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Mudanças na vida de um embarcado

História de: José Carlos Rodrigues
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/01/2021

Sinopse

José Carlos vive e trabalha na vida de embarcado. Ele diz que para ele essa vida é questão de se acostumar com a rotina de trabalho se tornou normal, mas fala que pode ser muito difícil para os novos que chegam. José diz que ao longo de seus longos anos de trabalho pode perceber muitas mudanças, principalmente, relacionadas a tecnologia e que essas mudanças ajudaram muito em relação ao trabalho.

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História completa

P/1 – Boa tarde. 


R – Boa tarde. 


P/1 – Fala para gente o seu nome completo, local e data de nascimento.


R – José Carlos Rodrigues, nasci dia 23 de outubro de 1958, em Cariacica, Espírito Santo. 


P/1 – Quando e como aconteceu a sua entrada na Petrobras?


R – Eu sou formado em Engenharia Elétrica. Na época estava difícil emprego e uns amigos comentaram que tinha uma prova na Petrobras. Na ocasião já sabia mais ou menos da importância da empresa e vim fazer uma prova para operador de utilidades, a qual não conhecia nem a função, passei e fui admitido em 5 de dezembro de 1983.


P/1 – Conta um pouquinho da sua trajetória desde que você entrou, o que fez, por onde você passou. 


R – Como eu te disse, na época estava difícil de emprego e nós entramos aqui como praticante de produção, que era um dos níveis mais baixos da empresa na época, nível nove. Como o governo estava em pressa de admitir as pessoas, entramos com essa função. E logo depois, através de curso,  concurso, cursos internos, nós passamos a ser operador de facilidades elétricas, da qual eu sou oriundo, formação de elétrica. Durante toda essa trajetória na empresa, foram mudando as funções, os cargos. Hoje nós somos operadores de petróleo e não mais específico na área de elétrica. Nós temos hoje uma função que também abrange a área de facilidades em um todo, que também é a área da minha primeira vivência aqui, como fosse a concessionária de energia elétrica e a concessionária de água, de saneamento. Nós abrangemos essas duas áreas hoje na empresa. 


P/1 – Você sempre trabalhou aqui em Garoupa?


R – Sempre trabalhei em Garoupa. Estou aqui a 21 anos e dois meses. 


P/1 – Então, desde o início, né?


R – Desde o início. 


P/1 – Garoupa vai fazer 20 anos. Você está aqui antes dela começar a operar?


R – É, na verdade quando a gente fala 20 anos é da definitiva. Eu entrei aqui desde a pré operação. Eu estou junto a ela, mas são 20 anos de operação que ela vai completar. 


P/1 – O que mudou do início até hoje? 


R – Mudou muita coisa. 


P/1 – Como era no início, né? 


R – Muita coisa, tecnologia principalmente. Facilitou para o trabalhador, por um outro lado, o número de pessoas envolvidas, porque até ontem eu tive uma palestra com um gerente aqui, com a reforma que vamos ter na unidade agora, na previsão de que essa plataforma fique até 2035. Eu, há pouco tempo, cinco anos, dez anos, não recordo exatamente, a previsão que ela só tinha mais dez anos de vida. A mudança é muito grande, só quem está aqui dentro para perceber essa mudança. 


P/1 – Como é a vida de embarcado? 


R – Eu acho que é questão de se acostumar. Eu acho até normal, hoje eu posso falar, mas pra uma pessoa que está começando, a nível gerencial, tem que compreender muito aquilo que ela vai passar. Para nós, eu acho que não, já estamos no final do caminho, temos uma experiência razoável. Já tivemos vários problemas pessoais, de relacionamento com os colegas. Agora, as pessoas que estão sendo contratadas recentemente, que são novas, temos que relevar muita coisa destas pessoas. 


P/1 – O que vocês fazem aqui na hora de lazer, na hora que vocês não estão trabalhando?


R – É a critério de cada pessoa. É lógico que as pessoas que gostam de futebol, tem futebol, tem baralho, sinuca, ping-pong. Apesar, por causa desse avanço, da importância dessa unidade e das obras que estão envolvendo, acaba até tirando um pouco desse lazer, pelo  número de pessoas que hoje estão aqui. Se nós estivéssemos em uma operação normal, com efetivo de umas 150 pessoas mais ou menos, hoje a vida aqui seria mais tranquila, o lazer também seria  mais tranquilo. Até porque uma academia,  está sempre cheia. Você vai no futebol, está sempre cheio. Mas existe o lazer, quem quer consegue. 


P/1 – E quando você desembarca  tem outra atividade?


R – Eu tenho. Sempre trabalhei na minha folga. Tenho a formação de engenharia, então, já montei empresa de engenharia na área de meio ambiente, de segurança do trabalho. Sempre tive alguma atividade ____. 


P/1 – E tem algum fato marcante, uma história, alguma coisa que você lembre e que você queira contar aqui para gente?


