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História

Móveis e decorações na Baixada Santista

História de: Alberto Weberman
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/02/2005

Sinopse

Infância em Santos. Lembranças da casa e do porão. Descrição do trabalho do pai, proprietário de lavanderia industrial para atendimento a navios. Saída do negócio e início como vendedor de máquinas de costura importadas. Primeira loja. Venda de bicicletas e eletrodomésticos por muitos anos. Início da venda de eletrodomésticos. Situação do comércio varejista em Santos. Perspectivas e dificuldades. O Porto de Santos e a cidade. As perspectivas com a nova pista da Imigrantes.

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História completa



IDENTIFICAÇÃO
Meu nome é Alberto Weberman, nasci na cidade de Santos, no dia 15/04/1939.

FAMÍLIA
Nome e atividade dos pais Meu pai era Aaron Davi Weberman e minha mãe Ester Rosa Weberman. O meu pai, inicialmente, era mascate e depois comerciante.

FAMÍLIA
Origem da Família Meu pai nasceu na Polônia, em Varsóvia, e veio para o Brasil com a idade de 18 anos, logo após ter feito o Exército, na Polônia. Veio solteiro, se radicou em Santos. Depois, veio a minha mãe, que também era polonesa. Casaram-se aqui no Brasil, em Santos. Meu pai já conhecia minha mãe. Antigamente, homens e mulheres se conheciam por intermédio das famílias. Ele era, mais ou menos, parente da minha mãe. Era um primo bastante longe, mas como vieram ao Brasil e não sabiam nem falar o idioma, resolveram casar. Minha mãe, ajudava bastante ao meu pai.

FAMÍLIA
Irmãos Nós somos em três. Tenho mais uma irmã e um irmão. Ele é médico, está radicado em Santos e tem consultório, também, em São Paulo. A minha irmã também nasceu em Santos, trabalhou muito tempo na área bancária. Depois, casou, foi para São Paulo. Montou uma confecção e atualmente está aposentada.

INFÂNCIA
Infância na Vila Mathias Eu nasci na Vila Mathias, na Rua Júlio de Mesquita, 87. Fui muito peralta, como toda criança. Passei a minha infância totalmente na Vila Mathias. Fiz como todo moleque: jogava bola, criava problemas com os vizinhos, com estilingue, pedradas nas janelas como todo garoto peralta e fui me criando na Vila Mathias.

EDUCAÇÃO
Meu primeiro ensino foi no colégio Cesário Bastos, que também é na Vila Mathias. Ia a pé para a escola porque era muito perto. Logo após ter feito o primário, eu passei ao colégio Tarquínio Silva. Depois, fui fazer o Científico.

CASA
Descrição da casa Era uma casa assobradada, com dois porões e, na época, os meus pais, que eram mascates, alugavam os porões. Mas depois, em 1949, o meu pai iniciou um comércio pequeno num dos porões, vendendo máquinas de costura, bicicletas e a gente foi indo devagar.

SERVIÇOS
Lavanderia para navios Como mascate, meu pai saía de bicicleta, sem saber, inicialmente falar o idioma, para vender camisa, gravata, guarda-chuva. Enfim, até conseguir dominar um pouco a língua. Só que o meu pai era um homem muito dinâmico e logo depois, viu que, na realidade, não era o que ele queria. Ele chegou a fazer uma lavanderia, na época, chamada Lavanderia Titã. O negócio cresceu muito e nós tínhamos 48 passadeiras, porque lavávamos não a roupa doméstica, mas a roupa de navio. Então, vinham os navios americanos, navios com os marinheiros americanos, e já naquela época, eles usavam, não sei se é de conhecimento, o linho 120, nos lençóis e fronhas. Nós tirávamos os sacos dos navios e lavávamos nessa lavanderia. A lavanderia ficava na Zona do Mercado, na Rua Chile, 13. A propriedade ainda existe lá. Os filhos ajudavam, a minha mãe ajudava. Depois cresceu, e teve que arrumar uns sócios porque não dava para dominar sozinho porque o negócio era um volume muito grande. Chegava a tirar a roupa na sexta-feira do navio que ancorava no porto, tipo 10 mil peças, e ter que entregar segunda de manhã, quando o navio ia embora. Então, o negócio era grande. Foi em 1948, 1949, nessa época. Depois, o negócio não deu muito certo com os sócios. Já naquele tempo, o meu pai tinha montado uma lavanderia, praticamente industrial. Nós tínhamos umas calandras, passadeiras que era uns rolos compressores grandes porque não era possível lavar roupa de navio, lençóis muito grandes e lençóis de linho. Não havia mãos que pudessem passar uma roupa dessa. Então, já tinha umas calandras que passavam nos rolos, cilindros como se faz pastel hoje, só que em proporções maiores. A roupa passava de um lado e saía do outro; já saía passada. Tínhamos só pessoas para dobrar e um forno a óleo, na época, para fazer a pressão, o vapor das máquinas. Lavávamos e passávamos toda a roupa do navio. Toda a roupa do navio, quando vinha para o Brasil e que aportava em Santos, lavava-se aqui. E muitas e muitas vezes, não dava tempo, tinha-se que levar a roupa de avião para a Argentina porque o navio aportava na Argentina. Então, tinha que levar a roupa para a Argentina porque não tinha jeito. A despesa desse transporte ficava a cargo da lavanderia. Nessa época, também se começou a fabricar sabão, um tipo antigo. Usava-se sebo, essas coisas que ainda se usa em muitas indústrias. Faziam tambores de 200 litros de sabão para poder utilizar na lavagem dessas roupas. Essa lavanderia durou oito anos. Infelizmente, o meu pai teve que sair porque não deu certo com os sócios. Normalmente, sociedade nunca dá certo. Saiu e foi tratar da vida dele. Foi quando, exatamente em um dos porões da casa da Rua Júlio de Mesquita, ele começou a vender máquinas de costura e bicicleta.

