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Minha vida é no mar.

História de: Arnaldo Gomes de Menezes
Autor: Sophia Donadelli
Publicado em: 13/06/2021

Sinopse

Arnaldo Gomes de Menezes. Profissional do mar. Se tornou mestre em cabotagem da Marinha Mercante e assessor em salvatagem. Sempre esteve no mar, desde 1975. Já viajou mais de 47 países. Nesses vários anos de Petrobras, conseguiu fazer vários amigos. É filiado ao Sindicato dos Mestres de Cabotagem da Marinha Mercante. Tem muitas histórias de mar.

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História completa

Projeto Memória Petrobras 

Realização Museu da Pessoa

 Entrevista de Arnaldo Gomes de Menezes 

Entrevistado por Eliana Santos

Local: Marlin Sul - P38, 27/01 de Janeiro de 2005

Entrevista:  UN Rio – número 05

Transcrito por Maria da Conceição Amaral da Silva

Revisado por: Sâmmya Dias

 

P – Boa tarde.


R – Boa tarde.


P – Queria começar pedindo que o senhor nos fale o seu nome completo, local e data de nascimento.


R – Bom, meu nome é Arnaldo Gomes de Menezes. Eu nasci em São Paulo, 3 de Maio de 1955.


P – Seu Arnaldo, conta para a gente como é que foi o seu ingresso na Petrobras e quando foi que isso aconteceu.


R – Bom, meu ingresso na Petrobras… Eu sou membro da Marinha Mercante. Sou assessor de salvatagem. Eu vim aqui para a Bacia de Campos em 1988.


P – O senhor veio direto para cá para a Bacia de Campos?


R – Direto para a Bacia de Campos.


P – E quais foram assim os lugares que o senhor passou? Se tem alguma diferença de setor, para a gente que não conhece um pouco da sua atividade. Como que isso funciona?


R – Minha atividade é assessoria de salvatagem eu iniciei em Anchova. Passei já em Anchova, Pampo, P7 [Plataforma 7]. E agora estou em P38 [Plataforma 38].


P – Como que é a sua atividade? O que é que o senhor faz? Para a gente que não conhece? Como é que é a rotina de vocês?


R – Minha profissão, eu sou mestre de cabotagem. Minha rotina aqui a bordo é prestar assessoria de salvatagem ao Geplat [Legislação pertinente à Autoridade Marítima] da plataforma. Toda parte de assessoria de salvatagem. Que refere-se à legislação naval, à legislação da plataforma e a parte de salvatagem no mar. Isso é toda a minha responsabilidade aqui a bordo. Cuidar dos equipamentos de salvatagem: balieira, bote de resgate. Essa é minha parte principal aqui na plataforma. 


P – E o senhor sempre trabalhou com essa atividade nessas plataformas que o senhor passou?


R – Sempre, sempre assessoria de salvatagem. 

P – Conta para a gente como é que é essa expectativa de estar embarcado? De trabalhar embarcado?


R – Bom, eu trabalho embarcado desde 1975. Eu já viajei 47 países. Eu sou da Marinha Mercante. Sou mestre de cabotagem da Marinha Mercante. Sempre trabalhei no mar. Minha vida toda sempre foi no mar. Eu estou desde 1975 no mar.


P – Conta para a gente que não tem esse conhecimento, que não sabe como que é viver no mar? Como é que deve ser isso para você estar aqui em alto mar? Esse dia-a-dia? Como que é isso para vocês? Assim, para a gente que não sabe?


R – Bom, eu sou um profissional do mar. O pessoal aqui trabalha, vem aqui trabalhar na plataforma para ganhar o pão de cada dia. Eu vivo no mar. Minha profissão é no mar. Então para mim não tem muita diferença estar trabalhando em uma plataforma ou em um navio que eu me sinto bem. A minha, o meu meio. Então é da minha profissão. 


P – Então me conta quando o senhor veio para a Bacia de Campos, o que o senhor percebeu de maior desafio na sua área? O que é que era difícil que hoje vocês olham: “nossa, mas não era bem assim!”?


R – Era, antigamente o conceito de salvatagem, não era bem... Não estava bem integrado aqui na bacia. E nós com esse conhecimento que nós trouxemos do mar, de pessoal que já vivia em navios e com a Petrobras se conscientizando mais nos equipamentos de salvatagem moderno. E ela dando essa grande ajuda em equipamentos de salvatagem melhorou bem os aspectos de salvatagem e da vida, da segurança da vida humana no mar, aqui na Petrobras. Hoje em dia nós temos os melhores equipamentos. Petrobras dá tudo o que nós precisamos e os treinamentos foram bastante aprimorados aqui nos últimos anos. Então nós estamos bem nessa área de salvatagem, graças a Deus. 


P – Que bom, né? Conta para a gente então alguma história marcante que o senhor tenha vivido? Algo que tenha lhe marcado. Ou pode ser engraçado, não sei. Alguma coisa que lhe marcou nesse tempo de empresa Petrobras.


