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História de: João Renildo Gonçalves
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/10/2018

Sinopse

Nascido em Santiago no Rio Grande do Sul, João Renildo Gonçalves conta sobre sua trajetória no BNDES. Fala sobre sua vinda ao Rio de Janeiro após ser aprovado  no concurso, as amizades que formou e os diferentes planos de atuação do BNDES ao longo de sua trajetória.

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História completa

P/1 - Então para começar, por favor, diga o seu nome, o local e a data de nascimento.

 

R - João Renildo Gonçalves, nasci no Rio Grande do Sul, cidade de Santiago do Boqueirão, data 8/10/1945.

 

P/1 - Quando e como se deu seu ingresso no BNDES?

 

R - Eu vim para o banco através de um concurso que houve em 1973. Viemos com mais dois, três colegas do sul e entramos em janeiro de 74.

 

P/1 - E quais são as atribuições de sua área?

 

R - Atualmente eu estou na área de planejando e o nome da área já diz quais as atribuições, quer dizer, área de planejamento do banco, planejamento estratégico, políticas, estratégias...

 

P/1 - Explica um pouco mais isto.

 

R - O banco tem áreas de áreas de operações, que cuidam de projetos, fases de financiamentos, tem a área que se chama das atividades coorporativas que cuidam de administração, pessoal; e a parte financeira tem ainda a área de representação, comunicação, e mais a de planejamento, que presentemente desde final de 2000, 2001 começou a trabalhar no atual planejamento estratégico, de implantação a pouco mais de um ano, e esta é a atividade principal da área.

 

P/1 - Quais os projetos que o senhor participou que considera importante? Descreva algum? Qual é o mais importante?

 

R – É, Bárbara, são 28 anos de banco, então trabalhando em várias áreas do banco, eu entrei no banco em 74 na área de planejamento, e fiquei aí até início dos anos 90, passei para área de administração. Fiquei um ano ou dois na área de administração, estive na área de crédito, depois na área de infraestrutura, depois na área social, passei pra área financeira, e neste período estive fora do banco, cedido primeiro para o governo do estado e depois pra prefeitura municipal e de volta ao banco então eu vim para a área social e atualmente estou na área de planejamento, então houve vários projetos...

 

P/1 – Qual o projeto em particular em que o senhor teve mais envolvimento? Em que o senhor se envolveu mais?

 

R - Eu posso dizer que em todas as áreas eu me envolvi bastante em vários projetos.

 

P/1 - Algum em particular?

 

R - Eu acho que devia citar só um, mas eu posso falar de três ou quatro, meia dúzia... é muito.

 

P/1 - O importante é falar de um que o senhor se envolveu mais.

 

R - Porque são diferentes, diferentes projetos, tipos de projetos, por exemplo: na área de financiamento, eu trabalhei em um departamento que se chamava departamento da prioridade, que posteriormente foi extinto, e a forma como o banco trabalhava, as práticas operacionais, os critérios de alocação dos recursos, existiam no conhecimento das pessoas, mas não eram organizadas, esquematizadas. Eu trabalhei na sistematização feita pela primeira vez no banco desses critérios chamados políticas operacionais, eu estava lá no departamento das prioridades quando isto foi feito. E participei desse trabalho, um trabalho muito importante, eu acho que foi importante para o banco e para a minha carreira no banco foi um trabalho importante. Posteriormente na área social, eu participei da formulação de um programa chamado Programa do Desenvolvimento Local, que traçou as diretrizes para o banco atuar numa linha de apoio às áreas menos desenvolvidas, as áreas mais carentes do país, e também foi um projeto muito importante, eu considero muito importante dentro das atividades que eu desempenhei no banco e acho que para o banco também foi muito importante. Então, tem mais alguns, mas eu vou citar estes dois que são dois projetos importantes.

 

P/1 – Agora qual seria uma lembrança marcante do dia-a-dia, seu trabalho no BNDES?

 

R - Eu vim direto praticamente da faculdade, eu terminei a faculdade de economia de Porto Alegre...

 

P/1 – Com quantos anos?

 

R – Com 27 anos, fiz mestrado, estava fazendo mestrado quando o concurso do banco..., eu fiz e passei, então coincidiu que terminei os créditos do mestrado no final de 73 e vim direto pro banco. Foi uma mudança marcante porque eu sou lá do interior como eu falei, de Santiago do Boqueirão, é lá na região das missões, fronteira com a Argentina, então estamos a dois mil e poucos quilômetros de lá, e isso hoje é fácil, mas na época, 28 anos atrás, era uma longa distância. E eu não conhecia o Rio, vim conhecer o Rio na colocação do concurso do banco, era talvez mais maravilhosa que hoje, muito mais tranquila a cidade, mais calma; e foi uma mudança muito grande, não vou chamar um choque, muito grande, muito agradável, estou aqui até hoje, casei, tive filho carioca.

 

P/1 - Tem alguma história interessante e engraçada?

 

R - A gente vivenciou, soube e acompanhou algumas histórias engraçadas. Nós tínhamos um colega, já falecido, ele era chefe do departamento e ele..., muitos colegas no banco tem hobbie, e ele tinha como hobbie criar gado de leite, e então ele costumava, eu gostava de cultivar...

 

P/1 - Gado de leite?

 

R - Gado de leite, ele gostava de cultivar um certo folclore em torno da sua própria figura. Então ele comentava que ele ia para o sítio no final de semana, e conversava, eu não me lembro agora o nome da vaca, ele tinha uma vaca preferida lá, que ele conversava, ele se aconselhava com ela sobre problemas que ele levava daqui, projetos, decisões que precisava tomar, e chegava na segunda-feira com a decisão tomada.

 

P/1 - Porque ele tinha falado com vaca?

 

R - Porque a vaca tinha aconselhado. Então eu acho que essa era...

 

P/1 - E senhor não lembra o nome da vaca?

 

R - Acho que era Mimosa.

 

P/1 - E o nome do seu colega?

 

R - Euricles.

 

P/1 - Ele era chefe de departamento?

 

R - Chefe de departamento de bens e capital. Uma pessoa com quem eu tinha relacionamento, eu sendo do planejamento tinha correspondência com o departamento dele pelas... pelo setor que eu cuidava no planejamento, e uma pessoa com quem eu aprendi muito no banco, sobre economia, sobre o banco, sobre o país... e também sobre as vacas.

 

P/1 - E o que é o BNDES hoje?

 

R - O banco continua sendo uma agência de crédito muito importante, tem mudado um pouco os enfoques ao longo do tempo, mas continua sendo muito importante, para o financiamento do desenvolvimento e acho que este papel que o banco desempenhou, que durante um certo tempo aí, ele ficou um pouco confuso, nessa confusão geral que este processo de globalização nos colocou, vamos dizer assim, colocou o país, o mundo todo, e que deu uma, gerou alguma coisa de perplexidade, de choque, de muitas mudanças, o banco se perdeu um pouco eu acho, mas acho que está começando recuperar o caminho, de participar mais ativamente do desenvolvimento.

 

P/1 - E o que o senhor achou de ter participado da entrevista, e contribuído para o Projeto de 50 anos BNDES?

 

R - Gostei, gostei. Até diria que não me preparei melhor, não sei se faltou talvez um pouco de orientação, ou... acho que talvez pudesse ter sido melhor... mais orientação talvez. Olha, até conversamos um pouco antes... ou talvez eu não tenha (risos) me concentrado na preparação. Mas gostei.

 

P/1 - Está ótimo, muito boa. Muito obrigada.

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