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História de: Odaisa dos Santos Lopes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

Nascida na Paraíba. Passou por dificuldades em sua terra natal e no Rio de Janeiro. Na capital carioca começou um empreendimento próprio tocando parte de seu sustento transformando óleo usado em sabão.

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História completa

“Eu não tenho pai. Ele não registrou, não conheço. Mas minha mãe se apaixonou lá na Paraíba por quem depois foi meu padrasto e ela resolveu vir atrás dele pro Rio de Janeiro. Eu era muito criança e não entendi muito bem, eu sei que na época que vendeu a casa a gente não veio pra Rio. Um vizinho, que por acaso ele vinha pro Rio deu uma carona pra gente. A minha irmã era nenê e nós viemos bem apertados no carro, quase encaixotado. A viagem demorou. Lembro que tinha um rio muito grande uma hora, que tinha que descer do ônibus pras crianças tomarem uma vacina pra depois entrar numa barca, num negócio bem grandão, pra atravessar aquele rio e depois entrava dentro do ônibus de novo. Minha mãe tinha vendido a casa. E quando chegamos aqui no Rio, na rodoviária, o padrasto não apareceu. Ficamos dormindo lá na rodoviária, naqueles bancos de pau. Até que apareceu um senhor taxista que levou a gente pra casa do padrasto. Encontramos a casa dele. Era um morro. E foi lá que ele começou a me bater. Tudo era eu. E foi assim até que um dia estávamos almoçando e meu irmão pegou a colher de feijão e botou na boca da minha irmã. Nisso, ela virou e caiu. Como tudo errado era eu que fazia, meu padrasto achou que fosse eu e virou pra me bater. Meu irmão, que era já um rapazinho, pegou a garrafa, encarou. O padrasto viu que já tinha alguém pra enfrentar, e foi embora. Com nove ou dez anos, eu queria aprender a escrever e a ler. Aí minha mãe: “Pra quê? Pra escrever cartinha pra namorado?” Eu fui lá pra escola e quando perguntaram sobre meus responsáveis pra assinar pra mim, menti “Minha mãe morreu”. Só depois contei pra família. Tive meu primeiro filho que nasceu doentinho, deu uma infecção no intestino e só viveu um mês. Depois tive mais três filhos que vingaram. E fui me virar. Comprava camisetinhas por R$1,00 e vendia por R$2,00l. Aprendi a fazer crochê: vendia também. Cocada até eu fiz. Eu trabalhava também na Pastoral da Criança e foi onde a gente viu a necessidade de ter algum aumento de renda dessas pessoas. Pensamos bijuteria, mas onde você vai vender bijuteria aqui? Agora o sabão você tem que vender.Toda semana você está vendendo. Aí teve um dia em que nós fomos lá e compramos cinco coisinhas de soda cáustica e foi uma dureza até acertarmos o ponto. Quase desistimos. Hoje é difícil perdermos o ponto. Também tivemos aula pelo projeto Reciclorium, veio um químico e tudo. Eu acho que é um produto que, se as mulheres pegarem com garra, tem como tirar sustenta pra família.

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