TRABALHO
Primeiro trabalho Com 10 anos, eu já trabalhava. Eu queria mexer naquelas calandras, umas máquinas que ainda se usa muito hoje, que é a secadora, e o meu pai sempre tinha medo que eu enfiasse o braço ou a mão. Enfim, que pudesse acontecer alguma coisa. Então, eu ficava mais restrito ao escritório, mexendo com as passadeiras, essa coisa toda. Coisa de criança. TRABALHO Opção pelo comércio Eu já trabalhava com o meu pai, desde os 14 anos de idade. Sempre trabalhei junto, trabalhava e estudava. Meu pai achou que eu tinha tino comercial. Fiz o científico e depois entrei na primeira faculdade de advocacia que tinha em Santos. Fiz o primeiro ano da faculdade, só que eu vi que não era aquilo que eu queria. Antigamente, pai exigia que o filho tivesse um canudo, canudo que eu digo é um diploma, mas eu achei que meu negócio era o comércio e cheguei ao meu pai e disse: "Olha, não adianta eu estudar aí mais oito anos ou 10 anos para me formar advogado, que eu não vou exercer. Ou um médico, outra profissão qualquer. Então, eu vou partir para o comércio mesmo." Nessa determinação, o meu pai me colocou de sócio na firma e aí eu estou até hoje.

PRODUTOS
Máquinas de costura e bicicletas Na época do pós-guerra, a indústria brasileira não fabricava máquinas de costura, nem fabricava bicicletas. Nós passamos a ser comprar de um importador direto. Tínhamos uma marca específica de máquina de costura, a Mercule, e a bicicleta Phillipe Hercules, que era o charme da época. Porque não existia motocicleta, não existia nada disso. Vendeu-se isso por muitos anos, nós tirávamos diretamente do cais. Era mercadoria importada e isso durou uns 15 anos. Depois veio a indústria nacional e a concorrência era muito grande, direta. Criou-se a indústria nacional de marca de costura e criou-se a indústria nacional de bicicletas que, na época, era a Monark. Então, começou já um mercado e uma concorrência muito grande. Como era mercadoria importada, o preço já ficava um pouco aquém do povo brasileiro, do povo santista, no caso. Então, preferiram comprar exatamente a mercadoria nacional que era mais barata. Contudo, não era de qualidade igual, mas, já tínhamos problemas econômicos naquele tempo.

COMÉRCIO
Expansão Ficamos 15 anos nesse tipo de negócio, no mesmo local, na Júlio de Mesquita. Houve ampliação quando, praticamente, começamos uma vida nova. Nós compramos uma propriedade na Avenida Senador Feijó, onde estou há 45 anos e começamos com o comércio mais alto. Passamos a vender geladeira, fogão, rádios, eletrolas, naquele tempo, eletrodomésticos, até 1964. Depois introduzimos móveis. Em 1964, eu já entrei como sócio da firma e de lá para cá, continuamos até hoje no mesmo ramo. Ainda continuo hoje no mesmo ramo.

IMPORTAÇÃO
Retirada de mercadoria dos navios Tirávamos a mercadoria diretamente do navio. Já existia a guardamoria, mas, nós tínhamos licença porque quem tirava na realidade era o importador. Só que quando as lingadas do navio, invés de ser transportado para caminhões que iam para São Paulo, elas transportavam para caminhões que nos forneciam aqui em Santos. Ao ponto de se tirar para aqui, para Santos, tipo 10 mil máquinas, coisa bem alta para a época que era.

COMÉRCIO
Brasil - Pós II Guerra Houve uma época, no pós-guerra, que se vendia muito, não só máquina de costura, bicicleta, outros que trabalhavam com geladeiras. No pós-guerra, o Brasil não tinha indústria ainda e que se vendia bastante.

COMÉRCIO
Área de vendas Nós fornecíamos para a praça de Santos e fornecíamos alguma coisa a comerciantes de São Paulo, na época da Rua São Caetano, que era uma rua que trabalhava muito com máquina de costura. Vendíamos para a Baixada Santista. Já naqueles anos, São Vicente era uma cidade pequena, estava se criando a cidade de Vicente de Carvalho, que na época, chamava-se Itapema e vendia-se para a Baixada Santista toda; Praia Grande e lembro como hoje, a gente entregava na Praia Grande ainda, não por estrada, mas pela praia com um Ford 1929. A gente entregava a mercadoria pela praia. Quantas e quantas vezes, tinha-se que fugir da maré, se não o carro ficava atolado na maré, muitas e muitas vezes.

CLIENTES
Origem e perfil da clientela Eram clientes de praia, de São Vicente, dos morros, do Guarujá. Como no tempo de máquina de costura, nós éramos os importadores, nós tínhamos uma grande fatia do mercado. Depois, veio o pessoal da colônia portuguesa que se instalou na Rua Amador Bueno, que nós também fornecíamos para eles. Foi uma época boa. Máquina de costura comprava-se para dentro de casa, para mulher. Normalmente, comprava o homem. Naquela época, a mulher não tinha tanta autonomia para comprar nada. Quem comprava era o homem. Na maioria homem, mas também a família. Às vezes, vinha com a filha até escolher alguma coisa, mas não tinha muita opção, porque a máquina de costura é sempre a mesma, com a mesma cara, com a mesma cor, com a mesma madeira, tudo igual. Depois de um certo tempo, quando passamos à bicicleta, os clientes eram os homens, mesmo. Na época, mulher não andava de bicicleta. Só veio acontecer isso 10 ou 15 anos depois, que se via uma mulher andando de bicicleta na rua. Quando passamos aos móveis, a clientela se transformou para a família. Às vezes, o homem vem tirar um orçamento, mas quem dá o sim é a mulher. Se não for assim, ele manda os móveis de volta.

