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Minha parte no trato

História de: Anele Milagres Costa
Autor: Anele Milagres Costa
Publicado em: 15/04/2017

Sinopse

História de cunho espírita ou telepático entre três seres.

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História completa

Era noite, década de 1970, eu e dois amigos — uma garota de quatorze anos e um rapaz de dezesseis —, curiosos pelos mistérios da vida e da morte, conversávamos para tentar esclarecer um assunto que nos intrigava muito, a existência de algum fenomeno ou sagrado mistério de vida após a morte. Nesta noite nós fizemos um trato: combinamos que quem morresse primeiro avisaria os outros dois amigos e quando o segundo morresse, avisaria o terceiro. Dessa forma saberíamos que existe algo além da vida física. O jovem que ficasse por último teria uma responsabilidade muito grande, a tarefa difícil de usar e veicular essas informações em prol de ajudar, esclarecer e confortar as pessoas próximas ou distantes, utilizando-se das possibilidades de comunicação e divulgação da época. O tempo passou, crescemos, construímos nossas vidas e destinos longe um do outro, em cidades diferentes, perdemos o contato, raras eram as notícias. Era noite, década de 2000, eu e minha família assistíamos televisão juntos, em uma época em que ainda não ficávamos mergulhados em telas individuais, chegando redes sociais e mensagens. De repente, percebi e senti uma voz masculina. “Ouvi” uma frase de despedida: “agora eu vou embora”. Eu estava ciente de que ela não vinha do ambiente material, era algo diferente. Não identifiquei quem era, nem de onde vinham as palavras, tampouco lembrava-me do trato, mas semanas depois soube que este amigo havia partido. Lembrei-me do acordo quando constatei que a mensagem de despedida que recebi aconteceu no mesmo dia e hora de seu passamento. Era noite, década de 2010, acordei como quem tivesse submergido de águas profundas, como se tivesse voltado de algum lugar ou condição mental especial, com a alma leve em contentamento existencial pleno de felicidade, senti amizade e amor e sei que estavam sendo canalizadas para mim naquele momento paz, luz e alegria! Acordei do breu escuro para o claro do cristal com a certeza de que algum mensageiro espiritual havia me concedido um recado piedoso e amoroso, mas não sabia de quem poderia ser esse contato. Nesta mesma manhã encontrei casualmente na rua a sogra da minha companheira de combinado. Ela me contou que minha amiga estava doente. Neste exato momento, enquanto conversávamos, ela atendeu uma ligação em seu celular e recebeu a notícia da morte de sua nora. Então entendi de qual espírito recebi a mensagem na madrugada anterior, percebi que minha amiga havia mantido sua parte no acordo e comunicou-me de sua partida. Não foi só um recado dado na hora do sonho, mas a certeza de que somos maiores e que existe o milagre divino, que podemos sentir paz, leveza, alegria e ter confiança na vida e nas pessoas. Não sei por quanto tempo ainda serei a derradeira viva, mas sei que eles se foram e me avisaram quando partiram. De alguma maneira deve existir algo após a passagem da vida. Sei também da dificuldade da divulgação da mensagem, pois ela vai se deparar com a incredulidade, a ironia e a indiferença das pessoas. Porém, eu vou manter minha parte no trato.
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