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História

Mudança de sentidos

História de: Carlos Henrique de Moura Cunha
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/07/2020

Sinopse

Carlos gosta dos centros, mas preferencialmente a Rua 25 de março, que ele diz ser uma maravilha para visitantes. Ele aprecia muito como São Paulo tem um poder de aguçar seus sentidos , principalmente o olfato, o qual era mais aguçado sempre que andava de metrô por prestar atenção nas pessoas que sempre tem estilos e cheiros diferentes.

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R- Meu nome é Carlos Henrique de Moura Cunha, sou do Ceará, natural da cidade de Fortaleza, nasci no dia 5 de janeiro de 1973.

O centro geográfico seria a Sé, mas como eu sou de fora, existem vários centros dentro de São Paulo. Um deles muito conhecido, quem chega de fora se maravilha pra caramba é a região da 25 de março, a região das compras, coisas de casa, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Tem também o Centro da Rua Conselheiro Crispiniano, de coisas de fotografia e tem o Centro da Praça da República.

Os cheiros de São Paulo são muito interessantes, é um sentido que só quem não tem visão consegue distinguir, sentir com maior intensidade. Eu sempre tive minha visão normal, mas tem cheiros que a pessoa nota quando chega de fora que você até então nunca tinha sentido. 

Você está andando no centro, na parte perto da Sé, saindo do Metrô da República até o Teatro Municipal e tem aqueles “churrascos gregos”, que a pessoa tira a carne e vai colocando no pão, não sei há quantos anos tem aquela carne, parece sempre a mesma, mas o cheiro é diferente, eu nunca tinha sentido, se você está com fome, dá aquela vontade. Interessante que existem Mcdonald's na frente, então é “Churrasco Grego versos Mcdonald's” – eis a questão, você tem vontade de comer e tem medo de pegar uma hepatite. Eu nunca cheguei ao final dessa celeuma, se der algum problema, não tem buscopan que dê jeito.

Outro cheiro interessante é o do Metrô, cada estação tem um cheiro diferente. O cheiro da Sé é um cheiro amplo, não sei se o ar condicionado tem alguma essência, mas tem um cheiro diferente do Metrô São Bento que, talvez por ser um lugar mais profundo, é um cheiro misturado com bolor ou com um fungo da infiltração, tem essa diferença, assim que abre a porta do trem você sente uma coisa no ar que você não reconhece, principalmente quando passa diferentes estilos de pessoas. Uma vez eu peguei o Metrô, ia para a Galeria Pagé, peguei na Estação Clínicas, passei em diversas estações até chegar para fazer a baldeação. Quando peguei o Metrô para a São Bento, faltando duas paradas, entrou uma moça muito bonita mesmo, já aguçou o sentido visual, me aproximei que nem cachorro olhando para aquelas máquinas de churrasco de frango, mulher cheirosa, paixão à primeira vista. Passou duas estações e ela saiu, aí entrou outra pessoa, um senhor bem arrumado e sentou do lado. Saí do céu para o inferno, o homem tinha um mau cheiro, parecia que tinha ficado um mês inteiro dentro de um guarda-roupa abraçado com um quilo de carne, estava ruim.



 

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