IMPORTAÇÃO
Representação Meu pai não se agradava muito em ser mascate, não aceitava porque Exército, na Polônia, ele já tinha uma fábrica que fazia a parte de cima do calçado. Então, ele vinha de uma família acostumada com negócios. Quando veio para o Brasil, teve que se sujeitar a ser mascate. Mas, não aceitava essa posição, nem essa situação. Aí, foi tentando crescer, evoluir, foi procurando outros caminhos. Esse caminho da lavanderia não deu muito certo. Aí, procurou o ramo no comércio com essas máquinas. Na época, o meu pai conheceu uma pessoa que era um importador em São Paulo. Nós fomos a ele e, eu me lembro como hoje, eu era ainda menor de idade, fomos a ele e ele simplesmente deu um voto de confiança a meu pai pela ousadia de tê-lo procurado. Era um importador, uma pessoa muito importante, e pela ousadia, eu me lembro como hoje, batemos numa mansão da Alameda Casa Branca com a cara e a coragem. E ele conseguiu essa coisa de chegar a pessoa e a pessoa simplesmente disse: "Não, tudo bem. Eu vou te dar um voto de confiança. Você pode ir no cais e tirar o que você quiser lá do navio." Isso, claro, naquela época era mesma coisa que tivesse tirado um fio de um bigode, né? Era uma confiança muito grande e que nós nunca deixamos de respeitar isso, forma nenhuma. E foi-se evoluindo. Esse importador é um dos instituidores do Hospital Albert Einstein e depois faleceu, mas é um dos fundadores do Hospital Albert Einstein. Já na época era uma pessoa muito importante.

INDÚSTRIA
Desenvolvimento no Brasil Na época, esse próprio importador nos chamou a São Paulo e prognosticou que dali para frente a indústria nacional vindo, nós não teríamos o grande mercado que tínhamos antes, e que com isto, ele também iria parar a importação. Porque as máquinas eram feitas no Japão, mas eram máquinas americanas: o produto era americano, fabricado no Japão porque a mão de obra era muito mais barata. A partir daquele momento, ele nos chamou e disse: "Olha, procura outro ramo que, daqui para frente, você não vai mais ganhar dinheiro." E realmente aconteceu, realmente aconteceu. Nós partimos logo para móveis.

COMÉRCIO
Mudança de ramo Foi uma mudança natural. Fomos introduzindo aos poucos. Nós já estávamos na Senador Feijó, também numa loja menor. No tempo, o meu pai adquiriu um novo imóvel, onde estou até hoje. Dali para frente, mudamos o ramo. Realmente, mudamos o ramo. Em 1964, estourou a revolução. Ao estourar a revolução, o eletrodoméstico ficou com um grande problema de mercado e mudamos para móveis que era uma novidade na época. A rua, também, só tinha loja de móveis. Nós estávamos ali meio diferente, vendendo eletrodomésticos e não teve jeito.

PRODUTOS
Móveis Nunca fabricamos. Só houve uma época que nós fizemos o acabamento. Nós comprávamos móveis de Embu, lá do sul e nós mantínhamos uma equipe de pessoas e de profissionais que faziam o acabamento. Um exemplo: a madeira vinha crua, você escolhia, "eu quero mogno, quero mais escuro, mais claro, quero preto". Enfim, nós fazíamos isso. Hoje, nós diminuímos bastante esse tipo de coisa porque o material empregado é muito caro, a mão de obra é muito cara. Então, está se partindo mais para móveis já prontos, acabados e o mercado assim exige.

COMÉRCIO
Descrição das lojas Como porão da casa, você sabe que não podia ser uma coisa muito sofisticada. Era um porão comum de uma casa assobradada e expúnhamos as máquinas de costura e as bicicletas do lado. Quando nós passamos para a Avenida Senador Feijó, 261, era uma loja já com quarenta metros de fundo. Quando inauguramos, fomos obrigados a ir na venda e conseguimos caixotes de papelão para a gente dividir a loja porque não tinha mercadoria para poder preencher a loja. Mas, isso, você sabe, com o tempo a gente lutou bastante, inclusive a minha mãe lutou bastante também. Trabalhava-se a noite para poder vender durante o dia. Como se vendia muito, então não dava tempo de montar porque as máquinas eram todas desmontadas. Então, montava-se à noite e vendia-se durante o dia. Isso foi na época de máquina de costura.

PRODUTOS
Montagem de máquinas de costura e de bicicletas As máquinas vinham todas desmontadas. Como era uma importação, elas não podiam vir montadas porque ocupavam muito espaço no navio. Então, elas vinham todas desmontadas, todas as peças do cabeçote, dos pés, da madeira, tudo desmontado e tinha-se que montar. Nós que montávamos com uma equipe preparada para isso. Então, era uma luta muito grande, no início. Montava-se, por exemplo, 20 máquinas à noite e vendiam-se 30 durante o dia. Então, nunca dava tempo de montar o suficiente para poder vender durante o dia. E como era uma época que todo pai que criava a sua filha, achava que ela tinha que fazer um curso de corte e costura, para fazer o próprio enxoval, aquela coisa toda, foi uma luta. Depois, veio a bicicleta, que também foi uma luta muito grande. Também se tinha que montar essa bicicleta para poder vender, mas como até hoje, brasileiro não é muito cuidadoso, a gente vendia uma bicicleta a prazo, já naquele tempo se vendia a prazo, no dia seguinte, se roubavam a bicicleta, o cliente vinha comprar outra.

COSTUMES
Curso de Corte e Costura para as moças Na época, em qualquer esquina tinha um curso de corte e costura e os pais obrigavam as filhas a fazer esse curso. Imagina se a filha ia casar e não sabia fazer qualquer remendo na roupa do marido?