R – É, as histórias que nós temos são as histórias  normais de todos que chegam aí a bordo que não têm o conhecimento. Nós sempre estamos procurando passar esse conhecimento para as pessoas. As pessoas chegam aqui a bordo pensando que isso aqui é bicho-de-sete-cabeças e não é bem assim. Nós temos toda a segurança aqui a bordo. Todas as pessoas que têm o conhecimento, todos são profissionais. Então história mesmo, histórias...


P – Mas tem alguma coisa assim que o senhor tenha vivido que o senhor se lembre? Ainda mais com essa vivência no mar e trabalhando com uma área que está ligada à segurança, à vida? Tem alguma coisa que o senhor tenha vivido que marcou? Que o senhor falou assim: “nossa!”? Que o senhor tenha participado? Que o senhor...


R – O que marcou muito agora ultimamente foi a perda da nossa plataforma, a P36 [plataforma 36]. Então isso marcou muito todos nós que trabalhamos na área. Infelizmente houve perda de vida mas não foi bem o pessoal da nossa área. A salvatagem funcionou muito bem e o pessoal estava muito bem treinado. Isso marcou a gente profundamente, marcou a gente não de uma maneira negativa. Até de uma maneira positiva. Porque a Petrobras a partir do advento da 36 [plataforma 36] ela então deu mais ênfase à área de salvatagem. À área de segurança em geral. Então nós perdemos colegas em uma outra área, que é a era a dos técnicos de segurança, mas houve... Da área de salvatagem funcionou muito bem. A área de resgate da plataforma funcionou muito bem. Então a Petrobras nos últimos anos ela aprimorou mais isso. Então não foi um acontecimento agradável mas serviu de lição. Serviu de lição para todos nós.


P – E o que é que o senhor acha assim que foi de mais marcante nesse investimento da Petrobras? O que o senhor acha que mais melhorou nesse tempo de empresa que o senhor está aqui em relação à sua profissão?


R – Na minha opinião, houve mais atenção à área de salvatagem com compras de novos equipamentos, novos métodos de treinamento. Novas exigências para novos profissionais na bacia. Mais aprimoramento do pessoal da assessoria de salvatagem. E a, o SMS (Política de Segurança, Meio Ambiente e Saúde) também foi, mudou algumas coisas. E foi...


P – O SMS é o? 


R – É uma ferramenta que nós temos da área de toda, de segurança, do meio-ambiente e saúde. Então houve mais, foi criado mais ferramentas para a gente. Na área de treinamento, na área de equipamento. Toda essa área foi bastante interessante. Teve uma evolução boa nessa área.


P – Mudando um pouquinho de assunto: o senhor é filiado ao sindicato?


R – Eu sou filiado ao Sindicato dos Mestres de Cabotagem da Marinha Mercante. 


P- E o senhor acha que a relação do sindicato, pensando no sindicato dos petroleiros, o senhor acha que a relação do sindicato com a Petrobras mudou nesse tempo? Que o senhor tenha conseguido acompanhar?


R – A relação sindical mudou muito nos últimos anos. A relação sindical com as firmas, com os patrões ela teve uma mudança radical nos últimos anos porque antes era só reivindicação, era só greve. E agora eu acho que o sindicato ele não está bem só para a greve. Ele já está vendo um outro tipo de, está mais integrado com as empresas. E aí, por outro lado as empresas também eu acho que compreendeu mais o sentido sindical. Que não era só reivindicação. E nós passamos mais para uma área de segurança, mais para uma área social. E teve uma grande avanço entre o sindicato e a patronal. Eu acho que houve bastante evolução.


P – Seu Arnaldo, tem mais alguma outra história que o senhor queira contar para a gente da sua presença tanto tempo na Bacia de Campos?


R – É, nós temos bastante história mas agora não me recordo não. História de mar, história de...


P – E tem alguma história de mar aí que o senhor lembre?


R – É, recentemente houve esse acontecimento lá no… Nas ilhas lá, principalmente lá em Colombo. E eu infelizmente eu perdi amigos lá. Eu estive há 22 anos atrás lá. Passei o Natal e o Ano Novo, conheci uma família lá na ilha, em Colombo. Na cidade de Colombo. E nós fizemos amizade. Passamos 15 dias lá. E esse rapaz, ele trabalhava lá, constituiu família. E infelizmente ele perdeu agora a esposa e os três filhos que ele tinha. Então é, inclusive a casa dele também. Que ele morava na beira da praia em Colombo.


P – Nossa. 


R – Então esses acontecimentos são meio chatos. Eu tive o desprazer de estar aqui depois de 20 anos que eu não ia lá. Teve essa notícia que infelizmente ele perdeu lá a família dele.


P – Que chato. Seu Arnaldo, eu queria saber o que é que o senhor achou de ter participado do Projeto Memória, contribuindo com a sua entrevista para a gente?


R – Não, foi muito bom. Muito bom vocês virem aqui a bordo conhecer a nossa rotina. Conhecer a nossa vida aqui a bordo. 


P – Então que bom. Agradeço muito pela entrevista. Obrigada.


R – Tudo bem, eu é que agradeço.


 - - -  FIM DA ENTREVISTA  - - -


 


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