi mais... você olhou e disse: Essa eu vou encarar [risos]? R - Aprender coisas novas. É porque o curso que eu tinha, a área que eu atuava no mestrado e doutorado era completamente diferente da área da Petrobras, nada a ver. Foi aprender praticamente do zero. P/1- Começar do zero. E a maior tristeza? R - Se eu tive a maior tristeza, foi que alguns pensamentos antigos ainda existem na Petrobras. Pensamentos antigos... tem alguns que você entra, você é muito bem recebida, maravilha, mas às vezes você quer mudar de uma área para outra e é muito difícil. As pessoas se entristecem, acabam pedindo demissão e isso é muito triste. Tem uma companheira muito grande... tem oportunidades em muitos lugares e tem gente e pessoas que têm alguns pensamentos muito antigos... P/1- Conservador. R - ... Conservador demais. Aí, isso é uma grande tristeza. P/1- E na visão de futuro, como é que você vê? Porque você viu a Bacia de Campos mudando na questão da tecnologia. E a perspectiva mais a longo prazo pra você da bacia? R - A longo prazo? P/1- É. R - Puxa, acho que eu tô muito nova ainda pra ter uma perspectiva de longo prazo. Eu entrei... P/1- De futuro, né? R - ... Eu entrei e a Petrobras, eu acredito que está se transformando, está crescendo e eu estou no meio do crescimento. Fica difícil ter essa visão, é o que eu acho. P/1- O que mais cresceu pra você? R - Muita gente entrando, muita coisa nova acontecendo, muitas descobertas, um volume de trabalho muito grande e a quantidade de pessoas aqui dentro às vezes não dá conta, porque tem muito trabalho. Isso é bom, mas tá aparecendo coisas novas e isso é legal. P/1- E sair e conhecer pessoas novas, tem muita gente de todos os estados. R - Isso. P/1- Como é sair do seu estado e vir conviver com tanta gente? R - Ao mesmo tempo é muito ruim, porque fico choramingando, querendo voltar pra casa [risos]. Mas eu sei que as oportunidades tão aqui na UniBC [?], mais que nas outras unidades ou mesmo até que na Bahia, por mais que eu queira voltar, algumas coisas lá estão. Mas, como eu poderia dizer? Não é que esteja ruim, mas aqui tá crescendo muito, tem mais... profissionalmente, mais oportunidades. P/1- Tem muito baiano aqui? R - Tem e não tem. P/1- Mais dá pra matar saudade de casa, né? R - É [risos]. P/1- E como você vê esse projeto das pessoas contarem sua história da Bacia de Campo, através do depoimento do que elas sentem? R - Eu acho interessante, eu acho legal principalmente do pessoal mais antigo; o pessoal mais novo como eu, não tem muita coisa pra conta, não. P/1- Ah! Mas você não tem nenhum caso pra contar? R - Caso? Não assim... P/1- Que você tenha achado muito estranho quando chegou na Bahia pra cá? R - Aqui na UniBC não, assim, não. P/1- Tudo ocorreu tranquilamente? R - Tranquilo, fui lá conhecer a cidade, a cidade é pequena... P/1- Era pequena, Macaé cresceu muito. R - Macaé tá inchada, tá crescendo como deveria crescer mesmo. Tá enchendo de muita gente e algumas coisas ainda não são muito legais, a parte estrutural não é boa. P/1- E nesse mercado masculino, o fato de ser mulher nunca foi um problema pra você? R - Não me pareceu ser problema não. P/1- Você nunca sentiu nenhum preconceito? R - Não, só na época da minha vivência no curso de formação, que foi dividido em módulos. Tem o módulo que você tem as aulas e tem a parte vivencial que você embarca e tudo. Eu achei um pouco... o pessoal lá não queria mulher no acompanhamento. Eles tem um certo conservadorismo com a mulher e com o acompanhamento eles não gostam muito não. Acha que mulher não fica muito tempo como acompanhante... P/1- Isso é bom, não ter preconceito. Lívia, muito obrigado. Tem alguma coisa que você gostaria de falar que eu não tenha perguntado? R - Não. P/1- Não? Muito obrigada. R - De nada. -- FINAL DA ENTREVISTA --
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