FOMAS DE PAGAMENTO
Vendas a prazo Naquele tempo, não tinha nada disso, nem carnê. Naquele tempo era um cartãozinho que se marcava. Uma fichinha, a pessoa dava o nome, não se tirava praticamente nem informação, confiava-se na pessoa. Vendia-se muito para estivador, para doqueiro, que eram os grandes consumidores, o forte do comércio de Santos. Era um endereço só, marcava-se num cartão, ele vinha pagar todo mês e marcava-se a data que pagou e quanto estava devendo e o que pagou. Isso funcionava. Vendia-se bicicleta em 10 vezes.

CLIENTE
Os estivadores Vendíamos muito para os estivadores, aqui em Santos. Depois, veio a época do pessoal do Norte, que veio para a construção civil, quando também se vendeu bastante.

SANTOS
Crescimento da cidade A construção civil é um sinônimo de crescimento. A cidade, até essa época, era restrita só ao centro da cidade. Já existiam, na realidade, alguns imóveis na praia, mas houve o boom imobiliário, quando se começou a construir muito na praia. Ainda na época, os prédios não eram tão grandes, eram prédios menores, de três andares. Depois, estourou a construção civil, a praia ficou cheia prédios, como tem até hoje. Muitas pessoas que moravam no centro da cidade, passaram a morar nos bairros. Eram pessoas que moravam em Santos, porque a estrada não estava tão desenvolvida. Era Estrada Velha de Santos. Depois, com a Anchieta, aí sim, começou-se a vim para cá já. A praia teve o seu modernismo, jardins de praia, essa coisa toda. A Prefeitura começou a procurar um pouco pelo turismo, que era aquele turismo de um dia. Ônibus que vinham de excursões acabavam criando uma imagem de que a cidade seria cidade turística. Como nós estávamos a 80 quilômetros de São Paulo, na época era até mais, depois da Via Anchieta que criou-se realmente a idéia de que uma pessoa que quisesse descansar de São Paulo, teria que ter um apartamentozinho em Santos. Aí, cresceu realmente. Você pode notar que os apartamentos nos prédios antigos da orla, são menores, de quarto e sala. Depois é que vieram os apartamentos de dois quartos, de três quartos. No ramo dos móveis sentimos esse crescimento. Veja, no caso do bairro da Aparecida, que antes pertencia ao Macuco: foram criados os grandes prédios do BNH, construiu-se mais de 20 blocos naquele tempo, de apartamentos voltados à classe média baixa. Aí, começou a evolução real dos móveis também. Vendia-se muito. Depois, criou-se um novo conjunto, do INPS, Rua Alexandre Martins. Foi uma revolução, tanto do meu ramo, como no do eletrodoméstico porque quem montava um apartamento, precisava também um fogão, uma geladeira, um liquidificador, um rádio. Enfim, aí foi realmente a evolução da cidade.

MORADIA
Mudança de residência Eu morei 16 anos em cima da loja, da Vila Mathias. Depois, fomos para Avenida Ana Costa, em cima do Cine Roxy, que até hoje existe. E uma coisa curiosa, não sei se muita gente sabe, mas o Cine Roxy pegou fogo, nós tivemos que esvaziar o prédio e aí passamos a morar na Rua Maranhão, que era na primeira quadra da praia, num prédio construído pelo meu pai e alguns amigos. É no bairro do José Menino. Foi um dos primeiros prédios feitos em condomínio. Já foi idéia do meu pai. Um prédio de 12 andares, na época não existia muitos prédios ainda nessa altura... Isso foi, mais ou menos, em 1960. Foi feito entre amigos. Cada amigo comprou um andar e fez-se esse prédio, que está lá até hoje. Morei 25 anos neste prédio.

SERVIÇOS
Construção civil Depois de um certo tempo, nós passamos para a construção civil. Chegamos a fazer alguns prédios. Eu mesmo, particularmente, fazia em separado, mas também não deu muito certo, devido ao sócio. Não deu muito certo.

CLIENTE
Mudança de perfil Hoje, já é um pouquinho diferente. Vou falar do ramo de móveis. A mulher criou e conseguiu uma autonomia muito grande. Hoje, é a mulher escolhe, que paga, que tira o seu cheque porque ela também tem, conta. Antigamente, nem conta tinha, né? Hoje, ela tem conta bancária, ela tira o seu cheque e compra sem problema. Ou, compra junto com o marido. Ou, às vezes, no sábado quando vem a família inteira e com os filhos menores...

FUNCIONÁRIOS
Atendimento No meu caso, tenho três vendedoras que abordam o cliente que entra na loja e partem da idéia do que ele quer. Caso não tenha a mercadoria, a gente procura vender outra coisa para o cliente não sair sem comprar. Fiz alguns cursos, de venda, de marketing, e passo isso, praticamente todo dia, para as vendedoras. O comércio não é mais o que era antigamente. A cidade cresceu e é evidente que cresceria a concorrência no comércio. Não só no meu, como em geral. Você tem que acompanhar a evolução, dando instruções às pessoas que trabalham com você, para que tenham condições de vender e vender bem. Nunca vender enganado. Sempre vender com honestidade.

SERVIÇOS
Entregas Tenho serviço de entrega. Já houve uma época em que eu tinha uma pequena empresa. Nós tínhamos quatro caminhões de entrega. Hoje, estou reduzido a um só, porque a época mudou bastante, mas estamos lutando. Vamos lutando aí, com o comércio meio complicado, mas vamos lá. Saúde, tendo saúde a gente vai, né?

ENTIDADES
Sindicato do Comércio Varejista Estou no Sindicato do Comércio Varejista, desde 1974. Entrei para o Serviço de Proteção ao Crédito, para ser diretor. Já naquela época, lutava-se bastante contra a inadimplência do cliente e foi aí que criou-se o SPC para o comerciante ter segurança da venda que fazia e o recebimento futuro. Então, nós éramos três diretores e tínhamos reuniões duas, três vezes por semana, tomando conta dos casos mais graves e da inadimplência. O SPC, em Santos, tinha 400 mil fichas de informações de clientes, manuais. Depois vieram os computadores e estamos evoluindo. Foi uma grande transformação. Na época, o comerciante vendia como eu, diretamente. Depois vieram as grandes financeiras, voltadas para o comércio. E houve essa transformação total, com o advento das grandes lojas, redes de lojas, que começaram a concorrer com o pequeno comércio, como nós temos até hoje. E o comércio está sofrendo com essa situação, há muitos anos, com essa transformação geral.