R – Não sei se seria marcante, mas uma coisa que mudou muito, até nesse dinamismo na área da tecnologia, mas também na época das greves que aconteciam. Hoje é diferente, como quando a gente tem um movimento, que pode acontecer uma greve. A empresa tem uma outra postura e nós temos outra postura. A coisa que marca porque antigamente era uma coisa mais amadora, e hoje é uma coisa mais profissional. Aquelas greves anteriores marcavam mais porque era uma coisa mais aguerrida, mais de luta mesmo. Hoje, pelos novos tempos, é uma coisa mais light. 


P/1 – Tem alguma que te marcou mais especificamente?


R – A greve de 1995. 


P/1 – Além da greve, não tem uma história engraçada, curiosa daqui? Deve acontecer muita coisa. 


R – É, existe muita brincadeira todo o tempo. Até porque eu e mais uma meia dúzia, somos pessoas até importantes, até me sinto neste contexto porque a gente está sempre brincando para levar esse astral. Mas existem inúmeras, no momento, é meio difícil lembrar. Até pode ser que eu saia daqui agora e vá lembrar de uma.


P/1 – Um trote?


R – Trote, antigamente era de praxe. A pessoa, quando chegava aqui na plataforma ou quando estivesse saindo, a gente levaria essa pessoa em um ambiente seguro, mas dava o famoso banho, com a mangueira, um balde d’água, ou com o próprio dilúvio dessa área. Era uma surpresa para a pessoa, nunca esperavam. É uma coisa que hoje está um pouco mais em desuso. Como eu falo, os tempos mudaram, tanto na parte tecnológica, de greve e também nesse aspecto. Hoje já se faz um bolo,  uma reunião para prestigiar essa pessoa, premiar essa pessoa pelo tempo que ela passou aqui. Pela quantidade de pessoas que hoje nós temos embarcado, fica até difícil essas brincadeiras que eram feitas antigamente. Tinha uma coisa interessante que era o teste do pulmão. Quando a pessoa chegava aqui, colocava um talco em um recipiente e fazia todo aquele preparativo com enfermeiro, media a pressão, todinho, e tinha um tubinho que  ficava direcionado pro rosto dessa pessoa, mandava a pessoa encher bastante o peito e assoprar em outro tubo e aquele talco vinha todo para a cara da pessoa e ela saia dali querendo pegar qualquer um. 


P/1 – Danado da vida. 


R – Isso era uma coisa interessante. Mas até hoje, se você olhar, como os tempos mudaram, a gente de repente, se fizesse essa brincadeira com a pessoa, botaria até um óculos de segurança, que aquela brincadeira poderia até vir a machucar uma pessoa. Os tempos mudaram em todos os aspectos, na segurança que nós estamos falando, como no meio ambiente, se for jogar uma coisa. Outra coisa marcante, voltando a falar naquele tempo, é o meio ambiente, que antigamente a gente estava tomando um cafezinho, pegava um copo e jogava no mar. Hoje em dia a gente vê que ninguém seria capaz de fazer isso, já está no sangue.


P/1 – Esse projeto é uma parceria com o Sindicato dos Petroleiros de São Paulo. Como você vê essa relação do sindicato com a empresa, com essa parceria para fazer esse Projeto Memória?


R – Em função do projeto, eu acho  importante, tanto que eu já perguntei a alguns companheiros, se partiu de vocês ou da empresa, e partiu do sindicato.. Eu acho interessante, a memória é uma coisa fundamental. Para o empregado, nesse contexto, fica se sentindo um pouquinho mais importante porque alguém vai lembrar dele, ele vai contar histórias. A gente sabe da importância nossa no contexto da produção, disso tudo que a Petrobras conseguiu graças a toda a força de trabalho dela. Eu acho importantíssimo, essa relação sindicato-empresa e principalmente nesse Museu da Pessoa. 


P/1 – Legal. O que você acha de ter participado, de ter dado o seu depoimento? Eu queria que você falasse o que a Petrobras significa para você. 


R – Pra mim, particularmente, a Petrobras é importantíssima. Eu falo mal da Petrobras só com as pessoas da Petrobras, lá fora não falo mal, pelo contrário, defendo. Até porque tudo que eu tenho na vida, consegui graças à Petrobras. Foi o meu primeiro emprego e estou aqui até hoje. Não só meu como de vários colegas meus. E independente disso, não só por ser o meu primeiro emprego, mas uma empresa que faz o possível e o impossível para acolher bem os seus empregados. Tem as coisas que a gente critica como é inerente a todo ser humano. A Petrobras não tem como, é a melhor empresa para trabalhar nesse país. 


P/1 – Então está bom. Você quer falar mais alguma coisa?


R – Não, para mim está tranquilo. 


P/1 – A gente agradece muito o seu depoimento. 


R – Está bom. Obrigado. 

-----------Fim da Entrevista---------


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