COMÉRCIO
Migração do Centro para o Gonzaga O centro da cidade se manteve por muitos anos com uma variedade muito grande de comércio. Roupas, calçados... enfim, as grandes lojas na época, tipo Lojas Americanas, se instalaram no Centro. Mas acontece que o Centro foi começando a ficar meio degradado. Para entender melhor isto, o que aconteceu? Os grandes comerciantes da época ficaram velhos e não queriam que seus filhos continuassem no comércio. Então, eles passaram a dar estudo ao filho e como Santos, ainda não tinha faculdades, eles precisavam ir para São Paulo ou para outras praças. O prazer do pai, que lutou bastante, era ver um filho formado como médico, dentista ou advogado. Com essa emigração dos filhos, evidente que não se tinha uma continuidade. As pessoas ficaram mais velhas, se desinteressaram pelo comércio e houve realmente uma degradação muito grande porque não tinha renovação. O comércio naquela época ainda era bem forte no Centro da cidade. Depois, com novos prédios e exploração do turismo, algumas lojas se transportaram para o Gonzaga, porque, na época, não existia outra coisa. E a evolução do comércio começou realmente por aí: o Gonzaga cresceu, o Centro ficou mais velho. Não existiam filhos que quisessem ficar no comércio. Eu sou um "fora regra", porque eu fiquei, continuei o negócio de meu pai. Um dos poucos que ficaram. Infelizmente, houve a degradação do centro da cidade, hoje, a olhos vistos. Muitos prédios antigos, que deram fortunas a famílias inteiras, hoje estão completamente degradados.

SANTOS
Recuperação do Centro Existe uma vontade muito grande de se recuperar o Centro da cidade. Existe um grupo lutando bastante, chamado "Centro Vivo". O prefeito, implantou um Bonde Turístico... É uma tentativa de recuperação, mas ainda demora um pouquinho. Conseguimos, porque faço parte dos "Amigos do Centro", a restauração da Bolsa do Café, na época, por intermédio do governador Mário Covas. Uma das grandes coisas que ele deixou. A Construtora Phoenix, uma das grandes da cidade, comprou e restaurou um prédio velho na Rua XV de Novembro. Mas, infelizmente, alguns bancos se transportaram para outras áreas, tipo as avenidas e as praias... A praia mesmo do Gonzaga. Ainda tem algumas agências bancárias no Centro, só que menores. Eu espero que com o decorrer do tempo, uma das grandes coisas que se procura para revitalização do centro, se construam prédios habitacionais porque hoje, no centro da cidade não tem ninguém morando, a não ser os que ocupam cortiços. O nosso governador Mário Covas deixou um legado ao Geraldo Alckmim, quando destinou uma verba para acabar com os cortiços e tentar reconstruir no Centro da cidade, para trazer o povo novamente. É a única forma e se conseguir revitalizar. De outra será meio impossível. Tenta-se agora, por intermédio da Câmara Municipal, a diminuição dos impostos para esses prédios que estão abandonados objetivando que proprietários ou aluguem mais barato ou restaure pelo menos as fachadas. Só com Casa Azulejada, Bonde, essa coisa toda, não vamos revitalizar o grande Centro que existia em Santos.

SPC
Funcionamento Funcionava entre as lojas, por intermédio de telefonia. Tínhamos comprado um equipamento muito grande, que tinha 800 ramais de telefonia, na época. Não é a digitação que existe hoje, não é a melhoria que existe hoje. Esse equipamento ocupava quase um andar inteiro de um prédio. Nós tínhamos as pesquisadoras, mas trabalhavam manualmente. O comerciante ligava para o SPC, ela ia pelo nome, por ordem alfabética, procurar a ficha do cliente, se ele era negativo, se ele pagava bem, se não pagava bem, esse tipo de coisa. Praticamente, todo o comércio já estava engajado no sistema. Já existia isso desde 1960 e pouco. O SPC vai fazer 50 e poucos anos e o Sindicato do Comércio Varejista fez, no ano passado, 70 anos. Foi um dos primeiros SPCs do Brasil porque muitas firmas queriam se instalar em Santos e elas contratavam informadores. SPC Cadastro A pessoa ia comprar. Esse informador ia à padaria, na quitanda, na vizinha, para saber se essa pessoa era estável, se morava muito tempo, se pagava bem na padaria, se não pagava. Assim que funcionava o comércio. Depois com o SPC facilitou bastante. Havia um cadastro de informações gerais da cidade, e a pessoa, pelo telefone, conseguia a informação. Na época, há muito tempo atrás, as próprias lojas tinham informadores. Eles iam ao local de moradia, perguntavam na redondeza, se a pessoa pagava bem, se conhecia, se ele chegou agora, e ele não chegou agora, para não cair no conto do vigário, já na época.

COMÉRCIO
Efeitos das privatizações Uma das primeiras privatizações que nós tivemos aqui na região, foi a da Cosipa, que empregava, mais ou menos 18 mil pessoas, dos quais 10 mil foram dispensados. Pessoas que moravam na região, em toda Baixada Santista. Isso já foi o primeiro baque muito grande para o comércio porque a Cosipa empregava a classe média. O comércio sentiu bastante, a construção civil, enfim, todos os ramos. Segunda privatização, embora não possa ser bem chamada assim, é o arrendamento do porto. Também, tínhamos 20 mil homens trabalhando no porto, estivadores, doqueiros, consertadores, carregadores, enfim, toda a gama de pessoas que trabalhavam diretamente no porto. Hoje, estão reduzidos a 3.800 homens. Não temos indústria para poder empregar. O maior empregador continua sendo o comércio, o pequeno e o micro empresário que detém o comércio. Aqui na região, 85% dos empregos hoje, estão na mão do comércio. Só que os nossos governantes não estão vendo isso e cada vez mais, oprimem o comércio com CPMFs e outras coisas mais.

SHOPPINGS CENTERS
Análise da vinda dos shoppings centers Fomos agraciados com complexos de Shoppings. Na época, nós tínhamos só o Parque Balneário que não afetava tanto o comércio. Depois, tivemos o Miramar, a Eletro-Radiobrás, um conglomerado muito grande, e agora, o Extra, que aí veio para acabar com o pequeno comércio da própria região. Os governantes não tiveram o felling de perceber que, se acabaria com os pequenos comerciantes. Esses grandes conglomerados trabalham 24 horas por dia. É evidente que o comércio não pode trabalhar desse jeito, existem leis trabalhistas que os grandes conglomerados não seguem, ou se seguem, conseguem fazer dois ou três turnos de trabalhadores. O comércio não consegue fazer isso. Infelizmente, para a cidade, isso foi muito mal. Dá uma imagem de uma cidade que fatura bastante porque todos os grandes conglomerados resolveram vir para Santos e região: Carrefour, Extra, Barateiro. Isso para o comércio é muito, muito ruim. Os Shoppings estão no mundo todo, só que em outros países, há uma preservação do comércio local. Você pode notar que os grandes Shoppings, em outros países, são instalados em estradas, exatamente para não concorrer com o comércio local. A nossa legislação não estava preparada para isto e um dos grandes conglomerados, inicialmente o Carrefour, já afetou o comércio na cidade de São Vicente. A inauguração do Extra, na Avenida Ana Costa, acabou com o comércio da região. Está acabando, inclusive, com as feiras tradicionais que vendem produtos alimentícios, verduras e hortifrutigranjeiros. Os grandes supermercados trabalham 24 horas, tem estacionamento próprio; num dia de chuva, não tem problema que ninguém vai se molhar como para ir numa feira. Isso acaba realmente com o pequeno comerciante, da região que ele se instala. Com a inauguração do Shopping Praiamar houve outra queda no comércio e esse shopping concorre com o do Gonzaga, do mesmo grupo de construtores. Então, há um esvaziamento muito grande do

TRANSPORTES
Segunda pista da Imigrantes Com a segunda pista da Imigrantes, eu tenho a impressão, isso só o tempo dirá, de que Santos possa crescer, principalmente em residências... A estrada vai proporcionar que o pessoal de São Paulo, hoje na casa dos 19 milhões de habitantes, possa vir morar aqui. Por exemplo, se a pessoa leva duas, três horas, no trânsito para chegar em Alphaville, vai fazer isso em 40 minutos, no máximo em 40 minutos, para descer a serra e pode ser que se instale com a família aqui. É até uma questão de segurança porque Santos ainda tem condição de vida melhor do que São Paulo. Os empresários virão, talvez. Não digo em grandes proporções, mas inicialmente virão famílias tradicionais de São Paulo morar em Santos. Nós temos uma praia aí, sete quilômetros de praia com jardins, é qualidade de vida melhor. Eu acredito que haverá uma evolução na região. Não é só Santos; o litoral inteiro. Uma facilidade muito grande, que vai ser a estrada, mas isso só o tempo dirá. Não podemos assim fazer prognóstico. Santos, São Vicente, Guarujá. Enfim, grandes ramificações com a segunda pista da Imigrantes e eu tenho a impressão que isso vai melhorar bastante para a nossa região. Só que nós precisamos arrumar infra-estrutura para isso. Só a descida da Imigrantes não vai ajudar em nada, simplesmente facilita o transporte de pessoas para Santos, só que em Santos, temos estatísticas que indicam a existência de dois carros para cada pessoa que vive na cidade. Nossas ruas não estão preparadas para aumento no fluxo de veículos...

TURISMO
Turismo de negócios Nós, do Sindicato do Comércio, somos os idealizadores da idéia de turismo de negócios. Temos um projeto da Hospedaria dos Imigrantes, para o qual, infelizmente, ainda não conseguimos dinheiro. Mas vai sair, se Deus quiser, vai sair. A idéia partiu do Sindicato há quatro anos e fomos governador Mário Covas com o prédio da Hospedaria numa concessão de uso de 25 anos. Nós achávamos e achamos que é a única saída para Santos. Trazer convenções, gente para gastar no comércio, seja lá no comércio baixo, seja lá no Shopping, seja lá onde for, mas que gaste na região, certo? Já estamos lutando há quatro anos porque somos sindicato. Se fosse particular, já teríamos conseguido, como conseguiu aí o Mendes Center, em tempo recorde. Para um sindicato a legislação é completamente diferente. O presidente não é eterno, o presidente é passageiro e as grandes financeiras acham que há um perigo muito grande talvez, de emprestar dinheiro para um sindicato porque a propriedade não é nossa, é apenas uma concessão de uso...

COMÉRCIO
Análise sobre o comércio de bairro O comércio pequeno de bairro sempre vai continuar. Com tudo que os grandes conglomerados, fazem ao aliciar o cliente, praticamente o comerciante de bairro continua, ele vai ser sempre pequeno. Ao meu ver, não consegue crescer mais do que aquilo. Ele vai fornecer simplesmente para o pessoal que está em volta dele. No caso do Marapé, por exemplo, tem na Avenida Pinheiro Machado um tipo de shoppinzinho, que era um mini-mercado. Hoje, o mini-mercado está lá com cinco lojas e o resto está tudo vazio. Uma loja de armarinhos continua, uma cabeleireira, uma vendinha... esse tipo pequeno de comércio continua. O bairro do Marapé abriga muitas lojas de material de construção, mas são lojas pequenas, que não conseguem fornecer para grandes conglomerados de construção civil. No bairro da Aparecida, com o shopping, é evidente que muitas pessoas que tinham lá butique, essa coisa toda, estão sofrendo bastante. Mas, no Embaré, nós temos também um mini-shopping que está lutando ferozmente para poder sobreviver. Na Zona Leste, há um comércio que está crescendo bastante. Estão criando-se novas lojas e espero que Avenida Pedro Lessa seja, futuramente, uma das grandes avenidas do comércio. Lá se instalaram vários ramos de negócios, como venda de automóveis, auto-peças, lojas de pneus, tudo que você possa imaginar no comércio, você encontra na Avenida Pedro Lessa. Então, espero que esse tipo de comércio não acabe nunca. A pessoa do bairro vai comprar do mesmo jeito. Têm muitas pessoas de bairro que ainda se sentem meio constrangidas em comprar em grandes Shoppings, acham que vão pagar mais caro, esse tipo de coisa, e continuam comprando no seu bairro. Claro, que diminuiu, mas não acaba nunca.

COMÉRCIO
Zona Noroeste Na Zona Noroeste, hoje, existe um comércio muito forte, só que comércio forte médio e baixo. As pessoas que forem lá num sábado, num domingo, vão ver um comércio forte, porque as pessoas não trabalham, normalmente, sábado à tarde e domingo não trabalham e se dedicam ao comércio do local. Então, para não gastar uma condução, para não precisar vir para o Centro, ele tem a comodidade de sair da sua casa e comprar na avenida próxima. Esse comércio está muito florescente. Um comércio que está bem ativado; muitas lojas que estavam no centro, hoje estão na Zona Noroeste; muitos comerciantes nem conhecem, nem sabem onde é, mas muitas lojas, que já viram isso há algum tempo, estão se instalando na Zona Noroeste. É uma região com aproximadamente 130 mil pessoas.

COMÉRCIO
São Vicente e Gonzaga São Vicente tem um comércio muito florescente, comércio grande por sinal, grandes lojas estão se instalando. Exemplo, Casas Bahia que tomou uma praça inteirinha: a Praça Barão de Rio Branco foi revitalizada e as Casas Bahia tomou a praça inteira. Para se ter noção da situação, a loja de São Vicente, das Casas Bahia, é a que mais fatura na organização toda, em termos proporcionais. São 320 lojas das Casas Bahia e a de São Vicente é a que fatura mais. Então, isso é São Vicente. O Gonzaga ainda fatura bastante, mesmo com alguns problemas, sentindo a queda, ainda continua faturando nos finais de semana e no geral, vai continuar, realmente vai continuar, não acaba.

COMÉRCIO
Promoções O Sindicato tem atuação territorial em sete cidades. É evidente que nós não podemos fazer promoção específica para uma determinada cidade. Nós fazemos sempre promoções nas datas promocionais todas. Por exemplo, para o Dia da Criança, nós estamos fazendo promoção, rádio, jornal, eletromídia, cartazes então nem se fala. Fazemos cartazes para todas as lojas associadas. O Sindicato, hoje, tem 2.300 sócios. Este ano, estamos lançando a campanha de Natal, também institucional, porque não dá para fazer especificamente para uma cidade. Nós temos que abranger as sete cidades. Mas, sempre é feito uma promoção de natal. No ano retrasado, chegamos até a sortear um carro, televisores, moto. Enfim, só que a época hoje da economia mudou um pouco e não dá para o próprio sindicato dar grandes prêmios. O comércio está mal. É evidente que o sindicato também com isso sofre, né? Nós dependemos dos associados. O sindicato depende dos associados, depende de informação de SPC, tudo isso hoje está meio complicado. A economia mudou bastante, mas não se deixa de fazer promoção em data nenhuma: Dia dos Namorados, Dia dos Pais, Dia da Avó, criamos agora o Dia da Amante, só para poder incentivar o comércio a vender mais.

ENTIDADE
Sindicato do Comércio Varejista - Relação patrão/empregado A relação é a melhor possível hoje. Já estou no Sindicato, na presidência há, mais ou menos, cinco anos, com tudo que eu venho já de vice-presidente, secretário... Enfim, eu venho, como eu disse, desde 1974, mas de cinco anos para cá, eu consegui com o Sindicato dos Empregados do Comércio um contato muito bom. Antes, era muito acirrado. Como empresário e como presidente do sindicato, eu acho que o comerciário tem que ganhar um pouco mais. Essa não é a visão dos comerciantes, mas eu, como um dirigente da entidade, acho que o comércio tem que pagar um pouco mais porque o comerciante tem que entender que o comerciário também é um consumidor. Ele tem que ganhar para poder gastar. Com o sindicato dos empregados, eu tenho a melhor penetração possível, haja visto que nós fizemos agora, uma sociedade, o Sintec que é o órgão de conciliação trabalhista. Estamos agora na luta por melhores salários, cuja data-base é 1 de outubro. Eles já mandaram as suas reivindicações, vamos tentar entrar num acordo, mas eu sou da idéia de que realmente, se puder, o comércio tem que pagar um pouco mais. Nós sabemos que a situação do comércio não vai bem, que a economia não vai bem, que os impostos são muitos, mas assim mesmo, eu ainda acho que o comerciante teria que ter mais consciência e pôr a mão no bolso para pagar um pouquinho a mais. Não é muito, mas um pouco a mais, para dar condição do empregado do comércio poder ser um grande consumidor. Ele, automaticamente, é consumidor, por que vai ao supermercado, compra roupa, calçado, enfim, seja lá o que for.

ENTIDADE
Sindicato do Comércio Varejista - Mudanças na relação patrão/empregado Essas relações mudaram bastante. Santos, toda vida, teve fama de ser comunista. Depois do comunismo, veio o petismo. Mas, eu tenho a impressão que isso não influi muito na questão do comércio. O sindicato não se envolve em política, principalmente o presidente do sindicato. Procuramos ser apolíticos. Nos últimos anos, nas últimas gestões, conseguiu-se estabelecer esse bem estar entre patrões e empregados.

LAZER
Nas minhas horas de lazer, não tenho muita coisa para fazer porque Deus me agraciou aí, mais uns anos de vida, que eu fui operado, fiz uma cirurgia de coração há um ano atrás, setembro está fazendo um ano. E as minhas atividades, no momento, têm que ser mais modestas. Faço caminhada, sou obrigado a fazer caminhada, na praia, todos os dias. E lazer, é o que existe na cidade, teatro... Enfim, algum show, freqüentar restaurante. Enfim, é o que uma pessoa normal faz.

COMÉRCIO
Compras Gosto de fazer compras, realmente gosto. Nada específico. Pode ser num bairro, em algum comerciante que seja amigo meu, pode ser em Santos, pode ser em São Vicente. Eu procuro prestigiar o comércio local, não comprando em São Paulo, certo? Eu, praticamente, tenho ido todo final de semana para São Paulo, mas de uma forma ou de outra, eu prestigio o comércio local. Aqui dá para achar tudo. Tranqüilo, tranqüilo dá. É só procurar que acha. Não sinto falta de nada. O comércio, em geral, em Santos, tem todos os produtos que uma pessoa possa querer. Determinadas marcas mais sofisticadas, já temos, hoje, nos Shoppings da cidade. Do resto, é uma pessoa normal comprando numa cidade normal, não há problema nenhum.

CASAMENTO
Sou casado. A minha mulher tem um escritório de contabilidade aqui em Santos. Não quer parar de trabalhar e jeito nenhum. Ela acha que tem que se ocupar com alguma coisa e vivemos uma vida normal, graças a Deus, bem até agora. Não tenho filhos.

AVALIAÇÃO
Trajetória de vida Eu gostaria de parar de trabalhar, só que, a conselho médico, eu não devo parar. Então, não dá para mudar tanto de trajetória, né? Eu tinha em mente, há muitos anos atrás, ao invés de ser um comerciante, ser um industrial. Eu não consegui isso. Não foi por incapacidade, nem nada, mais por uma questão de família. E sou um comerciante bem, bem, bem da cidade que hoje tem uma loja já há 45 anos. Se não fosse bem, eu não estaria no mesmo local, não seria presidente do sindicato, entendeu?

COMÉRCIO
Lições de comércio O comércio é tudo, foi tudo na minha vida. O comércio foi tudo na minha vida, sempre fui comerciante. Cheguei a ser construtor também nas horas vagas, mas o comércio é tudo para mim. Fiz muitos cursos, por sinal, viajei o Brasil inteiro atrás de cursos para aprender alguma coisa. Ultrapassei todos esses planos econômicos e consegui vencê-los. E estou aí, estou lutando, né?

SINDICATO
Participação política Ainda não participamos das discussões sobre a estrutura necessária após a abertura da segunda pista da Imigrantes porque o governo não dá muita chance da gente participar. Eu tenho a impressão que eles vão ter que nos escutar também, certo? O governo se fechou, como se diz na gíria, "fechou em copas". Eles acham que entendem tudo, mas não entendem do comércio local. Santos é uma coisa, região litoral é outra coisa, mas eu tenho a impressão que com o tempo, eles vão se convencer que vão ter que escutar o sindicato do comércio, não só o sindicato do comércio, mas todos os que estão ligados ao comércio, mesmo indiretamente, vão ter que escutar, não tem dúvida.

TRANSPORTE
Vias de trânsito Existe, não sei se muita gente sabe isso, um projeto do Governo Federal, desde a época do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. Quando esteve aqui em Santos, lançou o projeto da Avenida Perimetral. Ela dividiria o porto da cidade. Seria um prosseguimento Da Avenida Portuária, passando totalmente por fora da cidade e todo esse trânsito de containers, carga do porto, essa coisa toda, passaria fora da cidade. Se continuar na situação que nós estamos e essa avenida portuária ou perimetral não sair, vai ser um caos total para a cidade. Haja vista, hoje, com qualquer tipo de safra, tipo milho, algodão, soja, qualquer coisa nesse sentido, quando há safra de exportação, a cidade vira um caos completo. Eu tenho a impressão que a própria Ecovias já viu isto, está fazendo um pátio de estacionamento desses grandes caminhões fora da cidade e vai monitorar isto com os navios que irão encostar. Determinadas cargas que se dirigirão aos navios, ela vai monitorar quantos caminhões podem descer, que hora pode descer. Então, vai ter um auto-controle, enquanto não sair a perimetral porque, senão vai ser um caos completo. A cidade não está preparada, não só para o fluxo de carros, mas com a carga dirigida ao porto. Realmente não está. Todos os dias encontramos caminhões na Anchieta, na Imigrantes... Enfim, na Anchieta então, nem se fala, tipo 17:00, você não consegue transitar com medo de um container cair em cima do teu carro. Numa análise assim, meio superficial, sabemos que descem para Santos, hoje, 5 mil caminhões, por dia Então, vai sufocar a cidade, principalmente se aumentarem as exportações. Tem que ter o monitoramento, tem que ter um estacionamento, pátio para caminhões, tem que sair a Perimetral, tem que sair o campo de aviação, tem que sair tudo isso para poder agregar essa estrutura toda. REFLEXÕES A única coisa que eu tenho a falar é desejar que a gente possa ter bastante saúde, para poder progredir mais ainda. Questão de centro de convenções, o que vier para nós é muito bom, haja um, dois, três, sei lá o que for. Os hotéis que virão logo em seguida, que para nós é muito bom e vim... Que Deus olhe para que todo o turista venha para Santos e gaste dinheiro do comércio local.

AVALIAÇÃO
Avaliação da entrevista Foi uma entrevista muito boa. Espero que vocês procurem outras pessoas que possam exprimir as suas idéias e que dêem seus pareceres sobre o comércio.
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